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Tradução de Guilherme Fernandes│Resistência Sulista

Todos os meios de comunicação de massa, sem exceção, têm classificado e classificam Bolsonaro como um homem de extrema-direita e explicam sua vitória pelo apoio que ele recebeu dos meios de comunicação de massa. Isto é uma contradição em si mesma.

Primeira questão: se Bolsonaro é ultradireita, então onde estão situados os candidatos neonazistas ou filo-fascistas que estão surgindo em todos os lugares? Na estratosfera, fora do mundo?

Isto mostra, mais uma vez, que o esquema esquerda-direita para analisar os fenômenos políticos é insuficiente, se não falso. Este esquema tem sido denunciado desde a época de Ortega y Gasset, Perón, De Gaulle e centenas de pensadores e analistas políticos. Mas os satisfeitos com o sistema, ou seja, o “progressismo”, estão cegos para entender isso. Ou, talvez, joguem às cegas porque é conveniente para eles.

Segunda questão: Bolsonaro deve ser descrito como um conservador na política e um liberal na economia. Neste campo ele tem Paulo Guedes, um Chicago Boy, como seu braço direito. Se este for o caso, seu nacionalismo brasileiro será algo larval e não substantivo.

Terceira questão: Bolsonaro, como Macri e Macron, não são homens de um partido político, mas vêm de uma coalizão ou aliança que termina no dia em que tomam posse. Macron o fez imediatamente com o En Marche; Macri não dá ouvidos a seus aliados, e Bolsonaro certamente fará o mesmo. Como ele não é um homem de partido e carece de treinamento político, o máximo que se pode esperar dele é que ele administre a coisa pública.

Quarta questão: Bolsonaro, como Macri e Macron, ganhou porque o povo estava farto da corrupção explícita do governo que o precedeu, mas ao entregar a gestão da economia a um Chicago Boy, ele será prisioneiro do imperialismo internacional do dinheiro, como Macri e Macron são hoje.

Quinto e último ponto: Bolsonaro declarou: “Governarei para as maiorias e não para as minorias”. Esta tem sido sua maior audácia, mas não é mais que um flatus voci, pois o dinheiro é um poderoso cavalheiro. E aqueles que o administram não demonstram misericórdia para com as maiorias populares.

Como conclusão provisória, podemos ver que Bolsonaro é um conservador liberal, autor de múltiplas frases politicamente incorretas que assustaram analistas políticos superficiais, mas que, não tendo a gestão da economia, ele se limitará a administrar conflitos e não os resolver. Esta última é uma tarefa estritamente política, pois quem resolve conflitos constrói a harmonia interna nos Estados-nações. Este é o principal objetivo da boa governança.

Uma anedota sobre Perón que, como presidente, convocou os conselheiros peronistas da Capital Federal porque havia emitido um comunicado criticando o golpe de Estado de Pinochet, e lhes disse: “Senhores, como Chefe de Estado tenho duas funções, tarefas e objetivos: representação externa e concórdia interna. Vocês, por outro lado, têm três: AVL (iluminação, varredura e limpeza), vão e façam seu trabalho e deixem o meu comigo”.


Fonte: Globalización – Centro de Investigación Sobre Globalización (PDF)

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