Winston Churchill, o Padroeiro da Segunda Guerra

Nos ajude a espalhar a palavra:

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, Winston Churchill vem sendo enaltecido em romances, historiografias e, sobretudo, em obras cinematográficas. Com o lançamento do longa metragem “Darkest Hour” (2018), que retratava o primeiro ministro como um precursor da paz e da justiça, a histeria entorno da iconografia de Churchill retomou proporções mundiais. Pouco se fala, porém, acerca de seu comprometimento com a continuidade da guerra mais sangrenta da história da humanidade, bem como de seu plano de poder colonialista. 

Por finalidades de análise de conjuntura, é mister reconhecer que o consciente coletivo é formado tanto mais por obras artísticas que por estudos historiográficos compromissados em retratar a real objetividade dos fatos – e a classe artística britânica, foi especialmente eficaz na construção de um herói nacional sobre a imagem de Churchill. Mas, em verdade, Winston Churchill foi o grande responsável por alavancar a Segunda Guerra à proporções mundiais, desencadeando-a por sua intransigência e, posteriormente, negando ofertas de paz consecutivamente. 

Despreocupado em esconder suas reais intenções com o conflito, Churchill não omitiu, em escritos e entrevistas, seus interesses imperialistas na permanência da guerra. Em um de seus livros, parte de uma coletânea por ele redigida após deixar o cargo de primeiro ministro, intitulada “A Segunda Guerra Mundial”, Churchill expressava os verdadeiros motores da guerra: O crime imperdoável dos alemães, anterior à Segunda Guerra Mundial, foi a tentativa de retirar sua economia do comércio mundial e construir um sistema de câmbio independente, do qual as finanças mundiais não poderiam lucrar […] Nós massacramos o porco errado – ele declarou.1 O “herói” britânico não deixou de reiterar, também, seu anseio pela guerra em uma entrevista concedida à radio Autuum, em uma transmissão ao vivo em 1939, quando declarou que “Esta é uma guerra britânica e temos por objetivo a destruição da Alemanha.”2

Para além de construções de narrativas embasadas em maniqueísmos ufanistas, uma breve análise historiográfica explicita com suficiente clareza a obstinação feérica com que Churchill empreendeu um desmonte aos Estados-nações que se opuseram ao seu projeto de poder3: no dia 20 de maio de 1940, o general Alfred Jodl, integrante da cúpula do Partido Nacional-Socialista, registrou em seu diário que “[…] ele [Hitler] está redigindo um tratado de paz […]. A Inglaterra poderá obter a paz em separado à qualquer hora, após a restituição das colônias.” O tratado, porém, foi metodicamente ignorado.

Segundo o historiador William L. Shirer, “Hitler não duvidava que […] a Inglaterra estaria ansiosa por estabelecer a paz. Seus termos, do ponto de vista alemão, pareciam muito generosos […]. Ele exprimiu ao general Rundstedt, sua profunda admiração pelo Império Britânico, e acentuando a necessidade se sua existência. Tudo o que ele queria de Londres – disse – era liberdade de movimento no continente.” Houveram inclusive propostas de mediação na pacificação de Londres e Berlim do parte da família real sueca e do então papa, o beato Pio XII, mas foram todas negadas por Churchill.

Esquecem-se os admiradores de Winston Churchill, que o custo da guerra foi demasiado custoso inclusive para a Inglaterra: a Polônia, pela qual os britânicos declararem guerra à Alemanha, foi também anexada pela União Soviética e assim permaneceu durante toda a Guerra Fria – vale retomar que Churchill nem mesmo considerou declarar guerra à URSS quando a mesma anexou parte da Polônia apenas duas semanas após a Alemanha; os custos da Segunda Guerra, levaram à falência os planos imperialistas da Grã-Britânia, desintegrando, em apenas duas décadas, suas colônias na Ásia, Índia, Oriente Médio e África; territórios ingleses foram bombardeados e cerca de trezentos e oitenta mil britânicos morreram em conflito.

Notas:

1- No texto original, Churchill escreveu: “Germany unforgivable crime before World War II was it´s attempt to loosen it´s economy out of the world trade system and to built up an independent exchange system from which the world-finance could not profit anymore […] We butchered the wrong pig.”
2 – São muitas as declarações do primeiro ministro que retomam os interesses imperialistas na Segunda Guerra: em um diálogo com o presidente Truman, no curso de uma marcha estadunidense em Fulton, no ano de 1946, Churchill observou: Nós podíamos, se assim quiséssemos, termos evitado que esta guerra estourasse com apenas um disparo, mas não quisemos.
3- Churchill, porém, parecia nutrir certa admiração pessoal pela figura de Adolf Hitler, como consta no artigo “Adolf Hitler, por Winston Churchill”, de Mykel Alexander.

Fontes:
[1] Livro “A Segunda Guerra Mundial”, de Winston Churchill
[2] Livro “Ascensão e Queda do Terceiro Reich”, de William L. Shirer
[3] Livro “Hitler”, de Joachim Fest
[4] Artigo “Quem ganhou? Quem perdeu? Segunda Guerra Mundial”, de Patrick Buchanan

Siga em:

Eduardo Salvatti

Eduardo Salvatti em Mentes Independentes
Gaúcho de Porto Alegre (2001), entusiasta da filosofia, católico romano, revolucionário com engajamento social desprendido de pragmatismos.
Siga em:

Últimos posts por Eduardo Salvatti (exibir todos)

Nos ajude a espalhar a palavra:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.