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Gustavo Barroso sobre o “Capitalismo”

O pai de todas as terríveis lutas que se processam no seio da sociedade contemporânea é o capitalismo. O sistema capitalista produzido pelo liberalismo político e econômico implantou a grande indústria, sufocando a pequena e o artesanato, e fez triunfar a máquina, anemiando o valor do trabalho manual.

Se nas organizações de caráter socialistas o trabalho se sobrepõe ao capital, na forma de organização capitalista, naturalmente, o capital predomina. Mussolini traça a sua fórmula: produção em massa; consumo em massa; capital em massa, o que tira o caráter humano da economia. Ela deixa de ser feito para o homem, como preceituava Santo Tomás de Aquino, e o homem passa a ser feito para ela, a ser seu escravo. Essa escravidão é tão verdadeira no regime capitalista quanto no regime comunista.

Em ambos, o homem deixa de ser o agente direto da produção. A máquina o absorve. Ele se transforma num parafuso do grande mecanismo.

 

O liberalismo, preconizando o individualismo, permitiu as hegemonias políticas e econômicas em grupos e pessoas. Os capitais concentraram-se em coligações de toda a espécie, a fim de evitar, na verdade, a livre-concorrência que matava a vida econômica. O trust, o cartel, o ring, o monopólio nascem da necessidade de muitos capitalistas de porem de acordo e repartirem mercados e lucros ao invés de abrirem luta entre si.

Para crescer, o capitalismo foi destruindo a pouco e pouco os próprios princípios de que nascera, pois esses eram do século XVIII e ele já trazia dentro de si o espírito do novo século, o século XIX. Mais tarde, ainda na preocupação de defender-se de novos e constantes perigos, o capitalismo exige do Estado que lhe obedece como criado, medidas de proteção que frauda a essência do regime liberal e o desmoraliza, antes de matá-lo. A soberania política do Estado também desaparece absorvida pela soberania econômica que ele deixou nas mãos de particulares, que passou para as mãos de grupos e que foi acabar nas mãos das sociedades anônimas, derradeira etapa do capitalismo em que o capital se torna uma abstração.

Permitindo o crescimento dum indivíduo em detrimento dos outros, o liberalismo consente que as fortunas individuais possam crescer ilimitadamente e se associarem a outras fortunas, embora demolindo toda a economia pública e criando os grandes capitais chamados de especulação. O capital-homem passa ao capital-grupo e a capital-anônimo, capital-companhia, devorando economias e propriedades. No anonimato das sociedades, o capital perde até a responsabilidade. Os que dirigem tais sociedades passam a fruir seus benefícios, desprezando os que transformaram seu dinheiro em ações, bônus ou títulos. É esse o capitalismo imoral, absorvente e escravizador, resultado fatal do regime liberal, regime que, quando foi pregado pelos filósofos do século XVIII, influenciados pelo judaísmo e pelas sociedades secretas a seu serviço, viera adrede destinado a esse fim.

Afirma-se no âmbito nacional e no âmbito internacional, em ambos tornando a nação tributaria quer dos grupos financeiros internos, quer os grupos financeiros externos.


BARROSO, Gustavo. O Espírito do século XX. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, p.271-274

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