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A alegação de que milhares de parisienses eram membros da “resistência” antinazista [1] é um aspecto da Segunda Guerra Mundial que tem estado sob crescente escrutínio nos últimos anos. Como explica o historiador britânico David Pryce-Jones em seu estudo de Paris no Terceiro Reich, havia pouca atividade real de resistência na capital francesa. De fato, durante a ocupação alemã, a vida em Paris prosseguiu como antes da guerra.

Um ponto notável é o contraste entre o comportamento dos vitoriosos ocupantes alemães da França em 1940 e o das tropas aliadas que invadiram a Alemanha em 1945. Ao contrário do que aconteceu na Alemanha e na Europa Central em 1945, quando os alemães tomaram Paris não houve cenas de pilhagem em massa, estupro e assassinato. O semanário francês de grande circulação L’Illustration descreveu os soldados alemães como “meninos bonitos, decentes, prestativos, e acima de tudo corretos”. Hitler até cancelou uma enorme parada da vitória planejada pelos militares para não alienar os parisienses. Poucos dias após o início da ocupação alemã, as escolas, restaurantes, teatros, trens, jornais e outros serviços públicos voltaram a funcionar quase normalmente. A polícia de Paris, que ultrapassava os alemães em número, permaneceu em serviço durante toda a ocupação.

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Nem os alemães reuniram um grande número de oponentes políticos e suspeitos. Jean-Paul Sartre, Coco Chanel, Dior, Yves Montand, Maurice Chevalier, Picasso e Albert Camus estavam entre os que viveram e trabalharam – de forma muito produtiva – em Paris durante a ocupação alemã. Um escritor francês, Louis Ferdinand Celine, expressou surpresa que os alemães “não estavam atirando, enforcando, exterminando os judeus… estupefatos porque alguém com uma baioneta não a usaria o tempo todo. Se os bolcheviques estivessem em Paris, eles mostrariam como fazer tais atrocidades, mostrariam como purgar uma população, distrito por distrito, casa por casa. Se eu tivesse uma baioneta, eu saberia o meu negócio.'”

Como observado acima, Pryce-Jones lança luz adicional sobre a chamada “Resistência”. Muitos franceses detestavam intensamente os guerrilheiros, que só entraram em ação contra os alemães depois que Hitler atacou a União Soviética em junho de 1941. Os guerrilheiros comunistas, grande número dos quais não eram franceses nativos, esperavam provocar represálias alemãs que viriam então alienar a população francesa. Nisso eles tiveram sucesso. Mas os alemães não eram seus únicos alvos: durante a ocupação, outros comunistas, diversos esquerdistas e direitistas foram assassinados pelos guerrilheiros.

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Uma vez que os alemães foram forçados a se retirar da França no verão de 1944, um novo “Reinado do Terror” começou. Pryce-Jones estima que houve 105.000 execuções sumárias na França entre junho de 1944 e fevereiro de 1945. “O número de franceses mortos por outros franceses, seja por meio de execução sumária ou tribunais fraudulentos semelhantes a linchamentos ou cortes marciais e julgamento da Suprema Corte, igualou ou mesmo ultrapassou o número daqueles enviados para a morte pelos alemães como reféns, deportados e trabalhadores escravos.” (O tratamento mais completo em inglês do banho de sangue que acompanhou a “libertação” é encontrado no livro de Sisley Huddleston, France: The Tragic Years, 1939-1947, de 1955.)

Frequentemente, os franceses não conseguiam entender a lógica envolvida nessas represálias. Uma mulher comentou na época, depois que a cabeça da filha foi raspada: “Minha pequena Josiane, é horrível. O cabelo dela foi cortado, senhor. Pobre Josiane! Se ela foi para a cama com alemães é porque ela tem dezessete anos, Monsieur está me entendendo? Mas por que cortar o cabelo dela para isso? É uma pena, senhor. Ela está disposta a também ir para a cama com americanos!”.

Paris no Terceiro Reich inclui trechos de algumas das entrevistas que o autor conduziu com ex-colaboradores, veteranos alemães e outros observadores. Mais de cem fotografias, algumas coloridas, complementam o texto. Os interessados ​​neste capítulo da história contemporânea acharão o livro útil.


Referência bibliográfica: PRYCE-JONES, David. Paris in the Third Reich: A History of the German Occupation, 1940-1944. Rinehart Holt and Winston. 1ª ed., 1981.

Texto: Charles Lutton
Tradução: Nick Clark


Nota:

[1] Lançando um olhar irônico para a superabundância de afirmações exageradas do pós-guerra, feitas quando era seguro fazê-lo – na verdade, bastante inseguro não o historiador James J. Martin comentou sobre “a fração indubitável de um por cento de os residentes da França que não estiveram envolvidos na ‘Resistência’.”.


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