Descendentes dos arianos: restos de sangue indo-europeu na Ásia (PARTE 3)

Este artigo é uma continuação. Para melhor interação do assunto, recomendamos leitura das partes anteriores:

Descendentes dos arianos: restos de sangue indo-europeu na Ásia (PARTE 1)

Descendentes dos arianos: restos de sangue indo-europeu na Ásia (PARTE 2)

TERCEIRA PARTE

Como não poderia faltar em um artigo feito em homenagem ao povo ariano do Afeganistão, homens, mulheres e crianças, nesta terceira parte serão tratados os casos do Afeganistão e do Paquistão. A chave para as tribos afegãs e paquistanesas que veremos são as infinitas montanhas e vales, que muito favorecem a preservação do legado genético de seus habitantes, como veremos no caso dos nuristanis, dos hunzas e, principalmente, dos famosos kalash.
A área em vermelho representa a provável área de primeiro povoamento, acumulação e multiplicação do povo ariano (“iraniano”) antes de se dividir e dar origem aos indo-arianos (Leste) e arianos (Oeste). O fato de as línguas (variedades do Nuristão, por exemplo) desta área parecerem estar a meio caminho entre o ariano e o indo-ariano, corroboraria esta hipótese, bem como o fato de que esta área é abundante em grupos étnicos que preservou suas características européias particularmente bem, apesar do fato de que mais de três mil anos se passaram desde as invasões (isso talvez possa ser explicado pela “renovação” do fluxo europeu durante a entrada dos macedônios no século IV AEC).

AFEGANISTÃO – A Chave da Ásia Central

Afeganistão, um país altamente montanhoso (cordilheira do Indocuche, a segunda mais alta do mundo depois do Himalaia), com alguns vales moderadamente férteis e extremamente isolados, grandes planícies a Leste, terríveis desertos rochosos e arenosos infestados de escorpiões e outros tipos de aracnídeos, e incontáveis tribos e grupos étnicos, pode parecer o cúmulo do “nada”. No entanto, o Afeganistão é uma zona de trânsito muito típica, cujo domínio implica no direito de usufruir das vantagens estratégicas que proporciona o controlo das rotas que conduzem à China (a famosa Rota da Seda, e não só de seda, mas de todo o tipo de tecidos, para não mencionar a lucrativa rota do ópio, que através do espaço turcófono da Ásia Central, Turquia e Albânia, e entre mil máfias, termina no Ocidente), Pérsia, Índia e as infindáveis ​​estepes da Eurásia dos povos turco-mongóis e, além, eslavos. Pois na Ásia Central, “todos os caminhos levam ao Afeganistão” — literalmente.

Os primeiros indo-europeus a invadir o Afeganistão foram povos como os bactrianos e os aracosianos. Mais tarde, o Afeganistão se tornaria parte de vários impérios na área, incluindo o Medo, o Persa, o Macedônio (século IV AEC), o Selêucida, o reino Greco-Bactriano, o reino Indo-Grego, a invasão islâmica (século IX ), o Império Mongol, uma estéril e sangrenta ocupação britânica (século XIX) após a qual os ingleses deram a área por perdida, a invasão soviética de 1979-1989 (guerra também abandonada, que constituiu “o Vietnã da URSS”) e, atualmente, ocupação pela OTAN.

O reino Greco-Bactriano, fundado em 250 AEC e governado por uma sucessão de reis gregos, terminou em 130 AEC, quando os tocarias estabeleceram o Império Cuchana na área.
O reino Indo-Grego — que se separou do Greco-Bactriano quando este conquistou a bacia do Indo e boa parte da bacia do Ganges Ganges sujeitou toda a área representada à influência budista e helênica. Vale lembrar que as grandiosas estátuas de Buda de Bamiã (as maiores representações de Buda no mundo, medindo mais de 50 metros de altura e destruídas pelo Talibã em março de 2001) foram criadas no século VI no quadro da pouca conhecida tradição grecobudista, um caso verdadeiramente extraordinário de união Ocidente-Oriente, legada por Alexandre, o Grande, e que nos lembra que esta área está geopoliticamente condenada a receber continuamente a influência europeia. A área rosa representa conquistas provisórias feitas pelos reis grecomacedônios.
A ocupação militar que a Coalizão mantém no Afeganistão está essencialmente destinada a dificultar a solidez da aliança Irã-Rússia-China, a tomar posições antes da lenta mas segura reconstrução do poder russo e a servir de base ocidental em caso de necessidade do Paquistão em um possível conflito com a Índia sobre a área da Caxemira, reivindicada por ambas as potências — ou talvez como uma simples fortaleza ocidental na área no caso hipotético de que o Paquistão, o ninho de vespas sem fim do Talibã, caia nas mãos de uma reação islâmica radical que corte os laços que o atual Governo paquistanês mantém com a OTAN. O Afeganistão também possui grandes quantidades de lítio.
Tipos raciais comuns no Afeganistão.
Daqui para a frente, os tipos mais marcantes.

 

NURISTÃO ou KARIFISTÃO — a “Terra dos Pagãos”

Se existe um “caso afegão” que merece ser tratado separadamente, é certamente o caso do Nuristão. O nome Nuristão é recente, pois era conhecido anteriormente como Kafiristão, sendo kafir a palavra muçulmana para designar “não crentes”, “infiéis”, “hereges”, “pagãos”, “ingratos” e até “porcos”. Kuffar é o plural da palavra e significa camponeses (equivaleria ao latim pagus, palavra da qual deriva “pagão” e que significa precisamente camponês).

Esta área foi considerada um reduto dos habitantes originais do Afeganistão, que foram empurrados para as montanhas pela invasão árabe do século VIII. Eram considerados mais hindus do que persas, e somente em 1895 o emir Abd-ur-Rahman-Khan conquistou a área para o Islã, rebatizando-a com o nome de Nuristão, ou seja, “terra de luz” ou “terra dos iluminados”. O Nuristão viu combates ferozes contra as tropas britânicas e, décadas depois, contra os soviéticos.

Os nuristanis são de traços claros e sua língua parece ter se formado na época em que o indo-iraniano se separou do iraniano. Eles seriam, portanto, o elemento intermediário, uma dobradiça entre o iraniano e o indo-iraniano, embora suas afinidades pareçam inclinar-se mais para o sânscrito, a língua sagrada da Índia e a mais antiga língua indo-europeia conhecida.

Paquistão

O Paquistão, ao contrário do Afeganistão, é uma zona de herança 100% indo-ariana; Na verdade, a história não distingue entre Paquistão e Índia, sendo uma divisão artificial causada pela necessidade de distribuir a população islâmica após o colapso do Império Britânico, para evitar conflitos inter-religiosos e balcanizar o Hindustão, impedindo uma potência claramente hegemônica de dominar o Índico.

A seguir os tipos sobressalentes.

Vale de Hunza

Em verde, vale de Hunza. Em verde claro, áreas que talvez pudessem ser consideradas parte de Hunza. Observe que está localizado na Caxemira, uma área administrada pelo Paquistão, mas reivindicada pela Índia.
O vale de Hunza está localizado a uma altitude de 2500 metros, rodeado por montanhas de mais de 6000 metros que fazem parte da cordilheira de Indocuche. Fazia fronteira com o território de Pamir (atual Tadjiquistão) e da China, e foi um principado independente por cerca de 900 anos, até que em 1974 sua autonomia foi absorvida pelo Estado do Paquistão. Até antes do século XX, os hunza tinham uma expectativa de vida muito elevada, acima de cem anos, graças ao seu estilo de vida, dieta alimentar e seu hábito de aproveitar as sementes de damasco (extremamente benéfica). Hoje, com a importação de hábitos estrangeiros, a expectativa de vida caiu, mas a alfabetização da região é superior a 90%, a maioria das crianças conclui o ensino médio e a prosperidade está em bom nível, apesar de estamos falando de um terreno montanhoso altamente isolado.

O povo Kalash

De longe, esse é sem dúvida o grupo étnico mais interessante de todos que veremos neste artigo. Os kalash estão na área de Chitral, que é a província do Paquistão que faz fronteira direta com o Nuristão. Chitral sempre foi considerada uma área fenotipicamente “mais clara” do que o Nuristão, talvez porque, ao contrário do Nuristão, nunca foi islamizada e, portanto, arabizada.

A língua kalash é indo-ariana, e em torno da existência deste grupo étnico há especulações que são de ascendência greco-macedônica, isto é, dos exércitos de Alexandre, o Grande. Como disse anteriormente, considero que a maior parte do sangue europeu no Oriente é devido a uma base racial indo-iraniana e iraniana. Segundo cientistas paquistaneses e gregos, os kalashs não têm nenhuma contribuição grega em seu legado genético (ao contrário dos hunza, que têm uma contribuição grega minoritária).

Os kalash são os últimos pagãos daquela área, sendo sua religião mais antiga do que o budismo ou o islamismo, e seus rituais estão relacionados com os da Índia Védica e, portanto, têm uma origem extremamente distante do qual não se pode estabelecer. O kalashs eram por volta de cem mil indivíduos em 1900, e agora seus números estão entre três ou seis mil, quer dizer, eles estão praticamente no limiar da extinção. Atualmente eles são muito discriminados e malvistos pelo resto da população paquistanesa, não por causa do caso racial, mas porque são politeístas, vivendo completamente fora do Islã, e suas mulheres desfrutam de liberdades que são impensáveis ​​para as muçulmanas, e tal liberdade é interpretada como “promiscuidade” e impiedade para os muçulmanos. Aos kalashs é permitido álcool, e é interessante como os homens usam bigode invés da típica barba muçulmana.

A chave para a singularidade do legado genético dos kalash é o profundo isolamento em que vivem. Seus vales, localizados na cordilheira Hindu Kush ou Indocuche, são cortados do resto do Paquistão por uma pista de 450 km e, no mínimo, três dias de viagem. Além disso, esta trilha é bloqueada pela neve durante grande parte do ano. Assim protegidos, os kalash construíram e mantiveram seu mundo, à margem da islamização do final do século XIX que afetou o Nuristão.

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