Três Bases Sobre as Quais uma Nação se Fundamenta

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Recebi alguns feedbacks sobre meu texto anterior. Alguns me disseram que o mesmo era “anti brasileiro”, e portanto poderia ser um desserviço a causa nacionalista. De fato, o mesmo era em partes anti brasileiro, mas havia um novo caminho (sobre o qual discorrerei em outro momento) para o nacionalismo que estava implícito no mesmo, que uma pessoa com mais capacidade de pensamento sociológico teria concebido. Além disso, também quero esclarecer que o mesmo não era totalmente anti brasileiro, pois como eu disse no final, este país até pode se manter coeso, caso o Estado seja forte e organizado, isto por que o único fator de coesão que possuímos é justamente o Estado, não temos nada além disso, coisas como unidade cultural ou racial não existem aqui.

Johann Wolfgang Von Goethe, em uma conversa (Gespräche mit Goethe in den letzten Jahren seines Lebens – ‘Conversas com Goethe nos últimos anos de sua vida’) sobre a unificação da Alemanha tida com Johann Peter Eckermann, nos diz coisas pertinentes sobre a cultura. Isso antes de 1871, quando o segundo Reich ainda não havia nascido sob a liderança de Bismarck. Nessa época, a Alemanha era dividida em mais de 30 unidades políticas independentes, sobre isso Goethe nos diz:

“Eu não tenho medo de que a Alemanha não vá estar unida; (…) ela já está unificada, porque as moedas alemãs Thaler e Groschen têm o mesmo valor por todo o Império e porque a minha mala pode passar através de todos os trinta e seis estados sem ser aberta. (…) A Alemanha está unificada no setor de pesos e medidas; na área de comércio e migração; e em centenas de outras coisas semelhantes. (…) As pessoas, no entanto, equivocam-se ao pensar que a unidade deve se expressar na forma de uma grande capital e que essa grande cidade pode beneficiar as massas da mesma forma como ela pode beneficiar o desenvolvimento de algumas pessoas excepcionais. (…) O que torna a Alemanha grande é a sua admirável cultura popular, a qual penetrou uniformemente todas as partes do Império. (…) Olhe para o número de teatros alemães, que ultrapassa setenta. (…) A valorização da música e do canto e o seu desempenho não prevalecem tanto nos outros lugares quanto na Alemanha. (…) .

Com esta citação de Goethe não quero de forma alguma defender que a Alemanha deva ser fragmentada, pelo contrário, sou sim favorável a um grande Reich. Mas na verdade o que quero salientar com este exemplo, é a percepção de que um país se mantém unido sobre algumas bases, são elas, a cultura, a raça e o Estado. Isso é o que sempre digo e o que tentei salientar no texto anterior.

Além do texto de Goethe, e além dos exemplo dados no texto anterior,deixo-vos ainda com esta lista de exemplos ocorridos no decorrer da história: a Eritreia, governada pela Etiópia desde o ano de 1952, separou-se em 1993; a Checoslováquia, fundada em 1918, dividiu-se em República Tcheca e Eslováquia (os seus respectivos componentes étnicos) em 1993; a União Soviética rachou-se em vários componentes étnicos em 1991 – e muitos desses componentes estão ameaçados por uma futura fragmentação étnica; a Iugoslávia, fundada em 1918, dividiu-se em vários componentes étnicos em 1991, e o seu esfacelamento ainda se encontra em andamento; o Chipre, independente desde o ano de 1960, dividiu-se em territórios gregos e territórios turcos em 1974; o Paquistão, independente desde o ano de 1947, viu Bangladesh, tendo grupos etnicamente distintos, separar-se em 1971; a Malásia, independente desde o ano de 1963, viu Cingapura, com influência chinesa, separar-se em 1965. Ainda temos também casos que não estão resolvidos por completo: a Índia, com os conflitos entre sikhs e caxemires; o Sri Lanka, com o seu problema com a minoria tâmil; a Turquia, o Iraque e o Irã, com o seu problema em relação aos curdos; o Sudão e o Chade, com o conflito entre árabes e negros; a Nigéria, com a questão referente aos ibos; a Irlanda, com o conflito entre católicos e protestantes; a Bélgica, com o conflito entre flamengos e valões; a Itália, com o seu problema referente aos habitantes de língua alemã do Tirol do Sul (Alto Ádige ou Bolzano); o Canadá, com o conflito entre francófonos e anglófonos.

Nessas discussões, as vezes a Suíça é tida como uma exceção a esta regra. Sobre isso Hans-Hermann Hoppe nos diz em “Democracia: O deus que falhou”:

“Todos os poderes essenciais  na Suíça – em particular, aqueles que  determinam questões culturais e educacionais (escolas) –  estão concentrados nas mãos dos cantões em vez de nas mãos do governo central. E quase todos os 26 cantões e “semicantões” são etnicamente homogêneos. Dezessete cantões são, na prática, exclusivamente alemães; quatro cantões são, na prática, exclusivamente franceses; e um cantão é predominantemente italiano. Apenas três cantões são bilíngues. O equilíbrio étnico suíço tem se revelado praticamente estável, e existe apenas uma quantidade limitada de  migração intercantonal. Mesmo nessas circunstâncias favoráveis, a Suíça, sim, teve a experiência de uma guerra de secessão malsucedida e violentamente reprimida – a Sonderbundskrieg de 1847. Além disso, a criação do cantão de língua francesa de Jura, separando-se do cantão predominantemente alemão de Berna em 1979, foi precedida por anos de atividades terroristas.”

Portanto, o Brasil não precisa ser desacreditado por completo, só pelo fato de não possuir uma base cultural e racial, mas quando for lutar pela coesão deste país, tenha em mente que sem essa base será muito mais difícil. E isso eu exemplifico no texto de Goethe, este que nos expõe o fato da Alemanha estar unida mesmo sem um Estado, pois existiam todos os outros fatores de união exemplificados. E também muito bem exemplificado pela lista de secessão baseadas nas raças que ocorreram no decorrer da historia.

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