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“As Memórias de Marnie”: uma história para contar aos seus filhos (e netos)

Em meados de 1960, Joan G. Robinson, uma respeitável senhora inglesa de cabelos escuros e olhar sereno, e sua família, costumavam passar as férias de verão em North Norfolk, num doce e calmo vilarejo no litoral leste da Inglaterra chamado Burnham Overy. Uma das atrações naturais locais era um pântano salgado ligado ao mar, margeado por areias brancas e uns poucos pescadores. Uma casa se erguia nos limites do pântano, quase oculta entre as árvores e as vagas ondulantes. Afastando-se um pouco das crianças que, após o almoço, descansavam às dunas, Sra. Robinson tomou um barco a remos e fez um curto passeio pelo riacho sombreado por juncos e algumas gaivotas. Próximo à casa do pântano, que lembrava um celeiro, numa janela superior, avistou uma garotinha sentada de perfil, tendo seus longos cabelos dourados escovados. “Este foi o começo de Marnie”, escreveu sua filha Deborah, numa biografia, quarenta anos depois, a respeito de um romance que a Sra. Robinson, então uma escritora e ilustradora provinda do subúrbio de Hampstead Garden de Londres, começaria a escrever logo a seguir, repleto de elementos de sua própria infância, e que lhe traria crescente renome mundial. “Você pode escrever livros”, costumava dizer Sra. Robinson sobre Marnie, “mas só há um livro que é realmente você”.

Suas férias e o retorno para casa, ao longo de dezoito meses de anotações num alpendre arejado, recebendo visitas ocasionais de pássaros e gatinhos que participavam de sua lida inspirada, foram dedicadas a dar vida à solitária jovem Anna e à vivaz Marnie num romance juvenil originalíssimo sobre autoconhecimento e amor familiar. O livro foi aceito pela editora, ilustrado por sua amiga Peggy e lançado em 1968 com o título When Marnie Was There, ou “Quando Marnie Estava Lá”.

Capa da última edição ilustrada de When Marnie Was There, publicada em 2014.

O sucesso veio depressa com equipes de filmagens da BBC chegando à modesta Burnham Overy nos anos 70, traduções para outros países nas décadas seguintes e a visita pitoresca de um jovem japonês, nos anos 90, poucos anos após o falecimento da Sra. Robinson, vindo da moderna Tóquio, a mais de 9 mil quilômetros de distância, até o vilarejo de Norfolk, guiado em sua viagem apenas pelas descrições de endereços gerais contidas no próprio romance. Vencidos alguns percalços, o aventureiro conseguiu encontrar o cenário real da ficção inglesa que carregava nas mãos.

O que talvez ninguém imaginaria é que este contato com a terra do sol nascente tomaria de empréstimo um de seus raios para dar à luz a uma obra de criação que não só dignifica, como suplementa e aperfeiçoa a de Robinson. Me refiro ao longa-metragem de animação produzido pelo estúdio de cinema de animação japonês Studio Ghibli sob a direção de Hiromasa Yonebayashi em 2014, ainda bastante subestimado pela crítica e incompreendido pelo público ocidental, Omoide no Marnie ou, na sua forma portuguesa, As Memórias de Marnie.

A Studio Ghibli é a responsável por sucessos mundiais como O Conto da Princesa Kaguya, Castelo no Céu e A Viagem de Chihiro, com cinco de seus filmes indicados ao Oscar. Sua lista interminável de prêmios e êxitos de bilheteria, um parque temático e um acordo de incomparável sucesso com a Netflix a tornam merecedora do título de “A Disney japonesa”[1], mas apenas em termos de visibilidade, pois nada têm em comum: grosso modo, enquanto a Disney fabrica produtos divertidos, a Ghibli expressa ideias graves com beleza. E isto sem citar as censuras e adulterações de dublagem que a Disney tentou aplicar às animações Ghibli durante o contrato de distribuição que firmaram em 1996, fato que levou Miyazaki, um dos fundadores e gênio por trás do todo, à se enfurecer e encerrá-lo em 2011. [2]

O artístico Hayao Miyazaki, sempre afirmou ser um apreciador de literatura infantil. Seu método de trabalho com animações é rigorosíssimo e dispensa o esteticismo e a fome por entretenimento barato imperantes no Ocidente. Tudo é desenhado à mão e supervisionado de perto pelo diretor que, à semelhança da resposta de Michelangelo à Da Vinci sobre o David, declara: “Não sou eu quem faz o filme. Ele se faz sozinho, não tenho escolha a não ser segui-lo”. As histórias Ghibli não são maniqueístas, não têm compromisso com finais felizes. O protagonismo não raro é dominado por personagens femininas e temas como ódio, solidão, dor e tristeza são recorrentes. A devastação sofrida pelo Japão na Segunda Guerra marcou indelevelmente a vida e obra de Miyazaki, e tal pode ser visto em sua forma mais aterrorizante e dolorosa em O Túmulo dos Vagalumes. Numa de suas numerosas entrevistas, além de enfatizar que “acredita no poder da história” e que vê como sua missão de vida criar filmes que digam às crianças o como “é bom estar vivo”, aloca When Marnie Was There como um de seus livros favoritos na infância. [3] A animação, ainda quase totalmente desconhecida no Brasil, foi premiada pelo Chicago International Children’s Film Festival e indicada ao Oscar de Melhor Animação de 2016, “perdendo” apenas para o ralo e piegas Divertida Mente.[4]

A fidelidade da animação Ghibli ao delicioso romance de Joan G. Robinson é tamanha – algo notável no mundo do cinema porque raríssimo – que uma só sinopse basta a ambos, livro e adaptação, salvo a seguinte exceção: na versão japonesa, Anna, a protagonista inglesa, é uma adolescente japonesa, e os acontecimentos são transportados ao Japão. Marnie, por sua vez, permanece uma jovem inglesa, loira e de profundos olhos azuis. E, no entanto, como que um toque criativo dum delicado escultor, na versão nipônica Anna tem redondos olhos azul-escuros, o que lhe traz ainda mais problemas de autoaceitação dentre a multidão de apertados olhos negros.

Falemos mais sobre elas.

Anna é uma jovem introvertida de doze anos com sérias dificuldades de comunicação e expressão de sentimentos que passa a apresentar sintomas asmáticos e problemas de comportamento em casa. Sua mãe adotiva, uma mulher de meia-idade afetuosa e insegura, recebe a recomendação médica de remeter Anna a um ambiente mais tranquilo e de ar mais limpo, orientação que é prontamente atendida por meio do envio da menina a um vilarejo litorâneo em que residem parentes seus.

Anna sofre indiretamente com as transições próprias da puberdade – uma etapa filogeneticamente programada ligada à maturação sexual – e diretamente com as da adolescência – um ciclo de vida cultural ligado à maturação social. Sente-se solitária, desajeitada e desprezível, e ao mesmo tempo teme contato visual, faz críticas severas aos outros em pensamento, e além de temer criar empatia, não corresponde bem às demonstrações de afeto de seus humildes anfitriões, não raro rebatendo perguntas inócuas com desmedida hostilidade. Nas palavras do diretor e roteirista Yonebayashi, Anna é “uma personagem andrógina, na transição entre a infância e a adultez, uma idade muito sensível”. [5] E é supérfluo afirmar e demonstrar que não há qualquer conotação sexual nesta história nas suas duas formas, onde sequer há um relacionamento amoroso – algo que as produções Ghibli frequentemente descartam em suas produções e, quando presentes, não constituem elemento essencial. Porém, infelizmente, muitos só veem aquilo que querem ver.

Em Psicologia dizemos que a adolescência é uma transição par excellence: não se é criança, não se é adulto, mas um devir, um tornando-se. De repente se é esmagado por consequências, responsabilidades e exigências como escolha profissional, compreensão de mundo, conflitos morais, crítica ao estilo parental, avaliação de imagem corporal, introdução nos diversos níveis da sociedade, ilusão de independência, formação de identidade [6],[7]. Observamos com nitidez o clamor sintomático de cada um destes elementos da juventude mais inicial no desenvolvimento de Anna: desenvolvimento que definitivamente não começa até criar sua primeira relação afetiva significativa genuína: o contato com seu duplo, a travessa Marnie.

Mas a vivência do adolescer em Anna não está dentro dos parâmetros da normalidade. Não se tratam de meros choques que se resolvem por si mesmos – como costumamos dizer, com o tempo. É um sofrimento sintomático. Anna carrega certas inquietações que demorarão a surgir e se resolver, relativas ao seu lugar de filha adotiva. De modo radical, sente que não faz parte de qualquer sociedade, de qualquer história. Não reconhece o próprio drama pessoal, porque para isto precisaria antes saber da existência de no mínimo um drama alheio e entender a abrangência intrínseca do conceito: o problema da identidade é um problema universal, porque a condição do homem é a de estar sempre a caminho de ser, sempre em abertura, em busca de uma conclusão para os mil atos de seu próprio drama existencial. E a paisagem rural de Burnham Overy, no original, ou do norte de Hokkaido, na adaptação, deixam Anna misteriosamente nostálgica; como se tivesse reencontrado uma dimensão de si mesma que lhe foi retirada, uma parte essencial de si mesma que foi esquecida. E eis a deixa de Marnie.

Marnie é astuta, cheia de energia, empática e autoconfiante. Ao contrário de Anna, usa vestidos elegantes, cabelos louros e compridos, tem muitas habilidades. Apesar das diferenças, ambas têm um ponto crucial em comum: têm a mesma idade e encontrarão apoio, compreensão e auxílio uma à outra, num jogo de amadurecimento mútuo. Muitas das falas de Marnie deixam subentender que ela já conhece Anna mesmo antes de a encontrar, ou que Anna já deveria saber de fatos e eventos pelos quais lhe pergunta. Surge e desaparece com a mesma facilidade. Cria brincadeiras, corre, saltita. E embora proveniente de uma rica família britânica, Marnie é negligenciada pelos pais, sempre ocupados com os próprios interesses, deixada aos cuidados de amas e empregadas nem sempre amáveis. Portanto, o comportamento aparentemente oposto de Marnie, se comparado ao de Anna, é o outro extremo da fuga de si mesma: extroversão ao invés de introspecção, agitação motora ao invés de rebaixamento, riso e brincadeira ao invés de autocomiseração e tristeza.

Uma outra diferença entre o romance e a animação é que na segunda Anna cria desenhos. E, em minha opinião, este acréscimo foi uma estratégia assaz inteligente, porque exigida pelo próprio meio de difusão da história: as imagens que ela desenha na animação, como o rosto de Marnie que vê num sonho antes de a conhecer pessoalmente, substituem as muitas páginas de reflexões que Anna desenvolve no romance. E claro, confere maior mistério à relação anímica entre ambas.

O livro e filme de Marnie contam uma emocionante história de amor familiar que realça a importância de preservar a memória dos antepassados como núcleo formativo para a identidade. Fonte: ghibli.fandom.com/wiki/Marnie.

Como pudemos ver, ambas já tinham algum nível de consciência de que já se conheciam ao se encontrarem pela primeira vez. A seguir, uma palavra sobre este encontro.

Marnie surge fantasmagoricamente na casa do pântano de água salgada: é a versão poética da menina de cabelos escovados que a autora, a Sra. Robinson, avistou em seu passeio de barco nos anos 60. O intrigante é que a casa, ao ser investigada por Anna num de seus muitos passeios solitários pela praia, parece abandonada há décadas. Ainda assim, é visitada por Marnie. Ou melhor, Marnie a convoca a ser encontrada.

Ao capítulo oito do livro, num passeio noturno – seus passeios são mais uma tentativa de fuga de si mesma que um ato de prazer ou relaxamento – ao cais próximo ao pântano, logo após discutir com uma garota local e ser ofendida, e experimentar culpa e vergonha com seus sempre amáveis mas nunca por ela amados anfitriões, Anna topa com um barquinho a remos de prontidão para navegar. Ela tem a estranha sensação de que o barco estava esperando por ela. E, secretamente, este é o momento decisivo, tanto no livro quanto no filme: Anna resolve seguir suas intuições, como se estivesse sendo guiada por um outro alguém. Em termos mais profundos, uma voz muda que ressoa em sua alma.

“E, no entanto, cada vez mais, ela tinha a sensação de que o barco esperava por alguém; não estava apenas deitado ocioso como os outros… Quase parecia que poderia estar esperando por ela… Ela nunca havia remado em um barco antes em sua vida… E ainda agora ela se sentia perfeitamente confiante… e se viu movendo-se firmemente para longe do poste e ao longo da costa. Ela estava se movendo em direção à Casa do Pântano. Quase sem perceber, ela virou o barco naquela direção. A água estava totalmente calma e onírica… Ela se sentou de repente, percebendo que embora tivesse parado de remar, ela ainda estava se movendo… Ela viu luzes nas janelas do primeiro andar, então tentou agarrar os remos de repente. Por cima do ombro, ela acabara de ver que estava indo direto para o canto onde a parede se projetava na água. Se ela não fosse rápida, toparia com ele… No mesmo instante, uma voz soou quase em seu ouvido – uma voz alta e infantil com um tremor de riso: ‘Rápido! Atire-me a corda!’”.[8]

Para leitores mais experientes ou sensíveis, esta é não apenas a descrição do primeiro encontro entre duas amigas, mas de algo mais. Algo muito mais essencial. É um encontro especial que percorre o real e o ideal, o interno e o externo, o futuro e o passado, a vigília e o sonho, o próprio e o impróprio de si mesmo.

Mais não direi. Fica aqui, portanto, meu convite especial para os papais e mamães leitores d’O Sentinela: conheçam esta maravilhosa e original história, onde a ficção é mais real que a mais abrupta e concreta realidade que poderão tocar com os dedos, e a transmitam aos seus pequeninos como um tesouro inestimável do amor familiar – este amor que tantos de nós, nascidos a partir de 1980, seremos os primeiros a criar em nossas jovens famílias, não mais como consequência de um hábito, de uma máxima ou de qualquer fator inconsciente e subjetivo, mas um amor familiar consciente, brotado da experiência dolorosa da solidão existencial, do ódio relacional e do caos semiótico atuais – algo que nossos pais e avós não conheceram. Um amor escolhido de modo objetivo: uma paternidade feliz porque planejada, uma conjugalidade fiel porque desejada, uma maternidade serena porque respeitada.

Anna precisa atravessar certas experiências para se desenvolver. É o drama do crescimento. Por mais sozinha que pareça, seja com seus anfitriões ou devaneando na praia, em algum momento descobre que nunca o esteve. Percebe que precisa dos outros mais do que alguma vez ousou admitir. Descobre que amar é libertar, e libertar é crescer. Descobre que há amor sem sangue, mas não sangue sem amor. Estas e muitas outras revelações sobre si mesma Anna alcança apenas através das memórias de Marnie, cuja manifestação genuína suspende as concepções lógicas e abstratas de tempo e realidade. Mas para isso, Anna precisou antes querer alcançá-las, querer ouvi-las. É preciso ser receptivo, estar aberto e disposto a aprender.

O filme pode ser facilmente encontrado pela Netflix, comprado em bluray pela Amazon e Mercado Livre ou mesmo baixado via Torrent em muitos sites. Um que gosto bastante de usar é o baixarfilmetorrent.com, e está disponível nas versões dublada e legendada. A legendada não só mantém o conteúdo dos diálogos em superior qualidade, como evidencia, quando comparada à dublagem brasileira, melhor tratamento sonoro e superior expressão dramática nas cenas de clímax.

O livro já está disponível em língua portuguesa numa versão independente minha e pode ser adquirido a preço de custo (isto é, sem lucro) pela Clube de Autores. Fiz este trabalho com apenas um propósito: levar até pais e filhos ou avós e netos uma história que fale sobre si mesmos e a insubstituibilidade de sua relação, uma palavra de amor verdadeiro às famílias. O título inglês original foi mantido, publicando-se como Quando Marnie Estava Lá. Caso haja preferência por uma versão digital do livro, peça-me por e-mail: [email protected]

Imagem promocional da primeira edição brasileira, disponível no site da Clube de Autores.

“Não, não vá! Não seja tão tola. Eu quero conhecer você! Você não quer me conhecer?”, diz uma risonha Marnie para uma entristecida Anna.

Pois Marnie estava lá. Sempre esteve lá. E, falando francamente, ela está dentro de cada um de nós. Mas só lentamente ela poderá se aproximar e finalmente aparecer. É preciso saber ouvi-la. Como escreveu um grande sábio citado no prefácio da edição brasileira:

“Só é um homem aquele que leva o passado e o futuro vivos em si, pois só ele é capaz de estar por cima da hora presente. E só aquele que é senhor do presente é exitoso; somente ele é completo à plenitude, como só no cumprimento está a divindade. Assim o diz a voz de nossos antepassados.”

 


Notas

[1] VEJA. Cultura. A “Disney” japonesa: o Studio Ghibli virou fenômeno cult mundial. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/cultura/studio-ghibli-disney-japonesa/>. Acesso em: 26 mar. 2021.

[2] THE GUARDIAN. Chris Michael. ‘Women are realistic, men idealistic’: Studio Ghibli on why a director’s gender matters. 2016. Disponível em: <https://www.theguardian.com/film/2016/jun/06/studio-ghibli-yonebayashi-interview-miyazaki>. Acesso em: 26 mar. 2021.

[3] BOSE, S. F. Far Out. Studio Ghibli’s Hayao Miyazaki names the essential ‘50 books to read to your children’. Disponível em: < https://faroutmagazine.co.uk/studio-ghibli-hayao-miyazaki-50-favourite-children-books/>. Acesso em: 26 mar. 2021.

[4] STUDIO GHIBLI BRASIL. Amanda Rotta. Filme do Studio Ghibli ‘As Memórias de Marnie’ é indicado ao Oscar. 2016. Disponível em: <https://studioghibli.com.br/2016/01/14/filme-do-studio-ghibli-as-memorias-de-marnie-e-indicado-ao-oscar/>. Acesso em: 26 mar. 2021

[5] THE GUARDIAN. Chris Michael. ‘Women are realistic, men idealistic’: Studio Ghibli on why a director’s gender matters. 2016. Disponível em: <https://www.theguardian.com/film/2016/jun/06/studio-ghibli-yonebayashi-interview-miyazaki>. Acesso em: 26 mar. 2021.

[6] ABERASTURY, A.; KNOBEL, M. Adolescência Normal: um enfoque psicanalítico. Porto Alegre: Artmed, 1981.

[7] CONGER, J. Adolescência: geração sob pressão. Harper & Row do Brasil. São Paulo: 1980.

[8] ROBINSON. J. B. Quando Marnie estava lá. Tradução livre. Joinville: Clube de Autores, 2020. p. 67-68.

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