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Donald Trump é agora o primeiro presidente da história dos Estados Unidos a ter dois processos de impeachment aprovados na Câmara. Nesta quarta-feira (13), a Câmara aprovou pela segunda vez um pedido para que ele seja afastado do cargo, a apenas seis dias do final do seu mandato – quando Joe Biden toma posse como novo presidente -, com 232 votos a favor, 197 contra e quatro abstenções (essas últimas, todas de deputados republicanos). Entre os que votaram a favor estão 10 membros do Partido Republicano, de Trump. Os democratas foram unânimes nos votos a favor. [1]

A acusação desta é que Trump foi considerado culpado de “incitação à violência” nos protestos ocorridos no Capitólio da Casa Branca, sede do Congresso estadunidense, na semana passada. Na vez anterior, em 2020, Trump havia sido declarado culpado pelo mesmo Congresso por “obstrução à Casa dos Deputados e abuso de poder”.

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Em seu primeiro processo, Trump foi absolvido no Senado, então com maioria republicana. Naquele caso, nenhum deputado de seu partido votou por sua condenação, e apenas um senador o fez.

Mas ontem, dez deputados republicanos [2] foram favoráveis ao afastamento do Presidente. [3]

Na terça-feira (12), o presidente dos Estados Unidos falou com jornalistas pela primeira vez desde os protestes e afirmou que há “muita raiva” sobre o novo processo de impeachment e que se trata da “continuação da maior caça às bruxas da história da política”.

Nunca um presidente estadunidense teve o impeachment aprovado no Senado

Antes de Trump, Andrew Johnson (1865 – 1869) e Bill Clinton (1993 – 2001) também tiveram seus processos de impeachment aprovados pela Câmara e foram absolvidos no Senado. Richard Nixon (1969 – 1974) renunciou antes de o processo ser votado na Câmara.

A dúvida é se os senadores republicanos que romperam com Trump conseguirão formar a maioria de dois terços no Senado para destituí-lo (na Câmara é preciso apenas maioria simples para o processo avançar). Outra dúvida é se o Congresso pode seguir com o impeachment após o presidente deixar o cargo.

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Apesar disso, o líder do Partido Republicano, Mitch McConnel, afirmou a interlocutores que está satisfeito que os democratas estão tentando tirá-lo da Casa Branca e que o presidente cometeu crimes passíveis de impeachment, segundo o jornal “The New York Times”.

McConnell, senador pelo Kentucky que apoiava Trump até a invasão ao Capitólio – que resultou em cinco mortes -, disse reservadamente que será mais fácil expulsar Trump do partido com o impeachment.

Biden diz que os protestos no Capitólio foram “ataques armados contra os Estados Unidos da América”

Após a aprovação do processo na Câmara, o eleito para ocupar a cadeira de Presidente Joe Biden divulgou um comunicado, no qual fala sobre o que mais uma vez chama de “ataque sem precedentes à nossa democracia” e a responsabilidade de Donald Trump.

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Ele expressou preocupação que o andamento do processo no Senado, logo no início de seu mandato, possa atrasar suas decisões importantes e que possam paralisar ações de seu governo, como os planos referentes à questão do coronavírus.

Ele também alimentou a retórica de que os protestos populares no capitólio de opositores de seu futuro mandato, pró-Trumps e aqueles que afirmam a falsidade das eleições foram “ataques criminosos planejados e coordenados por extremistas políticos e domésticos” incitados pelo próprio atual presidente Donald Trump.

Ele foi mais longe, afirmando que se tratava também de uma “insurreição armada contra os Estados Unidos da América” e que  “os responsáveis ​​devem ser punidos…”

Biden ou Trump nada citaram sobre qualquer comparação com os quatro meses de distúrbios, assaltos, assassinatos, agressões promovidos pelos eventos da Black Lives Matter. Talvez ambos, por motivações diferentes.


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Notas:

[1] Diferentemente do Brasil, o presidente dos EUA não é afastado quando o processo de impeachment é aberto no Senado. A sua remoção ocorre de forma definitiva após o processo ser analisado e aprovado pelos senadores.

[2] Os deputados republicanos que votaram a favor do impeachment de Trump foram:

John Katko – Nova Iorque

Liz Cheney – Wyoming

Adam Kinzinger – Illinois

Fred Upton – Michigan

Jaime Herrera Beutler – Washington

Dan Newhouse – Washington

Peter Meijer – Michigan

Tom Rice – Carolina do Sul

Anthony Gonzalez – Ohio

David Valadao – Califórnia

[3] Isso estabelece um recorde: antes, apenas cinco deputados tinham votado pelo impeachment de um presidente de seu próprio partido, quando cinco democratas ficaram contra Bill Clinton, em 1988.

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