Biopolítica, racialismo, e nacionalismo na Grécia Antiga: Uma visão sumária

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A seguir está um breve resumo da antiga teoria e prática grega de bio-política, racialismo e nacionalismo. Estes temas, os quais são tabus no Ocidente hoje, foram essenciais para o modo helênico de vida na fundação de nossa civilização ocidental e de nossa única tradição de autogoverno cívico. Eu irei também me referir à algumas das copiosas correntes da literatura acadêmica que documentam isso.

Os gregos acreditavam que, apesar de suas divisões políticas, eles pertenciam a uma nação comum, definida pelo sangue, linguagem, religião e cultura compartilhada. De acordo com Heródoto, os gregos eram “a unidade de todos os helenos pelo sangue e pela língua, e os templos dos deuses e sacrifícios oferecidos em comum, e a semelhança de nossa maneira de viver [1]” (História, 8.144). A retórica patriota pan-helênica – sobre o supremo valor da Grécia e a glória de sacrificar-se a si mesmo para salvar a Grécia – é difundida através de séculos de literatura e discurso político grego [2].

Os gregos tinham uma primitiva e não sistemática teoria racial. Eles acreditavam que as pessoas gradualmente adquiriram características devido ao ambiente deles (por exemplo, os etíopes tornaram-se negros por causa do calor) e que esses traços tornaram-se hereditários [3]. Estas observações certamente prefiguram a posterior teoria evolucionária de Darwin.

Os europeus do norte da Grécia eram geralmente considerados bárbaros e espirituosos, enquanto os asiáticos habitando a Pérsia eram considerados afeminados e submissos. Bárbaros eram frequentemente pensados como incapazes de autogoverno cívico. Os fenícios eram algumas vezes percebidos como tendo certos estereótipos semíticos (mercantil, desonesto, gananciosos, mercenário), mas eram também algumas vezes percebidos como um companheiro povo avançado, comparativamente organizado e capaz em termos de comércio, guerra, e autogoverno cívico.

Mapa Étnico da Grécia Antiga e Arcaica. I Créditos: rocksullivros.com

Os gregos não falavam sobre nada análogo às diferenças raciais no QI e é frequentemente não claro a que extensão eles acreditavam as características étnicas serem devido à cultura, geografia e clima ou hereditariedade. Os gregos foram, contudo, certamente muito impressionados pelas diferenças físicas dos poucos negros que eles encontraram, produzindo cerâmica contrastando as características caucasoides e negroides, em estilos reminiscentes do século XIX e início do século XX.

Os gregos tinham uma primitiva teoria e prática da eugenia. Seguindo a prática de criação animal e simples observação, os gregos compreendiam que as características humanas físicas e psicológicas eram ao menos parcialmente hereditárias. Era frequentemente dito que o homem deve escolher as melhores mulheres como esposas de modo a ter as melhores crianças possíveis. Devido a dificuldades econômicas, infanticídio através da exposição era uma cruel prática aceita, a critério dos pais. Em Esparta e Roma, o assassinato de crianças deformadas era mandatório, um exercício de eugenia negativa.

 

Os pressupostos sociais e políticos gregos e romanos eram baseados na ancestral religião indo-europeia. Esta foi um ancestral excludente culto patriarcal, a qual fez um dever religioso de ter filhos afim de perpetuar a religião familiar. No clássico trabalho “A Cidade Antiga – Estudos sobre o Culto, o Direito e as Instituições da Grécia Antiga e de Roma”, de Fustel de Coulanges, disse sobre a religião:

“Embora a religião ignore em absoluto os deveres da caridade, ao menos traça ao homem, com admirável nitidez, os seus deveres de família. Torna o casamento obrigatório; o celibato é um crime aos olhos da religião que faz da continuidade da família o primeiro e o mais sagrado dos deveres” [4].

A religião transformou o lar da família num santuário sagrado e inviolável, sob a autoridade do pai, obedecido pela esposa, filhos e retentores, para o bem da família tomada como um todo, incluindo as gerações passada e futura. Em suma, reprodução e a própria família eram vistas como sagradas e, portanto, de grande significância religiosa.

 

Os pressupostos da religião ancestral também se tornaram lugar comum em contextos não religiosos. A felicidade do homem era equiparada com a de seus descendentes. Aristóteles disse:

“Pensar que a felicidade de alguém não é influenciada de modo algum pela sorte de seus descendentes e de todos seus amigos parece ser um pensamento demasiado cruel e que se opõe às opiniões [geralmente] aceitas.” [5] (Ética à Nicômaco, 1.11).

Esta religião familiar indo-europeia e seus pressupostos foram projetados para a cidade-Estado como um todo, a qual sempre foi uma entidade religiosa, cada ato público sendo acompanhado por rituais. Coulanges diz:

“O confronto entre crenças e leis [indo-europeias] mostra-nos como esta religião primitiva constituiu as famílias grega e romana, estabeleceu o casamento e a autoridade paterna, fixou os seus graus de parentesco, consagrou o direito de propriedade e o direito sucessório. Esta mesma religião, depois de haver espalhado e aumentado a família, estabeleceu uma associação maior, a cidade, e governou-a na mesma disciplina que a da família” [6].

Assim, como a religião ancestral, o ideal de cidadania da polis foi excludente (servindo somente a cidadãos, tipicamente definidos pelo sangue), comunitário (tudo poderia ser regulado/esperado para sacrificar-se pelo todo, com um cidadão-soldado ideal), e reprodutivo (casamento não era para prazer, mas para filhos de modo a perpetuar a família e comunidade; celibato era frequentemente punido). Platão, provavelmente expressando a visão política e religiosa tradicional, escreveu:

“Assim a humanidade tem uma afinidade natural com o conjunto do tempo, acompanhando-o continuamente no presente e no futuro, sendo o meio pelo qual se imortaliza este: deixando atrás de si os filhos dos filhos e prosseguindo sempre uma e idêntica, ela assim pela reprodução participa da imortalidade. Jamais será um ato piedoso privar-se disso voluntariamente e aquele que negar a si mesmo esposa e filhos é culpado de tal privação intencional.” [7] (Leis, 721 b-d).

Ao procurar regular e melhorar a reprodução da cidadania em serviço da coletividade e objetivos eugênicos, os gregos foram eminentemente bio-políticos [8].

A cidade-Estado significava para os gregos o povo real (eles sempre chamavam-se eles próprios “os atenienses,” “os espartanos,” etc.), seus ancestrais, e seus deuses: “Assim explica o patriotismo dos antigos, sentimento enérgico entre eles, virtude suprema e a suster todas as demais virtudes… O amor à pátria, este é a piedade dos antigos. [9]” Contudo, este patriotismo era uma prática política muito focada na cidade individual, fazendo seus interesses absolutamente supremos, com pouca consideração para eventuais assuntos imperiais, aliados ou companheiros gregos em geral.

Estas observações gerais são evidentes nos exemplos particulares de Atenas e Esparta. A Atenas de Péricles limitou a cidadania àqueles com dois pais de pleno sangue ateniense e adotou noção racial de cidadania, os atenienses sendo supostamente racialmente puros e “surgidos da Terra” (autóctones) [10]. Sob a lei de Licurgo, Esparta famosamente fez o treinamento militar, casamento, a criação de filhos, e luta pela pátria um caminho de vida sistematicamente organizado – um claro exemplo de uma estratégia evolucionária. Esparta era um etno estado composto de dois povos separados não intercruzados: espartanos e escravos hilotas, com fortes atitudes xenofóbicas sobre outros gregos os quais funcionavam para prevenir influências no seu modo de vida. Ambos atenienses e espartanos alegavam estar defendendo a liberdade grega (seja contra o domínio persa ou contra o imperialismo dos companheiros gregos).

O modo de vida helênico combinou um alto grau de civilização com o ethos [síntese de costumes de um povo] aristocrata, competitivo e guerreiro indo-europeu, desenvolvido sobre o curso de incessante batalha e expansão ao longo de milênios. Este ethos “ariano” é o que tanto atraiu Nietzsche: um povo não animado pela piedade ou culpa, não tentando alcançar a igualdade impossível ou fictícia em uma interminável vã tentativa da amenizar esses sentimentos, nem um povo tentando fazer cada pessoa individualmente feliz. Pelo contrário, a cultura helênica, impulsionada por esse espírito aristocrático e competitivo, sustentava o ideal de ser o melhor: o melhor atleta, o guerreiro, o melhor filósofo, ou o mais bonito. Esta cultura também sustentava o ideal coletivo de ser o melhor como uma sociedade inteira, porque eles compreendiam que o homem como espécie somente floresce como uma comunidade.

Inspirados pela experiência helênica, nós podemos imaginar uma renovação arqueofuturista dos povos ocidentais, quando a moderna tecnologia e ciência irão ser combinadas com este espírito vital, este ethos comunitário honrando a excelência, que nossa raça e civilização possam para sempre florescer. Os gregos, aderindo a uma visão cíclica da história, eram obcecados em como luxúria, efeminação, e decadência, a perda das tradições ancestrais e virtudes masculinas, condenaram as sociedades. A renovação não pode ser decretada, mas pode inesperadamente ocorrer a partir de algum tipo de colapso, tal como a Segunda Guerra Civil nos Estados Unidos. Como sempre, o tempo irá dizer.

Tradução e anotações por Mykel Alexander

Publicado originalmente em 11/8/2018.

Fonte: The Occidental Observer

Fonte traduzida: World Traditional Front

Notas:

[1] Nota do tradutor: A citação foi feita a partir da tradução do grego ao português por Mário da Gama Kury, em Herôdotos, “História”, Editora UnB, Brasília, 1985.

[2] Ver Lynette Mitchell, “Panhellenism and the Barbarian in Archaic and Classical Greece” (Swansea, Wales: Classical Press of Wales, 2007).

[3] Benjamin Isaac, “The Invention of Racism in Classical Antiquity” (Princeton, New Jersey: Princeton University Press, 2004).  O trabalho de Isaac é típico dos movimentos documentados por Kevin MacDonald em “The Culture of Critique”, na medida em que ele procura fazer patológicas as antigas teorias e observações hereditárias gregas.

[4] Fustel de Coulanges, “La Cité antique” (Paris: Flammarion, 1984 [1864]), página 143. {Extração aqui usada a partir da edição em português, A ‘Cidade Antiga’, Editora Martins fontes, São Paulo, 1998, 4ª edição, Livro segundo, IX, páginas 97-98. Tradução do francês ao português de Fernando de Aguiar.}

[5] Nota do tradutor: Extração aqui utilizada da tradução de Edson Bini, em Aristóteles, ‘Ética a Nicômaco’, Editora Edipro, São Paulo, 2014, 4ª edição. Livro 1.11, 1101 a1.

[6] Fustel de Coulanges, “La Cité antique” (Paris: Flammarion, 1984 [1864]), página 36. {Extração aqui usada a partir da edição em português, ‘A Cidade Antiga’, Editora Martins fontes, São Paulo, 1998, 4ª edição, introdução, página 4. Tradução do francês ao português de Fernando de Aguiar.]

[7] Nota do tradutor: Extração utilizada aqui a partir da tradução de Edson Bini em Platão, “As Leis”, ed. Edipro, São Paulo, 1999, 1ª edição, Livro IV, página 196.

[8] Ver Mika Ojakangas, “On the Origins of Greek Biopolitics: A Reinterpretation of the History of Biopower” (London/New York: Routledge, 2016).

[9] Fustel de Coulanges, “La Cité antique” (Paris: Flammarion, 1984 [1864]), páginas 278-279. [Extração aqui usada a partir da edição em português, ‘A Cidade Antiga’, Editora Martins fontes, São Paulo, 1998, 4ª edição, capítulo VIII ‘O patriotismo’. ‘O exílio’, páginas 216-217. Tradução do francês ao português de Fernando de Aguiar.]

[10] Ver Susan Lape, “Race and Citizen Identity in Classical Athenian Democracy” (Cambridge: Cambridge University Press, 2010).

Guillaume Durocher

Guillaume Durocher (pseudônimo) em The Occidental Observer
Guillaume Durocher é um historiador que escreve sob pseudônimo para o The Occidental Observer.
Guillaume Durocher
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