Como o COVID-19 testará o Ocidente

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“Se surgir um problema quando você menos espera, então talvez a coisa a se fazer seja sempre esperar pelo problema.” – Cormac McCarthy, The Road

Escrever qualquer coisa sobre o COVID-19 neste momento é uma tarefa árdua, desde que o situação está evoluindo tão rapidamente e em diversos locais. As informações contidas nesta peça podem ser completamente ultrapassadas por acontecimentos mais atualizados no momento desta publicação, ou mesmo no momento em que eu finalizá-la e clicar em “salvar”. Há também um excesso de informação online, algumas delas confiáveis e fascinantes, e algumas enganosas e contraprodutivas. Em todo lugar, há uma mistura de apreensão crescente, opiniões divergentes e sincera confusão. Se o mapa interativo do Centro de Recursos do Coronavírus Johns Hopkins é preciso, há atualmente 284,566 casos de COVID-19 em todo o mundo, um cenário que está crescendo. O “verdadeiro” número de infecções, que incluem portadores assintomáticos, será muito maior. Começando em 24 de fevereiro, um número acelerado de novas transmissões surgiu de fora da China, principalmente na Itália, que atualmente possui mais de 47,021 casos.

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No momento desta escrita, França e Alemanha também estão vivenciando um rápido aumento em pessoas afetadas, juntos totalizando mais de 33,000 casos, e a Espanha está a beira de um bloqueio nacional, com mais de 25,374. Quase todos os países europeus foram afetados, e o COVID-19 está agora se espalhando para os Estados Unidos, Canadá, África do Sul, Nova Zelândia e Austrália. Como isso testará o Ocidente?

Relações com a China

Especulações anteriores sobre o COVID-19, especialmente em círculos dissidentes, orbitavam em teorias conspiratórios de que o vírus foi construído e que fora ou implantado pelos Estados Unidos ou um vazamento acidental do Instituto de Virologia de Wuhan. Em dias recentes, a antiga teoria foi avidamente retomada pelos próprios chineses, adicionando o detalhe de que o COVID-19 foi desencadeado por militares americanos visitantes durante os Jogos Mundiais Militares, que foram organizados em Wuhan, de 19 a 27 de outubro de 2019. De acordo com o epidemiologista Michale Osterholm, no curso de um entrevista muito interessante com Joe Rogan, é possível datar as origens do COVID-19 humano através de um processo muito parecido com a datação por carbono, e os cientistas têm agora dados sugerindo que o COVID-19 tornou-se ativo em humanos pela primeira vez na metade de novembro de 2019. Ron Unz questionou:

“Como os americanos reagiriam se 300 soldados chineses tivessem visitado Chicago, e imediatamente depois uma nova praga mortal eclodisse naquela cidade, com um grande risco de se espalhar por todo o país? Também não é bastante suspeito que o Irã fosse atingido tão fortemente? Então os dois países no mundo que estão mais sujeitos a hostilidade americana apenas tendem a ser especialmente ‘azarados’. O COVID-19 impactou a China logo antes do Ano Novo Lunar, o pior momento possível, e o epicentro foi Wuhan, um centro de transporte principal. Realmente parece uma coincidência ‘surpreendente’ que 300 militares americanos estivessem visitando Wuhan pouco antes do surto, num pico de tensão internacional.”

Além da cronometragem do tempo, parece haver pouca evidência de que fora um ataque biológico. Mais obviamente, assume-se que qualquer tentativa de ataque biológico pelos Estados Unidos contra a China seria muito mais secreto do que o que já foi sugerido (uma liberação deliberada por um grupo de soldados muito públicos). Também, enquanto sabemos que os vírus parecidos com SARS, baseado no coronavírus dos morcegos, pode ser desenvolvido em laboratório, o genoma do COVID-19 já foi examinado por incontáveis vezes com o resultado de que há agora mais de 300 documentos no MedRXiv acerca da estrutura, natureza e origens do vírus. Nenhum desses documentos destacou algo que sugerisse uma origem artificial de qualquer aspecto do coronavírus.

A China tem reportado apenas cerca de 100 novos casos por dia nas duas últimas semanas – 26/03/2020. Foto: Thomas Peter/Reuters

Teorias conspiratórios a respeito da origem do COVID-19 são, claro, uma ferramente muito conveniente e útil para o governo chinês, porque desviam a atenção para o fato de que o surto pode ser facilmente atribuído a má governança e ao próprio comunismo. Acredito que a ideia de que o vírus se originou em um mercado de “comida maluca” de Wuhan é totalmente convincente (veja este documentário por 60 Minutes Austrália e esta breve peça por Vox), e tem consequências diretas para a percepção sobre o comunismo chinês. O consumo de comidas “exóticas” é em si um legado da Grande Fome Chinesa de 1959-1961, após a qual o governo permitiu a agricultura privada, mas falhou em prevenir o monopólio por grandes companhias da recria de gado convencional. O campesinato, precificado, recorreu em grande número à criação de animais silvestres, especialmente, nos estágios iniciais, a criação de tartarugas. Desde que essa fome, em certa medida, reduziu-se, o governo apoiou essas iniciativas e, em 1988, tornou o incentivo à domesticação e criação de animais silvestres um aspecto explícito da lei. A criação de animais silvestres tornou-se uma indústria da noite para o dia. Ursos, cobras, roedores, lagartos e morcegos começaram a ser produzidos em massa para o consumo humano, e vendidos em mercados de massa em muitas das maiores cidades do país.Nestes mercados, múltiplas espécies, vivas e mortas, são empilhadas em gaiolas uma em cima das outras, com os animais encharcados em coquetéis de urina e excremento – cada gaiola é uma placa de Petri para o desenvolvimento de novas doenças, especialmente doenças respiratórias, com um salto potencial para seres humanos de uma infinidade de mamíferos. Junto com sua falha em tomar ações preventivas em janeiro de 2020 e ausência na especulação de uma teoria da conspiração, o conto de origem do COVID-19 é finalmente uma acusação da política e cultura chinesas.

Eles surgiram de uma necessidade, e a higiene deixa a desejar. Entre 1958 e 1962, mais de 45 milhões de chineses morreram devido a Grande Fome. Comunas agrícolas foram criadas, mas os trabalhadores deveriam dar todos os grãos, não sobrando nem para comer, pois até cozinhar dentro de casa era proibido. Mas o fato desse comércio existir não significa que todos os chineses estão de acordo. Em um estudo divulgado em 2014, 52,7% dos moradores entrevistados não consomem tal tipo de alimento. Os pesquisadores compararam os dados com 2004, que apresentava um número de 42,7%. A tendência, então, é que em 2020 a quantidade de não-consumidores seja ainda maior. Foto: Imagem de god9527 por Pixabay

Pressões migrantes

O primeiro surto europeu de COVID-19 fatalmente coincidiu com uma operação agressiva de duas semanas da Turquia em suas fronteira com a Grécia, envolvendo o movimento de milhares de imigrantes sírios e africanos. Começando no final de fevereiro, o governo turco anunciou que não mais impediria os imigrantes de tentar alcançar a Europa, e então conduziu milhares para a fronteira grega, transmitindo ao vivo o processo para encorajar mais pessoas. O movimento foi abertamente entendido com uma tentativa de forçar o apoio europeu para a campanha militar turca no norte de Síria, e também como uma tentativa de extorquir dinheiro da União Europeia. Embora o esforço agora pareça ter terminado com o retroceder turco em face a resiliência grega, a Europa continua tendo sua “pistola” humana metafórica pressionada ao lado de sua cabeça.

 Preocupada com coronavírus, turista usa máscara de proteção perto do Coliseu, em Roma, uma das principais atrações turísticas da Itália. Foto: Andreas Solaro/AFP, 28.fev.2020

O COVID-19 irá agravar o mais amplo problema imigrante. Já está crescendo o clamor de que os campos de migrantes nas fronteiras europeias sejam evacuados por motivo de saúde, permitindo que os imigrantes entrem na Europa. O Médicos Sem Fronteiras (MSF) argumentou que condições de vida não-higiênicas e a aglomeração significam que o coronavírus pode se espalhar muito rápido, e que o distanciamento social e a limpeza de mãos são mais difíceis. Enquanto a Europa banir a aglomeração em massa, já foi dito que essas pessoas nestes campos não tem para onde ir. Mesmo dentro dos países europeus, o surto foi associado a pedidos de anistia e a abertura de centros de detenção de imigrantes. No Reino Unido, advogados e ativistas têm chamado para a liberação de centenas de imigrantes detidos nos centros “porque temem que contraiam o vírus enquanto confinados”.

O problema com estes chamados é que todos eles parecem apresentar o COVID-19 como uma praga mortal que abate tudo que estiver em seu caminho, e não como algo que aflige os mais gravemente doentes entre os idosos e os enfermos. Como é bem conhecido, a idade média dos possíveis imigrantes da Europa, particularmente aqueles da Síria, é algo em torno dos 20 anos. Dada a progressão conhecida do coronavírus em pessoas nesta categoria de idade, os apelos para permitir influxos de massas de imigrantes apenas por causa do surto equivale a exigir fronteiras abertas porque os imigrantes em potencial poderiam, de outra forma, pegar o resfriado. Entretanto, é provável que tais apelos atinjam o topo de uma onda de pânico induzida pela mídia, e a determinação do Ocidente de resistir a outros fluxos imigrantes será realmente testada por formas distorcidas de chantagem moral nas próximas semanas e meses.

Vida e morte sob o liberalismo

Conforme exposto em minha revisão de White Noise (1985) de Don DeLillo, vivemos em uma sociedade decadente que está com um medo patológico da morte. Esta patologia está enraizada em crenças equivocadas de que nossas civilização está morrendo ou poderia iminentemente morrer de doenças epidêmicas, catástrofes climáticas etc., no meio de uma abdicação intencional e ignorante de um futuro (pelo ódio próprio e aborto industrializado), em favor da imigração em massa, consumismo e da felicidade instantânea. Assim como é preciso enfrentar a morte para viver verdadeiramente (ou se tornar ‘autêntico’ na filosofia de Heidegger), nossa sociedade está num voo constante para a morte e assim inevitavelmente colapsa em decadência inautêntica. O COVID-19, enquanto não tão letal quanto a cobertura da mídia sugeriria, é uma lembrança de nossa mortalidade e da fragilidade humana e terá necessariamente um efeito estridente num liberalismo Ocidental que tornou-se cada vez mais distante do confronto com a morte.

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

A vida sob a finança liberal do capitalismo é em grande parte uma vida de ilusão, em que a perspectiva da morte real é empurrada para longe, ambas psicológica e culturalmente. A cultura liberal pós-moderna é em grande parte de adolescência perpétua, em que as virtudes primárias estão agindo de acordo com o desejo do indivíduo, identificando-se de uma maneira hiper-individualista, e expressando estas identidades por meio do consumo e comportamento conspícuos. Não “vivemos em direção” a morte, com um senso de propósito e sentimento de que somos parte de uma trajetória civilizacional muito mais grandiosa. Não compreendemos que a morte moldou nosso caminho histórico, e que ela nos pendura em caminhos que devem dirigir nossas ações no presente.

O COVID-19, independentemente da confusão atual sobre sua verdadeira taxa de mortalidade, é uma correção as ilusões de que o homem “progressista” superou a natureza e pode moldar o mundo (e sem consequências) de acordo com a imagem humana. Certamente, ao longo da minha própria vida, cresci acostumado com afirmação de que a expectativa de vida continuará a crescer, e que haverá abastecimento ininterrupto de inovações e projetos sociais que farão as mecânicas da vida mais fáceis e mais produtivas. Espera-se cada vez mais que se viverá uma vida longa, a maior parte em boa saúde. Tal senso de seguridade pode alimentar todos os tipos de arrogâncias e fantasias, incluindo a atual luxúria perversa da ilusão de que pode-se simplesmente decidir ser deste ou daquele gênero. Este novo vírus, contudo, apresenta a possibilidade, em si e em seus herdeiros inevitáveis, que a morte está muito mais perto do que pensávamos, e que para todo o nosso avanço tecnológico e auto-parabenização, a natureza precisa apenas torcer uma molécula, tão pequena que nossos olhos nus nunca perceberiam, e a sepultura se abre diante de nós. A idade da fantasia é confrontada com a realidade final.

Como o Ocidente responde a esta realização será um desafio cultural adicional. Crescemos igualmente acostumados a ideia de que “avançamos” moral como uma sociedade, e que superamos alguns dos aspectos mais “brutais” da existência humana que percebemos no passado. Mas, em um mundo aparentemente crescente, tais noções podem ser podem ser difíceis de testar. Sempre é fácil para um homem de estômago cheio condenar as ações do faminto. O conceito do Ocidente de barriga cheia é que ele superou e ultrapassou a si mesmo e seu passado agora será testado. Eu, é claro, surjo de uma tradição política e filosófica que insiste que não existe vergonha no passado. Eu vejo pouco ou nenhum espaço para a moralidade na luta pela sobrevivência. E também vejo as rachaduras já se formando na presunção ocidental. Esta sociedade que é contra o “ódio” e se orgulha de “se unir” já está lutando para impedir o povo de se amotinar por papel higiênico e garrafas d’água. Se a ordem civil se decompõe, as orgulhosas feministas irão procurar por seus próprios recursos ou esperar por um homem forte para protegê-las? Se o número de mortos aumentar dramaticamente, e se os toques de recolher e os bloqueios forem impostos e se intensificarem, pergunto: Quão bem as suas sociedades multiculturais irão responder? Se os recursos se tornarem escassos e as tensões aumentarem, em quem você irá confiar? Estes testes estão vindo.

Consequências políticas e econômicas

Apenas alguns dias atrás, JP Morgan projetou que uma recessão atingirá os EUA e as economias europeias em julho, com o PIB americano encolhido a 2% no primeiro trimestre e 3% no segundo, e o PIB da zona do euro contraído a 1.8% e 3.3% sobre os mesmos períodos. A cessação repentina da atividade econômica através das quarentenas, cancelamento de eventos, distanciamento social e o quase desligamento completo da indústria do turismo terá consequências imediatas e a longo prazo para as economias nacionais e padrões comerciais mais amplos. O fechamento em massa de escolas irá expor a fraqueza pré-existente num sistema moderno que vê as mulheres canalizados em massa no ambiente de trabalho enquanto seus filhos são deixados em creches ou escolas. De acordo com dados do Escritório de Estatísticas do Trabalho, mais de 70% das mães americanas com crianças com menos de 18 anos trabalham. Através do fechamento das escolas, o impacto do COVID-19 terá quase que certamente o maior impacto no papel da mulher no ambiente de trabalho desde a Segunda Grande Guerra, com muitas forçadas a deixar o trabalho e retornar para casa por um período de tempo ainda não determinado. Nos resta saber como isto irá impactar os negócios ou entidades públicas empregando estas mulheres, mas certamente irá causar dificuldades significativas e necessitar algum nível de mudar infraestrutural.

Imagem de Manuel Alvarez por Pixabay

O surto de COVID-19 também é projetado para testar o sistema de saúde ocidental até o limite. Tem sido particularmente interessante o fato de que o surto na Itália efetivamente quebrou o sistema de saúde na Lombardia, amplamente considerado como um dos melhores do mundo. Antes do surto, foi observado que:

“O sistema de saúde da Lombardia, caracterizado pela qualidade e eficiência, é um modelo de referência na Itália e no mundo. Com o benefício de parcerias privadas, de fato, garante a seus cidadãos e àqueles que vivem em outras regiões ou no exterior tenham acesso a um nível de sistema de saúde primordial com todas as vantagens de um sistema público. A Lombardia tem 56 Departamentos de Medicina Universitária, 19 IRCCS (instituições dedicadas a excelência em cuidado e pesquisa clínicos), o que representa 42% do total nacional, 47 institutos e 32 centros de pesquisa. Como resultado, a Lombardia e em particular Milão tem sempre atraído os mais renomados físicos em cada campo de perícia.”

O COVID-19 levou apenas duas semanas para esgotar as camas de hospital na Lombardia, forças doutores a sair de suas aposentadorias, graduar com antecedência estudantes de medicina e provocar a criação de 500 tendas de triagem fora de hospitais em todo o país. Os diferenciados e sempre politizados sistemas de saúde americanos e britânicos irão experimentar o mais intenso teste em suas respectivas histórias. Uma das figuras mais sinceras da profissão médica nas redes sociais atualmente é Eugene Gu, que fez questão de atacar a natureza que busca lucro de muitos dos estabelecimentos médicos americanos. Gu argumentou que a medicina americana é essencialmente um esquema de pirâmide que enrique aqueles no topo por artificialmente restringir o número de doutores produzidos pelo sistema:

As escolas médicas e o sistema de residência nos Estados Unidos está completamente quebrado, comparado a outros países. Agora que estamos no meio de uma pandemia de coronavírus, precisamos refletir sobre um sistema abusivo que fere pacientes e procura tornar imundamente ricos alguns poucos especialistas. Mesmo antes do coronavírus, criamos uma grande escassez física, limitando pontos em escolas médicas para inflar o salário dos doutores da mesma forma que a De Beers ajusta o mercado de diamantes. E nós destripamos os cuidados primários de modo que especialistas como cirurgiões plásticos e dermatologistas pudessem enriquecer. Eu fiz um juramento para “primeiro não faça nenhum mal”. Não posso simplesmente ficar de pé e assistir enquanto a fossa corrupta que chamamos de nosso sistema médico americano falha com nossos pacientes enquanto alguns poucos doutores, executivos de seguros e a Big Pharma se tornam imundamente ricos. Medicina não deve ser uma indústria pró-lucro.

Se concorda-se ou não com a perspectiva do Dr. Gu, as semanas e meses a seguir testarão a medicina pró-lucro americana e o sistema de saúde nacionalizado britânico, e talvez deixe legados duradouros para ambos.

Na Lombardia, um funcionário do hospital usando uma máscara e equipamento de proteção tende a um paciente deitado na cama. Foto: AFP

As consequências políticas também resultarão inevitavelmente das aproximações de líderes individuais à crise. Boris Johnson está arriscando seu futuro político em uma estratégia de “imunidade de rebanho”, que é radicalmente diferente do curso de ação seguido por outros líderes. Foi criticado por envolver o sacrifício da geração mais velha por um período ligeiramente prolongado de normalidade econômica e uma imunidade futura totalmente assumida entre os jovens. Donald Trump, enquanto isso, está rapidamente tentando se mover de uma resposta inicial altamente desdenhosa ao surto. Em ambos os casos e ao longo do ocidente, o populismo moderadamente “conservador”, baseado na celebração do capitalismo financeira e gestos simbólicos nas fronteiras serão testados até o limite por tensões em todos os aspectos da vida política, social e econômica. Trump, em particular, conseguiu espremer um monte de quilometragem política do desempenho do mercado de ações. Com as ações caindo e o sistema de saúde americano levado ao limite, resta ver se a vontade de Trump de legalizar o sexo gay na África será suficiente para manter seus eleitores felizes.

Em mais um retorno a realidade, o COVID-19, é claro, está fechando mais fronteiras do que qualquer expressão política populista jamais fez. Estava tudo tão bem que “o mundo fosse uma vila” quando envolvia férias baratas e alegres, mas bastaram algumas casas em estado de doença para o resto dos moradores desejarem que houvesse um lugar para onde pudessem escapar. A aldeia global está fechada. Todos os humanos devem estar igualmente susceptíveis a este vírus, mas as fronteiras nacionais, tão frequentemente desprezadas até então, agora se revelam de alguma utilidade – apenas uma delas sendo a oportunidade inestimável de selar e controlar um território limitado. O modo como as pessoas se acostumam a essa ênfase renovada no controle de fronteiras pode também deixar um legado político duradouro para o Ocidente. De qualquer forma, só podemos esperar que irá.

Conclusão

Com os fatos se movendo tão rapidamente, concluo com a sensação opressiva de que escrevi muito e pouco. As imagens apresentadas no início deste ensaio serão supérfluas ao tempo em que essa obra for publicada, mas penso que algumas das sugestões no corpo permanecerão relevantes por algum tempo que virá. Desejo a todos os líderes a melhor sorte o melhor de sua saúde nas semanas e meses que virão. Talvez a dificuldade do globalismo seja a oportunidade dos dissidentes.

Fonte: The Occidental Observer

Tradução de Diego Sant’Anna

Publicado originalmente em 21 de março de 2020

DISPONÍVEL NA LIVRARIA

Andrew Joyce
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