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Em 2018 o povo Brasileiro votou não somente em um homem, mas também em uma promessa. Uma promessa de virar a direção na qual o Brasil estava se encaminhando e impedir que o mesmo colidisse com um  iceberg que afundaria de vez o nosso país para um abismo sem volta. Assim surge Jair Bolsonaro, deputado federal conhecido por suas posturas e opiniões polêmicas contra o establishment petista. Viralizando nas redes sociais, era exatamente o tipo de político em que o povo precisava apoiar, ou ao menos achavam que deveria. Agora o ano é 2021 e então surge a grande questão, o Brasil melhorou? A resposta é infelizmente não, mas por que? 

Bolsonaro é o primeiro presidente de direita que temos desde a redemocratização, isso daria para afirmar que foi um bom começo, apesar das influencias neoconservadoras de Bolsonaro que o fazem se aproximar demais de países imperialistas como os EUA e Israel, mas pelo menos ele conseguiria chacoalhar a esfera politica. E esse foi um dos principais problemas, o povo depositou suas esperanças em uma cabra enquanto aguardava a investida de um touro. Não dá para culpar a ingenuidade política do povo brasileiro, o fracasso administrativo do governo petista com todos os esquemas de corrupção das verbas públicas mais o estado inflado que o PT deixou herdado foram fatores que ajudaram o liberalismo a se difundir no pensamento da população descontente, que agora acreditam que seja esse a verdadeira vertente oposta da esquerda.

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Se o objetivo é acabar com a ameaça “socialista” o liberalismo só adiciona mais lenha na fogueira. E esse é o motivo principal pelo qual o Brasil não avança. Bolsonaro, durante sua campanha tinha um grande defeito, a carência de um plano econômico, com o próprio admitindo publicamente que não entendia nada de economia. Seus adversários usavam isso como um grande trunfo contra Bolsonaro até que ele encontrou diretamente da Escola de Chicago o economista liberal Paulo Guedes. Esse se tornou o guru econômico de Bolsonaro, que conseguiu preencher a falta de competência do candidato sobre essa questão. Com isso todos aguardavam que Guedes seria o responsável pela reviravolta econômica Brasileira, com suas propostas de privatizações, desregulamentações, e diminuição da influência do estado sobre a economia. 

A Escola de Chicago, com sua vertente neoliberal econômica, trabalha justamente para favorecer o grande capital financeiro internacional. Não é por acaso, já que Guedes é o cofundador do maior banco de investimentos do Brasil, o BTG Pactual. Guedes é descrito por muitos como o ministro dos banqueiros, e não deixa de ser uma crítica certeira, porém a hipocrisia é que parte dessas críticas vem justamente dos apoiadores de Lula, presidente que em seu governo foi o responsável pelo maior lucro dos bancos na história desse país, fazendo com que os bancos lucrassem 8 vezes mais do que o governo anterior de Fernando Henrique Cardoso. O que isso nos informa? Que o Brasil continua a servir aos banqueiros internacionais, exatamente por isso que Bolsonaro não vai solucionar o problema do Brasil ele só está continuando o que os outros governantes já faziam. 

Bolsonaro está cometendo o mesmo erro que o ditador chileno Pinochet cometeu, ambos no poder com intenções de destruir o inimigo internacional socialista, mas ambos se entregaram para os mestres dos mesmos, o capital internacional.  Pinochet com seus “Chicago Boys” impôs no Chile o mesmo neoliberalismo que Guedes está a implementar no Brasil, mesma escola, mesmos objetivos. A indústria nacional se torna a mercê da economia mundial que hoje é controlada pelos EUA e pela China, dois lados da mesma moeda que se apresentam como oposição mas trabalham para os mesmos mestres globalistas (exatamente como aconteceu na Guerra Fria). Enquanto isso nosso país continua a ser escravo da nossa dívida internacional que já foi paga a muito tempo e que hoje continuamos pagando os juros sobre os juros. Isso não acontece só no brasil mas em toda a américa latina, que possui em dívida externa mais milhões de dólares que são arrancados dos países para parar na mão do capital internacional. Os juros internacionais são uma armadilha para escravizar os países. Principalmente os subdesenvolvidos.

Gastos do Brasil por ano:  

Dados da Auditoria Cidadã da Dívida atualizados

 

Hoje quase metade do nosso PIB serve para pagar juros, e nenhum político parece falar sobre esse roubo que vem acontecendo em nosso país desde o primeiro reinado. Gustavo Barroso em uma de suas principais obras chamada “Brasil Colônia de Banqueiros” demonstra as transações imperiais e mais tarde republicanas com os bancos internacionais, bancos Rothschild que estavam situados na Inglaterra sendo esta o centro financeiro mundial na época. Empréstimos esses com absurdos juros eternos que fazem sofrermos com as consequências até hoje. Claro que o brasil possui um problema com a administração pública, e não dá para discordar que sim o governo se mete em assuntos que não deveriam, mas essa narrativa só serviu até agora para dar palanques para os liberais expandirem suas ideias que causaram o problema em primeiro lugar. 

Muitos então erroneamente acreditam que para combater o liberalismo é necessário então altas regulamentações, grandes estatais e socializar a economia, porém é preciso pensar além, o Brasil sendo um país infantil ainda no quesito política acredita que a economia se trata de uma escolha binária, ou você adota o livre mercado liberal ou o modelo socialista marxista. A função de um estado, idealmente, é de colocar a economia em seu lugar de subordinação ao poder político, retornando a hierarquia natural dos poderes, primeiro vindo o poder religioso, depois o político e só então vem o poder econômico. O liberalismo assim como o marxismo sendo ideologias materialistas negam isso, colocam a economia na frente da força política e ignoram totalmente o poder espiritual. Assim temos então uma nação não preocupada com o seu próprio bem estar mas preocupada somente com o lucro. 

Muitos podem argumentar que as medidas econômicas de Pinochet ajudaram o Chile a crescer, prosperar, entrar investimentos para dentro do país e ter um papel participativo no comércio mundial. Mas a qual preço? Perda da soberania nacional. E o culpado é o próprio pinochet e seus Chicago Boys

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte (1915 – 2006) foi general do exército chileno e ditador do país de 1973 a 1990, posteriormente sendo senador vitalício, cargo que foi criado exclusivamente para ele, por ter sido um ex-governante. Foto: Miguel Sayago via Getty Images

Não podemos confundir o controle político sobre o controle econômico com medidas de socialização da economia, não, esse não é o objetivo. O inimigo da nação sempre será o capital financeiro internacional e não o capital industrial. O economista Gottfried Feder em seu livro “Manifesto para a abolição dos Juros” vai nos ensinar essa diferença além de mostrar que essa é uma das maiores contradições marxistas, já que todos em sua luta contra o capitalismo, miram para o capitalismo industrial enquanto são financiados pelo capitalismo financeiro internacional. Por isso o Comunismo é uma arma ideológica de destruir nações e não libertá-las como Marx propunha. A total libertação política só virá quando o capital financeiro parar de controlar os interesses das nações e ele voltar para as mãos da mesma. Medidas protecionistas podem ser criadas para limitar os grandes bancos e outras forças influentes sobre o grande capital.

O Liberalismo e o Socialismo (Marxista) andam de mãos dadas, dois filhos do mesmo pai. A diferença entre eles é somente seu modo de operação. Após o colapso do modelo econômico comunista, é adotado o neoliberalismo como substituto, e esse será adotado até mesmo por aqueles que são intitulados como Socialistas Fabianos. Sabemos que influência global é o que os globalistas querem, e para isso eles necessitam de um comércio internacional “livre” em comum para dominar. Já quando se trata do mercado interno a história já muda, com várias intervenções estatais desnecessárias e um aumento desproporcional de impostos sempre favorecendo uma elite financeira dominante. 

Agora nós vemos porquê Bolsonaro assim como Pinochet foram incapazes de realmente salvar seus países, pois se recusam a atacar o verdadeiro inimigo. Ou Bolsonaro muda sua política econômica abandonando o liberalismo de Guedes, colocando em risco sua base eleitoral para o melhor do país, ou ele não passa de um fanfarrão trabalhando em favor do sistema que jurou destruir. 


Referências bibliográficas

VEJA. Bancos lucraram 8 vezes mais no governo de Lula do que no de FHC: Segundo levantamento do jornal Valor Econômico, retorno sobre patrimônio líquido das instituições financeiras subiu com Lula, mas caiu com Dilma. Redação, 12 set. 2014. Disponível em: https://veja.abril.com.br/economia/bancos-lucraram-8-vezes-mais-no-governo-de-lula-do-que-no-de-fhc/

Outras Palavras. Paulo Guedes: o banqueiro e seus tentáculos: Investigação sobre o banco fundado pelo ministro indica: age para os super-ricos, ajudando-os a esconder dinheiro em “paraísos fiscais”. Não é natural que queiram abocanhar a Previdência e enterrar políticas sociais?. Le Monde Diplomatique Brasil, 16 abr. 2019. Disponível em https://outraspalavras.net/outrasmidias/paulo-guedes-o-banqueiro-e-seus-tentaculos/

Orlando Letelier. The ‘Chicago Boys’ in Chile: Economic Freedom’s Awful Toll: Repression for the majorities and “economic freedom” for small privileged groups are two sides of the same coin. The Nation, DISASTER CAPITALISM, 21 set. 2016. Disponível em https://www.thenation.com/article/archive/the-chicago-boys-in-chile-economic-freedoms-awful-toll/

By Nick Clark

Universitário no curso de História, apresenta trabalhos e contribuições de diversos autores com textos focados na temática histórica política e revisionista histórica.

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