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Não é porque você é medíocre que todas as pessoas ao seu redor devem ser medíocres também. A sombra do que se eleva incomoda ao medíocre, pois fá-lo lembrar de sua pequenez: o medíocre precisa rir do que se eleva para compensar isto; precisa taxá-lo com alguma patologia para se sentir bem com a própria “normalidade”. O autor favorito desses medíocres ressentidos: quando vivo e desconhecido, ririam dele também. Como diz Emerson em seu clássico ensaio: chega um momento na vida da pessoa em que ela deve ter coragem de se elevar, a despeito das chacotas da gente miúda. Todo autor é mais respeitado depois que morre: pois deixa de incomodar; não se pode mais invejá-lo; sua parte “humana” não está mais aqui para lançar sua ameaçadora sombra sobre outros humanos. Às vezes a morte o torna um “gênio” ou um “deus” — e, deslocado assim para além do alcance da inveja dos meros mortais, pode finalmente tornar-se, de objeto de rancoroso escárnio, em ídolo na estante do rancoroso.

Andei conversando com um amigo sobre isto estes dias. Notamos o mesmo. As pessoas mais próximas são as de que você menos deve esperar reconhecimento. Serão as últimas a reconhecerem o valor de seu trabalho. Entre essa gente há muitos que simplesmente somem, desaparecem, quando você começa a elevar-se mostrando que as supera em capacidade. “Dói ver que o cara ao meu lado, tão igual a mim, tão ‘de carne e osso’ como eu, consegue produzir algo de qualidade um pouco acima da média. Isso me ofende e me machuca.” A solução encontrada pelo medíocre é silenciar-se, fingindo-se indiferente, evitando ajudá-lo de alguma forma, ou rir dele, ou ainda (o que também acontece com frequência) fazê-lo elogios públicos (e dissimulados) a fim de que ele talvez retribua o “favor”. É mais fácil ao medíocre, contudo, reconhecer o gênio que já morreu ou que está distante. (O que também tem a ver com o fato de que, visto de perto, todo grande “imortal” desagradaria a seus póstumos adoradores, em algum grau. Conforme se aproxima da pessoa “de carne e osso”, esvai-se a aura que encobria suas imperfeições; mas o autor já morto está para sempre protegido pelo véu do tempo, ele está sempre distante demais para se enxergar o que há de “demasiado humano” em sua humanidade e o que eventualmente haja de fétido nela. Com ele ocorre processo contrário ao que ocorre com seu corpo: depois de morto é que ele começa a deixar de feder.)

Isto eu digo para motivar aos que têm boas ideias e bons projetos e temem que sua honestidade — que em algum momento será requisitada! — os faça parecer “arrogantes” aos olhos dos colegas e amigos. Estes mais próximos te apoiarão — até que você ouse ultrapassá-los em estatura.

Jamais esperem reconhecimento dos que estão próximos. Os distantes e desconhecidos serão os primeiros a enxergarem o valor de seu trabalho.


Fonte: Medium – Carlos Alberto Sanches


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