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G.K. Chesterton sem dúvidas foi um dos pensadores mais influentes do início do século XX, sua postura conservadora, simplista e humilde forneceu bases sólidas para analisarmos o que está acontecendo com o mundo moderno, principalmente com o pensamento moderno. Chesterton foi um crítico ardente das “novas tendências” filosóficas, apontando como são elas as responsáveis pelo emburrecimento e o corromper da sociedade. Não era cético, suas críticas à modernidade não acompanham uma postura pessimista como Oswald Spengler, sendo um fervoroso defensor do cristianismo e da tradição cristã. Uma de suas principais obras, Ortodoxia, publicada em 1908, expõe os paradoxos e contradições do mundo moderno enquanto se posiciona em defesa da tradição e da crença em uma verdade objetiva.

Já nos primeiros capítulos de Ortodoxia, Chesterton destrona com seu bom senso e humor todo o modernismo de sua era, demonstrando a loucura e confusão presente na mente do homem moderno, ironizando que o mesmo deveria pertencer a um manicômio. Seu livro apesar de ter sido publicado a mais de um século poderia muito bem ser desta década, já que os mesmos problemas que enfrentamos hoje pelo pós-modernismo possuem suas raízes neste modernismo do início do século XX, e através de seu livro aprendemos a cortar esse mal pela raiz. O homem moderno não é um filósofo, não é um criador, mas sim um destruidor que está incerto de suas próprias crenças, e por isso necessita validar ela defendendo-a intensamente até esgotar-se ou perder a cabeça, normalmente o segundo acontece.

Observemos os extremos que os ideais progressistas nos forneceram através do tempo. O Feminismo iniciou-se como uma reivindicação de direitos iguais para as mulheres, especificamente pelo direito do voto, hoje as mulheres protestam pelo direito de serem promiscuas e desajustadas, exigindo aplausos e louvores por isso. O Homossexual começou a se manifestar para exigir respeito e deixar de ser visto com preconceito, hoje protestam pelo direito da libertinagem sexual pública (indo conta o ditado “o que acontece na casa de um homem dentro de quatro paredes não é assunto de ninguém”), estão se vingando por séculos de repreensão moral esfregando seus fetiches antissociais na face de todos, e que Deus ajude aquele que ousar a criticá-los. O negro que antes lutava para se igualar ao homem branco, livrando-se da escravidão, hoje luta para escravizar o seu antigo senhor, movido pela pura ganância vingativa exigindo se tornar mais livre, possuindo mais direitos e mais privilégios. Movimentos negros hoje gritam “Morte aos brancos!” mas reclamam da Klu Klux Klan por gritarem o oposto. Portanto, você, que julga os outros é indesculpável; pois está condenando você mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas” (Romanos 2:1). Essas contradições exacerbadas estão presentes em todos os movimentos progressistas modernos, eles em si não as percebem pois precisam-nas para justificar sua própria existência. Sua busca por “igualdade” não passa de um slogan para justificar suas vidas vazias que só podem ser preenchidas pelo senso de preenchimento através de um grupo, já que as pessoas não buscam mais um autopreenchimento, se sentem vazias, e afastaram de si a única coisa que de fato pode preencher o vazio existencial, uma verdade objetiva. A verdade foi substituída pelo subjetivismo moral, deixando todos perseguindo o próprio rabo em busca de um novo propósito. Chesterton relata que um dos problemas principais do homem moderno é acreditar cegamente que somente por si mesmo conseguirá encontrar todas as respostas que procura.

Em nossos tempos, aqueles que permaneceram sãos neste mundo caótico sofrem com tais indivíduos que impossivelmente são capazes de ter qualquer pensamento condizente com a realidade. Debater com esses acaba se tornando uma tarefa exaustiva, o que faz com que muitos enlouqueçam junto com o louco. Chesterton descreve esse processo de exaustação mental como uma das principais razões que leva um homem à insanidade, utilizando como exemplo uma comparação entre poetas e cientistas. Apesar de serem os poetas que pensam e descrevem mundos e realidades fantasiosas, são os mesmos que demonstram mais sabedoria e lucidez em relação a cientistas. Associar grandes cientistas a loucura não é surpresa ou novidade para ninguém, como observamos pelo famoso dilema “O grande gênio é um aliado da loucura”, isto se dá, de acordo com Chesterton, pelo mal uso da razão, ou melhor, pelo uso exclusivo da mesma. Aquele que busca somente através da razão compreender o mundo, não permitindo nem um pingo de misticismo em sua vida tende a enlouquecer. Sobre os poetas e cientistas Chesterton escreve:

“A poesia é sensata porque flutua facilmente em um mar infinito; a razão procura atravessar o mar infinito, e assim o faz finito. O resultado é exaustão mental… Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é um esforço. O poeta só deseja exaltação e expansão, um mundo no qual possa se estender. O poeta só pede para colocar a cabeça no céu. É o lógico que procura colocar o céu na cabeça. E é a cabeça dele que se espatifa.”

O poeta quer contemplar o mundo em que vive, quer entendê-lo como realmente o é, respeitando suas próprias limitações; já o homem racional quer entender a completude de todo o universo à sua volta, forçando-se contra suas próprias limitações que continuamente tende a rejeitar por uma birra infantil. Estes cientistas modernos que acreditam saber mais do conseguem rejeitam a principal frase na qual foi o pontapé inicial para todo o avanço intelectual do ocidente, a famosa “Só sei que nada sei” de Sócrates. A rejeição deste princípio demonstra o porquê do mundo moderno estar impregnado de imbecis.

Claro que a razão não é o que Chesterton condena, mas sim a razão desordenada, razão pela razão. Este pensamento puramente individualista e egoísta faz com que um acredite que pode confiar somente em si próprio. Esse principio resulta no homem rejeitando o mundo e se fechando somente na própria mente com suas próprias narrativas, e em sua cabeça cria tantas desculpas e argumentos que acaba se aprisionando a elas, incapacitado de ver o mundo com outros olhos. Todas as ideologias modernas se baseiam ou foram fundadas sobre este princípio egoístico.

Por esta razão é extremamente difícil argumentar contra essas ideias, ainda mais por serem baseadas em falsos pretextos e mentiras, por isso então, Chesterton propõe que o melhor que podemos fazer contra tais adversários é não debater com eles argumentativamente, pois não só estaria dando validação e perspectiva da visão de mundo deles, como você estaria em desvantagem por não poder mentir ou ser malicioso. Claro que pela estrutura falsa de seus ideais ganhar com base em argumentos factuais é possível, porém não vai resolver o problema real. Chesterton escreve:

“Curar um louco não é discutir com um filósofo, é expulsar um demônio… O louco está na prisão limpa e bem iluminada de uma ideia: ele está focadíssimo em um ponto doloroso… Como lunático, eles não podem alterar seu ponto de vista.”

A solução para discutir com um louco não é tentar rebater suas ideias, mas sim demonstrar para o mesmo outros pontos de vista. Mostrar que o mundo no qual ele escolheu viver é cinza e miúdo, e que a realidade é muito mais grandiosa e saborosa. Afinal, Tentar conversar racionalmente com alguém irracional é um ato irracional que acabará levando um a loucura. O lunático deve ser tratado pelo o que ele é, o que permitiu com que os mesmos ganhassem lugar de fala em nossa sociedade foram homens que trataram os lunáticos como homens sãos, e a consequência disso hoje resultou no tratamento do homem são como se esse que fosse o louco. O mundo moderno inverteu os papéis, e cabe a nós manter a ordem nesta casa sem paredes.

Você não pode provar factualmente para uma feminista que sua visão de mundo está errada, mas pode fazê-la compreender melhor a importância do patriarcado, assunto no qual ela só compreende por um estereotipo errôneo feminista. Você não vai conseguir demonstrar para o Homossexual o problema dos vícios libertinos, mas pode conceber para o mesmo a virtude em se ter uma vida sexualmente saudável. Não podemos fazer com que o militante negro abandone suas reivindicações por uma “dívida histórica”, mas podemos tentar fazê-lo concluir como os males de uma sociedade multirracial é prejudicial tanto para o homem negro como para o homem branco, como muitos afrodescendentes famosos como Malcolm X e Mohammed Ali defendiam. Se forem indivíduos que buscam e almejam desvendar a verdade, tomarão a postura correta, agora se persistirem no erro, insistindo na loucura, no fanatismo, não há outro lugar para eles a não ser mesmo o manicômio.

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