Opinião: Os Erros Imperdoáveis da Direita Conservadora

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O texto que se segue trata de uma crítica expressa mediante aferições e observações relativas a insurgência e aos rumos tomados por este movimento político a que podemos chamar de “direitismo conservador” ou “bolsonarismo” e, portanto, embora trate, também, de uma análise de conjuntura, está em absoluta sujeição a juízos de valor e experiências pessoais do redator, sobre o qual, vale ponderar, integrou ávidamente o movimento entre os anos de 2015 e 1018 e, consequentemente, esteve presente e testemunhou ativamente muitos dos ocorridos que o marcaram. 

Rogo, portanto, à paciência do leitor, que abstenha-se a tentação de presumir conclusões precipitadas anteriores a leitura integral da breve tese que se sucede. Antes de se perguntar se o autor é “de esquerda ou de direita”, mais vale analisar as contraposições e os argumentos aqui apresentados à luz da própria consciência que segundo uma categorização sub-consciente a qual não visa favorecer senão as elites empenhadas na desagregação nacional a que este escrito se propõe a combater. Antes de epítetos, rótulos e nomenclaturas, resplandece gloriosa a flâmula verde-amarela do nosso Brasil, pairando eternamente acima de ideologias e causas partidárias. 

Esta crítica, porém, não se dirige a figura do presidente Bolsonaro, haja visto que o cargo da presidência da república sintetiza a unidade máxima da nação e, estando ocupado por quem quer que seja, é digno de toda polidez devida ao próprio povo por ele representado. Ademais, tenho ciência de que muito daquilo o que me proponho a criticar na atual diligência do poder executivo, foi também posto em prática com tanta ou mais veemência por governos anteriores, contudo, contentar-se com o menos pior, quando isso implica aceitar um projeto de desmonte estatal e supressão da autonomia nacional, seria a aceitação do inconciliável.

Para apartarmo-nos da dicotomia maniqueísta de esquerdas e direitas, urge que se desenvolva uma oposição que vise conciliar com os acertos e rechaçar os erros de ambos os lados desta contraposição retroalimentar que sustenta o fantasioso jogo democrático, a fim de congregar os agentes ambidestros comprometidos tão somente com os anseios nacionais e os valores do povo. Portanto, trato de denunciar aqui o que compreendo como erros imperdoáveis da atual diligência executiva, adiante:

O Fetichismo Democrático

Seria anacrônico analisar as manifestações pró-impeachment de 2015 e 2016 enquanto um prelúdio da efervescência bolsonarista consolidada em 2018. Pelo contrário, a pauta do impeachment surgiu enquanto um movimento orgânico e legítimo das classes populares e da classe média que, em verde-amarelas multidões armadas de brados patrióticos, fizeram frente ao projeto de desmonte nacional e sujeição do Brasil à forças estrangeiras deliberadamente empreendido pelo governo petista o qual valeu-se, sobretudo, da corrupção sistemática e da criminalidade como forma de perpetuação do poder.

A princípio, a anarquia orgânica das manifestações sintetizava uma revolta nacional, estritamente combativa, ao projeto de poder petista. Os políticos presentes eram impossibilitados de subir em palanques e discursar, os manifestantes, inicialmente, nem mesmo falavam em impeachment, seus anseios expressos nos cartazes, posteriormente trocados por “Impeachment já!”, de início não cobrava procederes burocráticos nem tampouco a participação do poder legislativo, restringiam-se a exigência “Fora Dilma!” O desandamento da pauta nacional principiou, em verdade, a partir da cooptação e posterior institucionalização do movimento por agentes políticos liberais os quais usaram do ensejo de descontentamento popular como meio de promoção de suas pautas escusas.

O Movimento Brasil Livre, congregado com os interesses do grande capital, logo tratou de formalizar um movimento outrora constituído pelo povo, arregimentando o descontentamento nacional em um pedido formal de impeachment encaminhado a Comissão de Constitucionalidade e Justiça, assim legitimando retroativamente o sistema político o qual as massas propunham-se a combater. Uma vez politizados e usurpados os valores nacionais, foram estes substituídos por chavões liberais até então rechaçados pelos brasileiros, consolidando-se em parte do mesmo sistema político anteriormente confrontado. 

A insurgência do secto bolsonarista logo aliciou-se a pauta liberal defendida pelo MBL, que terminou por emplacar como mentor econômico de Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes, um dinossauro da universidade de Chicago. Assim, Bolsonaro consagrou-se na qualidade de instrumento do sistema, um “reformador” da contraposição artificial e retroalimentar de esquerdas e direitas mediante a qual as elites globais privilegiadas manipulas as massas e, valendo-se da desagregação nacional, usurpam as soberanias nacionais.

Corolário de um desentendimento acerca da existência de problemas estruturais intrínsecos ao modelo republicano liberal, Jair Bolsonaro chegou à presidência da república com a promessa de permanecer “escravo da constituição”, tornado-se, por conseguinte, escravo de um  poder judiciário apto a interpretar e reinterpretar a constituinte segundo as necessidades pessoais de seus “excelentíssimos” juízes. Mesmo apossado do cargo máximo da nação, Bolsonaro permanece subordinado aos desmandos das demais instâncias do poder as quais, descompromissadas com os anseios nacionais e os valores do povo, entravam impedimentos a qualquer projeto do executivo – a não ser senão às medidas referentes a pauta neoliberal, sintetizada pelo Ministério da Economia e tão endossadas pelos banqueiros e pela financia supranacional. Os projetos de lei relativos à possibilidade jurídica do armamento civil e às pautas morais, estes foram pelo legislativo obstaculizados até o impedimento máximo sem qualquer retaliação. 

O fato é que Bolsonaro, ao contrário do que afirmam as esquerdas, não se trata de um presidente autoritário mas, pelo contrário, de um indivíduo o qual, mesmo apossado do mais alto cargo do país, permanece incapaz de fazer uso de seus meios de ação, subjugado aos desmandos das elites internacionais e das demais instâncias burocráticas nacionais. Trata-se de um executivo que optou pela própria imobilidade política mediante a conciliação deliberada com os arranjos institucionais democráticos. 

No âmbito da narrativa, os bolsonaristas optaram por aderir a slogans burgueses como forma de angariar aplausos da classe média, “combate à corrupção”, “transparência” e o “fim dos conchavos”, foram incessantemente anunciados como méritos de um governo cujas pautas, supostamente, entrariam em vigência em consonância com um legislativo perfeitamente contente em não receber nada em troca – como resultado, vê-se uma ingovernabilidade vertiginosa de um governo que preteriu enraizar-se ao sistema democrático republicano. 

Neoliberalismo e Americanismo

Uma vez empossada do poder executivo, a direita descartou de seu discurso qualquer resquício de nacionalismo. Bolsonaro, outrora partidário de valores econômicos relativos a soberania nacional, tão logo lançou sua candidatura, subordinou-se a si e, por conseguinte, o Brasil, aos interesses do grande capital internacional, assimilando a seu programa de governo a pauta neoliberal de Paulo Guedes. Aquele mesmo Bolsonaro que, nos anos noventa, sugeriu o fuzilamento do então presidente Fernando Henrique Cardoso pela privatização da Vale do Rio Doce, agora adere a mesma pauta tucana sob o lema de “privatizar tudo”. Hoje a direita vale-se dos custos e da ineficiência dos órgãos públicos para legitimação de sua pauta econômica, desconsiderando os anos de desmonte empreendidos pelos governos anteriores sobre estas mesmas prestadoras públicas de serviço.

Há que se denunciar o caráter entreguista das privatizações de setores estratégicos para o governo, que sumariza, em última instância, o desejo de vender ao estrangeiro – isto é: Estados Unidos ou China – as riquezas naturais do Brasil sem tampouco eliminar o monopólio, apenas trocando o proprietário nacional por um estrangeiro descompromissado com o bem estar da nação. Ademais, existe um caráter cíclico indissociável de uma possível solução para a crise econômica: os países para os quais se deseja vender as estatais nacionais são os mesmos que, mediante os banqueiros americanistas e sionistas, fazem do Brasil refém de seus juros. Hoje os juros da dívida externa – a qual indubitavelmente já foi paga pela união – cresce à média de dois bilhões por semana. Diante desse cenário, deveria ser impensável subordinar o contribuinte as elites estrangeiras em detrimento de manter boas relações com os países que nos escravizam, mas a convicção do excecutivo nas medidas anti-nacionais que vem sendo empreendidas pelo Ministério da Economia, seguem no sentido da falta de governança sobre os cofres públicos, tornando inevitável, neste contexto de indiferença, o estrangulamento do trabalhador pela “mão invisível do mercado”.

No âmbito internacional, a autonomia nacional inexiste diante da exploração financeira dos grandes banqueiros, a qual é geradora de uma pobreza que desampara o povo mediante a dívida pública e a escravização pelo juros. Bolsonaro teria em suas mãos a change de desenvolver um sistema de soberania que rompesse com a finança internacional, com a falsa democracia das elites, mas infelizmente, o eleitorado fiel de o atual governo é composto, em sua maioria, por indivíduos os quais aderiram a mentalidade liberal, à crença racista de que a nação brasileira é incapaz de ser soberana e independente, o que invariavelmente leva a esse desejo de ser subalterno a potências econômicas alienígenas.

Não se pode deixar de observar, também, que a aposta na privatização de estatais enquanto forma de balanceamento de dívidas correntes constitui uma ineficácia estrutural do projeto econômico de Paulo guedes que, mascarado por um charlatanismo populista, terminará por colocar o Brasil em um ciclo interminável de privatizações, haja visto que medidas relativas a auditoria ou calote da dívida externa, que permanece em constante crescente, nem mesmo foram cogitadas pela atual diligência. De fato, Bolsonaro conteve a inflação, reduziu o desemprego, permitiu o livre flutuamento do câmbio, mas a não oposição a totalidade de seu projeto econômico importado da finança internacional implica aceitação passiva de um empreendimento que terminará por subjugar a autonomia nacional a elites apátridas.

(Paráfrase alterada do texto de minha autoria, “O Neoliberalismo é Inimigo do Brasil”)

Sionismo e Neopentecostalismo 

Corolário da opção pragmática de Bolsonaro por conciliar com as forças sócio-políticas do neopentecostalismo nacional, isto é, uma dúzia de empreendedores do mercado da fé auto-intitulados “pastores”, o bolsonarismo terminou por comprometer-se com os interesses supranacionais do sionismo. Ao firmar fortes laços políticos com o Clube Hebraica – que estabeleceu a ponte do atual governo com o “Estado” de Israel – Bolsonaro optou voluntariamente por sujeitar a atuação diplomática nacional, bem como determinados procederes relativos a instituições religiosas, aos desmandos de Benjamin Netanyahu.

A promessa feita por Bolsonaro ao primeiro-ministro israelense, relativa a mudança da embaixada brasileira em Israel para Jerusalém sem qualquer razão aparente, não é benéfica senão para o poderio sionista. Na contramão das demandas nacionais, uma intervenção direta nos conflitos do Oriente Médio, os quais, em nada dizem respeito ao Brasil, colocaria em xeque a exportação da carne bovina nacional aos países palestinos e condenaria ao descrédito a diplomacia brasileira desde Barão de Rio Branco consagrada entre as mais respeitadas do mundo.

Logo, Bolsonaro e seus apoiadores romperam com o catolicismo em detrimento da teologia da prosperidade e do charlatanismo neopentscostal que tanto espolia um povo desamparado mediante falsas promessas de riquezas terrestres e confortos materiais. Tanta é a influência dos pastores no governo que Bolsonaro recusou-se a comparecer na canonização da irmã Dulce, a primeira santa brasileira, realizada pelo papa Francisco na Basílica de São Pedro em outubro deste ano.

Hoje o Brasil, sob a tutela de um governo que rechaça a religião nacional em favor do apoio de seitas nefastas e as raízes luso-ibéricas fundadoras da nação em troca de um americanismo dinheiralista, encaminha-se, a longos, passos, na direção do dissolvimento de sua unidade nacional e da sua autonomia econômica e energética. Há que se retomar, sobretudo no âmbito cultural, os valores sobre os quais nossos antepassados derramaram seu sangue para construir nossa pátria e rechaçar os ideias liberas que, desde a redemocratização, mantém o Brasil subalterno de potências alienígenas sem pender, porém, no sentido de fomentar uma oposição à esquerda, haja visto que quem de fato patrocina os valores do povo, se, atido a uma mentalidade pragmática, atua no sentido de assegurar a estabilidade e o bom andamento dos procederes institucionais, à medida em que vem ao bojo da nação, independente de seus ocupantes eletivos temporários. Para além das contingências de tempo e espaço, bem como dos pragmatismos aos quais temos de nos submeter sob ameaça de cair em imobilidade política, devemos estar sempre ao lado do Brasil. No trato para com os governantes, podemos concordar no que concordamos e discordar no que discordamos, a “oposição pela oposição”, configura tão somente um partidarismo individualista que desconsidera o indispensável papel da política na resolução das problemáticas sociais e colabora com a desintegração da unidade nacional.

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