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O Estado, como assim concebido, não é apenas o tecido político. O termo “Estado” acentua de fato o aspecto político do todo e se opõe à noção de uma sociedade anárquica. Mas inclui toda a hierarquia das instituições pelas quais a vida é determinada, da família ao comércio, e do comércio à Igreja e à Universidade. Inclui todos eles, não como uma mera coleção dos crescimentos do país, mas como a estrutura que dá vida e significado ao todo político, ao mesmo tempo em que se recebe um ajuste mútuo, e, portanto, expandindo um ar mais liberal. O Estado, pode-se dizer, é assim concebido como a crítica operativa das instituições – a modificação e o ajuste pelos quais são capazes de desempenhar um papel racional no objeto da vontade humana. E a crítica, nesse sentido, é a vida das instituições. Como objetos exclusivos, e são vítimas da estagnação e da doença – pense no temperamento que vive exclusivamente para a família ou apenas para a Igreja; é apenas como envolvido no movimento e circulação do Estado que eles são seres espirituais vivos. Daqui resulta que o Estado, nesse sentido, é, acima de tudo, não um número de pessoas, mas uma concepção funcional da vida. É, como Platão nos disse, a concepção pela orientação pela qual todo membro vivo da comunidade está habilitado a desempenhar sua função. Se perguntarmos se isso significa que existe uma concepção completa dos objetivos e possibilidades da vida comum, mesmo nas mentes dos Estados-Homens, para não falar dos homens comuns, a pergunta se responde negativamente. E, no entanto, o Estado só pode viver e trabalhar na medida em que tal concepção, em formas fragmentárias e unilaterais, permeie a mente geral. Mas existe principalmente na forma reflexiva; e, na medida em que está em forma reflexiva, está de acordo com os padrões finais contraditórios e incompletos. Mas todo mundo tem um julgamento justo do que seu próprio lugar exige dele, tem, por seu próprio ângulo, por assim dizer, uma visão de trabalho do fim do Estado; e, é claro, as concepções práticas seriam menores se tais concepções fossem mais completas e mais abrangidas uma pela outra. Mas uma concepção reflexiva completa do fim do Estado, abrangente e livre de contradições, significaria uma ideia completa da realização de toda a capacidade humana, sem desperdício ou falha. Tal concepção é impossível devido ao caráter gradual do processo pelo qual o fim da vida, a natureza do bem, é determinado para o homem. A Vontade Real, representada pelo Estado, é apenas uma incorporação parcial dela.

CURIOSIDADE SOBRE O AUTOR
Bernard Bosanquet (1848 – 1923) foi um filósofo e teórico político inglês líder da Charity Organization Society. Figura influente em assuntos de política social no final do século XIX e início do século XX, seu trabalho influenciou muitos pensadores, notadamente Bertrand Russell, John Dewey e William James.

O Estado, como crítica operativa de todas as instituições, usa necessariamente a força; e, em último caso, é a única força reconhecida e justificada. Parece importante observar que a força é inerente ao Estado, e nenhum verdadeiro ideal aponta na direção de destruí-la. Pois a força do Estado procede essencialmente de seu caráter de ser nossa própria mente estendida, por assim dizer, além de nossa consciência imediata. Não apenas a conduta da vida como um todo está além dos poderes do indivíduo comum em seu nível médio, mas está além dos poderes de todos os indivíduos comuns em uma sociedade, reunidos em seu nível médio. Cometemos um grande erro ao pensar na força exercida pelo Estado como limitada à restrição de pessoas desordeiras pela polícia e à punição de criminosos intencionais. O Estado é o volante da nossa vida. Seu sistema está constantemente lembrando-nos de deveres, desde o saneamento até os incidentes de curadoria, que não desejamos negligenciar, mas que somos ou ignorantes ou indolentes demais para realizar, além de instruções e sugestões autorizadas. Lucramos a todo momento por instituições, regras, tradições, pesquisas, feitas pelas mentes da melhor maneira possível, que, por meio da ação do Estado, estão agora em uma forma de operar como extensões de nossas próprias mentes. Não é apenas o contraste entre a atividade limitada de um indivíduo e a maior conquista de milhões juntos. É o contraste entre indivíduos que trabalham na ordem e armados com as leis, costumes, escritos e instituições elaborados por idades, e os mesmos indivíduos considerados como seus eu médios diários, com uma gama variável, mas sempre limitada, de consciência imediata. Pois em um dado momento, nenhum juiz conhece toda a lei; nenhum autor conhece todos os seus próprios livros, para não mencionar os de outros; nenhum funcionário de uma instituição tem toda a lógica e o significado da instituição diante de sua mente. Todos os indivíduos são continuamente reforçados e levados adiante, além de sua consciência imediata média, pelo conhecimento, recursos e energia que os cercam na ordem social, com sua herança, da qual a própria ordem é a maior parte. E o retorno desse eu maior, formando um sistema ajustado à unidade, sobre suas mentes isoladas, como expansão e estímulo. Para eles, necessariamente toma a forma de força, na medida em que suas mentes são inertes. E esse sempre deve ser o caso, não apenas desde que as vontades sejam diretamente rebeldes contra o bem comum, mas desde que o conhecimento e a energia da mente comum sejam desiguais para lidar, por sua própria iniciativa e com seus próprios recursos, com todas as conjunções possíveis nas quais as condições necessárias do bem comum devem ser mantidas. Em outras palavras, deve haver inércia a ser superada, desde que as limitações de nossa natureza animal existam. O Estado é, como Platão disse, a mente individual em grande escala, ou, como dissemos, nossa mente reforçada por capacidades que são de sua própria natureza, mas que complementam seus defeitos. E assim sendo, o menos completo deve se submeter claramente a encontrar-se no mais completo e ser levado consigo até o ponto em que este último possa avançar. É muito importante notar, no entanto, que nossa mente, no seu melhor, é muito diferente da nossa mente, na média; e compreendeu e aprovou, quando muito bem, muita coisa que em seus momentos médios a atinge como força ou costume do exterior. Assim, não há divisão abrupta entre nossa mente consciente e o sistema social de sugestão, costume e força, que a apoia e a amplia e altera. Os dois estão relacionados tanto quanto o foco da consciência está relacionado aos hábitos subconscientes e automáticos pelos quais a vida cotidiana é possível. Não é mais concebível que a vida social continue sem força e costume autoritário, porque o fim da vida social se reflete na inteligência variável dos indivíduos, assim como a vida individual deve continuar sem subconsciência e automatismo, porque é, em última análise, em relação aos fins que aparecem como ideias no foco variável da mente. As limitações inerentes à ação do Estado serão tratadas em um capítulo posterior. Até agora, tentamos esclarecer o que significa a identificação do Estado com a Real Vontade do Indivíduo, na qual ele deseja sua própria natureza como ser racional; em que identificação encontramos a única explicação verdadeira da obrigação política.


BOSANQUET, Bernard. The Philosophical Theory of the State, Macmillian and Co. Limited New York: The Macmillan Company, p. 150-154. 

Disponível na web traduzido por Alerta Nacionalista (blog)

By Alerta Nacionalista

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