A Anatomia do Fascismo em Cinco Frases de Mussolini

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“A Doutrina do Fascismo”, de autoria de Benito Mussolini, é uma indispensável obra para se compreender uma das ideologias que mudou o curso da história no decorrer do século XX. A didática com que o autor apresenta seu ideal de sociedade e Estado, compõe um instrumento panfletário, enxuto e de fácil entendimento, fundamental na historiografia e no compreensão leiga do tema. 

Os extratos a seguir, expressos tais quais escritos por Mussolini em A Doutrina do Fascismo, visam elucidar o leitor leigo acerca dos aspectos fundamentais e pétreos da doutrina. Diz-se “pétreos” porque ainda no primeiro segmento do livro, o autor explica que “Assim, sua forma [a forma do fascismo] está sujeita às contingências de tempo e espaço, mas ao mesmo tempo, tem também um conteúdo ideal”, reiterando a adequação do fascismo a qualquer Estado nacional em qualquer época ou espaço geográfico, portanto, atentemo-nos apenas aos aspectos gerais do ideário:

Quanto a unidade de Estado e doutrina

“Não existe concepção de Estado que não seja fundamentalmente uma concepção de vida: filosofia ou intuição, sistema de ideias que evolui dentro do contexto da lógica ou se concentra numa visão ou numa fé, mas sempre, ao menos potencialmente, uma concepção orgânica do mundo.”

Mussolini, na extração acima, descrê na viabilidade de um estamento nacional desgarrado de um embasamento teórico, sem tampouco negar a necessidade de uma política prática, para além da idealização abstrata, como expresso ainda na introdução da obra, “… o fascismo é ação e pensamento; ação na qual a doutrina é imanente, e a doutrina é emanada de um dado sistema de forças históricas..”. Daí decorre invariavelmente o entendimento de que, no sistema fascista, o estamento deve fundamentar a ideologia a medida em que a ideologia deve fundamentar o estamento, consolidando uma prática indissociável da teoria, trata-se de uma “política da ação”.

Quanto a primazia do Estado absolutista

“Para o fascismo, o Estado é absoluto, os indivíduos e grupos são relativos. Indivíduos e grupos são admissíveis a medida em que advenham no bojo do Estado […]. O Estado não é apenas o presente, mas também o passado e sobretudo, o futuro. Transcendendo o breve período de vida do indivíduo, o Estado apresenta a consciência imanente da nação.” 

Segundo Mussolini, o Estado não só serve ao povo, mas personifica a coletividade da nação para além do período cronológico onde se encontra. Une-se em espírito e em política prática com um ideal abstrato e traz da transcendência à imanência a unidade nacional nas estruturas físicas presentes na realidade sensível. 

Quanto a concepção espiritual da existência

“O fascismo vê no mundo não apenas aqueles aspectos superficiais e materiais […]. A concepção fascista da vida é religiosa, na qual o homem é visto em sua relação imanente com uma lei superior, dotado de um arbítrio objetivo que transcende o indivíduo e o eleva à comunhão consciente em uma sociedade espiritual.”

Segundo o autor, em uma concepção fascista, a coletividades dos indivíduos integra um corpo histórico invisível, unida por um mesmo ideal e uma mesma nação. Essa mentalidade de um coletivismo cívico, na qual o indivíduo toma parte em um corpo comum de um agente histórico transcendente, paira também sobre a cosmovisão nacional socialista e, de certa forma, é influenciada pela ideia hegeliana do “devir histórico”, segundo a qual, compreende-se o fluxo da história rumo a determinada finalidade.

Quanto a rejeição do individualismo em detrimento do Estado

“O liberalismo negava o Estado em prol do indivíduo; o fascismo reafirma os direitos do Estado como expressão da essência verdadeira do indivíduo […]. A concepção fascista de Estado é totalmente abrangente ; fora dele inexistem os valores humanos ou espirituais, nada disso é digno de valor. Nesse sentido, o fascismo é totalitário […]. O fascismo é, portanto, contrário àquela forma de democracia a qual iguala uma nação à maioria, rebaixando-a ao nível da maioria.”

Pode-se aferir que o fascismo tem a coragem de pôr em prática uma proposição que visa sanar a crítica marxista da “alienação”, segundo a qual, no exercício da votação democrática, uma determinada parcela dos votos não corresponde a real vontade do indivíduo votante, mas a ideologia vigente na superestrutura da sociedade de mercado a qual, segundo Marx, serve para assegurar a estrutura das classes dominantes. Benito Mussolini, em contraposição ao ideal comunista de revolução, em que se fomenta a luta de classes, propõe a união do povo sob a égide do Estado, o qual deve servir como “o braço do povo” na superação das adversidades internas que desagregam a nação. Sendo o estamento a “expressão da essência verdadeira do indivíduo”, nega-se a necessidade de um voto democrático sujeitos às interferências privadas das elites.

Quanto a crítica ao marxismo

“O fascismo acredita hoje e sempre na santidade e no heroísmo, ou seja, em atos que não tenham qualquer motivação econômica […]. Tendo negado o materialismo histórico, que vê os homens apenas como fantoches na superfície da história, surgindo e sumindo no estourar das ondas, enquanto nas profundezas as reais forças operantes movem-se e atuam, o fascismo também nega a natureza imutável e irreparável da luta de classes, que resulta dessa concepção econômica da história.”

A crítica de Mussolini e Giovanni Gentile ao materialismo histórico dialético na análise de conjuntura sociológica e na história, é absolutamente atual. Rejeita a invariável negação materialista das virtudes humanas intrínseca ao método analítico de Marx e Engels, resgatando o caráter humano da determinação do fluxo histórico.

O empreendimento de libertação do senso comum histórico, demanda que se busque a real objetividade dos dados históricos em fontes primárias para redigir um juízo de valor próprio em consonância com os acontecimentos tais quais ocorridos. No que se refere ao entendimento do fascismo, as leituras mais essenciais constam nas obras “A Doutrina do Fascismo” e “Discursos da Revolução”, de Benito Mussolini e Giovanni Gentille.

 Fonte: Mentes Independentes

Download: Baixar A Doutrina do Fascismo

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2 thoughts on “A Anatomia do Fascismo em Cinco Frases de Mussolini”

  1. Durante um meu estudo em Platão, agora nas críticas de Sócrates ao Estado degenerado ateniense do Górgias, encontro cada vez mais poderosas ressonâncias entre a concepção antiga de Chefe e Estado e as reconstruções políticas da terceira posição ao longo do século passado. Uma verdadeira Renascença no campo político, me atrevo a dizer! Li seu artigo nesta manhã Eduardo, com muito entusiasmo. E está de parabéns! Sinto que muito ainda poderia ser dito sobre este ensaio de Benito. Talvez num texto maior num futuro não tão distante, que me diz?
    Deixo votos de alegre consideração! Outra vez, parabéns!

    1. Caro, Jonas. Agradeço imensamente pelo comentário que tanto me anima a escrever mais – e cada vez mais. Estive redigindo outro texto intitulado “A Anatomia do Comunismo em Cinco Frases de Marx e Engels”, que deve vir a ser publicado logo, mas permaneço motivado a estudar e escrever mais acerca do fascismo e de Mussolini, talvez extraindo mais de “A Doutrina do Fascismo”, talvez sobre “Discursos da Revolução”, que ainda não li. Se estiver interessado em compartilhar algum material ou discorrer em algum diálogo, pode me chamar pelo meu e-mail, eduardosalvatti64@gmail.com.
      Novamente, obrigado pelo feedback.

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