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Giovanni Gentile: O Que é o Fascismo

O Estado não é uma grande fachada nem um edifício vazio: é o próprio homem, a casa, construída, habitada e animada por alegrias, dores e trabalhos humanos, por toda a vida do espírito humano – Giovanni Gentile


Nota: Reproduzimos aqui para fins didáticos sobre as doutrinas históricas no século XX e que ainda hoje são muito discutidas, as palavras de Giovanni Gentile (1875 – 1944), filósofo, político, educador italiano e figura de destaque do movimento fascista de seu país e, juntamente com Benedetto Croce, um dos maiores expoentes do neoidealismo filosófico, sobre  sua concepção de fascismo. Texto integral.


Nós vemos duas Itálias diante nós – uma velha e uma nova, a Itália dos séculos, cuja é nossa glória e nossa triste herança, pesando sobre nossos ombros e espíritos, e que é também, podemos dizer francamente, uma vergonha da qual procuramos esconder e pela qual devemos fazer as pazes… Para nós essa Itália está morta; mas graça aos céus, existe outra. E pode-se dizer em certo sentido, como explicarei agora que a primeira Itália está morta há duzentos anos. Mas está tão morta que, de tempos em tempos, não o encontramos diante de nossos olhos ainda hoje, neste ano da graça de 1925. Ainda existem muitas pessoas na Itália que não acreditam em nada e riem de luto, que suspiram pela Arcádia (Província da Grécia Antiga que com o tempo, se converteu no nome de um país imaginário criado e descrito por muitos poetas e artistas, como no Renascimento e Romantismo) e outras visões acadêmicas e que se voltam amargamente para quem atrapalha sua digestão. Mas esse estilo de temperamento espiritual, que não se atreve, pois não desmente, que fogem do entusiasmo pois não enxergam vantagem no sacrifício, que medem fortunas nacionais pelo bem-estar individual, que sempre olham para andar no chão, nunca se compromete, nunca se esquentar, que deixa seus ideais para os poetas, para mulheres ou até para filósofos, e que de bom grado deixa qualquer questão que possa colocar em risco a paz e a tranquilidade da sua vida, que gosta de brincar com tudo e todos, que sempre joga água fria como prosa nos entusiastas da poesia e aconselha moderação em todo custo e mostra um horror sagrado à polêmica e à violência, que abriga de perto todas as máximas do egoísmo, que reflete em si mesmo, estuda e as compreende, e os considera corporais como a quintessência da previsão e sabedoria; não é tudo isso para muitas pessoas que ainda não atingiram o refinamento característico dos italianos. Existem maçons que, como nós sabemos, jogaram seus princípios no chão, não sendo a favor da religião, nem contra ela, mas também fora dos maçons, como muitos italianos, ainda preferem ficar calados sobre assuntos religiosos e que são reticentes e envergonhados por revelar e defender suas próprias convicções quando eles têm alguma? Tudo isso é a velha Itália, a Itália do individualismo, a Itália do Renascimento.

A personificação do patriotismo italiano que nos deu um país, a pessoa a quem nós sempre voltamos com mentes reverentes, pois ele era o maior e mais genuíno profeta do Risorgimento, o Ezequiel da nova Itália, que graças a ele, finalmente surgiu entre as nações e agora se mantém de pé e sabe e afirma que também está no mundo, com seus deveres, mas também com seus direitos, e que não irá cair, não permanecerá mais velha do que a Itália que nós estamos falando, se ainda não está totalmente morta, dele morrer – esse homem era Giuseppe Mazzini.

O fascismo retornou para o espírito do Risorgimento, com o maior vigor, que deriva a sua nova consciência da grande julgamento colocado de forma tão honrosa pelo povo italiano e por sua certeza na sua capacidade de lutar e de vencer e realmente corresponder a algo na história do mundo. Voltou com um impulso que não tolera frivolidade e sem baixeza, com um ardor irreprimível pelo despertar da nação de sua recente, e com certeza momentânea escuridão mental e brutalidade, para que os frutos do imenso sacrifício não sejam perdidos, para que o lugar, finalmente merecido e já quase alcançado, de uma grande potência ou de uma grande nação que tenha vontade própria, que não se perca de vista, mas possa se tornar o objeto dessa vontade, e ser um, e ser mantida intacta.

É um simplismo explicar a origem de um movimento político, ou moral, ou em geral, espiritual, como um simples contraste de negação de um movimento precedente. Do nada, nada vem; e do lodo democrático em que nenhum germe estava escondido, é impossível que vejamos uma planta brotar e crescer, nem qualquer germe vital, ou renovação política. As origens do fascismo são diferentes e muito mais complexas do que essa explicação esquemática de contraste com o chamado bolchevismo, que espalhou-se pela corrupção política e social depois das guerras.

Ouvi dizer que o fascismo não é uma doutrina, e não possui filosofia, que se opõe às forças integrantes da demagogia socialista e do governo de massa, com a energia de uma força moral, cujo grande mérito está sendo reconhecido e que, de fato, parece admitir que o fascismo está voltando à doutrina liberal, ao conceito liberal e sensato de Estado, forte e pronto para subordinar todos os interesses privados ao interesse geral e opor o Estado de Direito inviolável ao livre arbítrio dos indivíduos. Não sou dessa opinião, acima de tudo, eu tomo cuidado com a confusão de doutrina e de filosofia com as exposições sistemáticas que podem ser verbalmente feitas em tratados bem construídos; e estou estou convencido que a verdadeira doutrina é aquela que se expressa da ação e não em palavras ou livros, na personalidade dos homens e nas atitudes que os mesmos assumem na diante dos problemas; e essa é uma solução muito mais séria para a resolução dos problemas do que dissertações abstratas, sermões e teorias. Uma falsa teoria. A verdadeira teoria é sempre uma prática, uma forma de vida; é o próprio homem envolvido não por uma fatalidade cega ao instinto, mas pelas convicções conscientes e propostas maduras advindas de uma intuição segura do fim que ele deve seguir; é o homem envolvido em um sim ou um não que é muito mais eficaz e com uma afirmação ou uma negação muito mais clara do que a filosofia especulativa. Que negação mais decisiva do valor da vida poderia haver no suicídio e que afirmação mais energética do seu valor do que o sacrifício voluntário do cidadão que morre por seu país, que é a perpetuação de um ideal de vida concreto. Portanto, deixemos os livros de lado e vejamos as ideias animadoras e consequente significado dos fatos que estão diante de nós no grande livro de história cujo é mais imponente do que a exposição doutrinária mais elaborada; e antes de tudo, vamos excluir a possibilidade de que, todas as doutrinas, a doutrina fascista do Estado coincida com a doutrina liberal.

De que liberalismo nós falamos? Eu distingo duas formas principais dessa doutrina: uma para das quais – desejo usar as próprias palavras do honorável Mussolini, em seu discurso no Teatro Constanzi – liberdade é um direito, e para o outro é um dever, para um, é algo para se apoiar, e para outro é algo a ser conquistado; por um é igualdade, por outro é privilégio, e uma hierarquia de valores. Um liberalismo localiza a raiz da liberdade do indivíduo, e portanto, opõe ao indivíduo do Estado, que não mais possui valor intrínseco, mas serve ao bem-estar e à perfeição do indivíduo, um meio e não um fim. Isso limita à manutenção da ordem pública, permanecendo assim totalmente fora do domínio da vida espiritual, o qual está encerrado no domínio interno da consciência individual. Esse liberalismo é historicamente o liberalismo clássico, de origem inglesa, acrescento imediatamente que é falso liberalismo ou contém apenas uma meia-verdade. Foi oposto por nós por Giuseppe Mazzini por uma crítica, que eu considero imortal.

Mas há outro tipo de liberalismo desenvolvido pelo pensamento italiano e pelo alemão, que declara absurdo esse antagonismo entre o Estado e o indivíduo, observando como tudo tem valor no indivíduo e pode fingir ser garantido e promovido, pelo próprio fato de ser um certo, tem uma influência universal e expressa uma vontade e um interesse mais elevado do que a vontade e o interesse dum único indivíduo; implica uma vontade comum e personalidade comuns, que se tornam a substância étnica do indivíduo. Para esse liberalismo, a liberdade é ter certeza do supremo fim e regra de toda vida humana; mas, na medida em que a educação individual e social promovem sua realização, realizando essa vontade comum no indivíduo, ele se manifesta como a lei, portando como estado. Além disso, não é uma superestrutura imposta externamente à atividade e iniciativa individual, sujeitando-a a uma coerção restritiva, mas é sua própria essência, manifestando-se à frente de um processo contínuo de formação e de desenvolvimento, assim como tudo que faz parte da grandeza e glória do homem nunca é uma qualidade natural e imediata, conquistando suas naturais inclinações que o arrastam para baixo, elevando os níveis de sua dignidade própria. Estado e indivíduo desse ponto de vista, são o mesmo, e a arte de governar é a arte de reconciliar e identificar esses dois termos, de modo que o máximo de liberdade concorde com o máximo de ordem pública, não apenas externamente, mas também, e acima de tudo na soberania atribuída a lei e a seus órgãos necessários. Para sempre, o máximo de liberdade coincide com a força máxima do Estado.

Qual força? Distinções nesse campo, são prezados aqueles que não aceitam o conceito de força, que é essencial para o Estado, e portanto para a liberdade. E distinguem a força moral, da força material: a força da lei votou e aceitou livremente da força da violência, que é rigidamente oposta à vontade do cidadão. Distinções ingênuas, se feitas de boa fé! Toda força é uma força moral, pois é sempre uma expressão da vontade; e qualquer que seja o argumento usado – pregando ou no porrete – sua eficácia não pode ser senão sua capacidade de finalmente receber o apoio interior de um homem e convencê-lo a concordar com ele… A torça material à qual atribuo um valor moral – o contexto é claro – não é de uma pessoa privada, mas do Estado. O porrete do esquadrão fascista pretendia ser, e na verdade era, a força vindicante de um Estado cujo poderes constitucionais foram renunciadas e negados pelos seus próprios órgãos centrais. Foi, portanto, o substituto necessário da força do próprio Estado durante um período revolucionário, quando, de acordo com a lógica de todas as revoluções, o Estado estava em crise; e sua força foi sendo gradualmente transferida de seus órgãos fictícios e legais para seus órgãos reais, os quais, embora ilegais, tendiam à legalidade. Existe violência e violência, e nenhum fascista digno de marchar sob nossas bandeiras jamais confundiu os dois. E quem confundiu não merece ficar conosco e e será expulso assim que for descoberto. Há violência privada, que é livre arbítrio, anarquia, desintegração social; e ao menos que fascismo seja uma palavra sem significado, que nem mesmo nossos adversários iriam admitir, essa violência encontrou um inimigo mais resoluto, claro e formidável que o fascismo. Mas há outra violência, desejada por Deus e por homens que acreditam em Deus, na ordem e na lei que Deus certamente deseja para o mundo, a violência pela qual não há igualdade entre a lei e o criminoso, e que faz não admitir que este último escolha livremente ou aceite ou exija punição que, como observou um grande filósofo com razão, é seu direito. A vontade da lei anula a vontade dum criminoso; isto é, é uma violência sagrada. E, antes de Jesus, homens sempre recorreram a atos de violência, que eles consideravam firmemente como representando a lei, ou um interesse superior e universal. Quando um Estado estava em crise, havia sempre nas mãos dos homens da revolução que instalavam um novo Estado. O fascismo é uma revolução.

Nós chegamos num ponto em que até a etimologia do Estado foi esquecida no desaparecimento geral do Estado. Ao menos em relação ao livre arbítrio individual, o Estado deve permanecer, deve governar como algo firme, sólido, inabalável. Lei e força: Mandíbula que prevalece e não cede toda vez que um indivíduo não gosta e que não se volta para favorecer esse ou aquele grupo em particular. E para que o Estado possa ser essa força, ele deve ter poder interno e externo, capaz se realizar sua própria vontade – uma vontade racional e razoável, como são todas as vontades que podem permanecer no nível do mero desejo, mas transformar eles mesmo em ato e triunfo; portanto, uma vontade soberana e absoluta. A vontade legítima dos cidadãos é aquele que coincide com a vontade do Estado, organizada e manifestada pelos órgãos centrais. Em relação às relações internacionais e assuntos externos, a guerra, como último recurso, testa e garante a soberania de um único Estado no sistema histórico, ao qual todos os Estados pertencem. E na guerra, um Estado prova seu próprio poder, isto é, sua própria independência.

Esse Estado que busca ser e é atualmente a única vontade concreta – pois todos os outros podem ser chamados apenas abstratamente, na medida em que se negligencia os lados indissolúveis pelos quais cada indivíduo está vinculado à sociedade, respirando como se fosse sua atmosfera de linguagem costume, pensamento, interesses e aspirações – esse Estado, eu digo, não seria uma vontade, se não fosse uma pessoa. Pois, para querer é preciso ter a consciência do que se quer, dos fins e dos meios; e para ter essa consciência, é preciso primeiro ter autoconsciência, distinguir-se dos outros e afirmar a própria independência como centro de atividade consciente; em suma, é preciso ser uma pessoa. Mas ser uma pessoa é ser uma atividade moral, uma atividade que deseja e deve, de acordo com algum ideal. E o Estado, que é a consciência nacional e a vontade dessa consciência, deveria dessa consciência o ideal para qual visa e para qual dirige todas as suas atividades. Portanto, o Estado deve inevitavelmente ser uma substância ética.

Permita-me explicar essa terminologia filosófica. Seu significado será transparente, se cada um de vocês apelar para sua própria consciência e sentir as sacralidades do país, que ordena que você o sirva, por ordens incontestáveis, sem hesitação, sem exceção, até a morte. O Estado tem um valor moral absoluto para nós, como sendo a pessoa cujas funções todos os outros têm um valor que, coincidindo com o Estado, também se torna absoluto. Tenha em mente: A vida humana é sagrada. Por quê? Porque o homem é espírito e, como tal, tem um valor absoluto. As coisas são instrumentos; homens são fins. No entanto, a vida de um cidadão deve ser sacrificada quando as leis desse país o exigirem. Sem essas verdades evidentes, que estão embutidas no coração de todos os homens civilizados, não pode haver vida social, ou humana.

Um Estado ético? Os liberais objetam… Eles afirmam que a moralidade deve ser atribuída ao indivíduo concreto, que é a única vontade verdadeira, a única personalidade no verdadeiro sentido da palavra, a única personalidade no verdadeiro sentido da palavra; E o Estado é apenas um limite externo para as personalidades individuais livros e reconcilia suas diversas atividades, a fim de impedir que uma delas seja realizada à custa de outras. Essa concepção negativa e vazia do Estado é decididamente rejeitada pelo fascismo; não tanto por pretender impor o Estado ao indivíduo, mas porque, segundo os ensinamentos de Giuseppe Mazzini, é impossível conceber indivíduos em abstração atomística e esperar que o Estado molde eles em uma síntese impossível. Consideramos o Estado como a própria personalidade dos indivíduos, afastada dessas preocupações abstratas com seus interesses particulares que os veem e os avaliam independentemente do sistema geral em que sua realidade e possibilidade de sua efetividade consistem; uma personalidade enraizada nas partes mais profundas de sua consciência, onde o indivíduo sente o interesse geral como seu, e portanto, deseja como uma vontade geral. Essa consciência que é realizada e deve ser realizada no fundo de cada um de nós como uma consciência nacional em todo o seu poder, suas formas legais e atividades políticas, esta base de nossa própria personalidade, esse é o Estado. E concebê-lo como fora da vida moral é privar o indivíduo de sua substância moral. O Estado ético do fascismo não é mais o Estado agnóstico do liberalismo antiquado. Sua natureza ética é a espiritualidade, uma personalidade consciente, uma vontade sistemática. O que mais é o Estado se não a reconciliação e a unidade de vontade e lei? Vontade é vontade quando ela é a lei, assim como a lei é lei somente quando é vontade. Portanto o indivíduo realiza sua própria natureza. Na medida em que forma um Estado e sente no fundo de sua própria consciência o pulso incessante de uma realidade ética universal que transcende os limites de sua personalidade particular abstrata da mesma maneira que o faz enfrentar a morte quando seu país está em perigo extremo, como se o fizesse encontrar seu verdadeiro eu perdendo seu ser ilusório, fazendo que ele reconhecesse todo momento a força poderosa da lei à qual os seus instintos inferiores e natureza apaixonada se curvam.

O Estado é a grande vontade da nação, portanto, sua grande inteligência. Não ignora nada e se mantém distante de nada atinja o interesse do cidadão, que é o seu próprio interesse, nem na economia nem na moral. O Estado não é uma grande fachada nem um edifício vazio: é o próprio homem, a casa, construída, habitada e animada por alegrias, dores e trabalhos humanos, por toda a vida do espírito humano.

Isso é adoração do Estado? É religião do espírito que não foi mergulhada na cega abjeta do materialismo. É a tocha erguida pelas mãos fascistas da juventude para acender uma grande conflagração espiritual nessa Itália, que, eu repito, resgatou a si mesma e está lutando pela sua própria redenção. Mas não pode se redimir a menos que restaure suas forças morais internas; a menos que se acostume a conceber toda a vida religiosamente; a menos que ame a milícia e a escola, que faz um povo poderoso, e o trabalho, fonte de toda prosperidade nacional e privada, a arena da vontade e do caráter.

Fascismo foi o rebelde mais intransigente contra os mitos e mentiras do socialismo internacionalista, daqueles que eram sem país e sem deveres, que ofenderam o senso de direito e, portanto, de individualidade em nome de um abstrato e vazio da irmandade humana. O fascismo lutou contra a concepção abstrata e materialista de sociedade da classe e derrubou a antítese pela qual o mito artificial da luta de classes era apoiado. Então, o fascismo combateu o marxismo no que Giuseppe Mazzini com ardor apostólico já havia lutado – Mazzini, o profeta do nosso Risorgimento e em muitos aspectos da doutrina, o professor do fascismo atual, – nomeadamente, a concepção utilitarista, materialista e, portanto, egoísta de vida, entendida como uma esfera de direitos a serem reivindicados, em dez de uma arena de deveres a serem cumpridos, sacrificando-se a um ideal. A doutrina fascista tem o mérito de combatê-la precisamente pelo método de Giuseppe Mazzini: não por palavras e argumentações teóricas abstratas, mas por ações, pelo ideal que é atualizado e inculcado nos corações dos jovens.

Nós, fascistas lembramos e devemos lembrar de Giuseppe Mazzini como nosso antecessor, e um dos nosso antepassados. Seu pensamento tem um puro sopro de sentimento religioso. Seu “povo” é um termo de binômio inseparável: Deus e o povo; seu povo está ligado a esse absoluto do qual é impossível escapar, através da qual a política se torna, como ele disse, uma missão, ou uma vida religiosa. Por isso, fascistas estão voltando a encontrar nosso modelo na história da Itália, à qual apaixonadamente devotos, sentimos que, ao encontrar a figura austera de Giuseppe Mazzini, nós encontramos a mais pura e brilhante de nossa fé e de nosso ideal. Ele estava destinado a despertar no seio dos italianos aquela jovem Itália que surgiu com o fascismo e que canta conosco o hino à eterna juventude, à primavera da vida que floresce em fé e esperança.

Cavalheiros, o fascismo é um partido e uma doutrina. Mas acima de tudo, é uma concepção total de vida. É impossível ser fascista na política e não ser fascista na escola, nem na própria família ou escritório. Assim, o fascismo incorpora o que podemos chamar de sua própria característica, ou seja, levar a vida a sério. A vida é labuta, esforço, sacrifício e trabalho duro; uma vida em que conhecemos perfeitamente bem, mas não há matéria nem tempo para diversão. Diante de nós, sempre existe um ideal para ser realizado; um ideal que não nos dá trégua. Não temos tempo a perder. Mesmo durante o sono, devemos dar conta dos talentos que nos são confiados. Devemos fazê-los produzir frutos, não para nós que somos nada, mas para nossa terra e país, para essa Itália que enche nossos corações com suas memórias e aspirações, com suas alegrias e trabalhos, que nos repreendem pelos séculos que nossos pais perderam, mas isso nos conforta por eventos recentes, quando o esforço italiano produziu um milagre, quando a Itália se uniu em um único pensamento, um único desejo de sacrifício. E foram precisamente os jovens, a jovem Itália do nosso profeta, que estavam prontos, que correram para o sacrifício e morreram por seu país. Morrer por esse ideal pelo qual homens podem viver e pelos quais homens podem sentir a seriedade da vida. O homem moderno está numa encruzilhada. Por um lado, é a liberdade dos egoístas que leva à anarquia e à ruína daqueles ideais nos quais o homem pode se encontrar; por outro, a liberdade dos homens que, acima dos seus egos privados sentem o poder do ideal, do país e da família, do Estado e da lei, da liberdade não como um privilégio herdado ou um presente gratuito dos deus, mas como algo para ser vencido por nosso esforço, dos quais família, Estado e lei superior são criadas e nos quais reside o valor do mundo e a recompensa do nosso trabalho. Por outro lado, direitos para aqueles que não tem nada para dar ao mundo, por outro dever para quem não pede nada…

O fascismo é a guerra ao intelectualismo. O espírito fascista é a vontade, não o intelecto, e eu espero não ser mal interpretado, Intelectuais fascistas não precisam ser intelectuais. O fascismo é e deve ser um inimigo sem trégua ou piedade, não contra a inteligência, mas contra o intelectualismo, que é uma doença da inteligência. Pois inteligência também é vontade, e pelo menos o fascismo sente isso, desdenhando a cultura que é um ornamento ou adorno do cérebro e ansiando por uma cultura pela qual o espírito esteja armado e fortalecido por vencer novas batalhas. E isso pode ser, isso deve ser a nossa barbárie, a barbárie além do mais! Contra a ciência e acima de tudo contra a filosofia, contra a ciência e a filosofia dos decadentes, dos covardes, ou daqueles que sempre ficam diante da janela e ficam satisfeitos em criticar como se isso não fosse um assunto deles!

Um dos maiores méritos do fascismo é esse: obrigar pouco a pouco todos os que antes estavam à janela a descer às ruas, e praticar o fascismo, mesmo contra o fascismo. E quando todos os italianos desceram às ruas e pensarem e refletirem sem mais mentir a tentação de olhar para a janela, o povo italiano começará a ser o grande povo que deveria ser.

O fascismo é arte, pois também é um movimento original do espírito e não da dedução, mas uma criação e, até mesmo da ação, o fascismo se baseia numa inspiração genial e não em conclusões estreitamente desenhadas pelo raciocínio. Certamente por causa de sua espontaneidade e originalidade, o fascismo é arte. Mas eu gostaria de complementar essa definição. O próprio artista, é de fato, um espírito, buscando e encontrando sua liberdade além desse mundo real, onde uma força pesa sobre o homem que é superior a todas as forças naturais ou humanas, que é chamado de Deus, ou destino, e que nenhuma vontade e nenhuma ciência podem conquistar… A vida é uma arte, com certeza, mas também é uma religião. É a exaltação de nosso poderes criativos, mas também o sentido de nossas limitações e da existência de algo que não somos e que não depende de nós, algo que nos assedia e colide em nós, que nos pressiona e nos demanda um relato do que estamos fazendo. Essa é a grande força da religião, e portanto o fascismo instintivamente acolheu a religião, cuja negligência no passado era apenas um dos muitos sinais de decadência da velha Itália. O fascismo é uma religião. Portanto, foi capaz de reconsagrar no coração dos italianas a guerra e a vitória, apesar de terem sido vilmente vituperadas; portanto, restabeleceu o amor ao martírio pelo ideal de nosso país, e portanto, permanece invencível no campo enquanto seus adversários inaptos o abusam.

A escola não deve ser agnóstica nem na religião, nem na filosofia, pois não se atreve a ser agnóstica na moral. Portanto, também não pode ser agnóstico na política. O agnosticismo é uma suspensão de julgamento e uma consequente rejeição de tomar partido ativamente em qualquer parte. É a separação da personalidade da vida. Agora é evidente que a escola, que toma essa atitude em vez de desempenhar uma função essencial como um instrumento e de atividade construtiva da vida moral, tornando-se um órgão fatal de desintegração e destruição de todas as energias fundamentais da vida espiritual de um povo.

Portanto, nos estamos lutando, como precisamos, contra esse tipo de educação que procura banir a política da escola… Certamente, a política divide e a escola deve unir, une nutrindo uma humanidade comum pela qual os homens se entendem e cooperam na construção das estruturas espirituais pelas quais a civilização está sendo realizada. A escola não pode participar na batalha diária da vida, na vida de conflitos sempre novos. Mas a escola deve preparar para a vida, e primeiro a criança, e depois na juventude, deve estar acostumada em ouvir o barulho das batalhas, que estão sendo travadas fora dos muros fechados em que ele ainda pode crescer, e que o aguarda com seus problemas, seus interesses diversos e conflitantes, destinados a serem reconciliados; ele deve se ocupar com esses problemas e deve desenvolver uma firme vontade de resolver esses problemas. Portanto, a escola, não pode se limitar a ensinar gramática, matemática, ou qualquer outra matéria, que é um mero ornamento ou adorno do intelecto. O intelecto pode ser desenvolvido apenas através do desenvolvimento da personalidade. Portanto, nós precisamos procurar entender todas as coisas, na medida em que é verdade que entender é amar. Mas o amor sempre vem de um centro e deve retornar a ele; um centro que é um ponto de vista, uma fé, um pilar, em que a consciência pode se apoiar com segurança… Por esse motivo nós precisamos hoje de uma escola italiana governada por uma concepção viva, não tanto dos direitos como dos deveres do povo italiano, isso é de todo italiano. Uma concepção não estritamente e tolamente chauvinista. Mas, no entanto, firme e religiosa. E isso é política, uma política sagrada, e nós pretendemos que aqueles que a negam sejam considerados não como defensores da mente aberta e da mente liberal, mas como profanadores e miseráveis daquele tempo que devemos zelosamente guardar.

Liberdade? Sim, ela é a própria deus do templo que nós falamos, mas liberdade, como você sabe, não é uma prerrogativa natural de ninguém, mas um ideal para ser realizado, com um dever a ser cumprido, a maior conquista que o homem pode aspirar por meio da autoabnegação e sacrifício”.


Fonte: Alerta Nacionalista (blog)

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