Guilherme von Groll Stevens: Recitando a Glória Germânica e Desconstruindo Estereótipos

Nos ajude a espalhar a palavra:

Este artigo não tem por objetivo nutrir somente os vossos intelectos, na verdade a intenção aqui é nutrir o espírito, com a cultura que corre dentro das veias de alguns que agora leem.

 

As vezes quando falta a vontade para seguir, logo vem à mente os grandes feitos daqueles que me antecederam, o orgulho ancestral e a cultura são um dos melhores combustíveis, para unir aqueles que porventura não estejam coesos da forma devida, ou para aqueles que individualmente precisem de força para continuar. Saber que pertence a algo maior do que você mesmo, saber que você é um elo de ligação entre os seus antepassados e os seus descendentes, e que deve continuar passando o sangue, o sobrenome e a cultura da estirpe a qual pertence. Conhecer aquilo que é eterno, como disse um grande alemão por volta dos anos 30, “todos nós morreremos, mas nossa Nação será eterna”, como o slogan dos da Legião Identitária, “reconstruiremos o eterno”, reconstruir o belo,  essa é nossa luta. Seus antepassados estão na sua carne, conhecer quem foram, e as glórias que perpetraram sobre nossa terra enquanto aqui estiveram, é o que faz o sangue ferver nas veias. Aja!

E se quiser pode começar sua ação lendo o texto discorrido abaixo, quero neste, traçar uma argumentação positiva, ressaltando as glórias dos povos europeus, com foco naqueles que viviam mais ao norte, hoje conhecidos como vikings/germânicos, tendo em vista que a este pertenço, e portanto posso falar com mais propriedade sobre o mesmo, pois por consequência do chamado do sangue, acabo pesquisando um pouco mais sobre este em detrimento dos outros. Caso esta não seja sua descendência, não se sinta afastado, e leia sem rodeios, pois conhecer a cultura do próximo também pode ser de grande valia. Pretendo também derrubar alguns estereótipos, e apresentar para o leitor, o que os acadêmicos concluem sobre alguns assuntos abordados, para derrubar algumas tolices como “guerreiros com elmos de chifres”, ou “brutamontes fedidos e sem cultura”, sendo que na verdade não era bem isso que se passava ao norte da Europa durante a idade média.
O Havamál:
O filho de um rei deve ser silencioso, sábio,
E corajoso no campo de batalha,
Bravamente e de bom grado um homem deve ir,
Até o dia de sua morte.
O preguiçoso acredita que viverá para sempre,
Se evitar a batalha,
Mas a idade não lhe dará paz,
Embora seja poupado das lanças.

 

Odin, o viajante [1]

 

Este é um fragmento de um antigo poema germânico, não possui datação nem autor determinado, acreditavam ser conselhos de Óðinn-Wōtan (Odin-Wotan) para a humanidade, era passado oralmente de geração em geração entre os nórdicos até quando cristianizaram-nos, e neste momento a cultura guerreira ligada ao paganismo “morreu”. Porém, para nossa sorte, um estadista cristão islandês da época, chamado Snorri Sturluson, os compilou, e assim este e outros poemas ficaram preservados num conjunto de textos conhecidos como “Eddas“, a partir dos quais hoje podemos ter acesso a mitologia nórdica, sendo estes textos considerados uma das fontes mais importantes sobre a religiosidade pagã dos vikings.

Quis expor ao leitor esta pequena parte de um dos mais conhecidos poemas do norte, pois a considero muito ilustrativa para clarificar a visão que temos sobre os mesmos, no sentido de que expressa de forma majestosa o tipo de povo que estamos lidando, um povo guerreiro, honrado, e que valorizava aquele que se dispunha a lutar pela tribo sem medo nem mesmo da morte. Porém, apesar desta qualidade guerreira, os vikings não reduzem-se apenas a máquinas de guerra sedentas por sangue, e nem beberrões com chifres na cabeça como retratado em Hollywood:
Não evite o hidromel, mas beba com moderação;
Fale direto ao ponto ou se contenha;
Por grosseria ninguém poderá culpá-lo com razão
Se logo procurar sua cama.
O homem ganancioso, se sua mente é vaga,
Vai comer até ficar doente;
O homem vulgar, quando está entre os sábios,
é desprezado quando traído por sua barriga. 
A cerveja dos homens não é 
Tão boa quando eles acreditam;
Pois quanto mais se bebe menos o homem
tem domínio de sua mente.
Estes acima são mais alguns versos dos tais conselhos de Odin, no texto original, os mesmo não seguem esta ordem, isto por que eu selecionei os que considerei pertinente, e os ordenei da forma que melhor julguei para nossa discussão, porém o sentido continua o mesmo. Veja você que aí temos conselhos de moderação e bom censo, bem longe daquela visão estereotipada que temos dos mesmos. Fala-se para controlar sua gula e beber pouco, somente até o ponto em que ainda tivesse controle sobre sua língua. Em outros trechos também são ressaltados valores de perspicácia, labor, independência, vingança e trabalho duro.
Tendo em mente que estes conselhos eram atribuídos ao deus mais importante do panteão, podemos concluir que eram qualidades muito valorizadas por aquela sociedade em geral.
Não eram incultos nem analfabetos.

 

Os Eddas, século XII [2]

Pela forma que alguns dos poemas dos eddas foram escritos, alguns historiadores propõe que provavelmente foram escritos para serem recitados ao público acompanhados por instrumentos, possivelmente harpa ou algo parecido. Esses poemas eram passados de geração em geração, e também eram recitados em eventos da comunidade. Pergunto a você leitor, conhece alguém que já foi a um evento voltado a recitação de poesias? Conhece algum pai que tem o costume de recitar poesias ao seus filhos para passar-lhes a cultura? Não? Bom, então talvez os nórdicos não fossem tão incultos assim, talvez foram até mais cultos do que nós mesmos…

Quanto às suas leis, possuíam um sistema “curto e grosso”, enxuto! No sentido de que as leis não eram escritas, ao em invés disso, haviam juízes que memorizavam as mesmas, por conta disso era necessário que fossem claras e objetivas, ao contrário da nossa constituição atual que possui tantas leis que acabam criando contradições e falcatruas em volta deste sistema confuso atual. Alguns desinformados logo presumem, que pelo fato de não possuírem leis nem literatura escrita, “eram analfabetos”. Quando na verdade eram muito bem organizados, sem a necessidade de utilizar-se de escrita em larga escala. Apesar disso, a arqueologia já trouxe a tona cerca de três mil conjuntos rúnicos (alfabeto nórdico), com textos e frases objetivas escritos nos mesmos. Alguns escritos em pedras conhecidas como “runestones” ou “estelas”. Eram utilizados como decoração ou como lápide em túmulos.
Se os Vikings eram em sua maioria “burros e analfabetos”, porque haviam conjuntos rúnicos espalhados por vários cantos da Escandinávia?
Homens vivendo em uma sociedade que quase não usava a escrita, torna louvável o fato de que ao menos em alguma escala eram alfabetizados.
Orgulho do Volk:
Guerreiros do norte, 
que perpetraram sua galhardia sobre Midgardr;
Enquanto existir tempo,
suas glórias serão recitadas.
Orgulho dos que tem seu sangue, 
galopando dentro das veias,
admiração daqueles que queriam tê-lo.
 Seguidores da vida frugal e simples,
pois sua grandeza estava no espírito, 
e não em construções materiais;
Seguidores de um credo e honra de ferro, 
que hoje são estereotipados por tolos;
Chegando a América e ao mediterrâneo,
pois o sangue fervia em suas veias,
E assim a vontade os guiava a glória.

Nota:

[1] – Quadro “Oden som vandringsman” (Odin, o Viajante), de Georg von Rosen, 1886.
[2] – “Eddas”, “Edas” ou “Edda”, é o nome dado a duas coletâneas de textos do séc. XIII, encontradas na Islândia que iniciou o estudo das histórias dos deuses e heróis da mitologia nórdica e germânica: A Edda em prosa e a Edda em verso. São atribuídos a Snorri Sturluson (1178 – 1241), historiador, poeta, político e homem de leis islandês da Idade Média.
As Eddas são partes fragmentárias de uma antiga tradição escandinava de narração oral (atualmente perdida) que foi recompilada e escrita por eruditos que preservaram uma parte dessas histórias.
VEJA TAMBÉM

Outros textos de Gulherme von Groll Stevens

Outras formas de doação? Entre em contato: osentinelabrasil@gmail.com

Nos ajude a espalhar a palavra:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.