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É hora de uma desglobalização regional – Isso é razoável

O regionalismo é o caminho para uma “terceira posição” entre o comunismo e o capitalismo. O pensamento da economia de mercado é orientado para a competição. Até aí tudo bem, mas a dimensão regional dos mercados, e o objetivo definido da concorrência, quanto à sua incorporação na estrutura económica global – bem como a perspectiva dos processos de produção e de geração de lucro – são critérios decisivos para julgar um sistema econômico que está em questão. A economia globalista, que funciona e se espalha às custas de economias regionais menores e cujo elemento central é a maximização do lucro especulativo e impulsionado pelo crescimento, não só levou a uma divisão internacional excessiva do trabalho, mas também levou às populações locais sofrendo de uma enorme vulnerabilidade a várias crises diferentes – especialmente durante a pandemia COVID-19 em curso – deixando assim as regiões em um estado econômico em que eventualmente se tornam muito fracas para funcionar de forma autônoma e são forçados a confiar em economias externas maiores e poderes geopolíticos para ajudar a sustentá-los.

Competição Degenerada

A própria natureza de um setor financeiro altamente especulativo – promovido também pelas políticas econômicas dos bancos centrais – levou à degeneração da concorrência em detrimento do trabalho como fator de produção, bem como à degeneração da economia produtiva doméstica no geral. As unidades econômicas de pequeno e médio porte, em particular, foram vítimas do princípio canibal de “crescer ou ceder”. As políticas econômicas que os políticos são obrigados a fazer em relação à competição de mercado – bem como ao comércio internacional – não devem ser vistas exclusivamente como soluções econômicas absolutas do ponto de vista da gestão empresarial, mas devem ser medidas pela existência ou não de um efeito econômico na melhoria ou destruição estrutural regional, em relação a diferentes setores. O valor de uma estrutura econômica social e regional neste sentido é demonstrado pelo grau de sua capacidade de subsistência.

Regiões com potenciais endógenos de subsistência – ou seja, o potencial para autopreservação independente – são um bem cultural que vale a pena proteger e não devem ser entregues a poderes econômicos externos sob restrições globalistas de ideias equivocadas de competição. A globalização como estratégia de maximização do lucro leva não à inovação, mas sim à “competição” destrutiva, na qual dominam apenas os interesses particulares das empresas oligopolistas. Infelizmente, por muito tempo a política de subsídios – que está sujeita às diretrizes da UE em Bruxelas – tem se voltado unilateralmente para o aumento da competitividade internacional, negligenciando quase completamente um vínculo regionalmente orientado entre a produção e a comercialização.

Cadeias de valor agregado integradas regionalmente

Economia social de mercado, portanto, também significa economia de mercado regional, visando uma identidade ampla abrangendo estruturas sociais, econômicas e de assentamento. O fortalecimento da ideia de que a globalização é a tal ponto que se torna um dogma econômico sufocou – para além do conceito de bolsa de valores e cotações derivadas – a consciência da degeneração a uma meramente estendida bancada de centros capitalistas globalistas. Esse é especialmente o caso se não houver mais suficientes cadeias de valor agregado integradas regionalmente, profundidade de produção e oportunidades de marketing implementado internamente. Já é tempo de a Europa mudar de rumo. Uma política responsável deve substituir a mania patológica de exportação de uma sempre crescente “economia de bazar” (o termo sendo cunhado pelo Prof. Hans-Werner Sinn), por um conceito de subsidiariedade regional. A economia regionalizada como uma contramedida à globalização é mais relevante do que nunca. No entanto, o que exatamente tudo isso significa? Que princípios orientadores a política deve seguir para realocar a atividade econômica?

 

Em primeiro lugar, deve haver uma compreensão inicial da região como uma área historicamente crescida e culturalmente definida, e a autodeterminação de uma prestação de serviços públicos orientada para o assentamento como um objetivo político. Isso requer a consolidação de estruturas descentralizadas de produção, processamento e comercialização, não só – mas principalmente no que diz respeito – aos produtos agrícolas como base do abastecimento regional. Em algumas áreas periféricas que já ficaram para trás, os conceitos de centros de abastecimento locais multifuncionais terão de ser focados, enquanto , em outras áreas, será possível combater o problema da concentração comercial oligopolística. No entanto, a política de financiamento deve seguir uma estratégia estrita de regionalização.

Competências e soberania nacionais

É necessário para o sucesso da revitalização das estruturas domésticas que a unidade econômica regional entre produtores, processadores, artesãos, comerciantes, consumidores, etc. deve ser o foco da política de financiamento público, bem como a promoção de conceitos corporativos cooperativos. No entanto, a implementação de critérios regionais em matéria de contratos públicos pressupõe a existência de competências políticas soberanas independentes dos requisitos de comércio livre de Bruxelas. Uma decisão política consciente tomada em benefício das atividades econômicas de empresas com base regional não deve ser interpretada como uma restrição geral da concorrência. Mesmo que um “risco” seja que os respectivos produtos não sejam considerados os “mais baratos” em oferta, em termos de preços gerais, tais políticas a favor da economia nacional devem ser endossadas. O escopo municipal ou regional para a tomada de decisões, bem como os orçamentos regionais no sentido de autogoverno local parcial, não devem ser restringidos pela heteronômica de Bruxelas se considerada apropriada pelos estados-nação. A proteção econômica onde for mais necessária deve sempre ter precedência sobre a noção de livre comércio ilimitado, não importa o custo.

Um dos aspectos mais cruciais da teoria econômica é perceber que – ao contrário da Lei de Ricardo, que determina a globalização atual – o nivelamento dos preços dos bens na forma das chamadas vantagens comparativas de custo não deve ser um fator decisivo. Em vez disso, deve ser o foco no reconhecimento e compreensão das consequências das relações de comércio exterior para a estrutura econômica nacional como um todo. Foi precisamente a realização da doutrina do livre comércio de Ricardo, que levou à decadência de regiões outrora variadas e complexas, que desde então se transformaram em monoculturas industriais. Uma vez que as estruturas monoculturais estão bem estabelecidas, uma vez que a divisão internacional do trabalho foi levada ao extremo, as dependências se desenvolveram cada vez mais, até parecer que dificilmente podemos funcionar como uma sociedade sem vários fluxos comerciais implementados, que de outra forma não eram considerados necessários antes.

Capitalismo Leva ao Imperialismo

Hoje, uma nova teoria política é necessária para produzir um grau adequado de coerência estrutural. É necessária uma estrutura para conectividade regional, mas sem prejudicar e erodir as estruturas regionais de autossuficiência. O regionalismo pode fornecer o contrapeso tão necessário ao perigo que é a supremacia globalista. A produção regional e o aumento dos bens locais é uma opção muito mais preferível, que contrasta fortemente com o conceito de bens produzidos em massa. Regionalidade significa um setor de mercado mais diversificado devido às características locais que abrem oportunidades para a agricultura, varejo, alimentação, turismo, etc. Além disso, as economias regionais são muito menos onerosas para os ecossistemas, devido à falta de transporte de longa distância desses no mercado interno – produzidos bens.

Também é digno de nota que existe um estado de interdependência entre o sistema capitalista vigente e o imperialismo hegemônico. A natureza inerente do capitalismo – com seu deslocamento competitivo manifesto como resultado de objetivos de curto prazo sistematicamente forçados de maximizar o lucro – gera, de certa maneira, uma forma de expansionismo orientada para o mercado. Isso explica por que o liberalismo do comércio econômico alimenta a busca por tendências hegemônicas e a sincronização de diferentes valores culturais em uma visão de mundo globalista. E por último, mas certamente não menos importante, nós nacionalistas devemos tirar uma conclusão clara – a integridade territorial e cultural de áreas de assentamento historicamente cultivadas não deve desaparecer devido a uma lógica especulativa de competição impulsionada pelo conceito de acumulação de capital pelos sistemas financeiros ocidentais (ao fazê-lo, corre-se o risco de danificar a substância econômica produtiva doméstica). Nem a integridade econômica doméstica deve ser vítima de um relativismo igualitário de valores.


Autor: Sascha A. Roßmüller
Fonte: etnostra.com
Traduzido por dinamicaglobal.wordpress.com


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