Como o Sínodo da Amazônia Pode Ameaçar a Soberania Nacional

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O último dia 28 de setembro amanheceu com uma coalizão internacional de duzentos católicos leigos diante da Praça de São Pedro, no Vaticano. Tratava-se de uma manifestação espontânea contra as tendências globalistas e os desvios teológicos do chamado “Sínodo Para a Amazônia”, iniciado em Roma no dia 6 de outubro cuja finalidade é, supostamente, abordar tópicos relativos a preservação da mata amazônica e aos povos indígenas. 

Leigos, sacerdotes e cardeais, porém, manifestam-se por todo o ocidente no sentido de denunciar um empreendimento sistemático movido pelos integrantes do sínodo, que terminará por instrumentalizar a Igreja em função de desacreditar a autoridade dos Estados- Nações que abarcam a floresta amazônica. Os muitos desvios políticos e institucionais chancelados pela Santa Sé durante o pontificado do papa Francisco, até então restritos ao exercício informal das funções eclesiais, parecem se encaminhar para consolidarem-se em cláusulas pétreas da dogmática católica: a promoção de um ecumenismo que visa atuar não na evangelização, mas no sentido de fomentar a criação uma única religião global e indistinta, está expresso com suficiente crueza no decorrer da Instrumentum Laboris, o documento pré-sinodal. 

A “Instrumentum Laboris” 

Redigido pelos bispos da Amazônia sob a chancela do bispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, a Instrumentum Laboris, trata da Floresta Amazônica como um território supranacional, desconsiderando o papel fundamental dos Estados nacionais na preservação da fauna e da flora. Em última instância, favorece a dissolução das soberanias nacionais em detrimento da fiscalização da preservação ambiental por parte de órgãos internacionais, como a ONU e a União Europeia. A defesa da chamada “autogestão dos povos indígenas”, da qual decorreria invariavelmente uma secessão de territórios nacionais em republiquetas indígenas independentes da unidade federativa, também é um elemento implícito da política do documento promulgado pelos cardeais da Amazônia.

O uso do termo “pan-amazônia”, constante no decorrer do documento, refere-se a um território para além das soberanias nacionais em sua individualidade, mas à uma floresta pertencente à nove diferentes nações da América Latina. O financiamento internacional do Sínodo, sobretudo por parte de instituições alemãs, como a Fundação Adveniat e a Fundação Misereor, também põe em xeque a legitimidade de um conclave cuja finalidade supostamente reside em interesses regionais da região amazônica. Convém observar que em momento algum o documento trata das condições dos povos indígenas, nem tampouco dos padres missionários que atuam na região, mas tão somente do território amazônico. 

Sob uma perspectiva teológica, o documento também é um absoluto desastre: concilia com uma deificação do meio ambiente, aviltando contra qualquer distinção entre transcendência e imanência; exalta o tribalismo indígena em contraposição as religiões, propondo tão somente um diálogo entre culturas; e roga a Igreja e ao clero um papel meramente social, tangenciando a obrigação primeira da Igreja, isto é: a salvação das almas. 

Felizmente, o papa Francisco, na Missa de abertura do Sínodo (7 de outubro), teceu duras críticas a ausência de menção a Cristo no documento e declarou que a Instrumentum Laboris é um documento mártir, destinado a ser destruído. Contudo, os ideais oriundos da já condenada teologia da libertação, vigentes no documento, permanecem em vigor nas mentes pútridas dos bispos vermelhos que integram o Sínodo. 

Um Globalista Travestido de Bispo 

O arcebispo de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, que é relator geral do Sínodo Para a Amazônia, é adepto histórico da teologia da libertação – uma tradição anti-cristã que consiste na interpretação marxista do evangelho, desconsiderando o caráter transcendente da fé – e desde sempre manteve relações estreitas com partidos políticos dos mais variados setores da esquerda nacional, tem atuado no sentido de politizar o Sínodo mediante a inserção de parlamentares nos debates internos da Igreja.

Aviltando contra as ponderações da Santa Sé, que determinaram com suficiente clareza a impossibilidade de políticos no exercício de seu mandato tomarem parte no debate interno do Sínodo, os deputados Éder Salomão (PT), Camilo Capiberibe (PSB), Ayrton Faleiro (PT), e Jandira Feghali (PCdoB), tomaram parte na Comissão dos Comuns – órgão do Sínodo – à convite da Rede eclesial Pan-Amazônica (REPAM), presidida por dom Cláudio Hummes. A finalidade da visita destas entidades suínas, é supostamente executar a entrega de um documento intitulado “Direitos Humanos da Amazônia Legal” aos bispos da Amazônia. É mister assegurar que as ponderações de políticos descompromissados com os valores do povo e a soberania nacional usem da má administração do executivo referente a preservação ambiental, para promoverem suas pautas anti-nacionais – como, inclusive, vem acontecendo.

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Há que se atentar as possíveis consequências geopolíticos de uma instrumentalização dos problemas naturais da região amazônica e da falta de regência do governo sobre a região, como propaganda globalista de um clero corrompido, em guerra contra as soberanias nacionais e com a Igreja. A recente constatação, transformada em arma geopolítica que lucubra interesses escusos, da incompetência do governo brasileiro na preservação das florestas, fomentada por Emmanuel Macron; bem como as declarações de Greta Thunberg na assembleia da ONU, podem servir de ensejo para a difusão de ideais que primam por um projeto de internacionalização da Amazônia.

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Eduardo Salvatti

Eduardo Salvatti em Mentes Independentes
Gaúcho de Porto Alegre (2001), entusiasta da filosofia, católico romano, revolucionário com engajamento social desprendido de pragmatismos.
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