Amazônia: O tesouro hispano-brasileiro que o globalismo procura se apossar

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Em março de 1990, a versão final de um documento de estratégia política chamado: “Estrutura do poder nacional para o ano de 2001” foi finalizada com o subtítulo “1990-2000, uma década vital para um Brasil moderno e democrático”. Este trabalho analisou os obstáculos econômicos, industriais, políticos e sociais que o Brasil precisou superar para garantir uma posição de relevância no novo milênio.

A carta supervisionada pelo professor Jayme Magrassi causou um alvoroço imediato entre deputados nacionais e representantes de potências estrangeiras. As forças globalistas viram com preocupação o capítulo intitulado “Políticas e estratégias para a Amazônia”. Isso incluiu contrabandistas, traficantes de drogas, comunidades indígenas usadas por ONGs e ativistas ambientais, como possíveis vetores da internacionalização da Amazônia. Estes seriam controlados remotamente por uma aliança super soberana co-liderada pelos Estados Unidos e pela União Soviética. O documento argumentava que, se necessário, o Brasil deveria estar disposto a usar a força militar para proteger a Amazônia.

Não é incomum que este artigo veja ameaças contra a soberania brasileira; Foi realizado na Escola Superior de Guerra (ESG). No século XX, as estruturas político-militares nacionalistas se alimentaram do pensamento de homens como Mário Travassos, Golbery do Couto e Silva, Meira Mattos e Arthur Cezar Ferreira Reis. Todos compartilharam a ideia de que forças estrangeiras queriam tirar a Amazônia do Brasil.

A mídia mundial, como o The Guardian, ridicularizou a tendência “anti-ecológica” dos militares brasileiros; o interesse das superpotências, segundo eles, foi motivado pelo cuidado com o meio ambiente. Na década de 1960, a Academia de Ciências de Washington propôs a criação de uma fundação para estudar a Amazônia como zonas ecológicas e não como unidades políticas. Por sua vez, os soviéticos apoiaram seus interesses na luta contra as mudanças climáticas, que foram pioneiros graças ao trabalho de Y.K Fyodorov e Mikhail Ivanovich Budyko.

No entanto, a cúpula militar tinha todos os motivos para suspeitar. Em 1989, o então senador e, posteriormente, vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, declarou que a Amazônia não pertencia aos brasileiros, mas a todos. Os relatórios de inteligência da época indicavam que as nomeações de Jose Lutzemberger e Jose Goldemberg (sobrenomes curiosos), para os departamentos de Meio Ambiente e Ciência e Tecnologia, pelo presidente Collor de Mello, fora influenciada pelo príncipe Charles e destacada pela Academia Soviética de Ciências.

Esse conluio transnacional seria apoiado por Mikhail Gorbachev, que continuaria, como presidente da Rússia, as políticas da era comunista. O estadista promoveu a criação da Cruz Verde, equivalente à Cruz Vermelha para questões ambientais e, de acordo com a linguagem ruim, ele procurou fazer com que o Brasil cedesse seus direitos de soberania sobre a Amazônia à comunidade internacional.

Alguns poderiam argumentar que essa linha de pensamento era típica das defasagens de uma ditadura nacionalista, incapaz de entender os avanços da ciência ambiental e envolvida no cenário da Guerra Fria. No entanto, essa ideia se baseia na premissa de que não havia interesses ocultos das forças estrangeiras e, portanto, as ameaças eram fictícias.

Uma rápida revisão histórica nos mostra como esse vasto território tem sido visto pelas potências globais. Desde o momento em que os impérios europeus se lançaram para conquistar o mundo, a Amazônia tem sido um de seus objetivos. Ingleses, holandeses, franceses, espanhóis e portugueses lutaram pelo controle do território; sendo as nações ibéricas as que terminaram com as maiores partes. Somente até o século XVIII, devido às consequências do Tratado de Madri, é estabelecido o domínio português da atual Amazônia brasileira e espanhola de sua multinacional hispânica.

A conquista do Amazonas, 1907. Museu Histórico do Pará, Belém, Brasil. Créditos: Wikimedia Commons

Durante o século XIX, as potências europeias e os Estados Unidos intervieram em processos desestabilizadores na Amazônia em benefício de seus próprios interesses. Durante as revoltas negras, mestiças e indígenas da Cabanagem, no Grão-Pará, de 1835 a 1840, os ingleses ocuparam territórios ao norte do Rio Negro e os franceses invadiram o que seria agora o estado do Amapá. Ambas as nações justificaram suas ações como manobras de defesa para proteger a vida de seus cidadãos. Entre seus planos, estava o de ajudar os separatistas a ganhar o controle do território amazônico.

Durante a Guerra Civil Americana, Abraham Lincoln considerou deslocar negros para a Amazônia, em um experimento semelhante ao da Libéria; basicamente, se livrar-se de pessoas que não gostavam em nome da liberdade. Em 1876, Sir Henry Alexander Wickman roubou mais de 70.000 sementes de seringueira da Amazônia e as contrabandeou para Londres, de onde foram levadas para territórios tropicais do Império Britânico, destruindo assim a ascensão da indústria brasileira da borracha.

Em 1899, a Venezuela perdeu uma parte de seu território amazônico para os ingleses, depois de uma disputa judicial fraudulenta com os americanos. Os filhos de Albion aumentaram o território da Guiana britânica, apreendendo as minas de ouro lá. Nesse mesmo ano e até 1902, os americanos, incluindo o presidente Theodore Roosevelt, manobraram sem sucesso a partir de Wall Street, para manter o território amazônico do Acre, em detrimento da Bolívia e do Brasil.

Esta breve revisão mostra como a ideia de levar a Amazônia não é exclusiva da conspiração dos anos sessenta da ditadura. No século XIX, desculpas como a proteção da vida, a liberdade e o direito internacional já eram usadas para camuflar as intenções de conquistar ou controlar recursos valiosos.

Beneficiamento de borracha, Manaus, Amazonas, Brasil, 1906. Afonso Pena. Autor desconhecido. Créditos: Wikimedia Commons

A novidade do século XX foi a criação de novos trajes para antigas aspirações. A visão do pentagrama de Kissinger na década de 1970 foi um sinal de partida para, entre outras coisas, a internacionalização da Amazônia por razões ambientais. Margareth Thatcher, François Miterrand, Jhon Major e uma longa lista de líderes políticos, religiosos e sociais têm defendido, direta ou indiretamente, a supressão dos direitos do Brasil e das nações hispânicas sobre a Amazônia.

E é que esse pequeno território entre 7,76 e 8,24 milhões de quilômetros quadrados, dependendo de contar apenas a bacia ou toda a extensão da selva, possui recursos naturais sem os quais a humanidade não pode sobreviver.

Recursos incalculáveis ​​para a vida, como:

– Diamantes (milhares a dezenas de milhares de dólares por quilate)
– Prata (US $ 16,25 por onça)
– Ouro (US $ 1.745 por onça)
– Molibdênio (US $ 8,91 por libra)
– Coltan (US $ 194 por quilo)
– Manganês (US $ 4,5 por tonelada)
– Ferro (US $ 84,73 por tonelada)
– Sal gema (US $ 100 por tonelada)
– Caulim (US $ 158 por tonelada)
– Bauxita (US $ 480 por tonelada)
– Chumbo (US $ 1.598 por tonelada)
– Zinco (US $ 1.949 por tonelada)
– Cobre (US $ 5.156 por tonelada)
– Níquel (US $ 11.807 por tonelada)

Esses valores, em 15 de maio de 2020, são uma amostra da longa lista de recursos minerais, madeira, água e médicos da floresta.

Se adicionarmos acima as quantidades gigantescas de petróleo e gás, podemos afirmar categoricamente que cada árvore, peixe, pássaro e inseto são inestimáveis ​​para a humanidade! É uma pena que Bolsonaro não entenda de ecologia e direitos humanos. Claro que você tem que cuidar do meio ambiente!

Ironicamente à parte, a implantação do poder militar e diplomático sobre os países luso-espanhóis com território amazônico é típica das técnicas de desestabilização. Em 2000, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e seu colega colombiano, Andrés Pastrana Arango, anunciaram o “Plano Colômbia”. Um tratado no qual os americanos dariam dinheiro e apoio tático aos sul-americanos para enfrentar o narcotráfico.

Colin Powell, então secretário de Estado dos EUA, em visita à Colômbia, cumprimenta um membro da Polícia Nacional colombiana (2001).

Embora a ideia inicial do presidente Pastrana fosse financiar programas sociais para alienar camponeses de traficantes de drogas, os americanos modificaram o tratado para que o foco fosse militar. No final, 71% do dinheiro inicialmente doado foi investido em campanhas de guerra. O acordo estava em vigor até 2015 e foram investidos mais de US $ 10 bilhões, incluindo a presença de tropas e prestadores de serviços de segurança dos EUA em território nacional, treinamento, equipamentos de vigilância, armas, munição e inteligência.

Embora o Plano Colômbia tenha sido vendido como uma estratégia para combater o narcotráfico, o tipo de ferramentas e pessoal enviado, adicionados à estratégia geral do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, indicam que tudo fazia parte de uma operação militar. Em 1999, o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM) conseguiu estabelecer 475 homens na base da Força Aérea Equatoriana em Manta, um porto no Pacífico a partir do qual as rotas da Amazônia podiam ser controladas.

Essa base era apenas um dos vários recursos dos FOLs dos Locais de Operação Avançada. Com o qual os Estados Unidos, depois de entregar a base Howard no Panamá, projetariam força na América do Sul. A isto foi adicionada uma base em Iquitos, na Amazônia peruana, onde parte dos 17 radares também foram instalados para controlar o tráfego aéreo da selva (o restante foi colocado na Colômbia) e reforçou o controle realizado desde a década de 1980 na base de Chimoré, na Amazônia boliviana.

Também foi feita uma tentativa de ocupar a base de Alcântara, na Amazônia brasileira, camuflando interesses bélicos no desenvolvimento espacial. Bolsonaro parece ter esquecido esse detalhe histórico em sua visita à Casa Branca.

Mais tarde, a Iniciativa Andina de Combate às Drogas do Presidente Bush (expansão do Plano Colômbia para outros países) confirmou a ideia de que essas implantações procuravam cercar a Colômbia; algo que já havia sido anunciado por Donnie Marshall, chefe do DEA, que alegou que as operações na Colômbia gerariam deslocamento maciço da população local.

O milênio começou na Colômbia com uma forte ofensiva em seus territórios amazônicos, onde exércitos, bombardeios e mercenários (paramilitares) foram mobilizados para acabar com a folha de coca. Somente no departamento amazônico de Putumayo, mais de 11.000 indígenas foram colocados em risco. Os campos foram massivamente irrigados com glifosato, um pesticida tóxico para a vida aquática. A ideia era pulverizar os campos de coca, mas era comum que as lavouras das quais os camponeses se alimentavam fossem afetadas.

Embora os efeitos sobre o meio ambiente e a saúde tenham sido prejudiciais, o glifosato não se compara ao Fusarium oxysporum, um fungo considerado uma arma biológica que queria ser utilizado inicialmente. Felizmente, as pressões políticas fizeram Clinton desistir de seu uso, mas ficou claro que a destruição do meio ambiente ou o sofrimento dos povos nativos não são muito importantes se aqueles que dominam o território são americanos e não governos locais.

O efeito de deslocamento “profetizado” por Donnie Marshall foi cumprido. O conflito colombiano deixou 7.000.000 de deslocados em todo o país; Apesar de esse problema existir há muito tempo, o pico de deslocamento ocorreu durante os primeiros anos do Plano Colômbia. Em relação à Amazônia, embora seus 483.119 km² representem 42% do território, apenas 3,8% da população vive lá, cerca de 1.900.000 pessoas. A guerra expulsou os poucos que viviam na região.

O domínio da Amazônia continental nos EUA aumentou ao longo dos anos; em 2003, havia 5.000 representantes de seu governo na Colômbia. Embora em 2006 Evo Morales tenha expulsado os americanos da Bolívia, a presença no Peru aumentou. Bloqueando a saída através do Oceano Pacífico, homens foram posicionados em Lambayeque, Trujillo, Tumbes e Piura; Na Amazônia, várias cidades foram retiradas do rio Nanay, que liga Iquitos, e também se estabeleceram no distrito de Yurimaguas, provavelmente em Santa Lucía.

Em 2009, o contrato de Manta expirou, mas a Colômbia ofereceu 7 bases aos Estados Unidos, 2 das quais controlavam a Amazônia; a base de Apiay em Meta e Larandia em Caquetá. Além disso, para continuar controlando a saída pelo Pacífico, eles também tiveram o direito de usar a base da Bahía Málaga, equidistante entre o Equador e o Panamá.

Em 2017, quando a paz foi assinada com as FARC, os americanos tiraram a máscara do Plano Colômbia e vestiram a máscara de ajuda humanitária. Nos últimos dias do governo Obama, um Centro Regional de Operações de Emergência (COER) foi criado na Amazônia peruana. Outra base com potencial militar, criada para ajudar os peruanos em caso de desastres naturais.

Esse destacamento de forças norte-americanas foi previsto pelos militares brasileiros. Já em 1947, o general Mário Travassos denunciou como as políticas aplicadas na Nicarágua e no Panamá, entre outras coisas para dominar o canal, seriam usadas na Amazônia para apreender os recursos de mineração e petróleo da Venezuela, Colômbia e Peru.

As F.A.R.C. [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] foi uma organização paramilitar organizada em guerrilha de inspiração comunista revolucionária e marxista-leninista fundada em 1964 no contexto da Guerra Fria que chegou a contar em torno de 10 mil guerrilheiros atuando por toda a região amazônica desde a Colômbia até Peru, Venezuela, Brasil, além de estar presente na Argentina e Paraguai. Foi considerada por muitos países um “grupo terrorista” e, foi tida como extinta em 2017. Créditos: Reprodução.
Análise bem-sucedida, porque o que vem sendo feito há séculos neste território são operações político-militares que buscam controlar seus recursos. As atuais pressões ambientais e pró-indígenas são fachadas diplomáticas típicas da propaganda de guerra. Todos os lados em disputa usam esses recursos da mídia para atacar seus inimigos, mas não demora muito para cometer os atos que criticam.

Em 2008, 35 multinacionais estavam presentes em 180 blocos de exploração de petróleo e gás no oeste da Amazônia. Estes cobriram mais de 688.000 km² da Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru. Mais de 2/3 da Amazônia equatoriana e peruana foram explorados, mas apenas um décimo da Amazônia colombiana. A guerra mudou isso.

Em 2019, dos 2,5 milhões de hectares de Putumayo, 2 milhões haviam sido divididos em 46 blocos de petróleo. A maioria das empresas, como a Anglo American, pertence ao conglomerado que se beneficiou do Plano Colômbia.

Mas as FARC são igualmente hipócritas; o ex-guerrilheiro, que por décadas destruiu a floresta amazônica para cultivar coca, explora o ouro (com técnicas muito mais prejudiciais que as das multinacionais) e que voou produtos petrolíferos do estado, derramando milhares de litros de óleo nos rios, agora os mesmos As FARC, transformadas em partido político, lideram comunidades de agricultores indígenas e camponeses a expulsar empresas americanas.

Por sua parte, o primeiro presidente indígena da Bolívia, Evo Morales, que baseou seu discurso na nacionalização de recursos e na defesa do modo de vida de seus irmãos nativos, não teve problemas em esmagar, com as forças do Estado, o povos indígenas que se opunham à construção de uma estrada no Território Indígena Isibiro-Sécure e no Parque Nacional (TIPNIS), um parque localizado no coração da Amazônia. Amazonas, no qual muitas concessões de hidrocarbonetos também foram distribuídas para multinacionais como Petrobras (na época de Lula) e PDVSA (na época de Chávez).

Porque é claro que a destruição do meio ambiente ou o sofrimento dos povos nativos não são muito importantes se aqueles que dominam o território são meus amigos comunistas e não os ianques.

De fato, a nacionalização de Evo terminou que, em 2019, 80% da produção boliviana de hidrocarbonetos era controlada por multinacionais, que se beneficiavam de um sistema com poucos regulamentos. O sucesso social do MAS foi financiado através da cobrança de impostos ligeiramente mais altos sobre o capitalismo selvagem, que, além de danos ambientais contínuos, devoraram reservas nacionais, mas não fizeram uma única exploração em 14 anos.

Hugo Chávez, por sua vez, tinha os Estados Unidos como seu cliente número um, uma política que Nicolas Maduro continuou até as sanções do governo Trump. Ambos permitiram que a Amazônia venezuelana fosse destruída pelos guerrilheiros das FARC (apesar do acordo de paz ainda haver divergências) e pelo ELN em busca de ouro e coltan.

No Equador, Rafael Correa, outro inimigo incansável de invasores estrangeiros, repudiava as relações com os americanos, apenas para se render a outro império. Em 2011, Correa abriu a Amazônia equatoriana à mineração e extração de petróleo. Multinacionais chinesas, porque não há nada como o capitalismo selvagem para sustentar fantasias comunistas.

Como os anglo-saxões, os chineses estão assumindo o meio ambiente e deslocando os povos indígenas. Como esperado, os nativos afetados, neste caso os Shuar, começaram a ter um conhecimento mágico no manuseio de explosivos, a ser amplamente divulgado na mídia ocidental e tem assessoria jurídica de algumas ONGs. Porque não importa quantos índios o tio Sam mata, a China é ruim.

Com os incêndios na floresta amazônica em 2019, a região voltou a ser centro das atenções mundiais. No Fórum Econômico Mundial, em Davos, Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA disse que “A riqueza da Amazônia está nas árvores, não no solo”. O painel (“Assegurando um Futuro Sustentável para a Amazônia”) também incluiu Ivan Duque, presidente da Colômbia, Jane Goodall, ambientalista renomada por seu trabalho com chimpanzés e Carlos Afonso Nobre, meteorologista brasileiro reconhecido pela sua pesquisa na Amazônia.

As mesmas potências ocidentais gritaram no céu (A ONU), quando se soube que, desde 2020, as empresas estatais de petróleo Petroperú e Petroamazonas, do Peru e Equador, respectivamente, pretendem explorar as Bacias Sagradas da Amazônia, uma região com 5 milhões de habitantes e barris de petróleo. Protestos de ambientalistas, indígenas, ONGs e governos estrangeiros estão na ordem do dia. Curiosamente, as bases americanas no Peru não sufocaram os manifestantes.

Esses países do primeiro mundo são rápidos em julgar as nações americanas por explorarem seus recursos, mas um tanto desajeitados em reconhecer suas falhas. O desmatamento na Amazônia brasileira, para produzir alimentos para exportação, tem nomes próprios. Por exemplo, a Cargill-Soy e outras multinacionais são financiadas pela Black Rock, BNP, JP Morgan Chase e HSBC, para vender seus produtos em sites como Waltmart, Stop and Shop e Costco. Nesse caso, a culpa dos incêndios é de Bolsonaro, não de empresas ocidentais honestas.

De Miterrand a Macron, foi chamado para a internacionalização da Amazônia … brasileira. E eu digo brasileira, porque a França está presente na Amazônia, graças à Guiana Francesa, que é um departamento dependente de Paris e membro da União Europeia. A elite francesa quer que o Brasil perca a soberania sobre o território amazônico, mas não quer dar o exemplo, oferecendo à comunidade internacional a sua.

Se acrescentarmos ao exposto que o Suriname, apesar de independente, está sob influência americana e holandesa e a Guiana obedece à esfera anglo-saxônica, é muito revelador que a comunidade internacional não solicite que esses pequenos Estados renunciem seus territórios. Talvez o motivo seja o mesmo porque nunca se discute a taiga.

A taiga, ou florestas boreais, é um agrupamento de florestas de coníferas que, entre outras coisas, são a maior massa florestal do mundo. Mais que a Amazônia? Sim, na verdade, é duas vezes maior. A taiga cobre mais de 16.800.000 km² e 11 países, entre os quais Estados Unidos, Canadá, Noruega e Rússia; Somente na Rússia, a taiga cobre mais de 5.600 quilômetros. A taiga armazena mais dióxido de carbono do que todas as florestas temperadas e tropicais do mundo juntas, de fato, um hectare de taiga armazena duas vezes mais CO₂ que um na Amazônia.

Picea glauca taiga, Denali Highway, Alasca. EUA. Cordilheira do Alasca em segundo plano. Créditos: LB Brubaker/NOAA

A taiga está cheia de reservas de petróleo e gás. A Noruega é o principal exportador de petróleo da Europa e o terceiro maior exportador de gás do mundo. E como estamos falando de gás, a principal fonte de extorsão de Putin, a taiga siberiana não é apenas abundante em metano, mas também em petróleo, carvão, ferro, prata, ouro e diamantes.

Minerais, metais preciosos e madeira estão entre as 10 principais exportações do Canadá, um país que é o segundo maior exportador de petróleo da América (acima do Brasil) e também exporta 90% de sua produção de papel.

O que Al Gore e Gorbachev pensariam se Jair Bolsonaro e Iván Duque lhes dissessem que precisam entregar suas florestas? Porque todos os 750.000 hectares de taiga canadense foram degradados pela exploração industrial e já perdemos a conta dos derramamentos de petróleo da Rússia e da América. Sim, é melhor internacionalizar a taiga, uma vez que não pertence a russos, canadenses ou americanos, a taiga é um Patrimônio Mundial.

Após esse período, é bom dizer que todas as atividades humanas têm impacto no meio ambiente, até mesmo a agricultura orgânica em pequena escala causa estragos. Com técnicas modernas, os recursos energéticos de mineração da Amazônia podem ser explorados com um impacto mínimo, o que não ameaça a sobrevivência de espécies nativas ou indígenas; como é bem feito no Canadá e na Noruega.

Essa febre ambiental é uma desculpa para ter poder sobre a região e as nações luso-espanholas caíram na armadilha. Traçamos um cenário da guerra fria, no qual nos aliamos a anglo-saxões, russos e chineses para enfrentar nossos vizinhos. Os poderes do Oriente e do Ocidente se beneficiam dessa balcanização da banana.

Esses recursos podem ser explorados sem prejudicar o meio ambiente e, mais importante, podemos explorá-los como um bloco de nações que aproveitam o potencial econômico para fortalecer sua própria posição geopolítica. Mais uma vez, o exército brasileiro viu além do óbvio.

O general Meira Mattos falou de uma Pan-Amazônia, na qual o Brasil e as nações hispânicas devem unir forças para proteger a Amazônia, respeitando a soberania nacional de cada país e buscando um equilíbrio entre a exploração de recursos e o cuidado ambiental. Ele propôs formar três pólos de referência geográfica. O sistema Solimões-Juruá, que incluía o Brasil, Colômbia e Peru; o sistema Negro-Branco, no território do Brasil, Guiana, Venezuela e Colômbia e, finalmente, os sistemas Madeira e Purus, que incluíam Brasil, Peru e Bolívia.

Essas ideias andam de mãos dadas com as de Golbery do Couto e Silva, que procuravam criar um coração na Amazônia, e com Arthur Cezar Ferrerira Reis, que entendeu que os recursos agrícolas e minerais do território garantiriam o desenvolvimento da humanidade.

Avançando um pouco além do que os militares disseram, o domínio desse território permitiria uma futura integração fluvial sul-americana, na qual, com muita engenharia, poderiam ser integrados os rios Orinoco, Negro, Amazonas, Madeira, Paraguai, Tietê, Paraná e da Prata. O que conectaria o subcontinente de ponta a ponta; garantindo um nível de prosperidade política e econômica digno das nações europeias.

Como colombiano, sinto que a Espanha é minha pátria e estou convencido de que as nações hispânicas não sobreviverão se não agirem como a família que são. Também acredito firmemente que a única maneira de garantir o atlanticismo do sul, que nos protege da loucura anglo-chinesa, é trabalhar, como amigos, com o mundo português; na Península Ibérica com Portugal e na América com o Brasil.

Durante séculos, espanhóis e portugueses lutaram em guerras fratricidas. Acredito que, como seus descendentes americanos, é nosso dever não repetir a história. Nós devemos cooperar para nossa própria felicidade; não como lacaios de Washington, Pequim e Moscou, mas como ibéricos que encontraram sua terra prometida na América.

Da Colômbia,

Carlos Arturo Calderón Muñoz

Carlos Arturo Calderón Muñoz
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