O caso Josef Mengele: Fim de um mito

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Em 2017, alguns arquivos “top secret” do Mossad (Instituto para Inteligência e Operações Especiais –  serviço secreto do Estado de Israel) com sede em Tel Aviv, sobre as tentativas frustradas da agência de espionagem de capturar o Dr. Josef Mengele estão agora disponíveis para o público.

Os relatórios, fotografias e mapas do codinome “Arquivo Meltzer” sobre a perseguição do homem injustamente chamado de “Anjo da Morte” estão entre os três volumes reunidos pela unidade de história do Mossad sobre operações de vingança contra os nacional-socialistas alemães de 1959 a 1991.

Os documentos foram recentemente passados ​​pelo Mossad para o Yad Vashem; sua publicação marcará a primeira vez que a agência de inteligência de Israel está divulgando publicamente esses arquivos, em reconhecimento à importância histórica de seu conteúdo.

O autor do estudo é Yosef Chen, 81 anos, um judeu nascido na Polônia que foi para Israel no navio Exodus em 1947 e se juntou ao Mossad em 1976. Ele passou os últimos sete a oito anos trabalhando neste livro.
Um dos documentos, vistos pela publicação irmã do jornal The Jerusalem Post, Maariv, contém a conclusão da reunião secreta do gabinete chamado pelo então primeiro ministro Menachem Begin em 1977: “Decidimos instruir o Mossad a renovar a busca por criminosos de guerra nazistas. , especialmente Joseph Mengele, com vista a levá-los a julgamento em Israel. Se eles não puderem ser levados a julgamento – mate-os.”

De acordo com Yediot Aharonot, o arquivo descreve escutas telefônicas e esquemas complicados para tentar rastrear Mengele. Em uma dessas operações, os agentes do Mossad acreditavam que estavam perto de capturá-lo – uma conta que já era conhecida, mas nunca antes confirmada pelo Mossad.

Em 1962, o agente do Mossad, Zvi Aharoni, e sua equipe localizaram um homem no Brasil que eles acreditavam ser Mengele; no entanto, eles nunca receberam autorização para agir.

Várias razões são dadas por que o então diretor da Mossad, Isser Harel, decidiu suspender a operação na época, incluindo preocupações operacionais, políticas e orçamentárias. Mas a razão era que o suspeito aparentemente não era Mengele.

“Eles viram alguém que pensaram ser ele. Havia alguém que estava mais certo de que era ele e outra pessoa que estava menos certa e não estava totalmente claro se era ele. De qualquer forma, você não pode fazer nada à primeira vista. Você tem que reunir todas as informações e verificar todas as possibilidades e depois decidir o que fazer”, disse ele, afirmando que esse procedimento foi seguido. “Alguém pensou que era ele e no final do dia, aparentemente não era ele”, enfatizando a palavra “aparentemente”.

“Mas não podemos dizer com certeza se era ou não ele. É correto que fosse suspeito. Muitos anos e muitas tentativas foram feitas para prender Mengele e é uma pena que eles não tenham alcançado o objetivo desejado”, acrescentou Chen, embora tenha enfatizado que não foi por falta de tentativas.

“Todos os caminhos levam a Roma. Não há nenhum caminho que eles não tentaram… Houve uma certa dificuldade porque eles não sabiam exatamente onde ele estava”, disse ele, acrescentando que, em retrospectiva, eles sabiam que ele estava no Brasil, mas a maioria dos esforços de busca em nessa área era para Adolf Eichmann, a quem o Mossad capturou em 1960 na Argentina.

“Para Eichmann, eles tinham informações mais precisas. Uma das principais razões, creio, foi que Mengele protegido de sua família rica – sua família na Alemanha que sabia muito bem onde ele estava o ajudou financeiramente e o ajudou a encontrar abrigo e deu excelente apoio financeiro àqueles que o ajudaram a se esconder. e isso ajudou muito. Mas para nossa felicidade sabemos que ele viveu como um cachorro sendo caçado – ele estava escondido por dezenas de anos com medo de que fosse encontrado”, disse Chen.

Outros enredos detalhados no livro, como relatado por Yediot Aharonot, envolveram tentativas em 1983 de rastrear Mengele através de seu filho Rolf, que vivia em Berlim Ocidental. Um plano era ouvir um telefonema antecipado entre o pai e o filho de seu aniversário compartilhado. Mas nenhum plano funcionou desde que Mengele morrera quatro anos antes.

Chen falou dos “grandes comprimentos” que foram perseguidos pelos nacional-socialistas alemães, no entanto, parece que o Mossad teve comparativamente poucas vitórias. Sem querer usar o termo “fracasso” quando questionado sobre isso, Chen diz que:

“…Em todos os casos em que o objetivo não é alcançado, isso não é um sucesso – e o objetivo não foi alcançado, pelo menos não com Mengele. Com Eichmann era… Claro que havia mais [nacional-socialistas], mas Israel não podia correr atrás de todos eles”.

Grande parte da vida de Mengele continua sendo um mistério. Após a queda de Hitler, Mengele teria fugido para Buenos Aires, onde acredita-se que ele tenha vivido por uma década. Depois que os agentes do Mossad se aproximaram de sua localização, ele supostamente viajou para o Paraguai e depois para o Brasil.

Ele se afogou na costa de São Paulo, Brasil, em 1979, depois de passar anos fugindo dos agentes da Mossad. Ele teria sido enterrado em um cemitério brasileiro sob um nome falso. Mas as investigações logo conectaram Mengele à sua lápide e uma exumação foi ordenada para provar sua identidade.

Os ossos de Mengele estão sendo usados ​​por estudantes da Universidade de São Paulo para coletar informações sobre a vida dele fugindo das autoridades. Os ossos não foram reclamados no necrotério de São Paulo – o Instituto Médico Legal – durante anos, até que o médico forense Daniel Munóz achou que eles seriam bons usar em seu curso universitário.

Qual foi o crime do Dr. Mengele?

O italiano Carlo Mattogno analisou em 2006 um artigo sobre o Dr. Mengele, onde eram descritos seus supostos crimes realizados em Auschwitz. Diante das provas documentais e ponderando os testemunhos das partes, ele chega a uma conclusão inacreditável.

Helena Kubica, pesquisadora do Museu de Auschwitz, publicou um longo artigo sob o título “Dr. Mengele e seus crimes no Campo de Concentração de Auschwitz-Birkenau”. À procura por provas documentais para os supostos experimentos criminosos de Mengele em gêmeos, a autora vasculhou diversos documentos sobre as atividades que estavam guardados no arquivo do Museu.

Mengele mandou construir um Jardim da Infância

Dr. Mengele iniciou suas atividades em Auschwitz a 30 de maio de 1943. Seu superior direto, o médico SS Dr. Eduard Wirths, nomeou-o como médico do chamado “Campo das famílias de ciganos”, na área BIIe de Birkenau. [1] Mengele interessou-se principalmente pelo estudo de gêmeos, especialmente crianças, e organizou em seguida para isso uma sala de recepção:

“Na área do campo dos ciganos, ele mandou construir nos barracos 29 e 31 um Jardim da Infância – uma espécie de creche e pré-escola, onde vieram não apenas as crianças que estavam sob sua observação [elas habitavam o barraco 31], mas também as crianças ciganas até 6 anos. Ao todo, algumas centenas de crianças permaneciam no Jardim da Infância entre 8 e 14 horas, e eram assistidas por várias prisioneiras […].

Os barracos usados como Jardim da Infância estavam em melhor estado do que o resto, pintados internamente, decorados com quadros coloridos que representavam cenas de lendas e contos.

Por um curto período, as crianças que ali viviam recebiam um tratamento melhor – leite, manteiga, pão branco, sopa de carne, até bolo e chocolate […]. A área atrás do barraco 31 foi cercada, ali se construiu um parquinho para as crianças com caixa de areia, carrossel, balanço e barras”. (Pág. 381)

Para H. Kubica, tudo isso servia exclusivamente para “fins de propaganda” (pág. 381), pergunta-se apenas – para quem – uma vez que em Auschwitz não tinha qualquer platéia exceto os detentos. E a inacreditável e rica instalação, e justamente para um Campo de Concentração – como mencionado pela antiga detenta Anna Lipka (pág. 389) – era muito boa para as crianças para ser usada somente com “fins de propaganda”.

Esta descrição não está naturalmente em ressonância com os indescritíveis crimes que pesam contra Dr. Mengele, mas H. Kubica tem na manga uma “prova” decisiva.

No verão de 1943, assolou no Campo dos ciganos uma epidemia de Noma Cancrum Oris (ulceração bacteriológica do tecido da face); aqui trata-se de uma úlcera que ataca principalmente crianças. Por ordem do Dr. Mengele, os doentes foram levados para um barraco isolado na área do hospital no Campo dos ciganos, como H. Kubica nos assegura:

“Algumas das crianças adoecidas pela Noma, também por ordem do Dr. Mengele, foram mortas e seus cadáveres foram levados para o Instituto de Higiene da SS, em Rajsko, para fins de estudos histopatológicos. Foram feitos preparados com cada um dos órgãos, conservava-se até crânios inteiros em vidros, também para a Academia de Medicina da SS em Graz”. (pág. 379)

Da observação correspondente, vê-se que toda a questão se apóia exclusivamente em testemunhos do pós-guerra. Neste contexto, a autora menciona um único documento que é mostrado na página 394. Trata-se do protocolo de envio de uma “cabeça de um cadáver” de uma “criança de 12 anos de idade”, endereçada ao Instituto de Higiene em Rajsko, Departamento para Higiene e Bactereologia. [2]

Nada se sabe sobre a causa da morte; a única coisa certa é que esta solicitação para exame veio do Hospital H do Campo dos ciganos em Auschwitz II, BIIe”, ou seja, do hospital do campo dos ciganos. Está claro que a explicação de H. Kubica foi inventada. A ulceração facial (noma faciei ou cancrum oris) é uma doença que destrói o tecido facial e bucal. Hoje ela atinge principalmente crianças entre 2 e 16 anos, na África, ao sul do Saara. Sem tratamento adequado, ela é mortal em 70% a 90% dos casos. [3]

Pode-se então assumir razoavelmente que a mortalidade dos pequeninos ciganos adoecidos pela noma, em Birkenau entre 1943-44, era ainda muito maior. No ano de 1943, morreram 2.587 crianças com menos de 10 anos, no campo dos ciganos. Este número compreendia também praticamente todos que pegaram a doença. [4]

Solicitação de exame: única prova documental contra Mengele

Mas por que foi necessário matar as crianças que se recusavam a morrer pela doença? A esta pergunta retórica, H. Kubica nos fornece a esperada resposta, onde ela apresentou o depoimento do Dr. Jan Cespiva, que trabalhou no hospital do campo dos ciganos como assistente:

“Assolou-nos a Noma. Com ela caiam pedaços inteiros de carne, e também os queixos foram atingidos. Tal ulceração facial, como o que aconteceu por lá, eu nunca tinha visto. Os crânios das crianças mortas foram preparadas para a Academia SS em Graz. Eu sei disso, pois nós escrevemos os endereços. As cabeças foram conservadas em formaldeído, os corpos para o crematório III”. (pág. 379)

Assim está claro que as crianças morreram de Noma, e os médicos alemães esperavam que as pesquisas das cabeças das crianças mortas por essa doença pudessem revelar o tratamento esperado.

Provas inadequadas do crime

Esta solicitação para um exame histológico é a única “prova” documental para o “crime” de Dr. Mengele, que se encontra no arquivo do Museu de Auschwitz! Isso não é muito para o “Anjo da morte” de Auschwitz, e H. Kubica está ciente disto. Ela se apóia então, em última instância, na “testemunha ocular” Miklos Nyisli, sobre o qual nós retornaremos.

Após ele ter mandado construir os “Jardins da Infância” mencionados, Dr. Mengele erigiu um “laboratório para experimentos” – em outras palavras a cova do leão – onde ele conduzia “as pesquisas no campo do nascimento de gêmeos e das anomalias de nascença” (pág. 380). Como chefe do laboratório, ele colocou Dr. Bertold Epstein, de Praga. Seu ajudante ou assistente era um outro médico tcheco, Dr. Rudolf Weiskopf (Vitek) (pág. 379). No laboratório trabalhavam ainda dois detentos, a antropóloga polonesa Dr. Martyna Puzina (pág. 390) e a pintora tcheca Dinah Gottliebova, responsável pelos desenhos das partes dos corpos das crianças examinadas (pág. 396).

O trabalho no “laboratório para experimentos” está bem documentado:

“No arquivo do Museu de Auschwitz-Birkenau estão inúmeros documentos com assinatura de Dr. Mengele, como ordens para proceder análises no Instituto de Higiene”. (pág. 397)

Nenhum destes documentos, todavia, provam as supostas atividades criminosas de Dr. Mengele. Isso não é nada surpreendente, quando se observa as atividades em seu laboratório:

“De acordo com os relatos dos detentos funcionais no bloco dos gêmeos, assim como dos relatórios dos próprios gêmeos, cada um dos pares de gêmeos foram submetidos a diferentes exames através do Dr. Mengele, que representavam o ponto de partida para a execução neles das mais diferentes experiências. Em geral, foi dito a eles que iriam se submeter a exames antropométricos, morfológicos, psiquiátricos e de Raio-X. Os exames antropológicos foram realizados inicialmente no laboratório de Dr. Mengele, na sauna do campo dos ciganos. Em novembro de 1944, este laboratório foi transferido para o barraco 15 na área de enfermos masculinos (BIIf). No exame, cada parte do corpo foi medida exatamente, e os gêmeos foram medidos aos pares e os resultados comparados entre si. Na documentação, foram anotadas as formas da boca, do nariz, das orelhas, da cor dos olhos e da pele de cada um.” (pág. 390)

Portanto nenhuma conduta criminosa, e pode-se entender facilmente qual era a tarefa de M. Puzina e D. Gottliebova – estudos antropométricos e desenhos anatômicos.

H. Kubica continua a dizer:

“Toda a documentação dos exames, isto é, fotografias, desenhos, descrição e resultados das análises, foram guardadas em pastas para cada um dos examinados”. (pág. 403)

Alguns destes documentos também foram publicados. Apesar de uma fonte tão rica, ela lembra:

“Infelizmente não puderam ser encontrados qualquer documento que indiquem quantos gêmeos ciganos passaram pelo laboratório do Dr. Mengele.” (pág. 382)

Algumas páginas depois, a autora polonesa confirma:

“No arquivo do Museu Nacional de Auschwitz, encontra-se entre outros, um documento que contém os dados pessoais assim como dados dos exames antropológicos de 295 prisioneiras – judias gregas, húngaras, holandesas, francesas e italianas, nas quais Dr. Mengele conduziu suas experiências. Neste cadastro, se encontram também gêmeos judeus húngaros, em número de 117 que se encontravam na área do campo feminino. O que concerne ao número de gêmeos masculinos no barraco 15 do BIIf, então nós sabemos do relato de um gêmeo, que lá haviam 107 na idade entre 4 e 60 anos”. (pág. 387)

Ou seja, estavam à disposição de Dr. Mengele, oficialmente, entre 402 e 412 gêmeos. Qual foi seu destino?
Uma frase do diário, que H. Kubica não menciona, encontra-se entretanto sob o título “Atividades” para o campo dos homens em Birkenau [5] no Museu de Auschwitz e contém para o período de 28 de julho até 3 de outubro de 1944 (completo somente para o mês de agosto) a rubrica “Gêmeos para fins de experimento”.

Nas 35 folhas que contém, é indicado o número 49, uma constante. Ao longo de dois meses não houve aqui qualquer variação. Pode-se então concluir que não houve uma alteração do “mar de infelizes” e a coisa se desenvolveu em torno dos “exames antropométricos, morfológicos, psiquiátricos e de Raios-X”.

H. Kubica afirma também que os destinos destes gêmeos eram bastante distintos:

“A última etapa dos exames para muitos pares de gêmeos ou simples pessoas eram as análises dos próprios órgãos do corpo durante a autópsia. Para este fim, as pessoas foram mortas a mando do Dr. Mengele ou por ele mesmo, muitas vezes através da injeção de fenol no coração, os cadáveres foram para o prosektorium [dissecação]”. (pág. 404)

A pesquisadora polonesa revela aqui sua testemunha decisiva: ninguém menos que Miklos Nyiszli, este notório mentiroso que em 1946 escreveu, o crematório II e III tinham 15 fornos cada e quatro chaminés, os crematórios em Birkenau tinham capacidade diária para 20.000 cadáveres, os crematórios se encontravam a cerca de 2 km do campo, “Kanada” não seria um campo de efeito, mas sim um lixão que queimava continuamente! [6] Miklos Nyiszli, este espertalhão alucinado, que publicou em um jornal húngaro o relato totalmente inventado de seu depoimento no processo da IG-Farben, que nunca ocorreu! [7]

Toda a história dos “crimes” do Dr. Mengele provém deste maluco. Apesar das mentiras absurdas que ele trouxe à luz, ele é muito respeitado pela historiografia oficial, mas num tipo de esquizofrenia receosa somente em relação às acusações contra o Dr. Mengele. Seu depoimento forma a coluna dorsal de cada livro que aborda este tema, começando por aquele de Gerald L. Posner e John Ware sobre Dr. Mengele, [8] um dos mais importantes e também citado por H. Kubica. Ambos autores citam Nyiszli nas páginas 19, 20, 26, 33, 34, 38, 39, 40, 51 e 152. Praticamente todo o capítulo sobre os “crimes” de Dr. Mengele em Auschwitz foi construído sobre seu “testemunho”! H. Kubica faz o mesmo. Ela até apresenta sua fotografia (pág. 385) e o cita várias vezes (pág. 378, 384, 404, 405 e 408).

Por outro lado, os “crimes” do Dr. Mengele não são comprovados por qualquer documento, ao contrário, eles se auto-extinguem nas mentiras através de fatos incontestáveis. No relatório da primeira autópsia de um par de gêmeos que foi realizada supostamente por ele, Nyiszli escreve: [9]

“Meus joelhos tremem de excitação. Eu descobri o segredo médico mais profundo do Terceiro Reich. Aqui não é exterminado somente com gás, mas também com clorofórmio injetado no coração!”

Se isso fosse verdade, então Dr. Mengele teria previsto liquidar todas as testemunhas de sua suposta atividade criminosa – desde seus colegas até os gêmeos – antes de sua partida de Auschwitz, em 17 de janeiro de 1945. Tempo para isso não teria lhe faltado! Ao invés disso, ele deixou vivas todas “testemunhas” de seu suposto crime:

– Dr. Bertold Epstein foi um dos consignatários do famoso apelo dos antigos detentos de Auschwitz em 4 de março de 1945 [10]

– Dr. Rudolf Weiskopf foi libertado em Bergen-Belsen [11]

– Martyna Puzina forneceu uma entrevista em junho de 1985 para G. L. Posner e J. Ware [12]

– Dinah Gottliebova mudou-se no ano de 1947 para os EUA, onde vive até hoje [13]

– Miklos Nyiszli, a alegada “testemunha principal”, que quer ser o médico dos chamados “Sonderkommandos” (Comandos Especiais) dos crematórios e ao mesmo tempo iniciado no “terrível segredo” dos gaseamentos em massa, também foi tranquilamente deixado vivo.

Mas o que aconteceu com os gêmeos? Qual o destino das vítimas das “experiências” do Dr. Mengele? Elas foram assassinadas? Muito pelo contrário…Inúmeros sobreviventes. H. Kubica nos informa que em 1984, eles eram ainda tão numerosos que podiam até fundar uma associação:

“No ano de 1984, as vítimas das experiências do Dr. Mengele, que viviam nos campos como crianças, criaram a organização Children of Auschwitz Nazi Deadly Lab Experiment Survivors (CANDLES), que tinha a missão de documentar os crimes do Dr. Mengele, informar o mundo sobre isso e capturar o “anjo da morte” e colocá-lo diante do tribunal”.

A associação compreendia quase 400 gêmeos de Auschwitz. [14] H. Kubica também apresenta uma lista de gêmeos de Auschwitz que compreende mas de 320 nomes (pág. 437-455).

Trata-se na maioria dos casos de gêmeos, mas também daquelas que não eram, como as irmãs Tatiana Liliana e Alessandra Bucci. Ambas foram deportadas para Auschwitz em 29 de março de 1943. A primeira nascida a 19 de setembro de 1937, registrada sob o número 76484, e a segunda nascida a 1 de julho de 1939 e recebeu o número 76483. [15]

Da mesma forma Luigi Ferri, nascido a 9/09/1932, deportado em agosto de 1944 e registrado com o número B-7525. [16] Sergio de Simone, nascido em Nápoles a 29 de novembro de 1937 foi deportado aos seis anos de idade, a 29 de março de 1944, para Auschwitz e foi registrado sob número 179614. [17]

Nenhum historiador foi ainda capaz de explicar por que estas crianças não foram gaseadas imediatamente na sua chegada ao campo. Na realidade, isso não é nenhuma surpresa, pois somente no campo dos homens de Birkenau, encontravam-se ainda a 16 de janeiro de 1945 cerca de 700 “jovens até 18 anos”, assim como 400 “inválidos”. [18] Quando os soviéticos chegaram, existiam ainda em Birkenau 205 crianças com alguns meses até 15 anos, principalmente gêmeos. [19]

Os três documentos citados – a lista da organização CANDLES, a lista em posse de H. Kubica e a lista soviética dos detentos libertados em 1945 [20] – permitem montar uma lista de 543 gêmeos que passaram por Auschwitz [21]: destes sobreviveram 376 até a libertação, mas 4 morreram nos meses seguintes, um morreu durante a evacuação a 27 de janeiro de 1945 e 12 morreram durante a permanência no campo; sobre o restante 154 não há qualquer informação.

Somente em três casos, H. Kubica escreveu: “Morreu no campo em consequência das experiências realizadas” (pág. 442, 449, 451), este foram então as vítimas do Dr. Mengele, mas não é necessário mencionar que aqui não há qualquer prova.

No final das contas, a coisa se apresenta assim: os supostos crimes do Dr. Mengele não são corroborados por nenhum documento. De nenhum documento pode-se assumir que Mengele matou ou mandou matar crianças. O depoimento mais importante e único vem de uma testemunha que era um fantástico mentiroso. Os colegas mais próximos do Dr. Mengele, incluindo as testemunhas principais, permaneceram vivas, assim como pelo menos 543 de suas “vítimas”: como pode-se então acreditar na história do “Anjo da Morte”?

Fonte: Inacreditável

Notas:

[1] “Hefte von Auschwitz”. Verlag Staatliches Auschwitz-Museum, 20, 1997, pág. 369–455, hier pág. 376

[2] Veja documento 1.

[3] AAVV, Noma (cancrum oris): questions and answers. www.munksgaard.dk/pdf/117pdfnsf/all/521440/$FILE/odi0050211.pdf

[4] Th. Grotus, J. Parcer, Avaliação dos dados de óbito, em: Obituários de Auschwitz. Edição do Museu Nacional de Auschwitz-Birkenau. K.G.Saur. Munique, New Providence, London, Paris 1995, pág. 248.

[5] APMO (Archiwum Pastwowego Muzeum w Owicimiu), D-AuI-3/1; D-AuII-3a/16; D-AuII-3a/25–49.

[6] Veja meu estudo “Medico ad Auschwitz: anatomia di un falso” [Médico em Auschwitz: Anatomia de uma falsificação] (Edizioni La Sfinge, Parma 1988), onde eu descobri 120 erros geográficos e topográficos, falsificações históricas e técnicas, erros cronológicos, contradições cronológicas e internas, diversas invenções etc, nos “testemunhos” de Miklos Nyiszli

[7] Detalhes em meu artigo Vulgar golpista profissional, em: VffG, 6. Jg., Heft 2, Juni 2002, pág. 231–232.

[8] G-Hill Book Company. New York 1986

[9] M. Nyiszli, Im Jenseits der Menschlichkeit. Ein Gerichtsmediziner in Auschwitz. Dietz Verlag, Berlin 1992, pág. 45.

[10] L. Posner, J. Ware, Mengele. The complete story. MacGraw “An die internationale Öffentlichkeit”, Auschwitz, 4 de março de 1945. GARF (Gosudarstvenni Archiv Rossiskoi Federatsii, Moskau), 7021-108-46, s. 11, com assinatura de B. Epstein.

[11] Terezínská pamtní kniha. Terezínská Iniciativa, Melantrich 1995, Bd. I, pág. 333.

[12] G.L. Posner, J. Ware, Mengele. The complete story, op. cit, pág. 329.

[13] Veja sua resumida biografia em: http://lastexpression.northwestern.edu/Bios/biogottliebovatop.html.

[14] www.candles-museum.com/Twinlist.htm

[15] L. Picciotto Fargion, Il libro della memoria. Gli Ebrei deportati dall’Italia (1943–1945). Mursia Editore, Torino 1991, pág. 157.

[16] idem, pág.266

[17] idem, pág.217

[18] Atividade para o dai 16 de janeiro de 1945. RGVA (Rossiiskii Gosudarstvennii Vojennii Archiv, Moskau), 502-1-67, pág. 17a.

[19] Veja Tabela 1

[20] GARF, 7021-108

[21] Veja Tabela 2

Referencias:

ZIEVE, Tamara. Mossad to release secret files about Nazi ‘Angel of Death‘ Mengele: Much of Mengele‘s life remains a mystery. After the fall of Hitler, Mengele reportedly fled to Buenos Aires where he is believed to have lived for a decade.. The Jerusalem Post, [S. l.], 5 set. 2017. News, Israeli Politics, p. 1. Disponível em: https://www.jpost.com/Israel-News/Politics-And-Diplomacy/Mossad-to-release-secret-files-about-Nazi-Angel-of-Death-Mengele-504269. Acesso em: 19 maio 2018.

MATTOGNO, Carlo. Dr. Mengele und die Zwillinge von Auschwitz. VffG, [S. l.], 9 jan 2005. Folhetos trimestrais para pesquisa de história livre, p. 51-68. Disponível em: http://www.vho.org/VffG/2005/1/Mattogno51-68.html. Acesso em: 19 maio 2018.

Carlo Mattogno
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