“Cristãos Sionistas Não Pertencem ao Cristianismo”, Determina Patriarca Ortodoxo

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Em um polêmico artigo redigido ao jornal da Autoridade Palestina, al-Hayat al-Jadida, o patriarca ortodoxo grego de Jerusalém, Theophilos III, reiterou seu posicionamento em favor da autonomia cristã na região da Palestina, afirmando que os “cristãos sionistas”, em verdade, não mais estão em comunhão com a fé revelada. O patriarca Theophilos III, mais conhecido entre os árabes palestinos como Atallah Hanna, iniciou, em agosto de 2005, um pontificado marcado pela profunda intransigência da dogmática ortodoxa, suscitando inúmeras controvérsias com sionistas e talmudistas descontentes com a cristandade efervescente. 

Segundo o patriarca “Os evangelistas cristãos [evangélicos] são o equivalente a púlpitos a serviço do empreendimento sionista […]. Eles são inimigos dos valores cristãos, encontramo-se mais próximos do judaísmo e do sionismo e, portanto, não tem conexão com o cristianismo” – e continuou – “Quando chegam a Palestina, não visitam a Igreja do Santo Sepulcro, nem a Igreja da natividade, mas escolhem as colônias localizadas nas terras roubadas de nosso povo, como um sinal de solidariedade com a ocupação.”

A Igreja Ortodoxa Grega, cujos seguidores, em sua maioria, são compostos por árabes palestinos, é a denominação religiosa detentora dos maiores latifúndios em Israel e, portanto, não se omite de fazer frente às tendências autoritárias do governo sionista. Embora a atuação dos ortodoxos permanece limitadas às contingencias políticas impostas pelos estados nacionais locais, a luta de Atallah em defesa das demarcações de terras cristãs em Israel já principia desde o início de sua atuação pública. Em 2017, Theophilos III promoveu uma comotiva de comunidades cristãs de Israel ao Reino Unido, em busca de apoio internacional e, em reuniões com o Príncipe Charles, ministros do governo britânico e líderes da Igreja Ortodoxa, destacou a proposição de um projeto intitulado “Terras da Igreja”, segundo o qual ficaria determinado o direito das denominações cristãs de reger de forma independente suas próprias terras. O “Estado” de Israel, alcunhado por um longo histórico de desapropriação de terras não-judaicas, haveria, mediante imposição internacional, de sessar sua criminosa perseguição sistemática.

Incorrendo, porém, em dissonância com as antigas políticas prescritas pela Igreja Ortodoxa e pela Igreja Católica, as quais reivindicavam a soberania cristã sobre a cidade de Jerusalém, o patriarca Theophilos III defende uma espécie de internacionalização da cidade, de forma a assegurar a fluidez de todas as tradições religiosas pelo território. De acordo com o patriarca “O entendimento cristão acerca dos lugares sagrados é que a sacralidade é uma característica divina, não humana, logo, ninguém pode reivindicar a posse exclusiva sobre um lugar sagrado – como é o caso de Jerusalém.” Não falta, porém, embasamento ou jurisprudência para fazê-lo, como bem explica o historiador Christopher Tyerman na obra “God’s War”.

De uma perspectiva teológica, há que se denunciar a contradição estrutural vigente no “cristianismo sionista” prescrito no Brasil, sobretudo por parte de denominações neopentecostais. Na contramão das tendências evangélicas, urge que se rechace, antes no âmbito histórico e filosófico que propriamente político e social, a hermenêutica pseudo-cristã sionista da Sagrada Escritura. É necessária a compreensão de que as instruções reveladas ao povo hebreu limitam-se a cronologia anterior ao Novo Testamento, de tal forma que postular o judaísmo enquanto tradição religiosa análoga ao cristianismo implica negar a morte e ressurreição de Cristo à salvação – e isto, é satânico.

Fontes:
[1] Artigo do patriarca Theophilos III, “Christians are at risk of being driven out of the Holy Land”concedida ao jornal britânico The Guardian.
[2] A porca contraposição as determinações do patriarca redigida no jornal “The Times of Israel”

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Eduardo Salvatti

Eduardo Salvatti em Mentes Independentes
Gaúcho de Porto Alegre (2001), entusiasta da filosofia, católico romano, revolucionário com engajamento social desprendido de pragmatismos.
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