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O tradutor e organizador da primeira versão em português de uma das obras de Sir Oswald Mosley, “Tomorrow We live”, lançado no Brasil como “A Política do Fascismo Britânico”, Jean F. L. Becker, fala sobre a obra de Mosley, sua importância e os motivos de sua escolha na dedicação do livro, lançado pela Episch Verlag neste mês de julho. 

Já faz alguns anos que as ideias do líder fascista britânico Sir Oswald Mosley são difundidas em nosso país – fato do qual tenho responsabilidade parcial. Porém, suas ideias políticas, bem como de outros autores, são muitas vezes mal compreendidas, resultado de uma leitura superficial a respeito do tema. Ninguém pode justificar sua ignorância em relação às doutrinas Hitleristas, uma vez que seu livro principal, Mein Kampf (“Minha Luta”), encontra-se disponível para estudo e análise do seu conteúdo.

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Em contrapartida, os escritos de Oswald Mosley traduzidos para a língua portuguesa são escassos, se limitando a alguns livretos superficiais, tais como “10 Pontos sobre o Fascismo”, “Uma política Nacional” e “Fascismo: 100 perguntas respondidas”. O problema é que estes são da introdução de Mosley no movimento e doutrina fascista, algo que ele se aprofundaria com o passar dos anos; estes livros não apresentam a complexidade de seu pensamento, o que é muito importante para estudos aprofundados de comparação com o Fascismo italiano e o Nacional Socialismo alemão, por exemplo. Pessoalmente, considero que a grande obra escrita por Mosley é o livro The Alternative (“A Alternativa”), lançado em 1947, onde o autor já tem uma visão política e filosófica mais madura e aprofundada.
Segundo Robert Skidelsky, a melhor introdução para as ideias de Mosley é o livro Tomorrow We live (1938). Para uma melhor compreensão foram adicionados trechos de outros livros do autor, principalmente The Greater Britain.
Certamente muitos leitores estranharão algumas das ideias presentes neste livro, se comparadas com as de outras doutrinas nacionais – especialmente as mais tradicionais. É sempre importante lembrar que é impossível desassociar o nacionalismo revolucionário da sua nação de origem, e com Mosley não seria diferente. Sendo a Grã-Bretanha a terra onde se originaram democracia e o industrialismo, as doutrinas fascistas britânicas acabaram por absorver estes elementos.

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A importância do pensamento de Mosley se deve ao fato de sua visão de fascismo não ser copiada ou inspirada de Mussolini, do qual apenas adotou o nome copiou a estética. Sua doutrina era baseada em ideias pessoais que o autor desenvolveu em sua carreira política. Ideias estas que são melhores representadas por seu símbolo: Ação e União. As críticas do autor à democracia liberal e ao sistema financeiro, à sua maneira, são uma ótima introdução para pensamentos políticos dissidentes daqueles disseminados em nossa sociedade.

Este livro também é a melhor introdução para aqueles que se interessarem em estudar as doutrinas do fascismo britânico, uma vez que apresenta um dos últimos estágios do desenvolvimento do pensamento do autor antes da Segunda Guerra Mundial – desenvolvimento este que atingiria sua maturidade com as publicações de The Alternative (1947) e Europe: Faith and Plan (1958).Mosley acreditava que o Fascismo era a doutrina que mais se encaixava nesse parâmetro. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, ele concluiu que era necessário lutar pela união da Europa, tanto para evitar futuros conflitos na escala da guerra anterior, quanto porque considerava o “socialismo europeu” como a consequência lógica de suas ideias. Ele sempre considerou o Fascismo como o movimento moderno que iria substituir a decadente democracia liberal [e financeira], mas depois de 1945 passou a ver o “socialismo europeu” como a doutrina que mais correspondia aos seus anseios políticos anteriores.

Mencionei os pontos acima para que o leitor não se surpreenda ao deparar com posicionamentos muito diferentes com os de Mussolini e outros nacionalistas revolucionários de seu tempo. Este livro, bem como The Alternative, devem ser lidos de maneira crítica, mas existe muita coisa a se aproveitar para o crescimento intelectual daqueles que leem com o espírito.


Nota

[1] Do original do inglês Mosleyit, significa, de maneira informal, relativo a Oswald Mosley, seus movimentos e doutrinas. Tradução livre.

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