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COMPLETO E SEM CORTES! Entrevista com Eduardo Fauzi no Sentinela
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No dia 21 de janeiro, após republicar duas matérias com uma entrevista de Eduardo Fauzi, brasileiro preso na Rússia por represália contra a produtora Porta dos Fundos, nossa redação recebeu das mãos da própria esposa de Fauzi, as respostas originais da entrevista dadas por Fauzi em primeira mão. Dado que a mídia de origem russa com braço no Brasil, Sputnik News, optou por retirar trechos das respostas de Fauzi que dessem impressão de apologia e imparcialidade, optamos por publicar este material na íntegra para conhecimento livre dos leitores no Brasil e no mundo.

As entrevista (perguntas e respostas), feita toda em português entre Fauzi e o representante e o entrevistador Lauro Neto, da Sputnik, será transcorrida inteiramente abaixo, contando com imagens do acervo pessoal da esposa de Fauzi, cedidas gentilmente para nossa redação.

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Confira a entrevista COMPLETA E SEM CORTES

1. Quase um ano depois, você se arrepende de ter participado do ataque com coquetel molotov à produtora Porta dos Fundos? Ou faria de novo? E por quê?

FAUZI: Quando só bons se omitem o mal prevalece… e covardia é um defeito que eu não possuo. O destino bateu à minha porta e eu atendi ao seu chamado. “Jesus Cristo” gay é completamente inadmissível, sob qualquer ótica que se pretenda analisar. Não existe nenhuma possibilidade de convivência democrática, pacífica e harmoniosa, numa sociedade plural e multifacetada, como é a sociedade brasileira, se nós não tivermos a obrigação institucional de respeitar o que é sagrado para o outro, o deboche, o escárnio, e a humilhação pública do objeto do amor do outro deveria ser exemplarmente punido pela justiça que, ao invés disso, se omitiu covardemente diante dos interesses de uma corporação bilionária e transnacional, como a Netflix, e dos seus vassalos prediletos, o PDF [Porta dos Fundos]. Essa omissão da justiça brasileira acelera ainda mais o processo de divisão e rivalidade em uma sociedade já profundamente dividida como a nossa. Eles, o PDF [Porta dos Fundos] e os seus senhores, a Netflix é que são os verdadeiros criminosos, não eu. Eles são os que seguem empenhados em dividir ainda mais nosso povo, artistas socialmente irresponsáveis, trabalhando para ampliar ainda mais o fosso ideológico que separa esses dois Brasis, joga irmão contra irmão, brasileiro contra brasileiro, nunca antes na história da humanidade se teve notícia de uma obra artística, cinema, teatro ou literatura, em que Nosso Senhor tenha sido retratado como uma bicha e amante homossexual do diabo! Se o preço para dar combate a isso for o exílio político e a prisão na Sibéria, essa será uma cruz que eu carregarei com fé e coragem e até alegria!

Eu sigo aqui, absolutamente em paz com a minha consciência e aguardando o juízo da história, tudo vale a pena quando a pátria não é pequena.

2. Como foi a prisão? Pode contar o que você lembra daquele dia? Foi preso por quem? Quantos policiais? Onde? Como foi até Yekaterimburgo?

FAUZI: Eu vim cumprindo um protocolo de segurança que me foi passado por alguns camaradas gregos e que deveria em tese, me garantir um espaço de manobra, com segurança, pelo prazo de um ano, aproximadamente. No entanto esse protocolo veio sendo paulatinamente por agentes ligados a Interpol [Polícia Internacional]. A gente considerou que a minha permanência em Moscou era temerária e que eu seria localizado e preso em algum momento entre Setembro e Outubro. E que eu seria localizado e preso em algum momento entre Setembro e Outubro. Por isso eu optei por me refugiar no interior onde a possibilidade de monitoramento e localização é menor, eu consegui uma janela de segurança que me permitiu embarcar com tranquilidade em Moscou, mas devido ao mau tempo, meu voo atrasou, a janela de segurança se fechou e quando eu desembarquei em Ecaterimburgo o Red Notice da Interpol acabou sendo ativado o que fez com que eu fosse localizado e detido depois do salão de desembarque, no saguão do aeroporto, pouco antes de tomar um Táxi. Um golpe de azar, infelizmente.

Eu fui identificado por um único agente que fez uma busca randômica e acabou me reconhecendo. Ele depois acabou me dizendo que a altura e o porte físico facilitaram o reconhecimento, ele me abordou de forma absolutamente cordial, um perfeito cavalheiro, como ele não estava armado ele requereu que eu ficasse parado, no meio do aeroporto, quando ele ia correr atrás de auxilio policial para efetuar minha prisão. Eu tive que explicar, educadamente, que eu não poderia ajudá-lo nesses termos e que se ele me abandonasse sozinho no aeroporto eu teria a obrigação mortal de me evadir. Após alguns breves momentos de impasse ele me pediu que o acompanhasse até o escritório da Interpol, no 3°pavimento, onde ele me mostraria os papéis que autorizariam a minha detenção. Ele foi tão polido e cortês que eu não pude dizer não a ele, ele me perguntou ainda se seria necessário o uso de algumas algemas e eu respondi que não, que não sou bandido para correr da polícia – ou usar máscaras.

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Eu o acompanhei, ele me mostrou a ordem de prisão, me ofereceu um café e biscoitos e conversamos sobre os aspectos políticos ligados ao meu caso enquanto uma unidade policial era mobilizada para efetuar os procedimentos de custódia. Ele ainda me conseguiu um tradutor técnico, às custas do governo russo, para quando a ordem de prisão fosse dada.

A abordagem foi tão eficiente, discreta e harmoniosa que me causou uma profunda impressão, altamente positiva, considerando o contexto. Ao quer me parece a categoria “preso político” é cara do governo russo. Eu fui espantosamente bem tratado, todos os meus direitos foram pormenorizadamente explicados, todos os oficiais que me acompanharam foram extremamente educados e até amistosos, o que contrasta amplamente com os procedimentos policiais que nós vemos no Brasil e nos EUA, e de forma geral no ocidente, e todos os momentos jurídicos, foram acompanhados por um tradutor técnico, em português, o que é, no mínimo espantoso.

3. Três meses depois da prisão, como é sua rotina no Centro de Detenção de Yekaterimburgo? Pode descrever o seu dia a dia?

FAUZI: Graças aos exageros da 10° DP eu precisei ser alocado em um regime de encarceramento restritíssimo, triplamente fechado. Nós não colocamos o nariz pra fora da cela nem pra respirar, não temos contato com outros presos, sem rádio ou televisão, as refeições são servidas na própria cela. Só saímos as sextas-feiras o dia do banho. Sim, banho é uma vez por semana, sem visitas, com exceção dos advogados e apenas por 20 minutos, telefonemas precisam ser autorizados pelo juiz, mesmo livros precisam ser vistoriados e liberados por uma comissão técnica que verifica se os livros não contém mensagens cifradas ou possuem conteúdo “extremista”, o que possa prejudicar a harmonia carcerária. Livros em português nem pensar, já que a comissão técnica não tem como avaliar o conteúdo. Eu recebi de pre4sente cerca de 20 livros em inglês, pra ajudar a passar o tempo, passados 2 meses só tive a liberação de 14. Até Janeiro, espero o resto terá sido liberado e veja que são clássicos da literatura universal, consagrados pelo uso comum. A disciplina é rigorosíssima, sem direito a exceção, como parece, faz parte do espírito russo.

Às 7:00 somos vistoriados, as camas tem que estar feitas e permanecer assim até às 19 horas, hora do 2° checkup. As luzes da minha cela nunca são apagadas e a cada 30 minutos um oficial faz uma checagem visual pelo olho mágico, isso me trouxe problemas para dormir mas que já foram superados, felizmente.

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Se for um lado a disciplina é espartana, por outro lado as instalações são extremamente bem conservadas, a minha cela é ampla e possui 16 beliches, lavabo, cozinha e banheiro. Não fosse pelas grades na janela poderia ser tranquilamente o quarto coletivo de um hotel em uma grande capital europeia. O aquecimento funciona bem e a comida é de boa qualidade e em quantidade suficiente pra todos. O local é confortável e limpo, melhor do que muitos lares brasileiros, infelizmente.

Como meu principal problema aqui é o tédio eu preciso desenvolver ferramentas para passar o tempo. Eu faço 1000 flexões de braço todos os dias, escrevo algumas cartas para alguns correligionários, leio devagar, pros livros não acabarem rápido, e jogo xadrez com meus companheiros de cela, também tenho me dedicado a entrevistá-los e tomar notas biográficas que talvez virem um livro.

4. Sua esposa disse em uma entrevista que você divide a cela com criminosos de alta periculosidade. Quantos estão na sua cela? Que tipo de crimes cometeram?

FAUZI: A inclusão do meu nome na lista de procurados da Intrerpol foi feita de forma administrativa, via Whatsapp e a 10° DP, o escritório brasileiro da Interpol e a Interpol Russa. O Relatório original, produzido pela 10° DP foi repleto de fantasias e hipérboles dramáticas, eles informaram à Interpol que eu cometi um homicídio, o que é mentira, já que ninguém morreu ou ficou ferido no ataque santo. Disseram que eu seria um indivíduo de elevadíssima periculosidade, com treinamento marcial, fluente em vários idiomas, líder de uma organização extremista com contatos ao redor do mundo e acesso a fontes de financiamento misteriosos, Não fosse esse exagero o meu nome não teria sido incluso no Red Notice da Interpol. Pela Lei Russa detentos precisam ficar presos com outros detentos de classificação idêntica, assim, graças à licença poética da 10° DP, eu tive que ficar preso com homicidas, boa parte dos quais, segundo eu pude entender, lideranças criminosas. Somos em 11 todos assassinos menos um, um hacker ucraniano, acusado de fazer parte de uma organização criminosa responsável pelo desvio de mais de 200 milhões de euros de bancos europeus e de tentar comprometer as eleições americanas em favor do Trump.

Fauzi e sua esposa Ekaterina. Créditos: Acervo pessoal Ekaterina Erokhina-Goldshtein

Apesar do perfil meio dramático dos meus companheiros de cela, eles são pessoas interessantíssimas, com um rico histórico de vida e, usualmente, com muito bom humor. São barulhentos e bem humorados, o que garantem boas risadas quase todos os dias. O fato de eu ter sido preso, sob a alegação de homicídio, contra os patifes que retrataram Nosso Senhor Jesus Cristo como gay, acabou involuntariamente contando em meu favor, já que essa tipificação criminosa acabou me rendendo respeito e admiração, não só entre os detentos, como também entre os militares responsáveis pelo presídio.

O Fato de eu ser brasileiro também atrai simpatias e bastante curiosidade “como é que um brasileiro veio parar na Rússia?” é uma pergunta recorrente, o diretor da minha unidade requereu uma entrevista comigo, para me avaliar e se inteirar dos detalhes relativos ao meu caso. Ao final me chamou de “herói”, me cumprimentou e me confessou que se dependesse dele, ele me poria em liberdade imediatamente… infelizmente não depende.

Apesar das diferenças culturais e das especificidades dos códigos carcerários russos uma regra em comum permanece em todos os ambientes de escassez, como é o caso das carceragens ao redor do mundo: Você tem que ser malandro, mas não pode ser “malandrão”, respeitado isso, o resto flui sem obstáculos, como na vida.

5. Quais as diferenças para a prisão no Brasil? Há semelhanças?

FAUZI: Há um abismo separando a realidade carcerária dos dois países. Todo um universo de códigos e posturas que precisam ser aprendidos e observados por quem quiser ser “feliz” no seu tempo de “serviço” e que diferem amplamente entre os dois países. Algumas diferenças me chocam, por exemplo, enquanto que no Brasil, e de forma geral na América Latina, os traficantes de drogas possuem destaque no ambiente carcerário, especialmente por causa do dinheiro que possuem, na Rússia eles são considerados criminosos de quinta categoria, e se tornam um alvo justamente por causa do dinheiro que tem, sendo frequentemente extorquidos pelos demais presos (ou poderão sofrer maus tratos). Explorar o vício e a fragilidade dos outros não é bem recebido pelo coletivo carcerário. Estupradores e estelionatários também não têm vida fácil ao que parece que quiser ter moral no cárcere precisa abraçar atividades que envolvem risco e combate, o que reflete algo da alma russa (difícil não amar um país assim). Assaltantes de banco estão no topo da pirâmide social (ninguém gosta de banqueiros justamente porque eles vivem de explorar o vício e a fragilidade dos outros).

Outra diferença gritante é a questão da corrupção policial. Enquanto que no Brasil é norma, aqui é a exceção. De fato, eu não vi nenhum indício de corrupção entre os agentes. Facilidades como armas, drogas e telefones celulares não existem. Ao menos no local onde eu estou detido eu não encontrei qualquer indício do comércio de itens proibidos ou da venda de facilidades, tão comum no Brasil. Os agentes são bem treinados, extremamente educados (mas sem simpatias) e sempre atenciosos às requisições dos detentos, especialmente remédios e itens de higiene. Não existem facções carcerárias na Rússia e todos os presos, via de regra se ajudam e se auxiliam, se entendendo como parte de uma mesma comunidade. Já no Brasil é meio que “cada um por si” e “todo mundo contra todo mundo”, até aqui toda a experiência tem sido extremamente enriquecedora e por mais terrível que possa ser a experiência de ser prisioneiro em uma prisão estrangeira, eu saberei sair daqui mais forte e melhor, enquanto homem e intelectual, com a ajuda de Deus.

6. Sua esposa me disse que só seu advogado pode visitá-lo, mas, numa entrevista, ela disse que a dançarina Anna Cherneykina o visita e leva alimentos para você. Quem mais o visita além do seu advogado? Com que frequência pode receber visitas? E falar ao telefone? Você conseguiu falar com seus pais no Brasil depois da prisão?

FAUZI: O meu regime de prisão não permite qualquer contato com o mundo exterior. Só posso receber visitas dos advogados e ainda sim por apenas 20 minutos. Falo com eles através de um interfone separado por uma janela de vidro, zero contato humano. Além deles eu recebo visitas dos promotores e de alguns oficiais do governo russo ligados ao Departamento de Imigração e que têm interesse no meu caso.

Fauzi e sua esposa Ekaterina. Créditos: Acervo pessoal Ekaterina Erokhina-Goldshtein

Eu requeri um encontro com diplomatas brasileiros, a Embaixada Brasileira informou que recebeu autorização do Itamaraty e até a liberação da verba referente às despesas de viagem, que havia sido agendada para o dia 10 de Dezembro, mas até agora, não apareceu ninguém aqui, eu ainda requeri, via ofício, que a embaixada se manifestasse por escrito, recomendando a alteração do meu regime prisional de fechado para prisão domiciliar, ou alguma outra modalidade menos restritiva de confinamento, no que eu também fui completamente ignorado. Se os diplomatas brasileiros não querem vir até Ecaterimburgo, que, ao menos devolvam ao Itamaraty o dinheiro das passagens, não apenas isso, nós requeremos um documento chamado “Declaração de estado civil”, que atesta que eu não sou casado no Brasil. O serviço de expedição é pago, e não é barato. Eles receberam o dinheiro e não expediram a certidão. Os caras simplesmente não querem trabalhar e fazem questão de atrapalhar a minha vida nos mínimos detalhes. Tenho sérias dúvidas se não terão sido cooptados para isso. Tudo é muito estranho.

7. Seu filho sabe que você está preso? Qual a história que você vai contar para ele? Você se considera um exemplo para ele?

FAUZI: Eu tenho 3 filhos, 3 meninos. Um de 10 anos e os outros 2 têm 4 anos, um dos quais é cidadão russo e vive em Moscou. Eu sou totalmente favorável que se fale a verdade para as crianças. Eu trato meus meninos como homens, o que eles já são, em potência. Sem mentirinhas ou manipulações. Além disso eu tenho do que me envergonhar. Não matei, não roubei, não desviei dinheiro público, que TODOS os heróis da esquerda progressista fizeram. Não sou acusado de tráfico de drogas e de fato nunca usei drogas na minha vida. Sou um homem religioso, temente a Deus, que zelo pela minha honra e brigo pela manutenção da minha palavra. Amo meu povo, minha pátria, cumpro meus compromissos e nunca machuquei ninguém senão em minha defesa ou na defesa daqueles que se puseram sobre os meus cuidados. Até aqui não tenho nada do que me envergonhar. Dos crimes de que sou acusado, nenhum deles possui motivação financeira ou promoção pessoal, tudo o que foi feito foi feito por amor ao povo brasileiro e à Igreja, não menti, não usei máscaras, não alterei os fatos, não falsifiquei a verdade. Olho no espelho todas as manhãs e vejo um homem de honra… e disso me orgulho.

Fauzi e família na Rússia. Na direita, sua esposa, Ekaterina. Crédito: Acervo pessoal Ekaterina Erokhina-Goldshtein

Por outro lado não me considero exemplo de nada, nem modelo para ninguém, não quero que ninguém me imite ou siga meus passos… cada um de nós possui um chamado único, uma missão que nos foi confiado pelo eterno e para a qual nós nascemos com todas as ferramentas e potencialidades para cumprir e vencer. A mãe dos nossos sofrimentos e tragédias é a nossa vontade de viver a vida dos outros, cumprir um chamado que não é nosso e para o qual nós não nascemos com as habilidades necessárias para enfrentar a nossa vontade burguesa de querer fazer o que a gente quer, e não o que a gente precisava fazer é, por sinal, a principal idolatria de nosso tempo.

Se eu tiver que ser exemplo pra alguém quero ser exemplo de homem que foi fiel ao seu chamado, a sua lenda pessoal, que cumpriu com os recursos que tinha, sem se preocupar com o julgamento do mundo e que vai se apresentar para o juízo da história com as mãos limpas e o coração puro.

8. Da última vez que nos falamos, você havia dito que tinha sido por três partidos políticos. Tinha planos de voltar ao Brasil e ser vereador. Na atual situação, prefere ser extraditado ou permanecer preso na Rússia? Por quê?

FAUZI: O sistema tem se articulado para agilizar a minha extradição para o Brasil e me submeter a um massacre midiático e a um linchamento jurídico, para me fazer de exemplo, dar um recado claro de que pensadores dissidentes e de viés conservador não serão mais tolerados pelo establishment. A minha destruição pessoal é a principal ferramenta para legitimar o “Jesus Cristo Gay” e toda a maldita pauta progressista que ele carrega, de destruição dos valores morais e da espiritualidade popular que cimentaram os alicerces sobre os quais a nação brasileira foi fundada sem os quais ela colapsará.

Retornar ao Brasil em liberdade e segurança, pelos meus próprios pés e sem algemas ou escolta, será um tapa na cara do sistema e uma vitória de todo o povo brasileiro. E por isso que eu lutarei contra a extradição, não importando o quão duras sejam as condições de encarceramento em uma prisão da Sibéria, porque em última instância estarei lutando pelo meu povo e pela minha pátria. Já que não há meio termo possível. A vida não tolera covardes, a história não respeita medíocres, qualquer um que nesse momento, se manifestar contra mim e trabalhar pela minha extradição estará cooperando com o “Jesus Gay”, contra o povo, contra Deus, a pátria e a família brasileira, há nesse momento, dois campos bem definidos: ou se é a favor de Eduardo Fauzi ou se é a favor do Jesus Gay e do PDF [Porta dos Fundos]. Já não há meio termo possível.

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[O lema] “Deus, Pátria, Família” não é monopólio do Integralismo, mas uma verdade universal, aplicável a todos os tempos e lugares, as únicas coisas pelas quais vale a pena matar e morrer é: pelo seu Deus, sua Pátria e sua família, todo o resto é circunstancial, só a tríade é substancial, eterna e imutável. De fato todo aquele que crê na tríade como verdade política já é um integralista, ainda que não queira ou ainda que não saiba. Não posso afirmar com certeza mas acho muito difícil que os ideólogos do novo partido não soubessem disso quando elegeram a tríade para o lema. E isso me agrada, eu fiz campanha para o presidente de forma gratuita e desinteressada, e não me arrependo. O fato de pela primeira vez na história termos tido um gabinete presidencial com zero corrupção deveria ser motivo de celebração nacional. A diminuição de mais de 20% nos índices de criminalidade violenta, o que representa cerca de 10 a 15 mil vidas salvas anualmente, vidas de cidadãos brasileiros, nossos pais, parentes e amigos, confirma meu entendimento de que ele é o melhor presidente que o país já teve na Nova República. Todo ódio que a Globo e toda a mídia globalista devota contra ele só me faz mais confiante na certeza desse julgamento. No entanto eu não tenho qualquer interlocutor junto ao governo nem creio que o presidente tivesse como me ajudar institucionalmente já que a extradição agora é uma decisão que cabe apenas ao governo russo.

9. O especial de Natal do Porta dos Fundos 2020 foi lançado hoje com a sátira “Teocracia em Vertigem”. A figura de Judas Iscariotes é apresentada ora como Temer, ora como Queiroz, ora como Bolsonaro. Em determinado momento, uma personagem diz: “eu acho que ele está foragido na Rússia”. Em outro, o próprio personagem Judas fala: “Minha tia hoje de manhã veio me perguntar que estavam comentando no grupo do Zouk”. Como você interpreta essas referências? Você se identifica com (o) Judas?

FAUZI: Quem assistir esse filme fora do Brasil, ou daqui a 10 anos, não vai entender as referências. Isso demonstra claramente a falta de talento do PDF [Porta dos Fundos], um humor nanico que não ultrapassa os 2 minutos de formato, qualquer coisa que eles filmem acima disso será inevitavelmente uma merda. O longa metragem deles é uma das maiores vergonhas do cinema brasileiro de todos os tempos. E eu falo isso na qualidade de cineasta, já que eu também cursei faculdade de cinema, eles simplesmente não têm como produzir nada que preste além de 2 minutos. O talento desses patifes é uma ejaculação precoce, nada mais pra compensar esse lapso que eles têm que tentar politizar o trabalho deles. Falar mal de Jesus é a sua única forma de conseguir algum destaque na mídia já que o talento não os ajuda. Crucificar Jesus novamente, vendê-lo por 30 moedas de prata, ou por 15 minutinhos de fama, não tem nada de novo, de original ou de revolucionário nisso. Isso é tão clichê e tão antigo quanto o próprio Cristo, além de um absoluto mau gosto. Esse raciocínio não deixa dúvidas: eles é que são os que, fosse 2 mil anos atrás, teriam vendido Nosso Senhor por 30 moedas de prata, são os Judas do novo milênio, versão século 21. Quando a Revolução Integralista vier não terei piedade.

10. Ao final do especial, Fabio Porchat interpreta Jesus num musical que questiona se Jesus vai voltar ou não. Depois dos versos “Já voltei preto, uma mulher e outra travesti/Nas três vocês já me mataram, por isso que já desisti/ Se for pra voltar de novo, vai ser pra destruir”, aparecem frames da gravação das câmeras de segurança da produtora Porta dos Fundos durante o ataque com coquetel molotov e a explosão da bomba. Mais adiante, o personagem interpretado por Porchat diz “Você está brincando com fogo. Qual a sua interpretação? Quem estaria brincando com fogo? Por quê?

FAUZI: Jesus “voltou” 3 vezes? como “preto, mulher e travesti?”. Não há licença poética que sustente esse absurdo teológico, Jesus, branco, heterossexual e homem veio uma única vez, foi preso, barbaramente torturado e publicamente executado pelas forças militares de um Estado policial, à mando das elites de seu próprio povo, foi traído por um amigo e preterido pelos seus [edição: rascunho ilegível] em favor de um bandido comum. É um símbolo máximo de todo aquele que sofre injustamente, de todo órfão e viúva, de todo bebê odiado e assassinado do ventre pela sua própria mãe, todo o que passa frio e fome, todo o torturado, perseguido e preso pela sua defesa da verdade, que é Jesus Cristo, tem em Nosso Senhor um companheiro infortúnio e uma ferramenta de poder, liberdade e salvação. Destruir a mensagem de Cristo é massacrar os que sofrem, e cooperar com os poderes do inferno a quem os integrantes do PDF [Porta dos Fundos] servem com uma dedicação que me causa espanto.

Sob esse aspecto a mensagem do Fábio Porchat é clara e pode ser perfeitamente subentendida por debaixo do verniz de uma arte duvidosa: Não mexam conosco ou estarão mexendo com fogo! Todo aquele que se opuser ao PDF [Porta dos Fundos] ou ao projeto político macabro e opressivo a que eles servem sofrerá combate sem trégua. Será “queimado” e destruído, exatamente como eles estão querendo fazer comigo, isso não passa de uma de uma bravata ridícula que não tem a potência de um peido. Quero ver falar na minha cara e vir me ameaçar na minha presença. Aliás… um amigo meu, e que é professor na UFRJ [Universidade Federal do Rio de Janeiro], tem um projeto de usar o Auditório Pedro Calmon, no Instituto de Economia da UFRJ, onde eu me formei para realizar um debate aberto sobre os limites da liberdade de expressão e convidar o Gregório Duvivier, Fábio Porchat, eu, entre outro. Duvido que aceitem, mas pra mim seria um prazer massacrá-los em seu próprio ambiente, quando eu voltar, o que será em breve se Deus assim o permitir, veremos, mas já fica aqui registrado o convite.


 

Agradecimentos: Ekaterina Erokhina-Goldshtein
Imagens: Acervo pessoal de Ekaterina Erokhina-Goldshtein
Organização e transcrição: Fyllipe Magalhães
Organização: Redação deste Site

© O Sentinela – A republicação deste material é livre desde que seja indicada fonte com link original do artigo (https://wp.me/pbAZ2q-5Uu) conforme lei 9.610/98.


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