A Política Judaica de Frederico, o Grande: Entre a Contenção e o Lucro Parte 2

Nos ajude a espalhar a palavra:

 

Frederico, Voltaire e os Judeus

Frederico o Grande e o famoso filosofo francês Voltaire tinham uma das mais celebradas amizades entre o príncipe e o intelectual do Iluminismo. De fato, nisto restam apenas algumas reivindicações de Frederico de ser um “déspota esclarecido”. O próprio Voltaire foi um crítico vociferante de ambos religião e povo judaicos. Ele escreveu em seu Dicionário Filosófico: “É com pesar que eu falo sobre os judeus: essa nação é, em muitos aspectos, a mais detestável que manchou a terra.” As cartas de Voltaire para Frederico têm inúmeros comentários críticos sobre os judeus. Por exemplo, reagindo a Catarina II da Rússia mandar um judeu ao Egito para investigar a situação do país, ele disse: “Os judeus sempre amaram o Egito, não importa o que sua história impertinente (Êxodo) diga.” [1] Voltaire parece ter sido muito mais enfaticamente antissemita que Frederico.

Frederico e Voltaire brigaram por várias razões, uma das mais importantes é o descontentamento com transações financeiras desonestas entre Voltaire e um judeu, Abraham Hirschel. De acordo com o biografo de Voltaire, Wayne Andrews:

“Em 23 de novembro de 1750, (Voltaire) recorreu a Abraham Hirschel, um judeu conhecido por seu talento em fazer dinheiro em transações desconhecidas, e o pediu para comprar para sua conta em Dresden uma certa quantia de títulos saxões. Estes foram então vendidos a trinta e cinco porcento abaixo do par, mas de acordo com um tratado prussiano-saxão, poderia ser resgatado a par pelos prussianos. Este foi um fácil convite para atacar o tesouro prussiano que Frederico, em oito de maio de 1748, concordou que os títulos não poderiam ser mais importados. Apesar disso, Voltaire foi em frente. Oferecendo uma moeda de troca em Paris por quarenta mil francos e um esboço a um judeu de Berlim por mil xelins, fez de Hirschel seu agente. Como agente, Hirschel transferiu certos diamantes como proteção. Mas então Voltaire viu apto a cancelar a moeda de troca que Hirschel descontou, e uma briga desagradável seguiu com Hirschel exigindo o retorno de seus diamantes. Voltaire perdeu a calma, apanhou o anel do dedo de Hirschel e o assunto teve de ser decidido na corte […]

Frederico não ficou satisfeito, e a dignidade com que se comportou nessa ocasião foi, de uma vez, majestosa. Ele não permitiria Voltaire em sua presença até que o caso fosse decidido. Ele sabia que Voltaire estava mentindo quando afirmou que havia mandado Hirschel a Dresden para comprar peles e diamantes e estava irritado com sua linguagem.” [2]

Frederico laconicamente descreveu o caso: “(a respeito) do julgamento de Voltaire com o judeu: é um assunto de um canalha que tentou ludibriar um trapaceiro.” [3] Este escândalo a respeito de um especulador financeiro judeu e um francês ganancioso contribuiu para a brevidade da estadia de Voltaire em Berlim.

Vendedores Ambulantes, Espiões e Mensageiros: os Judeus nas Guerras de Frederico

Os judeus são talvez mais frequentemente referidos nas correspondências de Frederico no contexto de numerosas guerras que ele travou. Eles aparecem em numerosas definições como amigo, inimigo ou elemento de fundo, mas sempre como algo bastante desagradável: como financistas manipuladores de cambio, em tempos de guerra como mercantes, como espiões usados em ambos os lados e como residentes indesejados de territórios conquistados.

Frederico, enquanto geralmente considera os judeus um problema por causa de sua população crescente e propensão a usura e golpes, não estava acima de empregar judeus por suas habilidades (dúbias ou não) nas finanças e comercio. A Enciclopédia Judaica relata: “Entre os mestres curadores judeus do rei (‘Münzjuden’) estavam Ephraim, 1754; Moses Isaac e Daniel Itzig, 1756; Daniel Itzig e Ephraim, 1758; e Veitel Heine Ephraim, 1773.” [4] A Livraria Virtual Judaica diz:

“Durante a Guerra dos Sete Anos (1756-63), Frederico dependeu das manipulações monetárias efetuadas por Daniel Itzig, V.H. Ephraim e outros fornecedores a casa da moeda. Seus exércitos foram abastecidos por contratantes militares judeus (suprindo cavalos, grãos, forragem, vinho etc.).” [5]

Em sua História da Guerra dos Sete Anos (completado em 1763, o último ano da guerra), a miniatura de uma guerra mundial em que Frederico dobrou o tamanho de seu reino, conquistando a Silésia dos austríacos, o rei escreve que os judeus foram usados pelo inimigo como mercadores do tempo de guerra:

“O duque de Württemberg (um inimigo de Frederico, aliado aos austríacos) marchou em direção a Saxônia com a decisão de saquear amigos e inimigos. Com isto em vista, ele mesmo, seguido por uma completa sinagoga de judeus, vender seu espolio. Chamados essa companhia de hebreus seu “Sinédrio”. [6]

Durante aquela mesma guerra, Frederico escreveu cartas em que se refere as casas de judeus destruídas por suas forças (aparentemente durante o combate) e ordena que os judeus da ocupada Boêmia devam pagar dois florins por cabeça para financiar as operações militares. [7]

Os judeus aparentemente tinham um papel importante nas guerras de região como espiões, mensageiros e comerciantes. Frederico escreveu em raiva a um príncipe polaco em 1759:

“É sabido que quase todos os judeus sob seu domínio têm principalmente servido como espiões para os meus inimigos, e não entrarei em detalhes aqui em quais terras muitos de seus judeus são suspeitos de serem responsáveis pelo incêndio de Glorgau, queimando minhas revistas, em que, infelizmente, conseguiram apenas muito bem.” [8]

O próprio Frederico, contudo, também estava feliz de empregar mensageiros e espiões judeus, notavelmente um certo Isaak Sabatskt, e aconselhou seus subordinados a fazer o mesmo. Os judeus aparentemente conheciam bem a região e tinham bons contatos com os russos. Em outra oportunidade, Frederico rejeitou a oferta de um judeu enviado por um nobre lituano, para enviar e relatar a situação na fronteira entre a Polônia e a Rússia, dizendo: “Nunca darei dinheiro a judeus ou magnatas poloneses.” [10]  

Frederico, em suas campanhas militares, geralmente considerava os judeus safados e não confiáveis. Ele aconselhou seu comandante, na cidade conquistada de Glogau: “você tem o motivo mais justificado para manter um olho muito vigilante em todas as pessoas, e especialmente nos judeus,” [11] um comentário indicando que ele achava que os judeus não tinham lealdade a nenhum os lados, mas que exploravam a situação para a seu favor. Ele mais tarde escreveu ao mesmo comandante: “Aos moradores da cidade, os judeus em particular, esteja muito atento, para que os russos não possam saber através deles o que está acontecendo na cidade.” [12] Provavelmente pelo mesmo motivo, Frederico ordenou que polacos e judeus não fossem permitidos na cidade de Glogau, exigindo deles comercializar suas mercadorias nos subúrbios. [13]

Frederico considerava os judeus desagradáveis, desonestos e antissociais em seus negócios, mas ele não estava acima usando suas habilidades em serviço dos aspectos manipulativos e enganosos da guerra, nomeadamente manipulação financeira e espionagem.

Mais tarde, em 1722, Frederico mencionaria os judeus como uma maior preocupação nas terras que ele conquistou, como um resultado da Primeira Partilha da Polônia. Ele observa essas populações judaicas como parte de seu comentário na cena geral de um país desolado de maneira pouco promissora e seriamente subdesenvolvido. Frederico escreveu para seu irmão mais novo, Príncipe Henry, [14] que ajudou a assegurar a partilha:

“Digo a todos aqueles que desejam ouvir que eu vi em meu caminho (através do território conquistado) apenas areia, abetos, mouros e judeus. É verdade que eu tenho trabalho cortado de mim com essa parte, porque acredito que o Canadá (que ainda era esmagadoramente selvagem) é tão civilizado como esta Pomerélia. Não há ordem, não há desenvolvimento; as cidades estão num estado deplorável. Por exemplo, Culm deve conter oitocentas casas, mas nem cem estão de pé, e aquelas que estão habitadas são por judeus ou monges, e estas ainda são as (casas) mais miseráveis.” [15]

Frederico escreve orgulhosamente em suas memorias de ter então trabalhado para desenvolver estes territórios conquistados:

“Estas cidades foram reconstruídas e populadas. Culm tinha uma casa onde cinco jovens pessoas da nobreza foram contratadas por mestres, que deram toda a sua atenção para instrui-los; cento e oito professores de escola, protestantes e católicos, foram colocados em diferentes áreas e empregados pelo governo. Não se sabia o que era educação neste país infeliz; também foi sem boas maneiras, assim como conhecimento. Finalmente, mandamos de volta a Polônia mais de quatro mil judeus que estavam implorando ou roubando dos camponeses.” [16]

É impressionante que Frederico escreva tão francamente de expulsar os judeus que ele considerava parasítico, em uma passagem onde orgulhosamente escreve sobre desenvolver e educar o país, em um espírito de tolerância religiosa entre católicos e protestantes.

A Política Doméstica Judaica de Frederico

Como vimos, a politica doméstica judaica de Frederico foi formulada num contexto mais amplo de atitudes e politicas herdadas de seus ancestrais, mesclando restrição populacional e reconhecimento de certos papeis econômicos uteis, com um certo conhecimento de que a religião judaica, através da educação bíblica, uma típica atitude de iluminação de desprezo por religiões organizadas e tolerância por minorias religiosas, e suas próprias e desagradáveis experiencias pessoais com judeus em tempos de paz e de guerra. Ele essencialmente confirmou e construiu sobre as políticas de seus predecessores.

O julgamento sumário da Enciclopédia Judaica sobre Frederico é que “ele não amigável aos judeus.” [17] A peça central da política judaica de Frederico foi o Estatuto de 1750, oficialmente intitulado “Patente e Regulamentos Gerais Revisados de 17 de abril de 1750”. A legislação foi dirigida pelo crescimento exponencial preocupante da população judaica da Prússia: dobrando em seu reino original em apenas uma geração entre 1728 e 1750, e aumentada ainda mais pela população judaica da conquistada Silésia.

A Livraria Virtual Judaica escreve:

“Frederico II, o Grande, reforçou as políticas de seu pai ainda mais rigorosamente. Por sua conquista da Silésia (1742), seu governo estendeu-se sobre uma considerável população judaica; apreciando sua importância econômica, ele os isentou de sua legislação de outro modo obnóxia. Em 1750 Frederico promulgou suas Revidiertes Generalprivilegium und Reglement, solicitado pelos resultados de um inquérito que mostrou o número de privilegiadas famílias judaicas na Prússia (com exceção da Silésia) a 1749 em 2,093, quase o dobro da cifra de 1728. O preambulo afirmou que a lei foi destinada a ajudar cristãos e judeus, cujos meios de subsistência estavam sendo ameaçados pelo aumento do número de judeus. Isso criou dois tipos de Schutzjuden: um irrestrito número de “extraordinários”, cujos direitos não poderiam ser herdados, e um restrito número de Schutzjuden “ordinários” que poderiam passar seus direitos a apenas um filho. Assim como em 1730, os judeus foram excluídos de quase todas as profissões e expressamente proibidos da fabricação de cerveja, manutenção de estalagem e agricultura. Comercio na pecuária, lã, couro e muitos dos produtos locais foram proibidos; as ocupações permitidas foram agiotagem e negócios com mercadorias de luxo e roupas velhas. As restrições contra o tráfico foram feitas de forma mais severa, como foram aquelas contra mendigos.” [18]

Frederico tomou-se como auto evidente que a comunidade judaica era tão distinta e organizada que a questão de sua presença era política. Ele considerou inspeção “dos assuntos dos judeus” ser uma responsabilidade principal para os oficiais e observa desapaixonadamente sobre a expulsão de Edward I da Inglaterra sobre os judeus, e o aparente desejo dos russos de expelir os judeus da Curlândia. [19] Considerando a comunidade judaica de ser problemática como tal, Frederico adotou uma politica populacional conservadora: reconhecendo o direito a residência para os judeus já na Prússia, assim limitando contenda imediata , enquanto restringindo a herança do direito de residência a um número fixo, assim assegurando que a população judaica não superaria seu nicho econômico, como havia acontecido na Polônia, com o resultado que havia muitos judeus empobrecidos que queriam emigrar para áreas como a Prússia. [20]

A Enciclopédia Judaica escreve similarmente:

“Sua política foi manter a proporção entre judeus e cristãos na Prússia a uma relação definida, fixa. Em 17 de abril de 1750, um ‘neue revidierte General-privilegium und Schutzbrief vor die Judenschaft in Preussen und der Mark Brandenburg’ foi ordenado, mas não foi promulgado até 1756. Foi particularmente opressivo. A comunidade de Berlim, consistindo em 333 famílias (estimado em 1,945 almas), nesse momento tinha o número de seu Schutzjuden arbitrariamente fixado em 150; e apenas os filhos mais velhos poderiam suceder os direitos de seu pai. Todos os outros judeus foram declarados “extraordinários”, o que significa que a eles não era permitido transmitir seu privilégio de residência a seus filhos. Ao longo do reino, esta lei foi reforçada com muito rigor. Na Silésia e na Prússia do Leste, nenhum judeu poderia viver no campo aberto (‘plattes land’). A servidores judeus não foi permitido casar; e mendigos e vendedores ambulantes judeus foram restritos.” [21]

O objetivo de Frederico não foi então de eliminar os judeus, mas manter o balanço demográfico e status quo entre cristãos e judeus, e de restringir o assentamento judaico em certas áreas. A Enciclopédia Judaica acrescenta que Frederico tomou duras medidas contra a usura e criminalidade judaicas, incluindo uma doutrina de responsabilidade coletiva da (parcialmente auto governante) comunidade judaica:

“Pelo rescrito de 1750, penas severas foram impostas àqueles judeus que praticassem usura. Em 1752-53, as taxas de juros foram fixadas a 12 porcento ao ano, e em 1755 a 6 e 7 porcento. Falidos foram duramente tratados; e toda a comunidade judaica de uma localidade foi responsabilizada pelos crimes cometidos por ladrões judeus (1773). Em 1770, as leis opressivas de usura foram um pouco modificadas por atos de revogação.” [22]

O texto do decreto de 1750 de Frederico justifica estas medidas. Frederico afirma que imigrantes judeus legais e ilegais estavam massivamente envolvidos em fraudes:

“Percebemos em nosso reino da Prússia…e particularmente também nesta capital (capital) diversas falhas e abusos entre os judeus licenciados e permitidos, e temos particularmente observado que o aumento desenfreado destes abusos tem causado enormes danos e dificuldades, não apenas ao público, particularmente aos habitantes e comerciantes cristãos, mas a própria judiaria. Por essa razão e por causa da sorrateira entrada de judeus sem licença – estrangeiros e aqueles que são todos, mas sem um país – muitas reclamações e dificuldades surgiram.” [23]

Frederico reclama que os judeus transformaram o comércio ilegal em um empreendimento sistemático:

“Foi percebido que muitos judeus e garotos judeus de outras cidades e províncias que são sujeitas a nós tem permanecido em Berlim, ano após ano, e quase diariamente, constantemente indo e vindo, e como se fosse aliviando um ao outro. Através de negociação publica e priva, fizeram danos tremendos, não apenas ao público, mas particularmente a todas as negociações permitidas de cristãos e judeus, e tem ao mesmo tempo desiludido e enganado nossos tesouros através de todo tipo de fraude e práticas maliciosas.” [24]

Frederico afirma que fora de um sentimento “paterno”, desejava proteger seus subordinados legais, cristãos e judeus. O rei buscou balancear os interesses de seus subordinados de modo que “uma proporção possa ser mantida entre oportunidades de negócio e comércio de cristãos e judeus, e especialmente que nenhum dos dois possa ser prejudicado por uma expansão proibida da atividade comercial dos judeus.” [25]

Como seu pai, Frederico ordenou um estudo meticuloso na questão antes de legislar:

“Por esse proposito fizemos novamente uma investigação exata da condição, em nosso reino e em outras terras imperiais mencionadas acima, de toda judiaria, de suas famílias, seus modos de subsistência e sua atividade comercial.” [26]  

O decreto foi um “regulamento e constituição para toda a judiaria.” Os judeus não seriam permitidos ao lado destas explicitamente listadas pelo Estado. “Uma distinção é para ser feita entre judeus protegidos habituais e judeus protegidos especiais, que são meramente tolerados durante seu tempo de vida.” Posições especificas foram prescritas a comunidade judaica de Berlim. Apenas judeus protegidos habituais foram autorizados a se estabelecer no país e se casar. O número de famílias judaicas foi fixado ao nível de 1749. Não haveria crescimento da população judaica em qualquer cidade ou assentamento nas cidades e distritos rurais sem a supervisão do governo. A imigração judaica foi banida, com novamente uma exceção econômica para judeus ricos trazendo investimentos substanciais:

“De qualquer modo, judeus estrangeiros não são permitidos assentar em nossas terras. Contudo, se alguém realmente tivesse uma fortuna de dez mil Reichsthaler e trouxesse a mesma para o país e fornecesse evidências autênticas desse fato, então teríamos que ser perguntados sobre isso e a respeito da taxa que ele devesse pagar.” [27]

Para prevenir fraude e qualquer crescimento nas famílias judaicas, nenhum judeu deveria se casar ou se estabelecer “até que uma cuidadosa investigação fosse feita pelos Escritórios de Guerra e Domínios junto com a ajuda do Tesouro.” [28] Servidores judeus não foram permitidos casar-se, e se tentassem, seriam deportados. Se os judeus vivessem fora de suas casas por mais de um ano, seu direito de residência seria perdido e seria concedido a outro judeu. A atividade econômica judaica foi amplamente comercializar têxteis, metais, bugigangas e “mercadorias polonesas” (incluindo peles, potassa e cânhamo). Os judeus só podem mendigar na cidade durante feiras. Judeus estrangeiros geralmente não eram permitidos fazer negócios em Berlim, e se fizessem, eram obrigados a pagar um dízimo à Casa Órfã de Potsdam. Mendigos judeus não foram permitidos entrar na Prússia e, se descobertos, seriam deportados.

Frederico não baniu completamente a usura: “Na medida em que o ‘negócio de dinheiro’ é um meio particular do apoio judaico, os judeus estão assim sendo permitidos de emprestar dinheiro em garantia agora como no passado.” [29] Contudo, ele estava preocupado sobre a coesão do exército, e assim o empréstimo à oficiais não comissionados e outros soldados não foi permitido sem a aprovação de seu comandante de companhia.

Frederico também tomou medidas para garantir que os comerciantes judeus não incentivassem o roubo: “Além disso, os judeus devem ter certeza em toda penhora e venda que as garantias não foram roubadas ou secretamente removidas e então dadas como garantia.” [30] Ele especificamente cita os casos de jovens roubando de seus pais e funcionários de empregados para vender aos judeus. Os judeus considerados culpados de conscientemente vender produtos roubados perderam o privilégio de residência para si e seus filhos, “e ele e sua família deverão ser removidos do país. Além disso, ninguém mais deve se estabelecer na vaga criada por aquela família.” [31] Consequentemente, a atividade criminosa judaica foi motivo de permanente redução da população judaica.

Frederico abraçou a prática tradicional, aceitou por judeus e cristãos, de tratar a comunidade judaica como um todo orgânico e auto regulável separado da vida cristã. A Enciclopédia Judaica observa: “Com a vida interior dos judeus, Frederico não tinha nada a fazer.” [32] Na mesma veia, o decreto de Frederico fez a comunidade judaica coletivamente responsável por pagar taxas e por reembolsar mercadorias roubadas pelos judeus. Isso foi destinado a encorajar o autopoliciamento dentro da comunidade:

“Por essa razão, os judeus devem olhar uns aos outros e prestar atenção cuidadosamente quando acharem qualquer um de seu povo no caminho errado e imediatamente reportar tal pessoa as autoridades apropriadas. A judiaria, portanto, e particularmente os mais velhos, são obrigados a antecipar qualquer aborrecimento e dano, livrando o país daqueles receptores de bens roubados e da outra tripulação grosseira entre eles sempre que os descobrirem.” [33]

Os judeus também foram excluídos do serviço militar, mas obrigados a fazer empréstimos de guerra ao governo, o último também uma obrigação para a nobreza prussiana em geral.

Frederico promoveu a política de tolerar os judeus por razões econômicas seguindo a Guerra dos Sete Anos (1754-63), de acordo com a Livraria Judaica Virtual:

“Após a guerra ele incentivou uma recém-criada camada esparsa de judeus muito ricos para investir seu capital na indústria e manufatura. Frederico cobrou taxas onerosas e desagradáveis. Em 1766 ele introduziu o Silberlieferung: 12,000 marcos de prata a ser destinados anualmente abaixo do valor nominal para a casa da moeda real; a taxa anual de 15,000 marcos (de 1728) foi aumentada para 25,000 em 1768. Em 1769 ele ordenou a cada judeu comprar e exportar certa quantidade de porcelana local (mercadorias caras e inferiores produzidas pela fábrica real) sempre que necessitasse uma concessão ou privilégio real. (e.g. para o casamento).” [34]

A Enciclopédia Judaica detalha o amplo e sofisticado papel econômico judaico na Prússia de Frederico:

“Enquanto os judeus eram proibidos de seguir certos comércios e ocupações (fiação de linho, em 1761; agricultura, em 1763; industrias de farinhas e madeira) por causa da ciumeira dos competidores cristãos, eles foram obrigados em 1768 a assumir as manufaturas de meia e boné em Templin e tornar-se absolutamente responsáveis por seu sucesso financeiro (restrito a certas áreas/monopólios/ nichos).

Pagamentos de dinheiro de proteção frequentemente causaram problema pelos judeus no reinado de Frederico. Durante a Guerra de Sete Anos Frederico não teria soldados judeus em seu exército; ao invés, uma taxa anual foi paga. Os judeus também tiveram de suportar uma parte do resgate imposto sobre Berlim pelos invasores russos em 1763. Durante a guerra, aliás, os judeus tiveram de emprestar grandes somas de dinheiro ao rei. Em 1765, as 438 famílias judaicas em Berlim tiveram de pagar uma taxa de 25,000 talers; até agora uma taxa anual de 15,000 talers foi pago por 250 famílias. Em 1770, os judeus não foram permitidos de passar baldes no fogo; como alternativa uma taxa anual foi imposta. Em 1773, os judeus tiveram de entregar uma certa quantidade de prata ao tesouro real. Éditos adicionais foram promulgados em 1773, 1777, 1782; e tão tarde quanto 1785 uma lei foi aprovada contra a mendicância furtiva dos judeus…   

Havia dezenove fábricas e moinhos pertencentes a judeus durante o reino de Frederico, entre eles a fábrica de chumbo de Daniel Itzig em Sorge e seu lagar de azeite em Berlim (Geiger, “Geschichte der Juden in Berlin”, ii. 93).” [35]

Isso destaca uma contradição na politica judaica dos reis da Prússia, incluindo as de Frederico: ao longo dos anos, a riqueza crescente dos judeus os permite crescentemente pressionar o governo para demolir as restrições a eles.

Tradução de Diego Sant’Anna

Fonte: The Occidental Observer

Publicado originalmente em 18/5/2019.

Notas:

[1] Nota do autor: Ibid.23/203.

[2] Nota do autor: Wayne Andrews, Voltaire (Nova Iorque: Novas Direções, 1981), 62-63.

[3] Nota do autor:Frederico, Œuvres27/1/225.

[4] Nota do autor: “Frederico II,” Enciclopédia Judaicahttp://www.jewishencyclopedia.com/articles/6334-frederick-ii

[5] Nota do autor: “Prússia,” JVEhttp://www.jewishvirtuallibrary.org/jsource/vjw/Prussia.html

[6] Nota do autor: Frederico, Œuvres5/87.

[7] Nota do autor: Frederico, PC,  15/10518/15.

[8] Nota do autor: Ibid.18/97.

[9] Nota do autor: Frederico, Œuvres30/382.

[10] Nota do autor: Frederico, PC,  14/105.

[11] Nota do autor:Ibid.18/570.

[12] Nota do autor: Ibid.19/299.

[13] Nota do autor: Ibid.19/300. Estas medidas recordam a situação que conduziu o General Ulysses S. Grant a emitir a Ordem Geral nº 11 na Guerra Civil Americana, desalojando todos os judeus de seu distrito militar.

[14] Nota do autor: Incidentemente, o Principe Henry foi sugerido mais tarde como um candidato a rei dos Estados Unidos da América.

[15] Nota do autor: Frederico, Œuvres26/407.

[16] Nota do autor:Ibid.6/100.

[17] Nota do autor:“Frederico II,” JEhttp://www.jewishencyclopedia.com/articles/6334-frederick-ii

[18] Nota do autor: “Prússia,” JVL: https://www.jewishvirtuallibrary.org/prussia-virtual-jewish-history-tour

[19] Nota do autor: Frederico, Œuvres1/279 e 9/23, e Frederico, PC,  7/321.

[20] Nota do autor: Kevin MacDonald, “Sionismo e as Dinâmicas Internacionais do Judaísmo”,  The Occidental Quarterly 3, no. 3 (Fall, 2003): 15–44.

[21]“Frederico II,” JEhttp://www.jewishencyclopedia.com/articles/6334-frederick-ii

[22] Nota do autor: Ibid.

[23] Nota do autor: Frederico o Grande, Revised General-Patent and Regulations of April 17, 1759 for Jewry of the Kingdom of Prussia.

http://www.berlin.ucla.edu/research/texts/Frederick_the_Great.pdf

[24] Nota do autor: Ibid.

[25] Nota do autor: Ibid.

[26] Nota do autor: Ibid.

[27] Nota do autor: Observo que várias medidas trocando residência por grandes quantias de dinheiro permanecem comuns entre os Estados ocidentais até hoje, inclusive entre aqueles poucos que são de outra forma bastante hostis à imigração.

[28] Nota do autor: Ibid.

[29] Nota do autor: Ibid.

[30] Nota do autor: Ibid.

[31] Nota do autor: Ibid.

[32] Nota do autor: “Frederico II,” JEhttp://www.jewishencyclopedia.com/articles/6334-frederick-ii

[33] Nota do autor: Frederico, General-Patent for Jewryhttp://www.berlin.ucla.edu/research/texts/Frederick_the_Great.pdf

[34] Nota do autor: “Prússia,” JVL: https://www.jewishvirtuallibrary.org/prussia-virtual-jewish-history-tour

[35] Nota do autor: “Frederico II,” JEhttp://www.jewishencyclopedia.com/articles/6334-frederick-ii

Ver também:

 

Guillaume Durocher

Guillaume Durocher (pseudônimo) em The Occidental Observer
Guillaume Durocher é um historiador que escreve sob pseudônimo para o The Occidental Observer.
Guillaume Durocher
Nos ajude a espalhar a palavra:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.