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Júlio Prates de Castilhos. Este nome, seriamente desconhecido dos anais da política brasileira, poderia ser facilmente elevado ao patamar dos grandes políticos do mundo moderno. Seu caráter extremamente firme, com uma autoconfiança latente desde tenra idade e um espírito inabalável de liderança e condução, criou a maior ação política da história do Brasil, sendo praticamente o pai do nacionalismo tupiniquim.

Um homem do final do século XIX, carregado de preceitos ultramodernos ao qual seria comumente usado a partir da década de 1920 por regimes que são ordinariamente elogiados no meio nacionalista contemporâneo brasileiro, genialmente trouxe à luz da atualidade um pensamento repleto de influência clássica Cesarista, com toques da sóbria democracia ateniense. Gaúcho de fazenda, profundamente nacionalista e leal ao ideal político de Maquiavel, guiou esta ciência à prateleira da arte, a primazia da excelência humana. Ao modo de César, em meio ao mundo degenerado do pensamento liberal, liderou com mão de ferro e virtude inenarrável o estado do Rio grande do Sul, criando uma herança ideológica que se seguiu até o golpe militar de 1964, onde um grande seguidor do pensamento Castilhista, Joao Goulart, fora derrubado como seu antecedente político, Getúlio Vargas, da cátedra do executivo brasileiro.

Em meio a uma União completamente entreguista e degenerada, junto aos estados oligarcas do sudeste, Castilhos fez o sul de nosso país resplandecer como um baluarte precoce do que mais tarde seria dado o nome de Terceira Posição Política, tendo a história política brasileira uma dívida eterna com este herói gaúcho que, com todas as suas forças, lutou por nosso país não apenas para ele ser justo, soberano e rico mas para mostrar ao mundo o modelo ideal de república, provando ao racionalismo liberal que até neste tema os grandes da antiguidade estavam certos.

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Júlio de Castilhos nasceu na Fazenda da Reserva em 1860 no Rio Grande do Sul. Até o ano de 1877 recebeu a primeira etapa de formação em Porto Alegre, sofrendo grande influência de seu pai que o infundiu no gosto pelas problemáticas da sociedade sul-riograndense à luz das novas correntes culturais da Europa como os ideais republicano e positivistas. Em 1877 Castilhos entrou na Academia de Direito de São Paulo, sendo um aluno popular, embarcado em intensa atividade acadêmica e como jornalista, tendo aos 19 anos fundados o jornal A Evolução em colaboração com Assis Brasil e Pereira da Costa.

O ambiente acadêmico em São Paulo estava extremamente agitado no final do século XIX. A perda da força da igreja, os constantes discursos reformistas, a retórica antiescravagista e o positivismo político-jurídico eram temas constantes nos meios em que Castilhos frequentava. De fato, sua formação ideológica aconteceu neste período intenso de sua juventude. Aliado à sua natural personalidade de homem senhorial, com o abundante desejo por ordem e autoridade, Júlio de Castilhos formulou suas ideias com alguns conceitos políticos. Combatendo, associado a períodos históricos como a era de Marques de Pombal, tendo também uma grande influência no conceito jurídico-constitucional do Cesarismo.

Em 1881, aos 21 anos de idade, Castilhos terminara sua faculdade de direito, regressando a Porto Alegre. Desde 1880 dirigia um órgão acadêmico, A República, onde colaboravam na redação jovens que se tornariam ilustres, como Carvalho Mendonça, Pedro Lessa, Augusto Lima e Oscar Pederneiras. Neste ínterim, participara também do “Clube Vinte de Setembro. Sua produtividade rendeu muitos elogios e um grande respeito por parte dos políticos mais velhos do Rio Grande do Sul. Não obstante, sua personalidade autoritária e pertinaz fidelidade ao programa traçado de antemão, fizera o jovem Castilhos ter muita oposição no cenário público brasileiro. É sabido entre todos os seus biógrafos que sua ideologia política se fundamentara muito por causa de seu temperamento combativo, parentes frequentemente o caracterizava como um jovem autoritário e esclarecido, onde não aceitava debates no campo dos princípios. Esta força de personalidade foi sua principal ferramenta para lograr êxito no serviço público de seu estado.

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Mas o que defendia este jovem distinto em meio a tantas pessoas cristalizadas no pensamento liberal? Castilhos era republicano, acreditava no serviço público virtuoso e, de fato, executou muitas práticas de “higienização política” no estado do Rio Grande do Sul enquanto presidente. Seu pensamento Republicano girava em torno da excelência política, da escolha por qualificação técnica, capacidade prática, bem diferente da ideia de herança que ocorria no regime monarquista. Seu desprezo pelo regime monárquico também vinha da ideia de parlamentarismo, Castilhos via estes regimes como uma oligarquia disfarçada e não uma democracia de fato. O jovem encontrou no Cesarismo a alternativa correta e moderada, trazendo o povo novamente ao cenário político por meio da democracia direta. Sua ação antiliberal encontra o ponto alto quando o mesmo redigiu solitariamente a Constituição do Estado do Rio Grande do Sul. Itens explicitando coisas como “Este código político, promulgado a 13 de julho de 1891, em nome da família a pátria e da humanidade, estabelece a separação dos dois poderes”, e “Não há parlamento: o governo reúne à função administrativa a chamada legislativa, decretando as leis”, foram os principais assuntos da política Castilhista naquele período, um jovem na casa dos 30 anos governava praticamente um pais antiliberal dentro de uma nação eminentemente liberal. A genialidade de Castilhos deve servir como exemplo arquetípico para o nacionalista brasileiro, exemplo este que seria seguido pelo seu sucedido Borges de Medeiros e, mais tarde, pelo grande Getúlio Vargas.

Outro ponto nevrálgico do pensamento Castilhista é a concepção que fundamenta a sociedade. Os liberais adotam uma postura individualista, onde o homem atua como um átomo defronte ao todo social, tendo o Estado uma função meramente negativa, apenas zelando por direitos supostamente naturais do indivíduo, deixando-o livre para buscar seus interesses sem ao menos levantar alguma questão acerca do conjunto da sociedade. Júlio de Castilhos rejeitou esta proposta da ética liberal em troca de um pensamento mais orgânico do homem, trazendo-o à luz da coletividade nacional, tendo o Estado, a grande função de manter a Unidade do povo acima de tudo, moralizando, educando politica e civilmente, sempre com o propósito de equalizar a dinâmica de poderes do país, sublimando as energias para o bem comum.

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Desta feita, Castilhos eleva o Estado ao patamar de guardião da humanidade, responsável por organizar os afetos humanos em direção a uma meta, um objetivo de transformar o homem e o organismo social em uma essência de alta cultura e moral. Devemos cuidar para que a interpretação desta dissertação não caia no erro do pensamento marxista de arrebanha mento da massa. A educação precisaria ser refeita de maneira completa, eliminando o preceito liberal de igualdade, elevando o rudimento da agonística e da meritocracia a patamares que possa valorizar a excelência individual, respeitando o alto prestígio para as altas capacidades. Uma sociedade fundada em um ambiente agonístico é, em finalidade, boa para a coletividade, partindo do ponto de vista que a ambição humana deve estar em convergência com a ambição da sociedade em geral.

Júlio de Castilhos criou uma linha ideológica completamente original e única no mundo, governando o estado do Rio Grande do Sul até o ano de 1898, onde abriu caminho para a política positivista que fora alicerçada por Borges de Medeiros, seu sucessor.


Fonte: Alerta Nacionalista (blog)

By Alerta Nacionalista

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