Stephen Lendman: O Mito de Que os EUA Teriam “Detonado” o Estado Islâmico na Síria

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“Estado Islâmico” – (‘ISIS’ – sigla em inglês), que não é nem “estado” nem “islâmico” – é criação dos EUA. E al-Qaeda, a frente al-Nusra, descendente da al-Qaeda e outros grupos terroristas também são criação dos EUA: todos esses grupos foram usados pelo Pentágono e pela CIA como ‘agentes locais’ mercenários, e simulacro de soldados, que os EUA usam para fazer suas guerras em áreas distantes.

As frases de Trump (presidente estadunidense), segundo as quais os EUA estariam “detonando” o ‘Estado Islâmico’… Ou teriam “derrotado” o ‘Estado Islâmico’ na Síria” são rematadas mentiras. Antes, Trump já dissera que ele saberia “muito mais sobre o Estado Islâmico do que os generais”…

Dias depois de ter anunciado que os EUA se retirariam da Síria, Trump dizia que “o ‘Estado Islâmico’ estaria praticamente derrotado.” Em janeiro, disse que os norte-americanos “continuam a combater contra o Estado Islâmico.” Depois de prometer “rápida retirada da Síria” em dezembro, Trump se desdisse e anunciou que “depois da retirada, ainda permanecerão lá algumas forças norte-americanas, por meses, talvez anos.”

Eis alguns fatos incômodos que Trump, sua equipe geopolítica e a mídia norte-americana recusam-se a reconhecer e fingem que não sabem:

  • EUA e seus parceiros imperiais apoiam os criminosos do ‘Estado Islâmico’ e de outros grupos terroristas aos quais fingem que se opõem.
  • Forças da Síria e do Hezbollah, muito ajudados pela Força Aérea russa [1],  estão, essas sim, “detonando” o ‘Estado Islâmico’; as forças terroristas foram muito reduzidas, mas ainda há grupos ativos.
  • Erdogan (presidente da Turquia) da Turquia finge que faz oposição aos bandidos que, contudo, apoia ativamente, e garantiu ao ‘Estado Islâmico’ e a outros grupos terroristas um paraíso seguro em território turco, permitindo que entrem e saiam entre os dois lados da fronteira.

Na quarta-feira (6), fontes citadas no website Sputnik News (em idioma árabe) disseram que nas 48 horas anteriores, cerca de 1.500 terroristas entraram na província síria de Idlib, provenientes da Turquia – em flagrante violação do acordo de Sochi.

Erdogan não passa de déspota maluco, em quem absolutamente ninguém pode confiar, e obstáculo à solução política do conflito na Síria, inimigo do presidente Bashar al-Assad, a quem deseja ver fora do governo, e que ambiciona anexar território sírio junto à fronteira turca – área rica em petróleo.

Erdogan mentiu para Putin (presidente da Rússia), ao quebrar o acordo que criou a zona desmilitarizada russo-turca na província de Idlib, no norte da Síria.

Continua ali um ninho de terroristas apoiados por EUA/OTAN/Arábia Saudita/Israel/Turquia. Cerca de cinco meses depois que Erdogan prometeu desarmar seus terroristas, eles estão ainda mais pesadamente armados e entrincheirados do que antes – usando as próprias posições para atacar forças do governo e civis.

Na mesma quarta-feira, Trump trovejou:

“Deve-se anunciar formalmente na próxima semana que derrotamos 100% do califado… Quero esperar o comunicado oficial. Não quero falar antes da hora”. E acrescentou:

 

“O ‘Estado Islâmico’ controlava mais de 51 mil kmno Iraque e Síria” [antes de Trump assumir o governo]. Na sequência, Trump diz que estaria hoje trabalhando com parceiros dos EUA “para destruir os remanescentes…”

 

Como o de Obama, o governo de Trump está fazendo precisamente o oposto, incluindo Iraque, Afeganistão, Líbia e também em outros locais, e implantando o ‘Estado Islâmico’ e outros jihadistas nesses países – com armas, dinheiro, treinamento e inteligência que os EUA lhes garantem.

O Congresso, o Pentágono e a CIA querem que as forças dos EUA permaneçam na Síria. Na 2ª-feira, o Senado votou com maioria expressiva contra a retirada das forças dos EUA, da Síria e do Afeganistão –, sob o pretexto de que o ‘Estado Islâmico’ e al-Qaeda seriam séria ameaça aos EUA.

O Congresso diz que “uma retirada precipitada” das forças do Pentágono pode “permitir que os terroristas (que contam com o apoio dos EUA!) se reagrupem, desestabiliza regiões críticas e criem vácuos que possam ser ocupados pelo Irã ou Rússia.”

Não é provável que aconteça qualquer tipo de retirada de forças norte-americanas do país algum onde essas forças estejam hoje. Chegaram para ficar, não para sair, inclusive na Síria [2].

Segundo Ahmad Kazem, diretor da Rede Síria de Direitos Humanos com base em Damasco, os terroristas da rede al-Nusra, ajudados pelos Capacetes Brancos, [3] transferiram barris de gás cloro “em duas ambulâncias”, para Khan Sheikhoun, em Idlib, onde aconteceu um ataque químico de falsa bandeira em 2017 – ataque pelo qual as forças do governo sírio foram responsabilizadas.

Acrescentou que os barris de gás foram guardados num caminhão frigorífico, para preservá-los para serem usados contra civis, no instante em que cheguem as ordens.

No final de janeiro, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, alertou que os Capacetes Brancos, apoiados pelo Ocidente, estavam em preparações para filmar ataques químicos encenados em Idlib.

Várias e repetidas vezes, forças do governo foram declaradas responsáveis por incidentes com as quais nada tinham a ver. Aviões de guerra de EUA, Reino Unido e França atacaram pontos do território sírio, depois dos incidentes de falsos ataques químicos. [4]

Em janeiro, John Bolton [5] disse o seguinte:

 

“Não há absolutamente qualquer mudança na posição dos EUA contra o uso de armas químicas pelo regime sírio, nem qualquer mudança em nossa posição de que qualquer uso de armas químicas receberá resposta muito forte, como já fizemos duas vezes.”

 

É questão de tempo antes de o próximo ataque químico ser encenado, filmado e divulgado, para servir como pretexto para que jatos de guerra comandados pelo Pentágono atacarem interesses militares sírios, e talvez Damasco esteja na lista norte-americana de alvos.

Fontes: Global Research

* Originalmente traduzido por “Vila Vudu”.

* Imagem de capa: © AFP 2018 / USMC

Notas:

[1] Que para o feito usaram até mesmo os UR-77 Meteorit, veículos blindado montados sobre chassis do canhão autopropulsado 2S1 Gvozdika da era soviética, como informou Valentin Vasilescu.

[2] Na verdade, Trump, tentando ceder ao lobby israelense sobre os Democratas, principais opositores internos na construção do muro com o México, tem intenção de deslocar para Israel os soldados aquartelados na Síria, numa manobra bastante suspeita e favorável ao Estado sionista e sua política de agressão à Síria e o Irã.

[3] Terroristas disfarçados de agente humanitários em ações de fachada, os quais continuaram recebendo apoio financeiro via Washington.

[4] Mas como sempre, por vezes o Estado-Maior dos Aliados norte-americanos acaba tendo que admitir que a falta de indícios e provas, para não dizer, a farsa dos “ataques químicos” contra população civil por parte do próprio governo. Algo que não teria o menor cabimento de acontecer.

[5] Aquele ao qual Jair Bolsonaro, todo entusiasmado, bateu continência antes de um agradável café da manhã para Conferência sobre segurança nacional, da qual deve ter-lhe ditado oque fazer e oque concordar.

Sobre o autor:

Stephen Lendman nasceu no ano de 1934 em Boston, Massachusetts (EUA). Em 1956, recebeu uma  bolsa da Universidade de Harvard. Seguiram-se dois anos de serviço no Exército dos EUA e um MBA da Wharton School na Universidade da Pensilvânia em 1960. Depois de trabalhar sete anos como analista de pesquisa de marketing, ingressou no negócio familiar do Lendman Group em 1967. Ele permaneceu lá até se aposentar, no final de 1999. No verão de 2005, começou a escrever sobre as principais questões mundiais e nacionais. No início de 2007, seguiu a hospedagem de uma rádio. Lendman agora hospeda a Progressive Radio News Hour na Progressive Radio Network três vezes por semana. Ele é vencedor do Project Censored de 2008 e ganhador do prêmio de jornalismo internacional do Clube Mexicano de Jornalistas de 2011.

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