Cartas da Colômbia: Miguel Serrano, onze anos após sua morte

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A verdade é silêncio, a verdade é vazio. A multiplicidade de reflexos nos confunde e escolhemos o brilho que mais apela à nossa subjetividade. Apreciamos seu brilho e reduzimos nosso mundo a essa frequência de onda, esquecendo que, independentemente da pureza do espelho, essa não é a origem da luz, é apenas seu reflexo. A verdade é única e estática, mas somos frações de um todo e, sendo incapaz de contê-la, só podemos manter nosso fragmento de luz como um tesouro subjetivo.

É por isso que a arte é indicativa da riqueza material das nações; é o símbolo do nosso trabalho desesperado retornar à luz da qual descemos, mas com a qual não podemos mais falar, porque esquecemos a linguagem universal, o silêncio.

Ao sul do mundo, naquele território alongado onde a flor dos Guzmans ibéricos escrevia com sangue os mágicos Araucana e Selcnam chamam do gelo as almas atormentadas dos poetas, na mente de um homem louco puro uma flor inexistente germinada, mais real do que qualquer um dos jardins deste mundo.

O primeiro-ministro Shri Jawaharlal Nehru [esquerda] cumprimentando o embaixador chileno designado para a Índia, Sr. Miguel Serrano Fernandes [direita], quando este o chamou no Ministro de Relações Exteriores, Nova Déli, em 30 de maio de 1957. / Foto: Ph. Studio / maio de 1957, A22a (I) – A22a (iv)
Diplomata de oficio e explorador por vocação, rendeu-se a escrever para a sobrevivência; Ele não tinha outra maneira de viver com os deuses da antiguidade manifestando em seu sangue. Ele não escreveu para ninguém, porque seu trabalho não pode ser tipificado em nenhum tipo do que eles chamam de literatura. Cartas caóticas que não pretendiam levar a um resultado perfeitamente discutido; eram palavras erráticas que emergiam de uma inconsciência coletiva para atingir, sem nenhuma técnica, a psique de todos que sentiam a luz dentro de si.

O chileno Miguel Serrano não escreveu para a época, tudo o que é tocado pelo fluxo de cronos está fadado a desaparecer. Suas tendências políticas ou buscas filosóficas eram apenas as formas mais recentes da essência de sua realidade. Ele escreveu por nada, por vazio, aquele ponto em que paradoxos colapsam. O que consideramos daqui como inexistente. A matéria só pode ocupar o vazio, o som só pode emergir do silêncio, é na sutil impossibilidade que a ilusão do nosso mundo é sustentada. Serrano escreveu por toda a eternidade, então ele disse que apenas os poetas a entenderiam, apenas quem manifesta arte vive o drama da separação, do qual surgem as sementes de novas esperanças, de flores inexistentes.

Miguel Serrano em manifestação de nacional-socialistas chilenos. / Reprodução.

11 anos após sua morte, no centro inatingível seu círculo hermético, você continua a perder homens loucos que buscam sem conhecer sua eterna ela, o rosto de sua alma. Descanse em paz, mestre, os heróis continuam a lutar e as Valquírias continuam a resgatá-lo. Os gigantes dos Andes são mais falantes do que nunca e os filhos da Hiperbórea não param de acordar em todo o mundo. Ainda estou esperando o momento em que posso ir ao continente de gelo, me perder nos suspiros históricos de um mundo que nunca existiu, ela espera por mim.

De San Bonifacio de Ibagué, Colômbia.

Fonte: Alerta Digital

Publicado originalmente em 03 de março de 2017.

Carlos Arturo Calderón Muñoz
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