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Integrantes do governo de Mauricio Macri teriam realizado “manobra enganosa e premeditada” para ocultar envio de armas aos golpistas neoliberais bolivianos em 2019

O governo da Argentina denunciou no dia 12 deste mês o ex-presidente Mauricio Macri e seus ex-ministros, como Patricia Bullrich e Oscar Aguad, por terem colaborado com o golpe do lítio contra o ex-presidente da Bolívia Evo Morales em 2019. De acordo com o governo, integrantes do mesmo realizaram “uma manobra enganosa e premeditada” para ocultar o envio de material bélico aos golpistas neoliberais bolivianos. Ainda segundo a denúncia, o armamento teria sido posteriormente utilizado em massacres nas cidades de Sacaba e Senkata, promovidos pela presidenta interina Jeanine Añes.

O massacre em Sacaba ocorreu em 15 de novembro de 2019 e acabou resultando na morte de 12 pessoas, com 125 feridos. Na ocasião, uma marcha com militantes das seis federações do Trópico de Cochabamba foi cercada na Ponte de Huayllani por forças a serviço do golpe. Na cidade de Senkata, El Alto, em 19 de novembro, outra operação policial e militar matou 10 pessoas, deixando dezenas de pessoas feridas.

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A denúncia afirma que a gestão de Macri “contrabandeou armas e munições para reprimir civis em apoio a um governo de fato”. O texto é assinado pela ministra da Segurança, Sabina Frederic, pela administradora da Receita Pública Federal, Mercedes Marcó del Pont, e pelo ministro da Justiça e Direitos Humanos da Nação, Martín Soria. O documento descreve a sucessão de fatos que levaram ao envio de material justificado por uma suposta missão de proteção do embaixador, de sua família e da embaixada argentina na Bolívia, realizada por 10 policiais.

De acordo com os denunciantes, isso serviu para “ocultar uma manobra que tornava seus perpetradores participantes necessários em crimes contra a ordem constitucional boliviana e em graves violações dos direitos humanos.

Crimes contra a paz

A denúncia aponta que a manobra de camuflagem implicou a violação de tratados internacionais como o de comércio de armas, que proíbe o envio de armas a um Estado que se encontra em situação de conflito, situação vivida pela àquela época, revelando uma intervenção direta do governo Macri nos assuntos internos de outro país.

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Os integrantes do governo de Mauricio Macri teriam participado, segundo o texto da ação, de “um ato criminoso consistindo no embarque irregular de armas e munições para a Bolívia, por meio de uma adulteração nas quantidades e destinos declarados nas diferentes instâncias de controle e, em particular, perante os serviços aduaneiros”.

Entre os crimes relatados pela denúncia estão a violação dos artigos 219 e 220 do Código Penal da Argentina. O primeiro refere-se a penas de um a seis anos para a prática de “atos hostis materiais não aprovados pelo governo” e que colocam em risco a paz no país, com penas entre 3 e 15 anos se estes atos provocarem uma guerra.

Já o artigo 220 determina pena de seis meses a 2 anos para quem violar tratados, tréguas e armistícios internacionais. As penalidades são aumentadas se estes atos forem cometidos por militares.


Fonte: RBA

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