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Christa Savitri: Não isentar-se da luta!

“No inferno os lugares mais escuros são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempos de crise” – Dante Alighieri

Não tem nada mais depreciativo para um ser humano do que se tornar um mero espectador, aquele que quer que “o mundo acabe em barranco para morrer encostado”, que não assume um posicionamento sobre nada, anda junto ao rebanho, dizendo sempre que não pode mudar o mundo.

É verdade! Sozinho ninguém muda o mundo, mas se uns se juntam e propagam uma ideia, a tendência é que ela se fortifique!

Mas para os que continuam pensando que nada é útil a se fazer nos dias de hoje, já que os tempos só decaem, eu perguntaria: quantos dos nossos ancestrais morreram em guerras para proteger a própria terra, os próprios valores, deslumbrando em seu cenário de luta a imagem de um mundo mais justo para o porvir?

Viviam também em um cenário de larga decadência e extremas dificuldades, mas a vontade de lutar, independentemente da porcentagem da chance de vitória, vivia na alma destes homens.

Imaginem se um Homem, diante da humilhação de seu país, do seu povo passando fome, de uma divida de guerra injusta, da exploração popular através dos juros, da decadência moral a todo vapor que corrompia diariamente sua nação, simplesmente se isentasse da luta e resolvesse pensar que nada mudaria tal situação? Jamais teria concluído o feito de mais de uma década sem escravidão, tendo entrado honrosamente para a história. Tudo aquilo começou com 7 homens. Apenas 7.

 

Hoje, os descendentes longínquos dos homens do passado abrem as portas para o inimigo sorrindo, aceitando tudo aquilo que é imposto; consequência direta da absorção coletiva de um pensamento individualista, antisocialista e aburguesado. O homem hoje não vê necessidade de luta enquanto o sistema vigente não afetar seus bolsos de maneira vital. Sofre injustiças calado, assiste a desonra e toda a perda de valores, mas não vê nisso um motivo para lutar. Tornou-se um completo materialista.

Nossos ancestrais muitas vezes massacraram pseudo-ideais pútridos e interesseiros vindos de terras alheias assim como os povos que trouxeram estes pseudo-ideais, ganharam fama de cruéis e impiedosos quando apenas se defendiam de quem atacava seu justo estilo de vida; mulheres perderam seus maridos, seus filhos, passaram fome, sofreram total vulnerabilidade social em tempos de guerra; Homens voltaram e encontraram suas famílias dizimadas, perderam membros do corpo, passaram por todo o sofrimento das batalhas e com muito custo, quando ganhavam uma guerra passavam o resto da vida trabalhando pra reconstruir sua nação, criando barreiras para proteger os seus e poder assim finalmente viver em paz, trabalhando produtivamente uns para os outros, regidos pela divina ordem natural.

Certamente fizeram isso não só para promover melhores condições de vida e justiça para aqueles tempos e para si mesmos, mas principalmente, para os que estavam por vir. Não fizeram isso para que hoje, o descendente ingrato, que mal vale o ar que respira, cuspir na luta ancestral, sendo um inútil que se isenta de todas as responsabilidades, preocupado com seu jogo de videogame, com o carro que vai exibir, com o dinheiro que quer ganhar e anda com o rebanho como se não fosse diretamente culpado por nada que acontece.

Este que se isentou da luta é diretamente culpado pela própria decadência, pela própria escravidão, pelo atual estado das coisas.

Aquele que se isenta é ainda pior do que aquele que assume o lugar inimigo, já que este pelo menos nos serve de alvo, diferentemente do “isentão” que apenas propaga sua inutilidade pelo mundo.

É de extrema importância ensinar aos descendentes que se eles vivem hoje e têm condições mínimas de sobreviver com algum conforto é porque na própria linhagem dele existiram homens que foram pra linha de frente e mulheres que na ausência dos maridos preservaram valores.

Tudo que há de bom hoje é resquício do que os nossos ancestrais conquistaram. O que há de ruim, como o fato de sermos hoje, enquanto membros da sociedade atual, escravos, consumistas, dependentes de coisas outrora desnecessárias, totalmente reféns de um sistema inescrupuloso que destrói valores em nome do dinheiro, é fruto de ações de traidores e desleais, uns que traíram e se aliaram ao inimigo por vontade própria, mas principalmente de outros que se uniram a ele automaticamente, simplesmente por se colocarem como peça à parte da luta, como mero espectador, se sentindo no direito da isenção da luta como se não fosse colher os louros ou as mazelas junto daqueles que lutaram!

Ações simples nos tiram do caráter de isenção, não basta pensar ter valores e concordar com ideias, é preciso aplicar valores, sem medo de ser excluído socialmente, mal visto, mal compreendido. Antes só do que mal acompanhado!

“Se agires bem, falarão bem de ti, mas se agires mal, falarão mal do partido!”

A ideia de mundo que queremos restaurar primeiro deve viver em nós, para depois viver no mundo.

Não estamos aqui pra colher benefícios pessoais, quando alguém se isenta de posicionamento, de imediato demonstra mau-caratismo em querer colher pra si a amizade de todos, ser bem-quisto e bem visto por todo mundo, o querer deixar portas abertas pra agir como bem entender quando lhe beneficiar, sem ser mal visto ou sem ser visto como contraditório!

Esse é o caso da maioria das pessoas, que além de aproveitar todos os pseudo-benefícios da isenção de posicionamento, sai na história como pobre vítima das circunstâncias.

Não existe ser mais covarde do que este!

É devido a grande maioria ter aderido a esse posicionamento que hoje temos todos que assumir a vergonha de termos adolescentes de 25 anos, hedonistas, que não sabem ocupar um ofício com dignidade; a vergonha de termos mulheres agindo com menos dignidade que as mais baixas mulheres de outros tempos; a vergonha de termos homens rebaixados e humilhados por dinheiro, por carência, por pseudo-necessidades que acreditam ter.

Os “isentões” fizeram o mundo chegar a este caos repleto de usura, exploração, falsos deuses, enganadores, decadência moral, filhos abandonados a mercê da robotização governamental, natureza destruída, fragmentação de unidades populares, desconexão com nossos deuses, nosso sangue e nossas nações.

Como diria Ramon Bau em seu artigo intitulado “Lutar diante do fracasso”:

“Como cavaleiros do Graal, tendo a visão dos valores essenciais, a vivência de uma vida com honra, decência, família, fidelidade, amor e compreensão ante a necessidade, saindo à natureza, amando os animais, vivendo a arte nobre e bela; apenas ao compreender esses princípios necessários que estão sendo destruídos sistematicamente impedindo a possibilidade de elevação pessoal do povo em todos os seus sentidos, é que se manterá a luta constante, por uma autêntica necessidade.

É preciso chegar a uma situação dada pela seguinte frase:

‘Não posso viver sem empreender a luta para que esses valores essenciais sejam os mesmos de minha comunidade’.

E para isso, tais valores éticos devem ser os da vida própria do militante, que deverá ser guiado por eles.

Assim, a organização NS deve se transformar em uma comunidade de vida, não apenas uma ferramenta de atuações.”

[…]

“O restante é preciso fazê-lo: combater o mal, o inimigo do mundo, a decadência e o poder do dinheiro, mas, acima de tudo, primeiramente é preciso mostrar a beleza e a honra ética do ideal que nos norteia.”

Não basta admirar um ideal, é preciso vivê-lo e para vivê-lo em sua forma integral, a luta constante se faz necessária, independentemente das chances de vitória. A isenção concede a vitória ao inimigo.

Christa Savitri


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