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Carlos Alberto Sanches: O lockdown e seus neuróticos anônimos

Há uma força tarefa na cidade, envolvendo a Fiscalização de Posturas Municipais, Vigilância Sanitária e Ministério Público para multar e lacrar os estabelecimentos que estão descumprindo com o decreto, porém o foco são as academias de musculação, devido às denúncias que estão sendo feitas contra elas.

Isto me encoleriza, não só por estar ocorrendo justo agora que decidi pegar firme nos “treinos”. Academia é serviço praticamente essencial. Claro que uma pessoa pode se exercitar na praça, na rua, em qualquer lugar, mas não se pode desconsiderar o efeito “psicológico” que a academia tem em seus frequentadores (algo até muito além da “liberação de serotonina”), benefício nada dispensável em um contexto de restrições que tende a gerar uma epidemia de depressão (“um segundo deserto sobre o deserto”, sempre quis usar essa expressão).

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O que me encoleriza duplamente são as denúncias. Elas deixam claro que a questão não pode ser reduzida ao discurso (conveniente) que responsabiliza o “Estado” assim tão simploriamente. Os liberais tendem a utilizar esses casos de fiscalização, controle e repressão como provas ou retratos da “opressão do Estado”, mas é a população mesma que, através da avalanche de propaganda que inclui as grandes e influentes marcas do setor privado, inculcou o discurso do Confinamento em um nível patológico e neurótico, ao ponto de sujeitinhos (dos quais consigo imaginar a típica silhueta e a típica fisionomia) se acharem no direito soberano de privar os outros do que para eles é importante — mais importante do que uma vida de medo e reclusão.

Os entusiastas do Confinamento são ingênuos. Acham que essas medidas serão suspensas ou abolidas tão logo o vírus esteja “sob controle”. Não percebem que existe uma administração neuro-política e bio-política do Risco, da medição do Risco, da sensação do Risco. No Brasil, pelo menos, isto é muito, muito evidente.

Não me parece mais o caso de dizer: “Espere um pouco, logo tudo voltará ao normal”. E sim de dizer, por mais paradoxal que seja: “Eu decido viver. Não apenas sobreviver.”


Fonte: Medium – Carlos Alberto Sanches


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