Cristina Martín Jiménez: O Clube secreto dos poderosos – Os planos ocultos de Bilderberg

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Em entrevista ao programa exibido na TV portuguesa “Contra Capa”, exibido no dia 9 de fevereiro de 2015, a jornalista e escritora espanhola Cristina Martín Jiménez fala sobre o seu livro “O Clube secreto dos poderosos – Os planos ocultos de Bilderberg” (Editora Matéria Prima, 2015),  num enorme trabalho de jornalismo investigativo e uma pesquisa de 10 anos de duração, desvenda as ligações ocultas por trás das ações e intenções do grupo intitulado Clube Bilderberg e sobre oque eles estão por trás, em entrevista com a apresentadora Carla Alves Ribeiro.

Clube Bilderberg como vetor da Crise Financeira Mundial de 2008

Segundo mostra a jornalista, as diretrizes dos Clube Bilderberg estavam no cerne da crise financeira internacional de 2008.

Após 10 anos de pesquisas e investigações sobre o Clube Bilderberg, Cristina Martín Jiménez aponta que no ano de 2006, em sua reunião anual realizada no Canadá, ali, o então presidente da Reserva Federal norte-americana anunciou que o que estava por vir. Ele disse que as hipotecas iriam subir, que iriam encarecer e, que muitos cidadãos iriam perder suas casas. Sobretudo, os vulneráveis seriam os jovens e os trabalhadores sem emprego fixo. Ali, anunciou-se, em uma reunião, informação privilegiada que não chega aos cidadãos.

Um colega seu dos Estados Unidos, em ajuda em sua investigação, a fez começar a analisar as mensagens que a partir de 2008 lança o Clube Bilderberg… assim como a de seus membros, como George W. Bush, como os grandes políticos influentes que estão na União Europeia e, através do jornalismo de investigação, que está refletido em seu livro, ela chegou a sua conclusão.

Qual interesse dessa elite em provocar esta crise?

Eles tem um objetivo a longo prazo. Mas com esta crise, o que pretendiam, e conseguiram, era debilitar as soberanias nacionais e dar mais poder a esse supra Estado, que se chama União Europeia.

Cristina defende que a UE tinha intenções, junto desse grupo restrito de pessoas do mundo da finança e política para criar um governo mundial. Primeiro europeu, depois mundial.

Exatamente, porque isso reflete-se nas atas das reuniões secretas do Clube Bilderberg. Obviamente que são secretas, mas com a morte de alguns membros do Clube, acabaram cedendo toda a sua biblioteca, à biblioteca norte-americana de Georgetown.

E aí, através dela, pude aceder aos documentos do ano de 1955, que é quando Bilderberg apresenta aos seus convidados, na segunda reunião, que iam criar União Europeia e, que também uma moeda única, o euro.

Tempos depois, durante o momento mais forte da crise, em ano de 2010, um dos membros do Clube Bilderberg, Javier Solana, espanhol, que foi o antigo ou o primeiro presidente da União Europeia, disse estas palavras, que incluo no livro: “A Europa hoje deve ser o laboratório do possível governo mundial”.

Cristina, o que, de acordo com sua opinião e seu trabalho de investigação, seria o último objetivo desta organização?

O ultimo objetivo é precisamente esse, de criar um governo único em mãos privadas.

David Rockfeller, que é a alma do Clube Bilderberg, disse à ONU, no ano de 1999 – meses depois se celebraria a única reunião que Bilderberg realizou em Portugal, em Sintra -, que tudo o que era preciso era uma grande crise para que o mundo aceitasse a Nova Ordem Mundial.

Essa Nova Ordem Mundial – Henry Kissinger acaba de publicar um novo livro, em setembro, confirmaram-se que esse livro já chegou em Portugal -,pois passa pela criação desse governo mundial. E repare, Carla, que em plena crise, também da União Europeia, o secretário da Defesa e Segurança disse que a crise pôs a descoberto o verdadeiro problema do século XXI: que a economia é global, mas as políticas são nacionais. Conclusão: precisamos de um governo mundial.

A Cristina disse uma coisa que pode ser polêmica. Ela descreve que estamos imersos numa terceira guerra mundial. Que guerra é esta?

No terceiro capítulo do meu livro analiso a fundo a terceira guerra mundial e apresento três fases.

A primeira fase é essa guerra sutil e discreta que nós cidadãos não somos capazes de captar, essa guerra contra a a fé, as crenças, contra as raízes, contra a família, contra a educação, contra a cultural, o que se buscar é que o ser humano não tenha capacidade crítica, não tenha capacidade de análise para que acreditemos na propaganda que provém deste centro financeiro, sem qualquer tipo de defesa.

A segunda fase desta guerra, que é a que estamos a viver, e que temos vivido na Europa, mas antes tinha acontecido na América Latina, por exemplo, e na África, essa guerra econômica e psicológica, e também chega a minar a moral do inimigo, que somos nós.

E a terceira fase seria uma guerra clássica, uma guerra com armas. No livro defendo que estamos imersos, que já estamos imersos na terceira guerra mundial, mas que é diferente das anteriores. As anteriores se desenvolveram em solo europeu e, esta última o cenário inteiro da guerra é o mundo. Repare que um ano depois dessa conclusão que chego no livro, o papa Francisco disse o mesmo. Estamos numa Terceira Guerra Mundial, mas uma Terceira Guerra Mundial que se desenvolve por setores, por campos, por países, por regiões e, pouco tempo depois o rei da Jordânia fez a mesma afirmação.

Cristina adverte e avisa ao leitor de que pode ser difícil acreditar naquilo que escreve. O que é que em sua opinião, as pessoas devem acreditar? Por causa dos indícios e toda a informação que acabou por reunir e mostra aqui em seu livro.

Claro, porque eu no livro o que faço é dar-lhes voz. persegui, como um detetive, os membros do Clube Bilderberg, escutei os seus discursos, analisei-os e, sabendo qual o objetivo final a análise é diferente. Percebo que as pessoas que estão a ouvir pela primeira vez esta conclusão tem impacto, em mim também teve há dez anos, porque pensava que os políticos eram honestos e trabalhavam para a democracia, para o povo. veja-se que em Portugal também se vive uma crise política, os políticos perderam a credibilidade, como ocorreu na Espanha e noutros países. São eles que falam neste livro, e repare que há um exemplo muito palpável. Em plena crise na Grécia e na Itália, desde a União Europeia, desde Bruxelas, que hoje em dia é controlada por eles, temos Durão Barroso, por exemplo, que saiu da Comissão (europeia) mas passou muitos anos a trabalhar para eles… e que em plena crise, a solução que dão a Itália e Grécia é pôr dois membros do Clube Bilderberg à frente do governo, sem passar pelas urnas e sem serem eleitos pelos cidadãos…

... Está falando de “Herman van mon poi”, Presidente do Conselho Europeu?

Estou falando de Mario Monte, Mario Monte, na Itália, faz parte do Clube, além disso, é um diretor, é membro do comitê diretivo e, claro, apresenta o problema, a crise e, apresenta a solução. Colocaram-no, sem que passasse pelas urnas, e pertence ao Clube Bilderberg. Na Grécia também aconteceu o mesmo.

Está dizendo que muitos dos nossos políticos e governantes ocupam os lugares que ocupam por influência do Clube Bilderberg?

Claro, apoiam, é o dinheiro que leva determinadas pessoas a converterem-se nos candidatos em que votamos no final. Mas por detrás há o dinheiro, o tal impulso, os tais meios de comunicação que vendem o tal político. Aconteceu em muitos caos e continua a acontecer hoje. Repare que em plena crise quem governa em Portugal? É a troika, e vemos que à frente da troika está o Bilberberg: Christine Lagarde, Trichet ao princípio à frente do Banco Central Europe m uma reunião.

Mas são membros permanentes ou vão ocasionalmente às reuniões do Clube? Porque parece que há uma diferença… como está estruturado o Clube Bilderberg?

Exatamente. Há uma diferença. Há o núcleo duro que toma as decisões, que planeja a longo prazo, porque há um planejamento a curto, médio e longo prazo, pois o comitê de sábios, podemos chamá-los assim, onde está David Rockfeller, financeiro e um ideólogos…

Quantas pessoas fazem parte desse núcleo duro, desse comitê de fato…?

Esse é o núcleo menos acessível e o mais desconhecido. Só se conhece o nome de David Rockfeller, de Henry Kissinger, que é o ideólogo da Nova Ordem Mundial… é muito, muito pouco conhecido, continuam a mantê-lo secreto.

O núcleo seguinte é o comitê diretivo. É ele que acaba por definir a agenda de temas que se vão debater esse anos, e a selecionar os convidados.

E à um português nisso que é o Comitê Diretivo, Francisco Pinto Balsemão?

É o único português que faz parte desse Comitê Diretivo, e é ele que convida os portugueses, os políticos e empresários portugueses que assistem anualmente à reuniões.

E depois à os chamados “inocentes”?

Exatamente, o terceiro núcleo é o dos inocentes para quem é maravilhoso assistir ao conclave secreto, privado, elitista, onde se vão rodear da realeza europeia, dos reis, dos aristocratas, da “crème de la crème”, mas realmente vão ser usados em muitas ocasiões, como os peões. Diz um dos membros do Clube Bilderberg, cuja frase incluo no livro, que o mundo está dividido em três classes de pessoas: as que planejam o que acontece; a seguinte, as que fazem com que se execute, que se leve a cabo – esse seria o comitê diretivo de Bilderberg – e a terceira, a população que nunca saberá o que aconteceu realmente.

E que influencia tem tido o Clube Bilderberg em Portugal? Falava na Troika, mas como uma coisa está relacionada com a outra?

Através da Troika, da crise, tem estado a governar Bilderberg, mas realmente Bilderberg começa a preocupar-se, a inquietar-se com o que está ocorrendo em Portugal no ano de 1974 com a Revolução dos Cravos. Porque uma das causas originárias foi lutar contra o expansionismo soviético, contra aquilo que naquele momento era o comunismo. Estamos em plena guerra fria e o mundo está dividido em blocos, o bloco capitalista, que pugna por expandir-se, e da mesma maneira quer refrear a expansão soviética, então se acontecesse uma revolução aqui em Portugal, inquieta-os. Tenho estado a rever os documentos classificados dessa data, que estão no Arquivo Nacional dos Estados Unidos, e vejo como Kissinger se preocupa, pede informação aos espanhóis sobre o que se está a passar, e desde então vemos, e é algo que tenho notado em Portugal, que a natureza dos convidados é sobretudo política. Noutros países vão mais empresários, mas vemos que em Portugal há mais políticos, a balança cai mais para o lado da política que dos empresários, do que inclusivamente professores universitários, como há noutros países.

Cristina, além dos livros que escreveu, você também fala muito em conferências sobre o Clube Bilderberg. O que a motiva? Sente necessidade de chamar a atenção das pessoas para esta “mão invisível” que diz que nos governa no fundo?

Claro, sinto necessidade. Porque sou jornalista profissional, o jornalismo tem que vigiar o Poder. E o Poder está nestes organismos internacionais que podem ser a OTAN, o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial, a ONU, que são irmãos, às vezes primos, às vezes filhos de Bilderberg. É aí onde se estão realmente a tomar decisões, é ai que se pressiona os governos eleitos democraticamente, onde se tenta manipulá-los, onde se tenta colocar alguns dos seus para poder dirigir esse país. E foi isso que me motivo a pôr os olhos aí, foi o que empurraram-me a dizer aos cidadãos o que se está a passar e que têm que estar informados, porque nos afeta a todos, veja-se o que se passou com a crise, aos nossos filhos, ao nosso futuro, temos de informar.

O Clube Bilderberg realiza reuniões todos os anos?

Sim.

Este ano ainda não aconteceu?

Este ano parece que está previsto que aconteça na Áustria… Todavia…

…Nunca são anunciadas as reuniões?

Nunca são anunciadas, não são anunciadas. Desde há dois, três anos, abriram uma página na web porque querem lavar a sua imagem. Então agora dão uma lista de convidados, uma lista de temas, mas os debates continuam a ser secretos. Por exemplo, o TTIP, Tratado de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, que se está negociando na União Europeia, também é secreto e sai daí. Porque é que os políticos, os empresários, se escondem? O que têm a esconder? Se fosse algo de bom para os cidadãos não tinham que se esconder, dariam a cara.

Mas tem havido pressão para que a organização se abra um pouco?

Claro, tem havido pressão porque ultimamente, e sobretudo desde a reunião de 2010, na Espanha, tem havido manifestações, as pessoas vão tomando consciência, esta crise fê-las questionar-se, fê-las parar um pouco, porque não bate certo que de um dia para o outro passemos de ricos a pobres, e não bate certo que no final da crise, em que parece que já estamos, os ricos são mais ricos e os pobres são mais pobres. Alguém beneficiou-se com esta crise.

Cristina Martín Jiménez, muito obrigada por ter vindo ao Contra Capa… O Contra Capa hoje fica por aqui e voltamos próxima semana com mais novidades do mundo editorial.

Obrigada.

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Natural de Viso del Alcor, Espanha, estudou jornalismo na Universidade de Salamanca e Sevilha.

Trabalhou na Telecinco, revista GQ, Cuatro Televisión, RTVA e em várias mídias nacionais e internacionais com as quais eu colaborou, como Russia Today, Radio 13 (México), El Informador (México), paralelamente ao trabalho de escritora.

Foi a primeira autora que publicou um livro sobre o Clube Bilderberg (abril de 2005) em nível mundial. Seu interesse no Clube Bilderberg veio depois de uma conversa com um colega de trabalho quando trabalhava em Madri, no programa de Ana Rosa Quintana.

Mais de dez anos de um meticuloso trabalho de estudo, pesquisa e análise levaram-na a ser convidada para a Feira Internacional do Livro de Guadalajara (México) em 2006, para a Feira Internacional do Livro da Venezuela para inaugurar o Primeiro Fórum Internacional do Contra-Informação em novembro de 2008 e a Feira Internacional do Livro de Havana em 2011, marco no qual se realizou o I Encontro com os intelectuais, no qual o Comandante Fidel Castro apareceu de surpresa.

Suas obras incluem:

"O Clube Bilderberg. Os mestres do mundo" (abril de 2005).

"O Clube Bilderberg. A realidade sobre os mestres do mundo." (2010)

"Perdidos, os planos secretos do Bilderberg Club" (outubro de 2013); em português "O clube secreto dos poderosos".

"Os planos do Clube Bilderberg para a Espanha" (junho de 2015);
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