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Irã presta homenagem a cientista assassinado e acusa Mossad israelense

Moscou condenou firmemente o assassinato do físico nuclear iraniano Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi, cujo caráter provocatório visa claramente desestabilizar a situação na região, comunicou nesta segunda-feira (30) o Ministério das Relações Exteriores da Rússia.

“Condenamos veementemente o assassinato em 27 de novembro no Irã do cientista Mohsen Fakhrizadeh. Expressamos nossa profunda preocupação em relação à natureza deste ato terrorista, claramente destinado a desestabilizar a situação e exacerbar o potencial de conflito na região. Quem quer que esteja envolvido neste assassinato e tente usá-lo para seus próprios interesses políticos deve ser responsabilizado por isto”,  lê-se no comunicado da chancelaria.

Mohsen Fakhrizadeh-Mahabadi era professor de física na Universidade Imam Hossein e era ainda chefe da Organização de Pesquisa e Inovação em Defesa do Ministério da Defesa do Irã. O cientista nuclear foi morto perto de Teerã na sexta-feira (27) passada em um atentado em um ataque com carro-bomba e arma de fogo. Na sequência do ataque ele ficou gravemente ferido e acabou por falecer no hospital.

O Irã afirmou nesta segunda-feira que seu eminente físico nuclear assassinado na sexta-feira foi vítima de uma operação complexa envolvendo meios completamente novos e acusou o Mossad, serviço secreto israelense, segundo o almirante Ali Shamkhani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, em entrevistas à mídia iraniana nesta segunda-feira (30). Ele disse também que os “Mojahedins do Povo”, grupo de oposição no exílio, deve estar envolvido, mas o elemento criminoso de tudo isto é o regime sionista e o Mossad, afirmou para a agência de notícias iraniana Fars.

No mesmo dia e com um protocolo digno dos maiores mártires da República Islâmica do Irã, as autoridades prestaram uma última homenagem a este cientista, Mohsen Fakhrizadeh, e prometeram continuar o seu trabalho.

As informações das circunstâncias do atentado contra o cientista Mohsen Fakhrizadeh foram confirmadas pelo Ministério da Defesa, que posteriormente confirmou sua importância para os projetos nacionais iranianos, sendo o vice-ministro da Defesa e chefe do Organização de pesquisa e inovação em defesa (Sépand).

Mohsen Fakhrizadeh já havia sido alvo de atentados

Na mesma entrevista para a agência de notícias iraniana Fars, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional Ali Shamkhani afirmou também que Fakhrizadeh já havia sido alvo de tentativas de ataque no passado, “mas desta vez o inimigo usou um estilo e método totalmente novos, profissionais e especializados, e conseguiu atingir o objetivo que perseguia há 20 anos”.

 

A agência de notícias iraniana Fars afirmou que o ataque foi realizado com uma metralhadora automática de controle remoto montada em uma picape Nissan, muito usada, por exemplo, pelos grupos terroristas do Estado Islâmico, financiados pela CIA e Israel.

Segundo a Press TV, canal de notícias em inglês da televisão estatal, relatou que as armas recuperadas do local do assassinato foram fabricadas em Israel.

Relações com Israel

Rival internacional da República Islâmica do Irã, tendo seus principais influentes sionistas no mundo ocidental instigado inúmeras vezes nas últimas décadas, com destaque para o governo de Bush e Obama, uma guerra aberta dos EUA contra o Irão, Israel não reagiu oficialmente às acusações lançadas desde sexta-feira pelas autoridades iranianas.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu apresentou com documentos sem qualquer leigitimidade em 2018 o cientista morto como chefe de um programa nuclear militar secreto, que o Irã sempre negou.

Homenagem e promessa de retaliação

Até então, o nome do cientista era desconhecido para a maioria dos pesquisadores e especialistas, mas sabe-se que era um homem de grande importância para o governo iraniano.

“Se nossos inimigos não tivessem cometido esse crime desprezível e derramado o sangue de nosso querido mártir, ele poderia ter permanecido desconhecido”, disse o ministro da Defesa Amir Hatami, incapaz de conter as lágrimas ao lado do corpo do físico, durante cerimônia no ministério da Defesa em Teerã. Mas hoje ele é “revelado a todo o mundo”.

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No funeral, Fakhrizadeh foi homenageado no sábado (28) e no domingo (29) em Mashhad e Qom, dois lugares sagrados xiitas, assim como aconteceu com o general iraniano Qassem Soleimani em janeiro, assassinado por Washington no Iraque. O retrato do general “mártir” foi colocado perto do caixão ao lado da imagem do cientista.

“Este último fez um trabalho considerável no campo da defesa antiatômica e o governo dobrou o orçamento de Sépand”, disse o general Hatami, negando que Mohsen Fakhrizadeh estivesse envolvido em qualquer programa nuclear militar.

A oração fúnebre foi conduzida por Ziaoddine Aqajanpour, representante do guia supremo Ali Khamenei. “Teremos paciência (…) mas a nossa nação exige a uma só voz um castigo decisivo” contra os responsáveis pelo assassinato, afirmou.

O caixão do cientista foi enterrado em Imamzadeh-Saleh, um santuário em Teerã onde dois outros cientistas foram sepultados em 2010 e 2011, assassinatos também atribuídos a Israel.

Depois de acusar Israel, o presidente iraniano Hassan Rohani prometeu no sábado uma resposta à morte de Mohsen Fakhrizadeh.

Questão nuclear: somente os líderes da OTAN podem ter armas

Muitos nacionalistas pedem o banimento dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) responsáveis por inspecionar atividades iranianas sensíveis, em conformidade com o acordo nuclear internacional concluído em 2015.

Mas esse pacto está à beira do abismo, embora o governo iraniano sempre tenha colaborado com as supervisões internacionais [ditas da OTAN e seus líderes] desde que o presidente Donald Trump, aliado de Israel, retirou unilateralmente os Estados Unidos dele em 2018, antes de restaurar as sanções econômicas contra o Irã.

O acordo oferecia a Teerã um alívio das sanções internacionais em troca de garantias para atestar a natureza exclusivamente pacífica de seu programa nuclear. Coisa que foi feita. Joe Biden, eleito presidente dos Estados Unidos em novembro, mostrou vontade de voltar ao acordo.


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