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Um dos tópicos que demanda com maior veemência a atenção dos intelectuais empenhados neste empreendimento de manter viva a análise historiográfica – a que podemos chamar de revisionismo histórico – é, indubitavelmente, a tão adjetivada e estigmatizada Inquisição Espanhola. Assim, o texto que se segue, de autoria do franciscano secular Angelo Stagnaro, têm por finalidade esclarecer alguns desentendimentos e deliberadas falsificações históricas acerca do Tribunal do Santo Ofício perpetradas no imaginário popular por incessante repetição em obras escritas e cinematográficas. – Eduardo Salvatti

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1. A principal fonte de informação sobre os excessos absurdamente irrealistas da Inquisição é “A Declaração de Plaine Sobre as Práticas da Santa Inquisição da Espanha”, escrita em 1567 D.C. Seu autor era Antonio del Corro, um luterano espanhol que escreveu sob o pseudônimo de Reginaldus Gonzalvus Montanus e afirmou ser, ele mesmo, uma vítima da Inquisição. Os estudiosos sabem que isso é mentira.

2. Montanus retratou todas as vítimas da Inquisição como inocentes, o que é estatisticamente impossível. Ele também insistiu que todo oficial da Inquisição era venal e traiçoeiro, o que também é estatisticamente impossível.

3. Montanus insistiu que cada passo dos procedimentos jurídicos inquisitoriais eram violações da lei natural e racional, embora nunca tenha dado uma explicação do porque. Assim, seus apelos eram tanto mais emotivos que propriamente racionais.

4. A maioria das “histórias” sobre a Inquisição escritas depois de 1567 D.C confiava em Montanus como sua fonte definitiva. Este documento e outras publicações subsequentes foram reimpressos e traduzidos por toda a Europa e se tornaram a fonte dos mitos da Inquisição por muitos séculos até os dias atuais.

5. A “Lenda Negra” começou como uma campanha de propaganda antiespanhola que teve grande sucesso devido à invenção da imprensa. A Inquisição e Carlos V eram seus alvos principais.

6. Histórias sobre métodos cruéis de tortura usados ​​pelos Inquisidores e as terríveis condições em que os prisioneiros eram mantidos foram completamente falsificados. A Inquisição, na verdade, tinha as melhores prisões da Espanha. Ademais, os registros provam que prisioneiros de tribunais e prisões seculares blasfemavam deliberadamente para que pudessem ser transferidos para as prisões da Inquisição e, assim, escapar dos maus-tratos praticados nas prisões seculares.

7. A Inquisição nunca puniu ou torturou judeus e muçulmanos, pois a Igreja não tinha autoridade sobre os não-cristãos. Em vez disso, os acusados eram pessoas que supostamente se converteram ao catolicismo, mas o fizeram sob falsos pretextos. Assim, a autoridade jurídica católica somente pesada sobre quem deliberadamente se sujeitou a ela, convertendo-se.

8 – Durante todo o século XVI, a Inquisição Espanhola executou apenas cerca de cinquenta pessoas – não as centenas de milhares que são reivindicadas pela “Lenda Negra”.

9. Em todas as Inquisições por toda a Europa juntas, os estudiosos estimam que o número de pessoas executadas variou entre 3.000 e 5.000. Isso é em média, no máximo, cerca de quatorze pessoas por ano em todo o continente durante um período de 350 anos, e não os 10 milhões que Dan Brown e aqueles que o consideram um estudioso histórico sério, sugeriram.

Representação de um “auto de fé” que teria sido presidido por Domingos de Gusmão, o fundador da Ordem dos Dominicanos. A pintura, de Pedro Berruguete, foi encomendada pela própria Inquisição e a cena retratada é sem dúvida forjada. Embora muitos dominicanos mais tarde se envolvessem nos processos da Inquisição, o fundador da Ordem já era falecido quando aquela foi estabelecida. Crédito: Auto de Fe presidido por Santo Domingo de Guzmán entre 1493 e 1499/Wikimedia Commons

10. A Inquisição foi mais ativa na Espanha apenas entre 1480-1510 DC. Trinta anos.

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10.1 – As duas últimas pessoas a serem executadas por praticar bruxaria foram Anna Göldi (Glarus, Suíça, em 1782) e Barbara Zdunk (Prússia em 1811). Ambas eram países governados por protestantes e, portanto, não tinham nenhuma conexão com a Inquisição. Na verdade, os papas da época escreveram cartas implorando por autorizações locais para poupar as vidas das bruxas acusadas, mas sem sucesso.

10.2 – A Inquisição nunca sentenciou ninguém à morte. Eram autorizações civis e seculares que tinham poder de vida ou morte sobre os prisioneiros. Nem a Igreja Católica nem a Inquisição tinham autoridade ou interesse em condenar alguém à morte. A autoridade da Inquisição era apenas para apurar a veracidade das sentenças e identificar heresias. Sua autoridade era muito limitada e nunca alcançou o campo. A Inquisição era virtualmente impotente nas áreas rurais. Foram os poderes seculares ou o governo da turba que queimaram as supostas bruxas e hereges das cidades e vilas. Além disso, mesmo em ambientes urbanos, sempre esteve em competição entre a Corte Real, outras guildas, autoridades municipais e outros e, portanto, foi ofuscado nas cidades da Espanha. No campo, os Inquisidores não tinham poder, autoridade ou ferramentas para fazer seu trabalho.

10.3 – A suposta intriga da Inquisição, especialmente aquela retratada entre o imperador Carlos V e seu filho Juan Carlos, é puramente ficcional e fruto da propaganda protestante. As mentiras tiveram tanto sucesso que inspirou Schiller e Verdi a criar óperas que retratavam a inimizade entre o imperador e seu filho. Don Carlos de Verdi retratou Juan Carlos como um defensor da liberdade pessoal, o que ele nunca foi.

10.4 – Sentenciar a condenação por bruxaria era uma prática popular nos tribunais seculares da Europa na época, os governos locais foram particularmente intolerantes com esses crimes. Os acusados ​​muitas vezes eram queimados na fogueira. Para a Igreja Católica, as acusações de bruxaria eram vistas como ilusões e tratadas dessa forma. Esta lei da Igreja surgiu no século VII. Era preciso apresentar evidências concretas para qualquer acusação. Bruxaria e feitiçaria raramente eram crimes capitais e, não obstante, o número esmagador de acusações era rejeitado.

10.5 – Os manuais da Inquisição permaneceram altamente céticos em relação às acusações de bruxaria, exceto em casos raros quando lidando com os cátaros do sul da França, cujos ensinamentos heréticos incluíam bruxaria e magia. Além disso, os cátaros estavam envolvidos em campanhas assassinas contra os cristãos na França, incluindo o assassinato de enviados papais.

10.6 – Ao contrário da fofoca ateísta popular, The Discoverie of Witchcraft não foi escrito pela Igreja Católica, mas pelo autor protestante Reginald Scot em 1584. Scot acreditava que o processo inquisitorial contra as bruxas acusadas era irracional e anticristão. Além disso, embora supostamente tenha sido escrito para mostrar que as influências mágicas e demoníacas não existiam, o autor na verdade afirmava acreditar na astrologia, nas pedras mágicas e no poder inerente aos chifres de unicórnio. Dois anos depois de sua publicação na Inglaterra, ele foi incluído no Índice de Livros Proibidos da Igreja Católica, portanto, não se pode dizer que a Igreja Católica o apoiou.

10.7 – A Inquisição raramente aplicou a tortura para extrair informações. A prática foi inclusive menos usada pela Inquisição do que nos tribunais de outros países da Europa na época. As histórias de tortura protestante de católicos na Torre de Londres eram de longe mais horríveis, incluindo a de São Nicolau Owen.

[…]

11. As duas últimas pessoas a serem executadas por praticar bruxaria foram Anna Göldi (Glarus, Suíça, em 1782) e Barbara Zdunk (Prússia em 1811). Ambas eram países governados por protestantes e, portanto, não tinham nenhuma conexão com a Inquisição. Na verdade, os papas da época escreveram cartas implorando por autorizações locais para poupar as vidas das bruxas acusadas, mas sem sucesso.

12. A Inquisição nunca sentenciou ninguém à morte. Eram autorizações civis e seculares que tinham poder de vida ou morte sobre os prisioneiros. Nem a Igreja Católica nem a Inquisição tinham autoridade ou interesse em condenar alguém à morte. A autoridade da Inquisição era apenas para apurar a veracidade das sentenças e identificar heresias.

13. Histórias sobre as outras Inquisições raramente são contadas. A propaganda protestante demonizou injustamente Carlos V, mas escreveu panegíricos fulsivos elogiando Henrique VIII, o lascivo e traiçoeiro rei britânico. Dezenas de milhares de católicos foram torturados e massacrados em toda a Grã-Bretanha e Irlanda sob suas órdens e de outros como Oliver Cromwell […].

14. A maioria dos inquisidores não eram padres católicos. Muitos eram advogados formados em escolas espanholas seculares. O trabalho de inquisidor era considerado um trampolim para outras carreiras.

15. A propaganda anticatólica começou imediatamente após a vitória esmagadora do Imperador Carlos V durante a Batalha de Muelburg em 1547, contra os exércitos protestantes. Quando os reformadores perceberam a esmagadora superioridade militar da Espanha, eles usaram a imprensa para atacar seu caráter. O imperador Carlos recusou-se a abordar as mentiras, pois acreditava que os cavaleiros lutavam com armas no campo de batalha e não com ideias escondidas em segurança atrás de uma impressora.

16. Além disso, todas as pontificações negativas quanto a Inquisição derivam de fontes protestantes. Se a Inquisição fosse tão má como é retratada, inicialmente teriam surgido queixas de fontes católicas.[…]

17. Se fosse a Santa Inquisição tão tenebrosa quanto registrado por fontes anti-clericais, teria ocorrido uma revolta massiva destruindo a Igreja. Não houve guerra civil na Espanha ou deserções em massa do catolicismo.

18. Até Voltaire condenou a Inquisição Espanhola, alegando que ela ainda estava matando pessoas no século 18, mas não há nenhum registro disso. Voltaire nunca foi amigo da Igreja e esperava ansioso por sua destruição, por isso estava ansioso por espalhar histórias sobre ela.

19. A suposta “Câmara Inquisitorial” e suas condições supostamente horríveis simplesmente nunca existiram.

20. Embora a propaganda sugira que milhões de pessoas foram presas e torturadas, houve apenas 7.000 casos apresentados à Inquisição Espanhola no total. Apenas 2% dos acusados ​​sofreram alguma tortura. Apenas 1% experimentou tortura mais de uma vez.

21. Um documento supostamente da Inquisição Espanhola, que posteriormente foi provado ser uma falsificação, alegou que o tribunal ordenou o extermínio de populações inteiras – milhões de vítimas – por heresia. Na realidade, na Espanha do século XVI, apenas quarenta a cinquenta pessoas foram executadas por heresia, incluindo as Américas.

22. O número total de “vítimas” da Inquisição Espanhola foi de 3.000 a 5.000 pessoas. Isso  em comparação com as 150.000 bruxas queimadas no resto da Europa, principalmente em países de cuja profissão de fé não era católica.

[…]

23. Os inquisidores tinham diretrizes muito rígidas sobre o que poderia ou não ser feito, esforçando-se para garantir que as pessoas não fossem feridas, especialmente os inocentes. O guia era intitulado Instructiones.


Fonte: angelostagnaro.com


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