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Empulhações da alt-Right sobre a “Teoria da Grande Substituição”
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Dentre as inúmeras correntes político-ideológicas que vêm ganhando força no Brasil, a alt-right se destaca excepcionalmente pelo enfoque midiático que dela se aproveita para generalizar e, por conseguinte, estereotipar e desqualificar qualquer pretérita insurgência verdadeiramente nacionalista. Embora ausente de verdadeiros intelectuais, a recém importada ideologia já busca adequações à realidade brasileira marcada por tribulações e incompatibilidades intrínsecas a um postulado economicamente liberal, anticatólico e apologista de guerras raciais em um país de conduta antiliberal, católico e racialmente harmônico. 

Tendo fracassado como movimento de massas nos Estados Unidos, a alt-right se alastra pelo mundo através da internet apresentando análises de conjunturas globais lastreadas sobre iminentes distorções reducionistas do pensamento de George Lincoln Rockwell, dentre as quais se destaca com maior proeminência a assim chamada “Teoria da Grande Substituição”, originalmente desenvolvida pelo francês Renaud Camus, mas maledicentemente reinterpretada à luz de chavões categóricos e afunilada sobre a ótica racial. Assim, faz-se mister desmontar essa narrativa que, tal qual apresentada, em nada colabora com a unidade nacional e acirra conflitos de ordem étnica sem jamais propor resoluções de unificação pautadas por elementos metafísicos outrora responsáveis por transcender aspectos materiais da composição humana e homogeneizar civilizações etnicamente distintas, como pontuado por Julius Evola em “Revolta Contra o Mundo Moderno”. 

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Desde o princípio, demanda que se esclareça que não há, nem jamais houve, qualquer empreendimento global que visasse “extinguir a raça branca” mediante a importação de estrangeiros para países de maioria caucasiana. O elemento que de fato propulsiona a imigração em massa é a sociedade de mercado e as dinâmicas imanentes do capital que, ao bojo dos interesses dos megabilhonários sediados em países industrializados, fomenta fluxos migratórios em vista de expandir o exército industrial de reserva e, por conseguinte, incidir os direitos trabalhistas e o salário mínimo para explorar uma mão de obra estrangeira, desqualificada e disposta a se sujeitar a prestar serviços insalubres por péssimas remunerações. É esta manifestação da luta de classes, pautada por interesses essencialmente econômicos, que acarreta a imigração e a consequente dissolução das etnias locais e imigrantes no caldo global da multicultura.

Ademais, convém observar que o presente modelo de universalização das escalas de produção que, mediante o livre-comércio impõe condições servis aos países em desenvolvimento restringindo-os somente a produção de matérias-primas, remonta paradigmas coloniais de mercado à medida em que se vale dos descendentes do terceiro mundo para subsidiar a produção dos países industrializados usando de sua força de trabalho – por vezes, mais especializada que a local – para ocupar cargos braçais em indústrias primárias. Assim, tanto mais que mero empecilho para a unidade cultural dos países europeus e norte-americanos, a imigração é infinitamente mais nocente para países em desenvolvimento, haja em vista que coopta, por via de regra, seus filhos mais formalmente especializados e aptos a ocupação de cargos técnicos.

Não obstante, ao bravejar contra as massas imigrantes árabes e africanas que, ano a ano crescem e se assentam na Europa, a alt-right parece convenientemente esquecer que, na sua maioria, os fenômenos migratórios dessas regiões se devem a guerras imperialistas empreendidas ou apoiadas pelo próprio governo americano. Mesmo os políticos estadunidenses mais alinhados a geopolítica saudavelmente isolacionista de Donald Trump somente se levantam contra a intervenção yankee na Palestina eximindo-se da culpa e colocando seu país como vítima de uma operação militar que, a despeito de supostas boas intenções, consumiu muito capital interno. Todas as milhares de vítimas mortas e permanentemente aleijadas, todas as cidades destruídas e legados históricos, culturais e civilizacionais perdidos nas guerras em função dos interesses imperialistas, não pesam na consciência americana tanto quanto suas irrisórias perdas econômicas.

Surge, portanto, a indagação do porquê, diante das autoevidentes explanações apresentadas, os adeptos brasileiros da alt-right insistem em uma narrativa da globalização pautada única e essencialmente pela teoria da Grande Substituição. E a resposta é simples: se aceitassem que o fator multiétnico da problemática globalista é apenas corolário de um avilte contra a autonomia dos povos que principia no âmbito econômico, teriam de concordar, por inexorável silogismo, que somente se pode parar o processo de globalização cultural mediante medidas industrializantes e protecionistas de Estados nacionais fortes que atuem no sentido da busca pelo pleno emprego e conseguinte freio da imigração em massa, em especial no terceiro mundo. Porém, na condição de uma corrente política originada nos Estados Unidos, a alt-right é essencialmente liberal e, sobretudo no Brasil, profundamente instrumentalizada em função de agravar cisões e levantar narrativas contraproducentes. 


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Eduardo Salvatti
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