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Felipe Rotta: Aristóteles, Política e a  Quarta Via

Como ocorre a relação entre Filosofia Política Clássica e a Modernidade? É uma das primeiras perguntas que um aluno de Ciência Política faz em busca de uma articulação para seus estudos a fim de compreender o motivo de estar estudando aquilo sem a clichê resposta de que se deve “conhecer o passado”. O que muitos deveriam compreender é que a Política Clássica não é apenas importante, mas necessária. A começar pelo pai de tal grande ciência: Aristóteles.

O que muitos estudiosos da área de Ciência Política não parecem compreender é que as dimensões de uma caracterização política estão atreladas a um conjunto de ideias que a incorporam. Sendo mais preciso: toda cosmovisão política se encontra dentro de uma filosofia maior.

A Quarta Teoria Política não é diferente. A concepção da Quarta Teoria Política se dá através de um estado orgânico das tradições, ou seja: quando a ideia de Tradição está se diluindo na Modernidade, mas sua essência permanece intacta. O que deve ser notado é que há uma diferença entre a concepção universal dos corpos intermediários e a ideia universalista do Liberalismo; é a diversidade orgânica como primazia ao universalismo. Uma tese universal pode ser concebida, enquanto norma prática entre as relações, mas não no que se diz respeito à primazia. Sendo mais específico: há um caráter universal na Tradição, na concepção de Soberania, Povo e Lei, mas não existe nada que justifique uma uniformidade de uma categoria a todos os povos — contrariando o que a Civilização Ocidental vem afirmando há mais de dois séculos.

Indo um pouco mais adiante, a Quarta Teoria Política também funciona como uma ponte entre as tradições e a filosofia de Martin Heidegger, em específico, ao Dasein. Isso pode parecer um tanto inútil se fossemos pensar como isso seria séculos atrás, antes mesmo do Iluminismo, mas a questão é justamente essa: Heidegger e a Quarta Teoria Política emergem justamente quando a sociedade europeia está morta e a civilização ocidental se encontra moribunda. Enquanto Heidegger buscou reformular a História da Filosofia em busca do Ser que fora esquecido, a Quarta Teoria Política busca resgatar a Tradição em seu sentido mais puro.

Quando penso que diversas ideias se encaixam num esquema que transcende cada uma delas, lembro do princípio de totalidade, conforme Aristóteles. O todo formula as partes; as partes pertencem e obedecem ao todo; e o todo é concebido anteriormente às partes. Não há Identidade sem Povo, não há Povo sem Daseins, e não há Daseins sem o Dasein.

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Tanto a busca pelo Dasein quanto a aurora quarto teórica estão na Modernidade enquanto possuem um caráter antimoderno, ou melhor: que visam transcender a Modernidade. É como um veneno disposto a destruir o corpo onde se hospedou, e da forma mais rápida possível.

Agora, partindo de Aristóteles em nossa análise, nos deparamos com uma coisa muito interessante: seria a Quarta Teoria Política uma parte do todo (Modernidade)? Ou melhor: na Modernidade, a Tradição constitui uma parte integrante ao todo?

Vamos por partes. Em primeiro lugar, aqui temos duas cosmovisões distintas: Tradição x Modernidade. Por certo que dentro da Modernidade a Tradição constitui uma parte que se rebela do todo. No entanto, o contrário não ocorre. Não há como dizer que a Modernidade é parte da Tradição pelo fato de que a Tradição é uma concepção imaterial e sagrada que se manifesta entre as eras; a Modernidade se trata de um zeitgeist que nega a Tradição em detrimento dos costumes ordinários e individuais. E onde se encaixa a Quarta Teoria Política? Em ambos.

A Quarta Teoria Política não rejeita a Modernidade, mas a aceita; não os seus dogmas, mas sua existência em uma época em que ela está buscando não existir. Por isso que a firmação da Tradição é o ponto-chave para que haja uma compreensão lúcida. Da mesma forma, a Quarta Teoria Política se incorpora na Cosmovisão Tradicional; ela não a transcende, mas reafirma seus valores.

É sempre importante recordarmos da importância dos mestres do passado cujo espírito elevado deu frutos que resistem até hoje em nossos tempos sombrios; o uso que fiz do esquema aristotélico para explicar alguns pontos-chave da Quarta Teoria Política é um mero rascunho, um pontapé inicial para que isso se espalhe e produza maiores análises nos mais diversos campos da análise política. É para isso que utilizamos o conhecimento que herdamos: para negar os valores da Modernidade e reafirmar a Tradição, mas para que isso ocorra, há também a necessidade de explanar melhor o caráter científico da Quarta Teoria, não apenas cair no velho discurso romântico de que a Modernidade cairá num piscar de olhos e automaticamente voltaremos a uma tranquila vida bucólica. Isso é o oposto do que os antigos políticos faziam; por isso a necessidade de ação efetiva. Daí vem a Tradição como Totalidade e suas partes: fé, devoção, caridade, guerra, costumes, valores, ação, heroísmo, fortaleza, verticalidade etc. Isso é resgatado da harmonia entre todos os esquemas da Quarta Teoria Política: 1) Sua base epistêmicas; 2) O Símbolo e suas manifestações; e 3) A análise político-científica. Os três grandes alicerces que firmam as raízes num abundante solo que resistirá a qualquer força vinda dos mares.

Afinal, como ensinou Aristóteles a seus alunos: “A tolerância e a apatia são as últimas virtudes duma sociedade moribunda”.


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