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Candidata egípcia irrita feministas ao glorificar o patriarcado

Uma candidata concorrente nas eleições legislativas do Egito glorificou os homens e o sistema patriarcal, aumentando a ira das feministas em todo o país.

CAIRO – Uma candidata às eleições de 24 a 25 de outubro para a Câmara dos Deputados do Egito foi atacada por glorificar o patriarcado e rebater a ideologia feminista.

Wafaa Salaheddine, que concorreu sem partido na província de Menoufia, no Delta do Nilo, diz que as mulheres devem servir aos maridos.

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Salaheddine, que não é casada, não tem nada contra a praticada hoje criticada no mundo muçulmano  de alguns homens se casarem com mais de uma mulher.

Isso está tocando um ponto nevrálgico das feministas do país, que há muito lutam para mudar os estereótipos sobre as mulheres. A afirmativa feminista é de que pessoas como Salaheddine, estão “deixando de lado a luta das mulheres” pela igualdade em uma sociedade que se acostumou a considerá-las inferiores aos homens e membros marginais da família.

“Pessoas como essa candidata são perigosas porque podem alcançar um grande número de pessoas”, disse ao Al-Monitor Nehad Abul Qomsan, chefe da organização não governamental local Centro Egípcio pelos Direitos da Mulher. “Ela espalha ódio contra as mulheres, embora possa representar essas mulheres no parlamento se ganhar as eleições.”

Salaheddine usa seu canal no YouTube para divulgar seu programa e chegar aos eleitores em seu círculo eleitoral. Um vídeo no canal a mostra conversando com um de seus constituintes e prometendo resolver os problemas que ele e outros constituintes enfrentam, incluindo desemprego galopante.

De certa forma, Salaheddine representa uma tendência crescente no Egito, que reverencia o patriarcado e apoia a poligamia.

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Existem muitos ícones dessa tendência agora e – surpreendentemente – a maioria deles são mulheres. Uma delas, Mona Aboshanab, uma figura da mídia do país, argumenta que apenas covardes se abstêm de se casar com mais de uma mulher ao mesmo tempo. Ela até encoraja os pais e membros masculinos da família a impor seu controle total sobre os membros femininos.

Essa forma de pensar anda de mãos dadas com uma antiga tradição egípcia de considerar as mulheres seguidoras dos homens.

Essa tradição é detalhada nas obras do ganhador do Nobel egípcio Naguib Mahfouz, especialmente na Trilogia do Cairo, cuja primeira parte, “Palace Walk” – uma história sobre a estrutura das famílias egípcias e o domínio patriarcal no século passado – destaca a longa luta das mulheres egípcias que precisavam subir no palco para serem vistas como membros iguais da sociedade.

A luta contra o domínio masculino parece ter alcançado um nível mais alto com o surgimento de uma nova geração de feministas egípcias que fazem campanha feroz contra aquilo que chamam “baixo status” das mulheres dentro das famílias e a instituição do casamento.

Além de afirmar que as mulheres não são iguais, mas ainda melhores e mais qualificadas do que os homens, as mesmas feministas fazem campanha contra a poligamia, uma prática aceitável no Islã (sob certas condições), mas que está se tornando socialmente inaceitável para alguns egípcios.

No entanto, essas opiniões estão sendo contestadas por pessoas como Salaheddine.

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Salaheddine não retornou ligações do Al-Monitor nem respondeu mensagens por meio da plataforma de mensagens WhatsApp solicitando comentários.

Quase metade dos 61 milhões de egípcios registrados para votar são mulheres. No entanto, mais homens tendem a comparecer às seções eleitorais.

Uma parte considerável dos 4.006 candidatos que concorrem como independentes nos 143 círculos eleitorais especificados para candidatos independentes são mulheres.

Além do mais, a lei eleitoral do Egito especifica que 25% dos 596 assentos na Câmara dos Deputados sejam para mulheres. A mesma lei exige que metade das listas dos partidos políticos que disputam 284 assentos sejam de candidatas mulheres.

Candidatas independentes do sexo feminino e aquelas incluídas nas listas dos partidos políticos fizeram campanhas intensamente, inclusive nas redes sociais e na televisão, para persuadir os eleitores. Nas ruas da capital egípcia, Cairo, e de outras cidades, pôsteres de candidatas ocupam seu lugar orgulhosamente ao lado de candidatos homens. Algumas das candidatas realizaram comícios de rua e outras percorrem seus círculos eleitorais para falar diretamente com os eleitores.

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“Acredito que as candidatas vão competir fortemente nas eleições desta vez”, disse Nadia Helmi, professora de ciência política na Universidade Beni Suef, ao Al-Monitor. “As mulheres tornaram-se as principais parceiras do processo político neste país.”

As mulheres estão aparentemente tentando capitalizar os ganhos que obtiveram nas eleições para a Câmara dos Deputados em 2015. As mulheres conquistaram 87 assentos de um total de 596 assentos nas eleições, o que corresponde a cerca de 15% do total de assentos da casa.

Salaheddine, 26, é uma das candidatas mais jovens. Ela é uma apresentadora de TV de profissão. Ela percorre as ruas de Shebeen el-Kom, a capital da província de Menoufia, para conversar com pessoas comuns.

Ela diz que seu histórico de mídia como apresentadora de TV no canal local al-Hadath al-Youm e como repórter de jornal (que ela não menciona em sua página no Facebook) lhe deu a chance de formar uma ideia sobre os problemas das pessoas e os meios de resolvendo-os. Ela está ciente, diz ela, de que o desemprego e a pobreza são os maiores problemas que as pessoas de seu eleitorado enfrentam. Ela promete se concentrar em pequenos projetos para empoderar economicamente seus constituintes, incluindo donas de casa.

Em 13 de outubro, Salaheddine disse a um jornal local que, independentemente do sucesso que as mulheres possam ter em sua vida profissional, elas têm apenas um refúgio: a casa de seus maridos. “Fui criada para me tornar uma serva de meu marido”, disse Salaheddine. “Isso é o que nossos pais nos ensinaram”.


Fonte: Al-Monitor
Publicado em 22 de outubro de 2020
Adaptado do texto de Amr Emam


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