Terceira Posição: Síntese Histórica e Ideológica

Recentemente tem havido algumas discussões no que diz respeito ao que constitui ao terceiro posicionamento politico. Eu decidi tomar ele próprio como tema, e iniciar uma discussão sobre a história da terceira posição, suas variantes, e algumas dessas variantes como princípios ideológicos.

Eu não quero que este tema para se degrade em um debate sobre se ou não conceitos tais como o nacional-anarquismo são compatíveis com o nacionalismo “terceirista“, esta discussão é principalmente sobre a história e a ideologia dos movimentos de terceira posição, por isso peço a todos que centrem esta conversa em torno destes temas exclusivamente.

 

Definição
O conceito de terceira posição é algo muito básico. É uma vértice que se dissipa entre o capitalismo e o socialismo, algo como uma “terceira opinião”.
Os historiadores e teóricos políticos normalmente usam o termo para descrever várias correntes ideológicas nacionalistas que se originaram no início do século XX e que continuam a ser promovidas por vários partidos e movimentos políticos de todo o mundo nos dias atuais.Confira nossa Loja Virtual
A crítica
-Crítica contra o Comunismo-
Uma crítica comum da terceira posição -de todos os níveis variáveis – contra o comunismo é que seu cosmopolitismo utópico é inerente à natureza global. Teóricos de terceira posição, sendo nacionalistas, sentem que o internacionalismo entra em fundamental desacordo com o etnocentrismo inato da humanidade, que é um aspecto significativo da natureza humana. “Terceiristas” também sentem que é indesejável para a humanidade abraçar o internacionalismo, pois acaba por destruir a diversidade cultural e racial. [1]
O paraíso anárquico que Marx previu após o resultado final do comunismo (após a fase de transição socialista) (2) é visto pelos adeptos da terceira posição como sendo basicamente inatingível, por isso também contraria a aspectos da natureza humana, particularmente após a idade industrial.
Contra o Capitalismo
Que pode ser entendido, modo geral, o sistema liberal e por conseguinte o neoliberal
O capitalismo é visto pelos adeptos da terceira posição como explorador, injusto, anti-social, e ao contrário as noções de solidariedade nacional e étnica. O Teórico nacional-revolucionário Gregor Strasser descreveu a crítica do capitalismo de terceira posição da seguinte maneira:

“Nós somos socialistas. Nós somos inimigos mortais do sistema econômico capitalista de hoje com a sua exploração dos economicamente fracos, seu sistema de salário injusto, sua maneira imoral de julgar o valor dos seres humanos em termos de sua riqueza, seu dinheiro em vez de a sua responsabilidade e seu desempenho, e estamos determinados a destruir este sistema aconteça o que acontecer!”

Variantes
Uma vez que a terceira posição é um termo vago e amplo, um número de diferentes ideologias abrangem a sua classificação; a única coisa que todos eles concordam, é a sua posição comum contra o capitalismo e o comunismo.
NACIONALISMO SOCIAL
Nacional-Socialismo / Social-Nacionalismo
Também referente a Social-Nacionalismo, Socialismo-Nacional, etc… Como o termo “terceira posição”, o nacional-socialismo é um termo amplo que abrange uma ampla gama de diferentes interpretações e manifestações. Ao contrário da crença popular, o NSDAP de Adolf Hitler (Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) não foi a primeira ou única vertente do socialismo nacional que existiu.
O termo originou-se quase simultaneamente na França, na Checoslováquia e na Áustria no final de 1800, embora conceitos socialistas e nacionalistas existissem bem antes do termo em si.
O romancista francês, Dreyfus, e um político socialista, Maurice Barrès, foram os primeiro a evocar a frase “nacionalismo socialista” em sua campanha eleitoral 1898. Como a maioria de suas campanhas, Barrès correu em uma plataforma de “nacionalismo, protecionismo, e socialismo”.
Maurice Barrès (1862- 1923). Nascido em Charmes, França, estudou em Nancy e em 1883, direito em Paris, dedicou-se ao jornalismo. escritor e político francês, pai do nacionalismo francês. Passou algum tempo na Itália, e em 1888 com o lançamento da obra “Le Cult du moi” (O culto de mim) ele tornou-se uma figura na literatura francesa. Na política, foi eleito em 1889 pela primeira vez para a Câmara dos Deputados como um Boulangist e teria um papel político importante para o resto da sua vida.

 

Além de ser um dos primeiros notáveis políticos socialistas nacionais, Barrès também foi um dos primeiros teóricos políticos franceses a desenvolver um conceito de nacionalismo étnico. As teorias de Maurice Barrès passou a influenciar, posteriormente, várias manifestações do nacional-socialismo e do fascismo na Europa – em particular o primeiro movimento de massa socialista nacional, 300.000 membro do sindicato Socialista Amarelo de Pierre Biétry.

 

Pierre Biétry (1872 – 1918) natural de  Fêche-l’Église (Território de Belfort, França) foi um sindicalista e principal líder da “Fédération nationale des Jaunes de France” de 1902 a 1912, assim como membro do “Finistère” de 1906 a 1910, ele estava muito envolvido na questão da da educação escolar.
Em 1898, o Partido Social Nacional Tcheco [3] foi fundado. O partido apoiou uma fusão de nacionalismo e socialismo. O programa de 25 pontos elaborado por Adolf Hitler, Anton Drexler, e Gottfried Feder, e adotado pelo NSDAP, foi muito influenciado pela plataforma do Partido Nacional Socialista Tcheco.
A Liga Nacional dos Trabalhadores Alemães da Áustria mudou seu nome para “Partido Nacional-Socialista Alemão dos Trabalhadores” em 1918, em torno de um nacionalismo pan-germânico com uma plataforma socialista, que lembra as políticas abraçadas pelo NSDAP de Hitler. Em 1930, o partido estava dividido em duas facções, uma favorecendo uma estrutura democrática, e o outro favorecendo a campanha de Adolf Hitler -o partido em última análise se fundiu com o NSDAP após a anexação da Áustria ao Terceiro Reich.-
HITLERISMO
Poucos negariam que o hitlerismo, isto é, a expressão única de socialismo nacional estabelecido por Adolf Hitler é a variedade mais proeminente do nacional-socialismo na história. Antes de explicar as características distintivas do nacional-socialismo hitleriano, vou descrever brevemente as origens do NSDAP e associação de Hitler com o partido.
Anton Drexler, um socialista auto-identificado, fundou o Partido dos Trabalhadores Alemães em 1919 sobre o princípio da criação de um novo partido socialista que também fosse nacionalista por natureza. Depois de alguma hesitação e sobre revisão e aprovação da brochura de Drexler, aderiu ao Partido dos Trabalhadores Alemães em setembro de 1919, tornando-se o 55º membro do partido e o sétimo membro do comitê executivo do partido.
Gottfried Feder, Hermann Göring e Anton Drexler foram alguns do principais nomes políticos de influencia ideológica do nacional-socialismo alemã pan-germanista e logo pan-europeísta do futuro NSDAP 
Hitler posteriormente sugeriu a mudança do nome do partido para Partido Social-Revolucionário, mas em fevereiro de 1920, o Partido dos Trabalhadores Alemães mudou seu nome oficialmente para Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães. Em 1921, Adolf Hitler tornou-se, basicamente, o líder indiscutível do partido, e por volta de 1923 Drexler se demitiu do NSDAP.
Hitlerismo distingue-se por um certo número de características:
– O Führerprinzip: Basicamente, a vontade política da nação está incorporado no “Führer” (líder, condutor), abolindo a maioria das formas de democracia.
– Pangermanismo: A noção de que todas as pessoas de ascendência germânica devem ser unificadas através de um Reich alemão.
– Lebensraum: Hitler acreditava que a Alemanha não tinha o espaço vital imprescindível para a população excedente do Reich, e concebeu uma teoria expansionista em que os povos germânicos iria resolver os problemas da Europa Oriental.
– A eugenia: De acordo com as crenças racialistas de Hitler, o Terceiro Reich implementaram leis eugenistas para o reforço do desenvolvimento racial. O NSDAP também aprovou uma legislação proibindo a miscigenação (Leis de Nuremberg).
– Dirigismo: Adolf Hitler preservava a propriedade privada sobre a maioria das empresas, sob a estrita condição de que o Estado regulamentaria essas empresas para se adequarem aos interesses coletivos da nação. Tais regulamentos incluindo controle de preços, controles de salários, segurança no trabalho, controles de investimento, restrições a dividendos, quotas de produção e estado direcionado comércio. O banco central da Alemanha foi nacionalizado como as empresas que não cumprissem as leis estaduais. A maior empresa estatal operada na Europa também foi estabelecida sob o Terceiro Reich, a Reichswerke, por Hermann Göring.
Outros maiores também incluem Joseph Goebbels, Adolf Hitler e Alfred Rosenberg como maiores fomentadores da amplitude e dimensão pan-europeísta e defensor da auto-determinação dos povos que tomou o NSDAP posteriormente 
– Bem-Estar Social: Além das características socialistas óbvias encontradas dentro dirigismo do Terceiro Reich, o regime de Hitler também implementou várias medidas de bem-estar social. Um programa de cuidados de saúde socializado foi iniciado, ampliando a cobertura a todos os cidadãos alemães; projetos de obras públicas foram criadas para combater o desemprego; segurança social foi ampliada; casas de baixo custo foram construídas para o proletariado alemão contando com 1,458,128 unidades construídas entre 1933-1937; generosos empréstimos, benefícios fiscais e serviços de bem-estar foram dadas a famílias alemãs; férias pago a todos os trabalhadores alemães, bem como eventos culturais gratuitos para assistir, etc.
STRASSERISMO
Otto e o partido União Social

Gregor Strasser se juntou ao NSDAP em 1921, e seu irmão mais novo, Otto, juntou-se em 1925. Ambos os irmãos, juntamente com camaradas do partido, como Joseph Goebbels, conceberam uma corrente ideológica dentro do NSDAP que se diferenciava das políticas mais moderadas favorecidas por Hitler, e as teorias monetaristas promovidas por Gottfried Feder.

O social-nacionalismo dos irmãos Strasser contém as seguintes características da colaboração Europeia: Em contraste com o imperialismo pan-germânico e com o nordismo endossado por Hitler, o “strasserismo” defende e promove o pan-europeísmo. Este pan-europeísmo implicaria uma cooperação econômica entre todos os parceiros europeus, de modo a evitar os aspectos contraproducentes de competição econômica entre os estados europeus.
Otto Strasser acreditava que todos os europeus eram de ascendência racial semelhante e, portanto, rejeitava fundamentalmente qualquer teoria de superioridade entre nacionalidades ou sub-raças europeias. No entanto, Strasser também acreditava na preservação das culturas originais e etnias.
O federalismo: Otto Strasser defendeu a descentralização da Alemanha, que transformaria o país em várias regiões culturais distintas que seriam comunidades autônomas de auto-governo, porém todas as regiões praticariam o mesmo modelo econômico socialista nacional.
Socialização: Os irmãos Strasser (e muitos outros membros do NSDAP) defendiam a coletivização imediata dos meios de produção. Conselhos operários iriam coordenar seus locais de trabalho, com a supervisão do Estado para garantir que essas empresas estavam agindo de acordo com os interesses nacionalistas. A burguesia seria abolida e assimilada ao novo modo de produção socialista. O capital financeiro também viria a ser nacionalizado pelo Estado.
Reforma Agrária: A facção de Strasser do NSDAP defendia a desapropriação do latifúndio na Alemanha, com a terra a ser redistribuída para as famílias camponesas. Todas as terras seriam de propriedade do Estado, mas agricultores familiares possuiriam título hereditário dos terrenos. As fazendas permaneceriam na posse de cada família até que a família já não tenha nenhum descendente disposto a cultivar a terra.
Depois da queda do Terceiro Reich, vários partidos socialistas nacionais surgiram na Alemanha, e em todo o mundo, o Partido Socialista do Reich de Ernst Remer e o partido União Social de Otto Strasser foram os mais notáveis.
Otto Ernst Remer (1912 – 1997) ex-oficial da Wehrmacht e – depois da Segunda Guerra Mundial – político do Partido Socialista do Reich, de orientação nacional-socialista
O Partido Socialista do Reich, financiado em parte pelo governo soviético para desestabilizar o governo ocidental, logo atraiu um apoio significativo entre a população da Alemanha Ocidental, mas foi proibida sob as leis de “desnazificação” estabelecidas pelo novo governo alemão.
Otto Strasser, que foi finalmente autorizado a regressar à Alemanha em meados de 1950, foi preso devido a declarações anti-semitas que fez em público, enquanto promovendo seu novo partido político. O Partido União Social em última análise, atraiu poucos seguidores.
NACIONAL SINDICALISMO
George Valois (1878 – 1945)

O sindicalismo revolucionário tornou-se uma corrente muito popular na Europa no início do século XX, especialmente na França, Itália e Espanha. No entanto, até o início da Primeira Guerra Mundial, uma divisão histórica surgiu dentro dos movimentos sindicalistas e socialistas entre indivíduos e organizações que apoiaram a participação na guerra contra aqueles que defendiam a neutralidade.

Na sequência da cisão dentro do movimento sindicalista, a facção pró-guerra começou a se tornar mais franca sobre seus pontos de vista nacionalistas. Enquanto o movimento sindicalista revolucionário não admitia nada além do internacionalismo proletário, estes sindicalistas nacionalistas rejeitavam o internacionalismo marxista e afirmavam a legitimidade do Estado-nação.
Os sindicalistas revolucionários teorizaram um modo de produção socialista onde os trabalhadores seriam os proprietários dos meios de produção e conselhos de trabalhadores, estes também iriam gerir as suas empresas no âmbito de uma sociedade sem estado.
O Movimento Nacional-Sindicalista também se demonstrou favorável a propriedade do trabalhador e a gestão de meios de produção, mas no âmbito de um Estado-nação, com o governo como co-proprietário, e as empresas co-gestionadas pelos conselhos operários.
“Cercle Proudhon” de Georges Valois [4], fundado em 1911, foi uma das primeiras organizações envolvidas no cultivo de teoria Nacional Sindicalista.
O movimento fascista de Mussolini foi inicialmente associado com o Movimento Nacional Sindicalista, embora ao longo do tempo o partido fascista tenha vindo a adotar a sua própria forma de ideologia; o corporativismo.
Antes da Guerra Civil Espanhola, Ramiro Ledesma Ramo estabeleceu o seu próprio Partido Nacional Sindicalista (a JONS) na Espanha. O JONS obteve progressos significativos entre os círculos socialistas e anarquistas na Espanha, mesmo com o seu programa político sendo revisto pelo comitê central CNT-FAI. Eventualmente, Ramos fundiu seu partido com a Falange de José Antonio Primo de Rivera. No entanto, Ramo se desiludiu com as teorias corporativistas mais leves de José Antonio, e, eventualmente, demitiu-se do FE-JONS.
Mussolini, na Itália, a partir do nacional-sindicalismo  viria a fundar um dos maiores movimentos de massa do mundo na orientação da Terceira Posição, o fascismo, hoje deturpado pela esquerda-liberal como simples “doutrina do mal”. Primo de Rivera e Ramiro Ledesma foram as mais altas vertentes da terceira posição espanhola (e latinas como um todo), cuja morte prematura não apagara suas ideias 
Ambos, Ramos e José Antonio, foram assassinados por forças republicanas durante a Guerra Civil Espanhola, permitindo a oportunidade ao general reacionário, Francisco Franco, de cooptar o movimento. Posteriormente Francisco Franco acabara por trair os princípios sindicalistas do partido e permitindo a filiação de setores mais tradicionalistas (monarquistas e teocratas) oque alteraria os princípios do partido.
NACIONAL-BOLCHEVISMO 
Nicolae V.

Nacional-bolchevismo é muitas vezes incompreendido devido ao seu nome provocativo e paradoxal. No entanto, a ideologia representa uma vertente significativa da terceira posição, em que rejeita tanto o capitalismo como o marxismo.

Basicamente, existem duas vertentes do nacional-bolchevismo, ambas surgidas no início do século XX: a do professor russo, Nikolay Ustryalov; e a do ativista político e professor alemão, Ernst Niekisch.Jurista pela Universidade de Moscou, Nikolay Vasilyevich Ustryalov (1890 – 1937), natural de  São Petersburgo, foi um dos principais pioneiros do bolchevismo nacional russo. O irmão de seu avô foi Nikolay Gerasimovich Ustryalov. (fonte)

Nikolay Ustryalov, inicialmente um “russo branco” (contra-revolucionário) inimigo do bolchevismo, eventualmente passa a ver a revolução bolchevique como uma continuação do nacionalismo russo, especialmente considerando as reformas nacionalistas decretadas por Joseph Stalin após a morte de Lenin. Neste ponto, Ustryalov começou teorizar as possibilidades deste novo bolchevismo, que cunhou o nome de “nacional-bolchevismo”. No entanto, Ustryalov foi assassinado em 1937 no infame “Grande Expurgo” de Stalin de 1937, sobre acusações de “espionagem, atividade contra-revolucionária e agitação anti-soviética”.Ernst Niekisch (1889 – 1967), alemão escritor e político, foi uma das principais figuras do bolchevismo nacional. Influenciando pela ala Strasser do NSDAP , Niekisch voltou-se publicamente contra Adolf Hitler e organizou-se como uma resistência “nacional revolucionária” ao nacional-socialismo. Em 1937, ele foi preso e condenado em 1939 pelo Tribunal Popular por alta traição e atividade para uma parte proibida em prisão perpétua. Depois da guerra, ele se juntou ao SED, que ele criticou cada vez mais após o levante de 17 de junho de 1953 na RDA , até ele partiu em 1955 e mudou-se para Berlim Ocidental em 1963.

Ernst Niekisch era originalmente um membro do Partido Social-Democrata alemão, mas como Otto Strasser, foi expulso por “Promoção de ultra-nacionalismo e anti-semitismo”. Como todos os de terceira posição, Niekisch rejeitou o cosmopolitismo do socialismo marxista e afirmou a validade e a necessidade do Estado-nação. Seguindo sua expulsão do SPD, Niekisch Old assumiu o controle do Partido Socialista da Saxônia e estabeleceu um jornal político, Widerstand, que promoveu sua dissidência nacionalista do socialismo.

Niekisch sentia que as políticas socialistas promovidas por Hitler eram muito moderadas, e olhou ao stalinismo como um modelo para a sua campanha Nacional-Bolchevique, em oposição ao hitlerismo.

Em 1932, Niekisch publicou um livro crítico do hitlerismo, intitulado “Hitler: Ein Deutsches Verhängnis”. O NSDAP estava ciente do lançamento do livro de Niekisch e ordenaram sua prisão assim que chegaram ao poder em 1933. Eventualmente, Niekisch manteve as atividades de sua organização política “por baixo dos panos”, mas foi capturado e enviado para um campo de concentração em 1937. Durante seu tempo em cativeiro, Niekisch ficou cego. Niekisch, após o fim da Segunda Guerra Mundial, como resultado de seu tratamento pelo NSDAP terminou sua carreira política como um marxista ortodoxo, rejeitando o nacionalismo que ele defendia com tanta convicção onze anos atrás.
FASCISMO
Mussolini ovacionado no Palácio de Veneza. Itália, década de 30.

Como mencionado acima, o Nacional Sindicalismo representou um tipo de proto-fascismo na Europa. No entanto, como Partido Fascista de Mussolini cresceu e atraiu uma sociedade mais diversificada, político filósofos, como Giovanni Gentile, aderiram ao movimento e forjaram uma nova ideologia para o partido a abraçar. Esta ideologia viria a ser conhecida como o corporativismo.

Comumente ao contrário do que é considerado “corporativismo”, o corporativismo desenvolvido pelo movimento fascista italiano não significa a fusão de Estado e do poder corporativo privado.
A estrutura do corporativismo é essencialmente uma forma de sindicalismo. A Câmara Corporativa é uma junção vertical, com três corpos principais sendo representados: o trabalho, o Estado, e os empresários/gestão -com figuras periféricas, como especialistas em economia e da indústria também incluídos no processo de negociação-. Assim, enquanto os meios de produção estão tecnicamente ainda em mãos privadas, o modo de produção capitalista é abolido, com este modelo de cooperativa o substituindo. Proprietários de trabalho e de negócios coletivamente determinam os salários, a estrutura de gestão, investimentos, etc. Com o Estado atuando como um árbitro entre as duas facções.
O modelo corporativista nunca veio para representar o modo de produção para a maioria das empresas na Itália fascista; Em vez disso, a Itália praticava uma forma mais branda de dirigismo do que a que foi praticada pelo Terceiro Reich. Foram promulgadas as políticas de assistência social, que incluiu obras públicas para os desempregados, a política de socialização de cuidados de saúde, habitação a preços acessíveis e atividades de lazer, organizado pela Opera Nazionale Dopolavoro. Sem o conhecimento de muitos, tradicionais cooperativas de trabalhadores sindicalistas também foram reconhecidas oficialmente pelo Estado e autorizados a permanecer em existência na Itália fascista, florescendo em toda a história do regime com as empresas sindicalistas em expansão de 7.131 em 1927 para 14.576 em 1937.
Mussolini não liquidou a família real, a burguesia, ou a posição da Igreja Católica na Itália, mas, eventualmente cabe reconhecer o erro de não fazê-lo quando a família real o traiu e se juntou às forças aliadas na Segunda Guerra Mundial.
Após o NSDAP ter resgatado Mussolini do cativeiro, eles lhe permitiram estabelecer uma nova república em Salo, Itália, conhecida como a “República Social Italiana”. Mussolini, um ex-Nacional-sindicalista que era, decidiu abandonar o corporativismo em nome de uma forma tradicional de socialismo nacionalista. Tendo chamado seu amigo de longa data e ex-membro do Partido Socialista italiano, Nicolai Bombacci, para redigir a legislação para a nova república socialista nacional no Congresso de Verona em 1943. Mussolini conseguiu nacionalizar as principais empresas no Norte da Itália e além disso estabeleceu leis para a nacionalização de todas as empresas com mais de 100 funcionários.

Nicolai Bombacci foi assassinado por guerrilheiros comunistas junto com Mussolini em 1945. Suas últimas palavras foram: “Longa vida à Mussolini! Longa vida ao socialismo!”.

Nicolai Bombacci, Giovanni Gentile e Oswald Mosley, do fascismo político ao revolucionário, são leituras indispensáveis
Político britânico, Oswald Mosley, originalmente houvera adotado o modelo econômico corporativista promovendo-o dentre as fileiras da União Britânica de Fascistas, mas eventualmente passou a reconhecer as falhas da teoria, adotando assim uma forma de “sindicalismo nacional strasserista” no fim de sua carreira política.
DISTRIBUTIVISMO
Embora muitas vezes seja menos nacionalista, socialista, e racialista que outras variantes da terceira posição, o distributivismo no entanto, é fundamentalmente anti-capitalista e anti-comunista e fora adotado por certos círculos nacionalistas terceiristas da história contemporânea. Portanto, a maioria concorda que distributivismo tem um lugar dentro da terceira posição.

A teoria baseia-se os ensinamentos católicos do Papa Leão XIII, que foram expostos em cima por GK Chesterton e Hilaire Belloc no início do século XX.

Hilaire Belloc e GK Chesterton 
Distributivistas advogam pela descentralização do capital via reforma agrária, e um retorno para o modo artesanal de produção. Distributivistas se opõem a todas as formas de usura e favorecerem o que é referido como o “just price theory”, que rejeita o sistema de capitalismo de oferta e demanda em uma base moral.
Algumas visões sobre o distributivismo o descrevem como sendo impraticável na era pós-industrial, argumentando que a menos que uma reestruturação primitivista da sociedade foram realizadas, distributivismo não poderia ser esperado para funcionar bem na idade moderna.
NACIONAL-ANARQUISMO
Na década de 1920 , ao expressar seus pontos de vista de uma sociedade socialista alemã nacionalista descentralizada, Helmut Franke utilizou o termo “anarquismo nacional” para descrever sua teoria. O termo não foi expressado novamente até a década de 1980, quando certos anarquistas europeus começaram a teorizar um anarquismo que também fosse nacionalista em caráter. Esses anarquistas olharam para os sentimentos nacionalistas e racialistas manifestados por Mikhail Bakunin e Pierre-Joseph Proudhon para a inspiração no desenvolvimento de sua ideologia.
Troy Southgate, ex-membro da International Third Position, é um dos principais teóricos nacional-anarquistas contemporâneos.
Nacional-anarquistas advogam pela abolição total dos Estados-nações, que seriam substituídos substituído por comunidades tribais voluntárias , com base na identidade cultural e étnica. Economicamente, nacional-anarquistas favorecerem tudo de relacionado ao mutualismo para o agregamento primitivista.
OUTROS USOS
O termo “terceira posição” obviamente, não é exclusivamente utilizado para descrever os vários movimentos nacionalistas anti-capitalistas e anti-comunistas do início do século XX. O termo também tem sido utilizado em uma variedade de formas que não têm nada a ver com as ideologias políticas acima mencionadas.
-NO MARXISMO-
O filósofo marxista de origem judaica, Max Adler, usou o termo “terceira posição” para denotar uma teoria sociológica que ele estabeleceu sobre uma terceira posição na teoria de Marx do materialismo dialético, que rejeita tanto a visão marxista ortodoxa estreita que todos os eventos históricos podem ser entendidos e explicados unicamente por considerar o modo de produção de uma sociedade, e a visão de que a história deve ser vista através das lentes das ações individuais de pessoas em uma dada sociedade -Adler também defendeu uma “terceira posição”, na qual o “materialismo dialético compromete o universo inteiro”, englobando “todos os setores constituintes da realidade que entram na experiência humana: da natureza, da sociedade e do pensamento”
-NO CAPITALISMO-
Capitalistas também invocaram o termo “terceira via” para descrever várias correntes ideológicas dentro da teoria de mercado.
A “terceira posição” (às vezes chamada de “terceira via”) do capitalismo refere-se a um conceito originalmente teorizado por social-democratas europeus. O ex-presidente americano Bill Clinton abraçara essa ideologia através do apoio a certas políticas de bem-estar que em vez de ter o estado fornecendo os serviços, o Estado iria contratar empresas privadas para faze-las. Tony Blair também abraçou algumas dessas políticas centristas, incorporando-as em uma plataforma do “Novo Trabalhismo”.
Certos partidos políticos capitalistas surgiram usando o termo “terceira posição”, bem como, tais como “American Third Position Party” -que é um partido nacionalista favorecendo uma “terceira posição” entre democratas liberais e republicanos conservadores na sociedade americana.
-TERCEIRA POSIÇÃO NA AMÉRICA LATINA-
Perón na consagração com presidente da Argentina

O regime de Juan Perón na Argentina é frequentemente citado como uma expressão da Terceira Posição. Perón estabeleceu um corporativismo vertical como o modo de produção dominante, iniciou programas de bem-estar social, e criou indústrias nacionalizadas para competir com o setor privado para manter os preços baixos. Isto se seguiu até o ano de 1955 quando o modelo peronista começou a ser abandonado, em favor de reformas neoliberais desastrosas.

-TERCEIRA POSIÇÃO NO BRASIL – 


No Brasil, houveram bons exemplos do nacionalismo de terceira posição ideológica, embora muitos deles não chegassem a definir-se exatamente como tal, as suas visões política, econômica, social e cultural de um nacionalismo independentista além da esquerda e direita foram clarividentes.INTEGRALISMO

Marcha integralista no Rio

Surgida em círculos portugueses e franceses tradicionalistas da virada do século passado, surgiu no Brasil na década de 1930, a Ação Integralista Brasileira (AIB) encabeçadas por diversas personalidades da época como Gustavo Barroso, Plínio Salgado e Miguel Reale, tendo seu auge na época do governo getulista.

De inspiração tradicionalista, nacionalista/regionalista, na  doutrina social da Igreja, defende na linha do pensamento tradicionalista, que cada nação necessita de um sistema político adequado à sua própria história, cultura, religião e pensamento. Dá prioridade à preservação da cultura local, da tradição, dos costumes e ao desenvolvimento das zonas rurais, como forma de vencer o cosmopolitismo e o multiculturalismo. Contrários ao modernismo filosófico e prático, defendiam uma forma de governo baseada na ligação do Estado com a família, defendendo princípios éticos, religiosos e morais para os homens, lutando, assim, contra a extinção do Estado defendida por socialistas e direitistas.

Segundo sua própria doutrina, o Integralismo foi a Doutrina do Homem Integral, da Sociedade Integral, do Estado Integral. É a Doutrina dos valores integrais, sejam do homem, da sociedade ou do Estado.

Afirma inicialmente o Homem Integral. O homem não é só composto de matéria, mas, de matéria e espírito: A Pessoa Humana, com sua tríplice aspiração material, cultural e espiritual. Daí decorre o conceito da sociedade em que militam homens considerados com todas as aspirações, isto é, a Sociedade Integral.

A Nação é uma sociedade humana de pessoas livres e grupos naturais autônomos. É a Nação que cria o Estado. Sendo o Estado criatura da Nação, não pode absorvê-la ou dominá-la. A Nação pode modificar o Estado, mediante reformas constitucionais, mas o Estado não pode modificar a Nação, violentando a sua índole, a sua tradição, o seu modo de ser, as suas aspirações. Toda política estatizante aberra da natureza humana e fere os direitos fundamentais em que se alicerça a Nação.

O Estado Integral é a Nação organizada juridicamente, economicamente, culturalmente, moralmente e espiritualmente.

Enéas Carneiro

 

Enéas Ferreira Carneiro (1938 – 2007), era um político brasileiro fundador do Partido da Reconstrução da Ordem Nacional ( PRONA), localizado ideologicamente no nacionalismo e no conservadorismo anti-comunista e anti-direitista. Entre suas causas políticas estavam o rompimento total da economia nacional com o neoliberalismo e da sua influencia na política doméstica.

Armando Zanine Teixeira Júnior


Fundador do Partido Nacional-Socialista brasileiro no final dos anos 1980 e início dos 1990, defendia um governo nacionalistas e socialistas nacionais de determinação popular aos moldes nacional-socialistas europeus com visão a realidade e aspectos culturais, sociais e tradicionais brasileiros.

Atualmente denominado de Partido Nacionalista Revolucionário Brasileiro, apesar da denominação, não é reconhecido como um partido político oficial. O ano de sua fundação é incerto mas o mais provável é que seja em 1989, ele foi fundado pelo antigo oficial da marinha mercante carioca Armando Zanine Teixeira Júnior. Atua sobretudo no Rio de Janeiro, possuindo ramificações em São Paulo, no Espírito Santo, na Bahia e no Distrito Federal.

– NO MUNDO – 

A terceira posição em suas várias formas continua a existir em todo o mundo, com sinais de crescimento na França, Hungria, Grécia e Síria. O que se segue é uma pequena lista de grupos nacionalistas terceiristas ativos:

Organizações social-nacionalistas:
*National Resistance Movement (Alemanha).
*Patriotic Socialist Movement (Espanha).
*Golden Dawn (Grécia)
*Russian National Unity (Rússia)
*National Democratic Party of Germany (Alemanha)
Organizações nacionalistas:
*ATAKA (Bulgária)
*Party of the Swedes (Suécia)
*Jobbik (Hungria)
*National Front (França)
Organizações nacional-sindicalistas:
*CasaPound (Italia).
*Authentic Falange (Espanha).
Organizações nacional-bolcheviques:
*National Bolshevik Front (Rússia e Espanha).
*National Communist Party (Suécia).
*European National Communitarian Party (Bélgica).
Organizações nacional-anarquistas:
*Bay Area National Anarchists (Estados Unidos da América)
*National Anarchists of AUS/NZ (Australia e Nova Zelândia).
FONTES:
*Degrelle, Léon. The First Years of the Third Reich.
*Strasser, Otto. Germany Tomorrow.
*Speer, Albert. Inside the Third Reich.
*Gregor, Anthony J. Mussolini’s Intellectuals: Fascist Social and Political Thought.
*Payne, Stanley G. Fascism: Comparison and Definition.
*Payne, Stanley G. Falange: A History of Spanish Fascism.
*Stuart, Robert. Marxism and National Identity: Socialism, Nationalism, and National Socialism During the French Fin de Siecle.
*Overy, Richard J. War and Economy in the Third Reich.
*Domarus, Max. The Complete Hitler.
*Irving, David. Goebbels: Mastermind of the Third Reich.
*Stoddard, Lothrop. Into The Darkness.
*Aly, Götz. Hitler’s Beneficiaries.
*Temin, Peter. Soviet and Nazi Economic Planning in the 1930s.
*Schoenbaum, David. Hitler’s Social Revolution.
*Pedley and Collier. Germany 1919-45.”Fonte original: Gnose vermelha e verde: Terceira Posição: História e Ideologia


Tradução original: Gabriel Pimentel


Edição de texto e imagem/notas: O Sentinela
BIBLIOGRAFIA: BADE, Willfried: “Deutschland Erwacht” (Alemanha Desperta) capítulo, “Das Geburtsdatum der NSDAP” (A Hora do Nascimento do NSDAP). Berlim, 1933.

IMPRIMA ARTIGO EM PDF

Contato: osentinelabrasi@gmail.com

One thought on “Terceira Posição: Síntese Histórica e Ideológica”

  1. Nacional-Bolchevismo, Strasserismo, Nacional-Anarquismo,quarta teoria duguinista, são todos movimentos traidores e difusores de mentiras, influenciados por sionistas como Marx, servem pra dividir os camaradas nacionalistas portanto devem ser combatidos com ferro e fogo.

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