A ilusão conservadora

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Certas figuras típicas — como Kogos, Justus, Hang, e a lista segue imensa — são tão desprezíveis, são de uma “humanidade” tão deformada, que fazem desejar que as “hordas orientais” caiam mesmo sobre o “Ocidente”, e logo! Para reduzi-las a pó, e a todas as suas sementes, de uma vez por todas.

Parece-me que uma das grandes tragédias dos “tradicionalistas” ocidentais, cristãos ou não, mas especialmente cristãos (do tipo “Deus Vult”), e já sei que irão discordar, reside justamente no que consideram uma “vitória”: eles acham que, por terem se livrado da “ameaça vermelha”, conseguiram salvar sua cultura, tradição ou religião. Mas basta olhar em volta. Um dos períodos de maior degradação moral da história do Brasil coincide com o período da Ditadura: parabéns! Livraram-nos da “ameaça comunista”. Os governos conservadores, até hoje, não conservaram nada, a não ser a ilusão da conservação; nem para embalsamar a sociedade eles serviram: o odor pútrido denuncia sua incompetência; nem o “corpo”, isto é, a parte exterior, “institucional”, da sociedade, conseguiram conservar. A ilusão conservadora é ainda mais perigosa que a honestidade subversiva; é tão ou mais perigosa que a destruição pura, honesta, explícita: porque mantém os “tradicionalistas” sob controle, entretidos com inimigos distantes e externos, enquanto é por dentro que os vermes fazem seu trabalho. Nada como o fantasma da ameaça externa para ocultar a dilapidação interna.

A experiência recente das Direitas ocidentais ensina que um regime hipócrita é ainda pior que um regime declaradamente subversivo. Uma conservação enganadora e uma destruição honesta são igualmente satânicas.

Há poucas semanas, vi “conservadores” brasileiros comemorando nas redes sociais. Por que? O presidente dos EUA, Donald Trump, participaria de uma marcha anti-aborto. Ó, que “grande” glória! É de dar pena… Todas as “glórias” do atual governo brasileiro são também assim: meramente “simbólicas” (e de um simbolismo superficial e ineficaz, que serve apenas para excitação da base).

O tipo revolucionário sempre será superior ao tipo conservador. Aquele está ao menos consciente da inépcia das instituições, e quer colocar a roda da história para girar, tirá-la do atoleiro em que se meteu. Quer uma mudança total, não reformazinhas. Quer vitórias verdadeiras, não vitórias de fachada.

A roda da história irá girar novamente. E, como toda roda, mesmo que demore mil anos, irá reencontrar seu ponto de partida, a Tradição. Mas quando acontecer, quando voltar a se mover, e talvez seja em breve, não será uma cena muito agradável aos “conservadores”…

Fonte: Medium – Carlos Alberto Sanches

Publicado originalmente em 29 de março de 2020

DISPONÍVEL NA LIVRARIA SENTINELA

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3 thoughts on “A ilusão conservadora”

  1. Em qualquer época ou lugar até cego consegue ver que em gestões comunistas são feudalistas e escravagistas, corroboradas por abissais desigualdades sociais, exacerbada população carcerária e serviços públicos precários ou inexistentes. O Brasil sempre foi esquerda, mesmo no período militar, visto que a maior patente militar é a maçonaria – mãe do comunismo.

    Getúlio Vargas foi o único gestor de direita; copiou as leis trabalhistas de Mussolini, https://www.youtube.com/watch?v=MxjXjM5R6rA&t=162s e sem nenhum fundamento solapadas por Paulo Guedes o que evidencia que este governo e os antecessores são farinha do mesmo saco a serviço do grande capital – pai do comunismo.

    O mundo está espiritualmente, moralmente, economicamente, ambientalmente podre porque a Alemanha perdeu a guerra. https://nationalvanguard.org/2019/11/we-fought-on-the-wrong-side/#comment-27638

    TODOS PERDEMOS https://nationalvanguard.org/2020/03/we-all-lost/

  2. Por isso os americanos tinham criado a “alt-right” (direita alternativa), onde o foco era o país EUA/americanos – e não Economia/Israel.

    Hoje os EUA chama como “a direita” uma mistura de economia e Israel, e do outro lado colocam pessoas bizarras e chamam de “a esquerda”.

    A falsa ‘direita’ foi inserida pelos EUA no Brasil na forma de Olavo/VEJA/Bolsonaro/MBL etc – enquanto isso patriotas opositores de tudo isso como Enéas, Gustavo Barroso, etc foram ‘enterrados’ para ninguém achar.

    Mas cedo ou tarde a verdade aparece – não tem jeito.

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