fbpx
Há 31 anos, Irton Marx criava um movimento independentista – O Pampa Livre

 

Há exatamente 31 anos, surgia o movimento independentista pampeano e antiliberal mais influente do século XX, que buscava a independência do Rio Grande do Sul em Santa Cruz do Sul, transformando o Estado na “República do Pampa”. Em 18 de fevereiro de 1990, o movimento “Pampa Livre” era fundado por Irton Marx e rompia com o Tratado do Ponche Verde, instalado desde os tempos da República Riograndense, numa mostra do descontentamento sulista com o tratamento discriminatório imposto pelo governo do Brasil, por intermédio da própria Constituição.

Sobre Irton Max

Nascido em Hamburgo, na Alemanha, Irton veio para Santa Cruz em 1947, com apenas 11 meses e 4 dias de vida. Junto com o irmão mais velho, além de outros dois nascidos no RS, cresceu na região onde fica o quartel – no qual, inclusive, prestou serviço em 1966. Seus pais trabalhavam em empresas de tabaco e, devido à perseguição contra imigrantes germânicos desde a Segunda Guerra Mundial, eram discretos sobre as origens da família.

Sem formação superior, Irton trabalhou em diversas atividades: foi funcionário da Companhia de Fumos Santa Cruz, garçom no Quiosque, fez curso técnico de Enfermagem no Hospital Pompeia, em Caxias do Sul, e manteve uma fábrica de confecções que chegou, segundo ele, a contar com 178 funcionários.

Foi em 1985 que começou a militar pelo separatismo. “Meu avô materno sempre dizia: ‘isso aqui não é Brasil, esse Estado pode ser um país’. Aquilo acho que gravou na minha cabeça”, conta. Com o tempo, formou a percepção de que o Rio Grande do Sul é prejudicado pelo pacto federativo. “Comecei a pesquisar e descobri que fazemos papel de bobo, porque toda a riqueza nossa é baldeada para o Rio de Janeiro e Brasília e dali toma destino para o bolso dos políticos, dos judiciários, dos militares e dos coronéis do Nordeste. Aí dei o grito da independência e até hoje estou peleando.”

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

O movimento de Irton e a Rede Globo

Ao ser noticiado o fato, a princípio houve pouca discussão a respeito. No entanto, com a interferência racista e discriminatória contra o Sul por parte da TV Globo, os acontecimentos tomaram outros rumos. Antes da emissora carioca interferir no assunto, outros veículos de comunicação de grandes centros faziam divulgações de forma imparcial do movimento. Não se utilizavam de palavreados ofensivos e nem de malícia jornalística tupiniquim. Bastou uma reportagem do programa Fantástico conduzida com o objetivo de destruir a causa independentista, para que os rumos dos acontecimentos mudassem.

Em cima de uma matéria programada para incitar violência de toda ordem contra o ideário pampeano, a TV Globo deslocou-se até Santa Cruz do Sul onde permaneceu por 48 horas revirando arquivos locais, fazendo perguntas ao povo e, nada obtendo que pudesse destruir a imagem do movimento, que era bem visto na cidade.

Neste ritmo, apegaram-se ao grupamento étnico do local por ser germânico, e acabaram envolvendo toda a cidade, o comércio; a população; as autoridades; a igreja; numa trama simulada pela emissora que insistia em insinuar que Santa Cruz era uma cidade preconceituosa com os outros estados, especialmente contra os nordestinos, e que até o idioma do novo país seria o alemão.

Tudo não passou de armação da Globo. Quando foi levado ao ar tal programa, ressurgiu um sentimento xenófobo e antieuropeu contra o Sul que perdura até os dias atuais. A partir daí, a vida de Irton foi um inferno: sofreu ameaças de morte; ofensas por parte da imprensa local; sua casa foi alvo de tiros; teve seu sigilo bancário quebrado. Até hoje alguns jornais da Capital tratam os movimentos independentistas com desdém, mesmo reconhecendo que pecaram com atitudes que não discutiam o separatismo em si, mas sim, a pessoa física de Irton.

RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

 

A interferência da TV Globo fez com que a Justiça Brasileira interviesse contra o ativista e seu ideário. Promoveram quatro invasões em sua residência, confiscaram seus bens pessoais, da empresa e de sua família. Rasgaram a própria Constituição privando Marx de sua liberdade de pensamento sem anonimato.

Irton foi condenado pela Justiça Federal, a cumprir três anos e meio de prisão por supostas injurias raciais. Sem nunca ter ofendido qualquer etnia. Apesar de todas as acusações, ele não abaixou a cabeça e diante dos tribunais brasileiros deixou bem claro: “se o Brasil é indivisível, eu sou indobrável”.

No campo político, foi chamado pelo governador baiano Antônio Carlos Magalhães de “novo Hitler dos pampas”. Leonel Brizola insinuou que Marx tinha “minhocas na cabeça”. Ciro Gomes tachou todos os simpatizantes separatistas de fascistas e homossexuais.

A carreira política de Marx também sofreu danos, sendo expulso do PSB (Partido Socialista Brasileiro) que militava em 1994, além de os outros partidos que o tornaram inelegível. Porém, Irton ainda contava com a simpatia do povo local, sendo eleito vereador de Santa Cruz do Sul entre 2005 e 2008. Também foi candidato a deputado estadual em 2010 pelo Partido da República.

Irton Marx, autor do livro “Vai Nascer Um Novo País: República do Pampa Gaúcho”, lançado em 1990 pela Editora Excelsior (que pertencia a ele mesmo), sobre a independência do Rio Grande do Sul, segue na ativa e firme em seus ideais.  Ele diz ter antecipado “tudo o que está acontecendo”. “Não errei nada, até o Plano Real. Eu já tinha feito o Plano Joia. Eles só copiaram”, diz.

Fonte: Resistência Sulista / Aurora Precursora


RECEBA NOSSOS LIVROS EM CASA

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Quer receber nossas notificações?    SIM! Não, obrigado (a)