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Ocorreu-me que as metamorfoses de que fala Zaratustra — camelo, leão e criança — podem ser ilustradas da seguinte forma.

Camelo: “Quero corcovas grandes e largas, para que nelas caiba todo o ‘tesouro da humanidade’. Quero nelas o peso de todas as civilizações. Tudo o que for solene, tudo o que for pesado, quero pôr sobre as minhas costas. Quero empilhar livros sobre livros até minhas patas afundarem na areia; até que meus joelhos vacilem e eu me dobre e continue eternamente dobrado sob as ordens de meus mestres. O mundo é carga”.

Leão: “Quero uma boca imensa para engolir tudo o que existe; tenho apetite de conquistas. As caravanas mentem. E é estreito o universo dos que andam em linha reta. É melhor ser um rei no deserto do que servo nos acampamentos. Não sirvo a ninguém. Repudio a obediência, a virtude dos camelos. Matei meus mestres. Sei pensar por mim mesmo. O mundo é guerra”.

Criança: “O tempo é meu brinquedo [*Heráclito]. Não há que levar a vida realmente a sério, e há que levá-la realmente a sério: maturidade é o reencontro com a seriedade das brincadeiras de infância. Não há razão para chorar, não há razão para exultar; e há razão para chorar e exultar. Vivo além do eterno sim do camelo e do eterno não do leão. Mestre e discípulo: máscaras minhas; e levo a sério este teatro, porque quero levá-lo a sério. O mundo é um jardim”.


Fonte: Medium

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