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Texto de Emilio Del Bel Belluz

Apaixonado pela terra, sentia a ela um profundo pertencimento, ao ponto de tornar-se um dos literatos mais conhecidos sobre o tema. Sem dúvidas, foi um escritor que previu a decadência da nossa sociedade, da qual os frutos amargos percebem-se na época atual. Gustave Thibon nasceu no dia 2 de Setembro de 1903, em Saint-Marcel-D’Ardéche, na França. Frequentou a escola até os 13 anos e, então, foi obrigado a deixá-la para lavorar a terra. Um dos motivos pelos quais abandonou a escola foi o fato de que seu pai deveria aderir ao exército para combater na Grande Guerra, mantendo-se longe da família até o final do conflito.

Gustave Thibon deparou-se com o caminho do dever: Ligar-se com a vida nos campos, ao trabalho humilde da terra, para ajudar sua mãe. Um que fato podia ser considerado, de alguma forma, milagroso. Não se dedicou, com efeito, completamente ao trabalho duro nos campos: No seu coração, florescia a vontade de conhecer o mundo através da cultura e das viagens. Durante a noite, exaurido pelo trabalho, empenhava-se em estudar para aprender, com humildade, os verdadeiros valores que vinham transmitidos pela sapiência de muitos escritores e dos que ele próprio abraçava para adquirir a tranquilidade interior. Sob a luz de uma vela ou, em ocasiões mais afortunadas, de uma lâmpada, e munido de uma vontade tenaz, esquecia-se de tudo e alçava o espírito.

Na leitura de seus livros evidencia-se, sobretudo, o respeito pelas tradições que um povo deve manter, porque essas vão fundo como as raízes de sua própria história. Os pais lutaram para fazer com que a França se tornasse uma nação forte. O amor pela pátria que, nesses anos, mostra-se enfraquecido, ele conhecia de perto. Gustave Thibon foi um monarquista e próximo ao Regime de Vichy, que desejava nomeá-lo como filósofo oficial do governo. Ele recusou.

Mundo camponês, um mundo de tradições

Pensemos o seu mundo – um mundo rural -, feito por homens que traziam do lavoro na terra os frutos para sua subsistência. O mundo camponês era saudosamente ancorado em suas tradições, respeitava o ritmo das estações, e trazia delas aquela força determinante que não o deixava tombar jamais. O espetáculo da terra, nesses anos, é desolador: Gustave Thibon já havia previsto. Na nossa nação, as fazendas são muitas vezes reduzidas a pilhas de escombros, enquanto, no passado, abrigavam famílias inteiras. Muitos camponeses, durante a manhã, após haverem organizado os estábulos, partiam para o campo para trabalhar na terra. Antes de começarem, faziam, com o chicote, o símbolo da cruz no solo, pedindo a Deus que lhes ajudasse naquele trabalho árduo.

Gustave Thibon era, precisamente, um homem de fé e, sobre isso, Marcello Veneziani escreve algo interessante: “O Papa Francisco deveria ler seus escritos. É uma leitura simples, que abre o coração; ele veria o amor pela terra e a fraternidade de um ponto de vista vertical, isto é, em profundidade e altura. Em profundidade onde se encontram as raízes, em altura com relação a Deus. Para unir a humanidade, lhe ensinaria Thibon, não nos serve erigir pontes, mas erguer escadas; Quem nunca buscou a Deus, jamais encontrou um irmão”.

As palavras de Veneziani são profundas e atuais. Considera a Thibon como um de seus mestres.

O mestre Gustave Thibon

A figura que seria colocada em evidência em sua vida é aquela do mestre. Aquele que te conduz através das distâncias e o faz sem se impor, porque o seguimos e não o esquecemos. Gustave Thibon não é muito conhecido na Itália e, se alguém o ama, isto se deve à preciosa contribuição que nos deu a Casa Editrice Volpe, publicando duas elegantes obras: Ritorno al reale e Diagnosi.

Quando estávamos nos anos 70, o escritor havia previsto a decadência da sociedade e a perda do pertencimento à terra. Agora, Gustave Thibon elevava seu pensamento de filósofo camponês e católico, construído por uma vida simples e de harmonia com a terra e com Deus. No prefácio de “Ritorno al reale”, Thibon dá sua mensagem ao mundo: “A todos estes jovens, presos pela realidade e não por palavras ou sinais, direi que possuem um grande privilégio em relação aos mais velhos: Aquele de poderem unir, no mesmo ímpeto, o anticonformismo típico da juventude à defesa do bom senso e do bom gosto, que são gêneros atribuídos à maturidade. Porque, pela primeira vez, a rebelião contra os preconceitos e o respeito da tradição e da ordem estão do mesmo lado. Nesse mundo fora de órbita, o verdadeiro revolucionário é aquele que não se envergonha por ter-se mantido fiel às verdades eternas – é aquele que possui a coragem de contestar a loucura contestante e quem, armado de sua solidão e de sua fé, ousa escalar e sair da fossa viscosa onde empilham-se as carcaças do gado.

Em um mundo que perdeu o senso de orientação, onde não se sabe mais no que acreditar, um escritor como  Gustave Thibon não pode ser algo que não um mestre: homem da caneta e de coração. Quando tudo se nos apresenta de tal modo inseguro, não tenham medo de reencontrar, no nosso passado, a luz que nos ilumina a noite.

“Quem tem raízes não teme o vento”

No ano passado, pelos membros da D’Ettoris Editora, foi lançado Il tempo perduto, l’eternità ritrovata, obra monumental que sintetiza o pensamento de Thibon. Um volume de quinhentas páginas que dão dimensão ao que o pensador francês desejava dizer. Podemos defini-lo como uma coletânea de aforismos para ler na frente da lareira, imaginando que se está em um bosque. Uma série de páginas que ensinam sobre a grandeza da vida, escritas em tantos anos de reflexão, meditados e pesados, que fazem bem ao coração.

Correndo pelas páginas, podemos imaginar a Thibon enquanto passeava pela campanha, perto do rio, com um caderno em mãos e com um lápis, descrevendo a beleza da natureza e ao forte chamado a Deus que ela inspira. “O camponês tem raízes. Porque tem raízes, não teme o vento, e não tem necessidade de precauções contra ele“. Nisso se encontra o senso de risco. E ainda, porque tem raízes, jamais se tornará folha soprada pelo vento. E nisso se encontra a recusa da aventura”.


Fonte: Il Primato Nazionale

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