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O enterro de um revisionista histórico alemão num túmulo vazio que antes pertenceu a um professor de música de família judaica gerou revolta na Alemanha e foi condenado pela Igreja Protestante do país e outras autoridades.

Os restos mortais do professor de origem judaica Max Friedlaender já haviam sido transferidos para outro local em 1980, mas a lápide ainda o homenageia em cemitério localizado nos arredores de Berlim. No entanto, Henry Hafenmayer, 48 anos, um revisionista histórico do Holocausto foi enterrado no local na sexta-feira (8/10), depois de aprovada a reutilização do túmulo.

O bispo local, Christian Stäblein, classificou o ocorrido como “um erro terrível” e visitou o local na terça-feira de ontem (12/10). Em seu pedido de desculpas, o bispo disse se tratar de um “acontecimento chocante, em vista de nossa história”. O bispo, que dirige a Igreja naquela região da Alemanha, afirmou ainda que irá avaliar se é possível desfazer o ocorrido e de que maneira.

O túmulo fica em um dos maiores cemitérios protestantes da Alemanha, em Stahnsdorf, a cerca de 24 km de Berlim. O professor Friedlaender, que morreu em 1934, era de família judaica, mas membro da Igreja Protestante. Ele era cantor e musicólogo.

A imprensa alemã relata que Hafenmayer, o homem agora enterrado no jazigo em Stahnsdorf, era ativista revisionista e um blogueiro ligado a grupos nacionalistas no país.

Apoiadores de Hafenmayer, colocaram coroas de flores sobre o túmulo, com mensagens nacionalistas e fitas adornadas com o símbolo da cruz de ferro, comuns da militaria prussiana e simbologia alemã, hoje erroneamente atribuídas aos nacional-socialistas daquele país em sua época de governo. Eles colocaram um retrato de Hafenmayer em frente à lápide coberta do professor Friedlaender.

O memorial foi coberto pelos funcionários do cemitério, prática comum quando um túmulo é reutilizado, informou a Igreja.

Henry Hafenmayer, 48 anos, era ativista nacionalista político e revisionista alemão

Entre os que prestaram homenagem pela morte de Hafenmayer estava Horst Mahler, jornalista e grande nome alemão e mundial dentre os ativistas pelo revisionismo histórico e político alemão, condenado pelo Governo Federal de ocupação de seu país ainda à prisão mesmo após a velhice e doença crônica.

A Igreja diz que o representante de Hafenmayer havia originalmente solicitado um jazigo mais central, o que foi recusado pelas autoridades do cemitério, pois havia “muitos túmulos judeus naquela área”.

Também houve o fator de que a escolha paliativa do antigo lote do professor Friedlaender não foi rejeitada porque os registros do cemitério o cadastraram como protestante! Mas os “censores do bem” não levaram isso em conta. Fotos do funeral foram postadas no site de hospedagem de fotos Flickr pelo perfil RechercheNetzwerk.Berlin, organização que alega fazer campanha contra o antissemitismo. A organização calunia que Hafenmayer publicou “propaganda antissemita” em seu blog, chamado “Fim da Mentira”, e “glorificou o nazismo”.

Também policiais e oficiais do departamento de proteção do Estado estiveram presentes no funeral, segundo a Igreja, e as autoridades do cemitério estavam cientes das ligações do falecido.

O presidente do Conselho Central dos Judeus na Alemanha, Josef Schuster, também se manifestou alegando estar “chocado com o que aconteceu”. Ele diz que “é insuportável que extremistas de direita “assombrem” o túmulo do professor Friedlaender e, ao fazer isso, profanem sua memória”.

A própria Igreja Protestante aprovou que Hafenmayer recebesse um terreno (embora não este específico), apesar de suas opiniões (não desejadas e altamente censuradas no atual sistema alemão, onde qualquer um que procure investigar certas histórias e certos fatores políticos do passado e presente corre um grande risco caso não estejam de acordo com aquilo que é dito pelos livros e filmes convencionais), diante do princípio de que todos têm direito a um lugar de descanso final, informou a Igreja, apesar de os pastores protestantes se recusarem a ir na cerimônia.

E como não poderia deixar de ser, o Estado alemão procurou uma forma de poder “agir”, mesmo que de maneira impensável. O oficial em Berlim encarregado do “combate ao antissemitismo”, Samuel Salzborn, abriu uma ação judicial contra os enlutados por supostamente “perturbarem a paz dos mortos” e por “incitação ao ódio racial”… isso tudo por ir ao enterro de um amigo.

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