Roman von Ungern-Sternberg, O Barão Sangrento: Louco, Guerreiro ou Místico?

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“Meu nome está cercado por tamanho ódio e medo que ninguém pode julgar o que é verdade e o que é mentira, o que é história, e o que é mito.” 
(Barão Roman Fedorovich von Ungern-Sternberg, 1921)

Introdução

Na Mongólia, havia uma lenda do príncipe guerreiro, Beltis-Van. Notável por sua ferocidade e crueldade, ele derramou “enormes quantidades de sangue humano antes de ter encontrado sua morte nas montanhas de Uliasutay.” Seus assassinos enterraram os corpos do Príncipe e de seus seguidores bem fundo na terra, cobriram as tumbas com pedras pesadas, e adicionaram “encantamentos e exorcismo para que seus espíritos não irrompessem novamente, carregando morte e destruição.” Essas medidas, foi profetizado, prenderia os terríveis espíritos até que sangue humano se derramasse novamente sobre o local.
No início de 1921, prossegue a história, “russos vieram e cometeram assassinatos perto das temíveis tumbas, manchando-as com sangue.” Para alguns, isso explicava o que se seguiu.
Quase no mesmo instante, um novo chefe guerreiro apareceu em cena, e pelos próximos seis meses ele espalhou terror e morte pelas estepes e montanhas da Mongólia e  mesmo nas regiões adjacentes da Sibéria. Entre os mongóis ele ficou conhecido como o Tsagan Burkhan, o “Deus da Guerra” encarnado.
Posteriormente, o Dalai Lama XIII proclamou-o uma manifestação da “divindade furiosa” Mahakala, defensor da fé budista. Historicamente, o mesmo indivíduo é mais conhecido como o “Barão Louco” ou o “Barão Sangrento”. Seus detratores não se encabulam de chamá-lo um bandido homicida ou de psicopata.
O homem em questão é o Barão Roman Fedorovich von Ungern-Sternberg.
No início da vida
Ungern quando criança

Ele veio ao mundo como Robert Nicholaus Maximilian von Ungern-Sternberg em 10 de janeiro de 1886 em Graz, Áustria. Era quase completamente alemão por sangue, mas o Barão passou a maior parte de sua vida no serviço dos Romanov. Em uma família aristocrática alemã do Báltico, mas exatamente crescendo em Reval (hoje Tallinn),na Estônia governada pela Rússia, seu pai, Teodor Leonard Rudolf von Ungern-Sternberg, introduziu seu filho na nobreza czarista como Roman Fedorovich.

Os Ungern-Sternbergs eram uma antiga, orgulhosa e ilustre família germânica. O Barão datava sua linhagem em pelo menos mil anos e se vangloriava com seus captores bolcheviques de que 72 de seus ancestrais haviam dado suas vidas pela Rússia em muitas guerras.
No que concerne o estado mental de Roman von Ungern-Sternberg, obviamente um diagnóstico de insanidade só pode ser feito após um exame por um psiquiatra, algo impossível nesse caso. Porém, Dmitry Pershin, uma testemunha que tinha uma visão razoavelmente positiva do Barão, ainda sentia que Ungern sofria de alguma “anormalidade psicótica” que fazia com que ele perdesse a cabeça sob a mais “mínima provocação”, usualmente com resultados terríveis.
Históriadores posteriores afirmaram que o comportamento aberrante de Roman era o resultado de um corte de sabre em sua cabeça, mas ele manifestava tendências violentas e rebeldes desde muito antes. Seus dias escolares foram marcados por constantes problemas. Entretanto, No seu currículo, Ungern possuía duas condecorações, da Ordem de São Jorge (4ª classe) e da Ordem de São Vladimir (4ª classe).
Existe a sugestão de instabilidade mental, mesmo louca, em sua linhagem próxima. Por exemplo, um ancestral do fim do século XVIII, Freiherr Otto Reinhold Ludwig von Ungern-Sternberg, ganhou infâmia como pirata e assassino que morreu no exílio siberiano. O próprio pai de Roman tinha uma reputação de “homem mau” cuja violência e crueldade levou ao seu divórcio e a uma proibição de que ele tivesse qualquer “influência” sobre seus filhos.
Ungern jovem oficial

Sob a supervisão de seu padrasto Oscar von Hoyningen-Huene, graduou-se na Escola Militar de Pavlovsk. No Corpo de Cadetes Navais, ele recebeu não menos que 25 punições disciplinares antes de se retirar antes de uma expulsão garantida. Sua educação o deixou com uma aversão permanente pelo “pensamento” que ele equiparava a “covardia.”

Servindo na Sibéria após a graduação, foi cativado pelo estilo de vida nômade dos povos, como os mongóis e os buriatos.
Como oficial júnior antes e durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), ele estabeleceu uma reputação como um encrenqueiro violento com uma tendência para a embriaguez. Porém, ele também recebeu medalhas por feridas e bravura inconsequente. Nas palavras de um superior, o jovem Barão era um “guerreiro por temperamento,” que “vivia para a guerra” e aderia a seu próprio conjunto de “leis elementais.” Essas últimas eram influenciadas por um interesse no misticismo e no ocultismo, principalmente da variedade oriental.
Durante a Primeira Guerra Mundial [1], combateu na Galícia [2] e foi considerado um oficial valente, mas imprudente e mente instável, ao ponto de que o general Piotr Wrangel chegou a mencionar em suas memórias que tinha medo de promovê-lo a um posto mais alto.
O Barão como Guerreiro Místico
Exatamente quando e onde esse interesse começou é incerto. A variedade pessoal de fé de Ungern, se é que era Budismo, aderia à seita mística tibetana Vajrayana ou Tântrica.
O jovem Roman ganhou seu primeiro gosto do Oriente quando fazia parte da infantaria durante a Guerra Russo-Japonesa (1904 – 1905), passando, de 1908 a 1914, como oficial dos cossacos na Sibéria e Mongólia, abandonando sua comissão regular já no fim de 1913. Sozinho, ele partiu para a vastidão da Mongólia Exterior que havia proclamado independência da China. Segundo um relato, ele ergueu-se como comandante das forças de cavalaria do inexperiente Exército Mongol, enquanto outros mantém que ele uniu-se a um bando de saqueadores do sanguinário rebelde anti-chineses, Ja Lama. Em algum ponto, Ungern acabou na cidade de Kobdo (Khovd) na Mongólia ocidental como um membro da guarda do consulado russo local.
Foi então, ele afirmou depois, que ele formou uma “Ordem de Budistas Militares” para servir ao Czar e lutar contra os males da Revolução Bolchevique. As regras dessa Ordem incluíam o celibato e o “uso ilimitado de álcool, haxixe e ópio.” Esse último era para ajudar os iniciados a superarem sua própria “natureza física” através dos excessos, mas como o Barão confessou, isso não funcionou como ele tinha planejado. Posteriormente, na Mongólia, ele impôs uma proibição rígida sobre a bebida. Ainda assim, ele afirmou, ele reuniu “três centenas de homens, ousados e ferozes,” e alguns que não pereceram durante a luta contra a Alemanha e os Bolcheviques ainda estavam com ele em 1921.

O principal ponto forte das hordas eurasiáticas do Barão Ungern era a cavalaria cossaca-mongol
Um de seus camaradas lembra que “quando se observava Ungern, sentia-se levado de volta à Idade Média…; ele era um retrocesso aos seus ancestrais cruzados, com a mesma sede por guerra e a mesma crença no sobrenatural.” Outro lembra-se que ele demonstrava “um grande interesse pelo Budismo,” aprendeu mongol e passou a frequentar lamas videntes. Segundo Dmitri Aloishin, um tardio e involuntário membro do exército do Barão, os “professores budistas de Ungern o ensinaram sobre a reencarnação, e ele firmemente acreditava que em matar pessoas fracas ele apenas fazia a elas um bem, já que elas poderiam ser criaturas mais fortes na próxima vida.”
Os paralelos entre o anteriormente mencionado Ja Lama e o Barão parecem bem próximos para serem mera coincidência. Também conhecido como o “Lama com uma Mauser”, Ja Lama brevemente tornou-se mestre da Mongólia ocidental. Outro “budista militante,” ele ganhou uma temível reputação por arrancar o coração de seus infelizes prisioneiros e oferecê-los em taças em forma de crânio humano como bali (sacrifício) aos “deuses tibetanos do terror.” Um desses rituais “tântricos” de execução ocorreu em Kobdo no verão de 1912, pouco antes de Ungern aparecer no local. Em fevereiro de 1914, o cônsul russo em Kobdo prendeu Ja Lama e algumas tropas cossacas, possivelmente incluindo Ungern, e escoltou os cativos ao exílio na Rússia. Teria Ja Lama se tornado um modelo para o Barão, ou mesmo uma inspiração religiosa?

Ja Lama ou Dambiijantsan (1862–1922) era ventureiro e Senhor da Guerra de nascimento e formação desconhecidos que lutaram sucessivas campanhas contra o domínio da dinastia Qing na Mongólia ocidental entre 1890 e 1922. Ele afirmou ser lama budista, embora não esteja claro se ele realmente era um, bem como um neto e mais tarde a reencarnação de Amursana, o príncipe Khoid – Oirat que havia liderado a última grande revolta mongol contra os Qing em 1757. Ele foi um dos comandantes das forças mongóis que libertaram a cidade de Khovd do controle Qing em 1912.
 
O levante contra os Soviéticos (Vermelhos)
Após a Revolução Bolchevique de fevereiro de 1917, foi enviado pelo Governo Provisório Russo ao Extremo Oriente russo, como subordinado do general Grigori Semiónov para estabelecer uma presença militar leal naquele lugar.
Ungern von Sternberg

No Extremo Oriente russo, mais precisamente na Sibéria oriental, o Barão Ungern von Sternberg, junto de Semiónov, aliou-se com o movimento anti-bolchevique, conhecido como os “Brancos[3], em oposição aos “Vermelhos” comunistas. Porém, seus sentimentos monarquistas extremos e modos independentes fizeram com que os partidários o vissem como um perigo nessa facção.

Embora Semenov e Ungern von Sternberg se oponham aos bolcheviques, não eram parte do Movimento Branco de fato e não reconheciam a autoridade do almirante Aleksandr Kolchak, o líder nominal. Na verdade, os dois generais recebiam apoio dos japoneses, que queriam estabelecer um governo fantoche no Extremo Oriente Russo, sob o governo de Semiónov. Para os líderes do Movimento Branco, que acreditavam em uma Rússia “forte e indivisível”, isto era alta traição.
Ungern von Sternberg formou uma unidade integrada por russos, buriatos e cossacos, a qual saquearam os trens das provisões dos dois bandos envolvidos na guerra civil: branco e vermelho. Devido a que Kolchak tinha a sua base de operações na Sibéria central, Semiónov e Ungern von Sternberg operavam na área Transbaikalia, ao oriente. Seus ataques aos comboios/trens que viajam de Vladivostok em operações ferroviárias na ferrovia transiberiano afetaram consideravelmente as operações de Kolchak nos Montes Urais.
Um Senhor da Guerra surge
O jovem Bogd Khan 

Desde 1919, a Mongólia tinha sido reocupada por tropas da China. No final de 1920, Ungern von Sternberg, ingressou com as tropas na Mongólia convidado pelo deposto Bogd Khan, que havia sido governante civil e religioso no país. Sua invasão à Mongólia imortalizou seu nome e alterou o curso do destino desse país.

Depois da Revolução de Outubro de 1917 e ter lutado contra os comunistas e o Exército Branco, antes mesmo de chegar na Mongólia, foi nomeado como general. Ungern havia viajado centenas de quilômetros a cavalo para Hovd ter ouvido a notícia de que devem ser liberados.
Quando Ungern entrou na Mongólia perto do rio Onon foi lhe dado uma recepção calorosa. Os mongóis acreditaram que o próprio czar o havia enviado para expulsar os soldados chineses e libertar a Mongólia.
Os mongóis, cujo ódio aos chineses haviam chegado a um ponto crítico, viram o Barão Ungern como seu salvador e uniram ao seu exército e dando-lhe novas disposições. Ele estava consciente das expectativas dos mongóis e procurou obter o apoio nacional dizendo que seu objetivo era liberar a Mongólia dos chineses, restaurar Bogd Khan ao seu trono legítimo e restaurar a sua autonomia.
O barão-general recrutou muitos mongóis para reforçar as suas forças e atacou Hüree em 26 de outubro de 1920. Após dez dias de batalha Ungern não tinha outra escolha senão retirar-se. Este russo colocou um deel mongol (traje nacional), com a insígnia de um general sobre o ombro, se proclamou budista e anunciou os projetos grandiosos para reavivar o império de Genghis Khan. No começo de 1921, realizou um ataque surpresa sobre os chineses, entrando e resgatando o Bogd Khan e Enh Dagina, a batalha continuou por cerca de dez dias. Em Janeiro de 1921, o exército de Ungern von Sternberg assaltou, a capital da Mongólia, Urga (hoje Ulan Bator), várias vezes, mas foi repelido com fortes baixas. Em seguida, ordenou às suas tropas criar uma grande quantidade de incêndios nas montanhas ao redor de Urga, para fazer parecer que a cidade estava rodeada por uma força avassaladora até que em fevereiro de 1921, sem luta alguma, expulsou os chineses da cidade.
Huree foi tomada em 4 de fevereiro de 1921. Os chineses escaparam ao norte até Hiagt. E em 13 de março de 1921, Mongólia foi proclamada uma monarquia independente, com Ungern von Sternberg como ditador.
Um ângulo tibetano figura proeminentemente na subsequente fuga mongol de Ungern. O Buda Vivo era ele mesmo um filho da Terra das Neves Perpétuas, e existia uma pequena comunidade tibetana em Urga. Uma centena, aproximadamente, desses homens formaram uma sotnia (esquadrão) especial nas forças do Barão e tiveram um papel crítico no ataque sobre Urga, tendo resgatado o Bogdo de sob os narizes de seus guardas chineses. Os chineses e mongóis estavam convencidos de que o feito havia sido realizado através de feitiçaria. Esses tibetanos mantinham uma distância do resto do exército do Barão; aparentemente outros eram afastados por seu hábito de jantar em tigelas feitas com crânios humanos, talvez o mesmo tipo de vasilhames usados nos ritos de sacrifício de Ja Lama.
O nexo tibetano também garantiu para o Barão um elo com Lhasa e o Dalai Lama, a quem ele enviou cartas pessoais. Após se poder na Mongólia ter entrado em colapso, Ungern sonhou com liderar os remanescentes de sua diversão até o Tibete para se colocar a serviço do santo budista. O prospecto dessa missão extenuante e potencialmente suicida foi a gota d’água em provocar motim contra o Barão.
Também servindo sob Ungern em sua aventura mongol estava aproximadamente 50 soldados japoneses. Isso alimentou acusações de que ele seria um instrumento do imperialismo japonês. Enquanto está claro que as Forças Armadas japonesas monitoravam as atividades do Barão e achavam que ele poderia ser útil, é igualmente evidente que eles não tinham qualquer controle sobre ele. Ainda assim, esse minúsculo contingente japonês recebia rações melhores e o privilégio único de consumir álcool. Registros militares japoneses sugerem que os homens eram em sua maioria “pequenos aventureiros” atuando por conta própria, mas isso não está muito claro. Seu comandando, um Major ou Capitão Suzuki, havia conhecido o Barão em 1919 em um “Congresso Pan-Mongol” e a dupla mantinha uma amizade especial e secreta.
Uma possibilidade intrigante é que Suzuki não era um emissário do Exército de Mikado, mas de uma das sociedades secretas que o permeava, como a Sociedade do Dragão Negro, ou a ainda mais secreta Sociedade do Dragão Verde. Essa última era baseada em uma seita de Budismo esotérico, e sua agenda Pan-Asiática e Pan-Budista se confundia com as próprias crenças de Ungern. O Barão sentia que o Ocidente havia perdido seu ancoradouro espiritual e havia entrado em uma fase de desintegração moral e cultural. A Revolução Russa não era mais que uma manifestação dessa corrupção avançada. Apenas no Oriente, especificamente no Budismo, ele via uma força capaz de resistir a essa decadência e de restaurar uma ordem espiritual no Ocidente.
Em 1920, se separou de Semiónov e tornou-se um senhor da guerra. Acreditava que a monarquia era o único sistema social que poderia salvar a civilização ocidental da corrupção e a auto-destruição. Então começou a considerar a ideia de restaurar no trono chinês a dinastia Qing e, em seguida, unir sob a sua soberania às nações do Extremo Oriente.
Um líder Khan para a Mongólia
Ungern e tropas mongóis 

Ungern planejava devolver aos reis da Mongólia, China e Manchúria. Como primeiro passo, pôs o Khan Bogd de novo ao trono, restaurou a autonomia e formou cinco ministérios. Em reconhecimento de sua realização, o Bogd Khan concedeu a Ungern o título de Hoshoi Chin Van.

O novo governo enviou uma declaração a países estrangeiros buscando o reconhecimento da autonomia da Mongólia e iniciou um pogrom que mais tarde traria a ele o epíteto de “Barão Sanguinário”. Afirmou que adorava Genghis Khan e confiava nos mongóis, mas odiava os bolcheviques e os judeus, dos quais havia muitos em Hüree.

Ele designou o coronel Sepailoff foi designado governador do Hüree por Ungern, dizendo que não ficaria satisfeito até que todos os judeus e partidários bolcheviques em Hüree fossem esmagados. Enquanto isso, as tropas de Xu Shuzeng que foram concentradas perto de Kalgan planejaram outra ofensiva; uma grande batalha ocorreu perto de Choir. Onde aproximadamente três a quatro mil soldados chineses foram mortos, marcando o fim da unidade militar chinesa dali.

Agora que Mongólia se tornou um bastião das guardas anti-comunista e reduto dos Brancos partidários de Ungern, as autoridades em Moscou e Verkhneundinsk tiveram de tomar medidas de emergência. Os soviéticos começaram a conduzir duas políticas diferentes em relação à Mongólia. O Komintern e as autoridades da seção Extremo Oriente siberiano não quiseram perder Mongólia. Para isso, foram imersos no romantismo revolucionário. Seu objetivo era acender as chamas de uma revolução no leste e por essa razão, deve treinar os revolucionários. Enviando o Exército Vermelho para Mongólia para expulsar as forças mongóis, independente se aquele país fosse ou não reconhecido como parte da China.

Os Lamas e videntes do BarãoUngern era fascinado por todas as formas de adivinhação. Ele supostamente carregava consigo um baralho de cartas de Tarô, mesmo no calor da batalha. Como notado, em Kobdo ele se reunia com lamas adivinhos e em Urga ele se cercava com um pequeno exército de videntes (tsurikhaichi), feiticeiros e xamãs. Aloishin recorda que os adivinhos do Barão estavam sempre consultando as omoplatas assadas de ovelhas, se debruçando nas linhas “para determinar onde as tropas devem ser estacionadas, e como avançar contra o inimigo.” Em outras ocasiões, Ungern ordenou que suas tropas parassem “em vários locais segundo velhas profecias mongóis.”

O médico do Barão, Dr. N. M. Riabukhin, maldisse os adivinhos como “insolentes, sujos, ignorantes e mancos” e lamentou o fato de que Ungern “nunca dava um passo importante” sem consultá-los. Os adivinhos o convenceram de que ele era a encarnação de Tsagan Burkhan, o Deus da Guerra. Para o oficial Branco Boris Volkov, a dependência do Barão nesses tipos parecia prova da “mentalidade imbecil do degenerado que se imaginava o salvador da Rússia.”
As hordas eurasiáticas do Barão Ugern von Sternberg na pintura de Dmitri Shmarin
 

 

Antes de sua investida contra a Sibéria Vermelha, Ungern gastou 20.000 preciosos dólares mexicanos para contratar milhares de lamas para “realizar para ele elaborados serviços nos templos e para convocar para seu auxílio todos os seus poderes místicos.” A previsão de uma feiticeira de que o fim do Barão se aproximava provou-se de forma sombria e precisa, e ajudou a convencê-lo de realizar a desastrosa invasão. Os lamas videntes falharam com ele quando eles o aconselharam a atrasar em dois dias o ataque contra Troitskosavsk, uma cidade fronteiriça chave. Isso deu aos vermelhos a oportunidade de trazer reforços e repelir o ataque. Posteriormente, oficiais subornaram um adivinho buriat para mudar as previsões, o que levou Ungern a cancelar outros ataques e ordenar uma retirada para a Mongólia.

 

 

Mas se Ungern foi influenciado – e ludibriado – pelo sobrenatural, ele também sabia como usá-lo para sua vantagem. Antes de seu último ataque contra Urga, ele enviou adivinhos para a cidade onde eles “encheram os soldados chineses de medo supersticioso” pela previsão de sua iminente chegada e espalhando rumores de que o Barão Branco era imune a balas e podia aparecer e desaparecer à vontade. Ele também ordenou que fossem acesas fogueiras noturnas nas colinas circundantes. Seus agentes mongóis disseram aos crédulos chineses que as fogueiras eram Ungern oferecendo sacrifícios aos espíritos que se vingariam contra os filhos da China.
Uma pessoa impressionada desde cedo pela natureza peculiar do Barão foi o filósofo místico Conde Hermann Keyserling que conhecia Roman e seu irmão Constantin desde a infância. Keyserling depois considerou o Barão como “a pessoa mais impressionante que eu já teve a sorte de conhecer,” mas também como uma massa de contradições. Ele via Ungern como alguém cuja “natureza havia sido suspensa…no vácuo entre o céu e o inferno,” alguém “capaz das mais altas intuições e gentis amabilidades” junto com “a mais profunda aptidão para a metafísica da crueldade.” As ideias metafísicas do Barão, acreditava Keyserling, estavam “fortemente relacionadas àquelas dos tibetanos e hindus.” Keyserling estava convicto de que Roman possuía o poder oculto da “segunda visão” e “a faculdade da profecia”.
Keyserling não foi o único que chegou a essas conclusões. Anos depois, o filósofo italiano Julius Evola opinou que o Barão Ungern possuía “faculdades supranormais” incluindo clarividência e a habilidade de “olhar dentro das almas” dos outros. Ferdynand Ossendowski afirmou que ele fez exatamente isso em seu encontro inicial: “Eu estive em sua alma e sei tudo,” afirmou o Barão, e a vida de Ossendowski estava garantida.
Muito do mesmo é repetido nos testemunhos de outros que conheceram Ungern. Aloishin achava que o Barão era patentemente insano, mas também sentia que ele “possuía um poder perigoso de ler os pensamentos das pessoas.” Ele relembra como Ungern inspecionava recrutas olhando no rosto de cada homem, “sustentava aquele olhar por alguns momentos, e então rosnava: ‘Para o Exército’; ‘De volta para o gado’; ‘Liquidar'”. Riabukhin menciona que em seu primeiro encontro “era como se o Barão quisesse saltar na minha alma.” Outro oficial anônimo relembra que “Ungern olhava para todo mundo com os olhos de um predador,” e isso instilava medo em todos os que o encontravam. Um soldado polonês em serviço mongol, Alexandre Alexandrowicz, aceita a “segunda visão” do Barão, mas acreditava que era seu intelecto “superior” que o ajudava a “avaliar qualquer homem em alguns minutos.”
O Misterioso Ferdynand Ossendowski

Ungern e Ossendowski

Aparentemente, ninguém fez mais para criar a imagem recorrente do Barão Ungern do que o acima mencionado escritor polonês Ferdynand Ossendowski. Porém, ele esta longe de ser uma fonte impecável. Antes de seu encontro com o Barão, Ossendowski tinha uma longa história como espião, criador de intrigas e fornecedor de documentos falsos. Ele quase certamente foi um agente da polícia secreta czarista, a Okhrana. Em 1917-1918 ele estava envolvido com os infames Documentos Sissons, um dossiê fraudulento (ainda que acertado) sobre as intrigas germano-bolcheviques. Posteriormente, na Sibéria, Ossendowski serviu ao “Supremo Governante” Branco Almirante Kolchak como conselheiro econômico e, provavelmente, um espião. Ossendowski chegou na Mongólia como refugiado da maré Vermelha. Em seu muito lido livro de 1922, “Feras, Homens e Deuses”, o polonês descreve seu encontro com o “Barão Sangrento” em detalhes vívidos, e não sem alguma simpatia pelo indivíduo. Não obstante, Ossendowski sabia que “diante dele estava um homem perigoso,” e que “sentiu alguma tragédia, algum horror em cada movimento do Barão Ungern.” Nem Ossendowski mediu palavras sobre o clima de medo que assolava Urga sob o Barão. Ele descreve o suporte de subalternos homicidas de Ungern tais como o “estrangulador” psicótico Leonid Sipailov, o igualmente repelente Evgeny Burdukovsky e o sádico Dr. Klingenberg. O que Ossendowski convenientemente se esquiva de explicar é o mistério de sua própria sobrevivência nesse ambiente precário.

Nas opiniões de outros que testemunharam o governo do Barão, Ossendowski não era apenas sortudo e observador inocente. Konstantin Noskov observa que do momento de sua chegada na Mongólia, o “Professor” Ossendowski teve um “estranho papel compreendido por ninguém.” “Ele interferia em tudo,” afirma Noskov, “brigava muito habilmente e tecia complicadas intrigas políticas…” Pershin acusa que Ossendowski era outro que explorava a obsessão de Ungern com o sobrenatural, uma opinião ecoada por outro dos oficiais do Barão, K.I. Lavrent’ev. Ao encorajar “a fé do Barão no ocultismo e em outras coisas do além”, Ossendowski tornou-se “conselheiro” do Barão, o que pode explicar uma afirmação posterior de que o polonês tornou-se o “Chefe de Inteligência” de Ungern.

Ossendowski, segundo Pershin, “cavou um caminho até uma posição próxima ao Barão” e então “extraiu todas as vantagens que ele queria.” Essas incluíam dinheiro e passagem segura para a Manchúria “em conforto e, talvez, com algo mais que isso.” Dr. Riabukhin e Noskov, ambos se lembram que Ossendowski foi inexplicavelmente o único sobrevivente entre um grupo de refugiados cujos outros membros foram assassinados sob as ordens de Ungern. Boris Volkov afirma ainda que Ossendowski teve um papel chave na formulação da infame e “mística” Ordem do Barão, e assim garantiu sua vida e uma grande soma de dinheiro. Noskov claramente declara que Ossendowski foi o autor da Ordem.

As ordens do Barão e o Perigo Judaico da Internacional Comunista

Barão Ungern. Considerado reencarnação da guerra

A “Ordem #15”, o mais perto que Ungern chegou de definir uma filosofia ou missão, merece um exame mais atento. Como o Barão não estava no hábito de pronunciar ordens numeradas, a #15 é desprovida de sentido nesse contexto. Segundo Aloishin, esse número e a data de seu pronunciamento eram mais a obra de “lamas eruditos” que os escolheram como números da sorte. Basicamente, a Ordem define um esquema grandioso de iniciar uma onda expansiva de Contra-Revolução que limparia a Rússia de seu contágio radical e restauraria o trono Romanov sob o irmão do czar Nicolau, Mikhail Alexandrovich. O Barão, como muitos outros, não sabia que Mikhail já estava morto desde junho de 1918. A Ordem proclamava que “o mal que veio à Terra para destruir o princípio divino da alma humana deve ser destruído em sua raiz,” e que “a punição só pode ser uma: a pena de morte, em vários graus.”

O artigo mais notório, porém, era o #9 que declara que “Comissários, comunistas e judeus, junto com suas famílias, devem ser destruídos”. O Barão possuía um ódio patológico dos judeus, e onde quer que seu poder alcançasse preponderância havia um impiedoso extermínio dessa comunidade. Até mesmo Pershin, que sentia que “as histórias acerca da impiedade de Ungern tem sido muito exageradas,” admitiu que os assassinatos em massa dos judeus eram infelizmente verdadeiros e que o Barão era implacável nessa questão. Volkov sentia que Ungern usava pogrons como um instrumento para explorar o anti-semitismo entre os emigrados e as tropas, mas havia um zelo quase religioso em seu ódio. Em uma carta a um associado russo Branco em Pequim, o Barão alertou contra o “Judaísmo Internacional” e mesmo contra a influência insidiosa dos “Capitalistas Judeus” que eram um “onipresente, ainda que normalmente não percebido, inimigo.” Em seu julgamento, o Barão garantiu a seu promotor judeu-bolchevique, Emelian Yaroslavsky, que “a Internacional Comunista foi organizada 3.000 anos atrás na Babilônia”. Em seus sentimentos em relação aos judeus, Ungern certamente prefigura a mentalidade Nacional-Socialista, e muito do mesmo poderia ser dito a respeito de toda sua mistura estranha de anti-modernismo místico.

Queda, captura e execução

O grande Khan Branco

Como vimos anteriormente, havia no governo soviético, a deliberação de planos para a derrubada da Mongólia independente de Ungern, mas essa questão estava, no entanto sendo considerada mais pragmáticas no Comissariado Soviético dos Assuntos Exteriores e outros círculos diplomáticos. Esses acreditavam que a questão deve ser resolvido em Pequim, pedindo permissão para enviar o Exército Vermelho ao que ainda consideravam seu território para lutar contra Ungern.

O Komintern criou um partido político armado, de retórica revolucionária, para administrar este governo e estabelecer um exército nacional. E dois projetos foram desenvolvidos para derrubar Ungern e sua Divisão de Cavalaria asiática.

Em 1920-21 Shumyatskii delineou um plano de criação de uma unidade mongol revolucionária, armando e conduzindo os Guardas Brancas até a fronteira, enquanto do outro lado, o Exército Vermelho os encontraria por trás. Já o plano calculado pelo governo russo era totalmente diferente. Pedindo o Exército Vermelho para avançar para Hüree. A contradição entre os dois projetos não era se o Exército Vermelho ocuparia Hüree, mas em duas atitudes diferentes em relação a revolução na Mongólia. O Ministro N. Matveyev e o Comandante do Quinto Exército, A. Matiyasevich viram o avanço do Exército Vermelho em Hüree como um ato imprudente. A ocupação do Hüree era uma questão diplomática e portanto devia ser considerado separado da questão de Ungern.

No entanto, a primeira opção mais virulenta foi a vencedora. O ministro Magsarjav, do governo soviético, decidiu silenciosamente lançar-se sobre a Mongólia e em 21 de julho de 1921 massacrou os russos Brancos em Uliastai. No final do ano, os exércitos Brancos na Mongólia ocidental haviam sido destruídos ou expulsos. O exército de Oremburgo foi localizado perto de Chuguchak em Xinjiang. Havendo tomado conhecimento da enorme proeza de Ungern na Mongólia, fugiram para o leste, mas encontraram o Exército Vermelho em Shar Sum. O general se rendeu, sendo detido e secretamente  executado. As tropas lideradas por Baikalov e Khasbaatar foram sitiadas por quarenta e dois dias por remanescentes das unidades Brancas.

O Exército Vermelho, que havia entrado em Hüree, levou Ungern ao norte da fronteira da Rússia Soviética. O Barão apresentou uma resistência obstinada a ambos os lados da fronteira Soviético-Mongol. Mas em agosto de 1921, o reino do Barão chegou a um fim quando oficiais desesperados da Divisão Asiática Montada ensaiaram um golpe contra ele e sua pequena elite de lealistas.

Quase miraculosamente, Ungern escapou do massacre geral e encontrou um refúgio final breve entre seus soldados mongóis. Eles também logo o abandonaram aos Vermelhos que se aproximavam, mas sem arrancar um fio de seu cabelo; eles ainda estavam convencidos de que ele era o Tsagan Burkhan e não podia ser morto. Os soviéticos não tinham essas questões, puderam capturar Ungern e entrega-lo ao Exército Vermelho em 22 de agosto de 1921.

Os revolucionários comunistas da Mongólia, com o apoio do Exército Vermelho soviético, expulsando os guardas brancos do país e derrubando as forças do Canato da Mongólia, fundaram a República Popular da Mongólia em 1924. Embora nominalmente independente, a República Popular da Mongólia foi um Estado satélite da União Soviética até 1990. Esse evento ficou conhecido na história como Revolução Mongol de 1921.

Mesmo em janeiro de 1922, as Guardas Brancas estavam ainda resistindo, mesmo que sendo varridas quase totalmente da parte ocidental da Mongólia, pois o Exército Vermelho permanecia lá em incalculáveis hordas de soldados, tal como tinha sido concedido pelo governo chinês num pedido para que eles ficassem após o agosto de 1921.

Execução, legado e a lenda

Ungern capturado

Ungern foi capturado em Novonikolaevsk, na Sibéria. O julgamento teve ampla cobertura na imprensa, sendo condenado a ser fuzilado. Quando a notícia da sua morte chegou Hüree, Bogd deu a iniciativa aos templos e mosteiros para realizarem uma cerimônia de oração em seu nome.

Em seu julgamento em Novo-Nikolaevsk, ele foi um prisioneiro calmo, até mesmo digno. Ele havia previsto seu destino e o aceitado. A promotoria estava mais interessada em retratá-lo como um agente dos japoneses, o que ele negou. Porém, o Barão imediatamente admitiu os massacres e outras atrocidades. No que concerne sua disciplina brutal, ele se proclamou um crente em um sistema que havia existido “desde Frederico o Grande.” Ele foi diante do pelotão de fuzilamento muito convicto de que eventualmente ele retornaria.

Outra coisa que fez Ungern uma lenda era o ouro enterrado e os objetos de valor da Divisão de Cavalaria asiática. Seu valor é insignificante se comparado ao ouro em Turim, que desapareceu no final da Segunda Guerra Mundial; no entanto, como conta Ossendowski, foram ocultados muitos objetos valiosos, incluindo 1.800 kg de ouro, prata e pedras preciosas. Embora este eram o tesouro do futuro Novo Império de Genghis, o qual o Barão planejou construir, mas que após a chegada do Exército Vermelho, enviou-os para um depósito em Jailar. Os soldados que levavam os tesouros não conseguiram cruzar a fronteira mongólica e enterraram todos os tesouros nas estepes do país, mas até agora ninguém encontrou o esconderijo e os rumores que rodeiam o tesouro se tornaram lendas.

Um último ponto nos traz de volta a Ossendowski, que afirmou que o Barão buscava contato com o reino subterrâneo místico de Agarthi e seu governante misterioso, o “Rei do Mundo.” Agarthi, é claro, é idêntica com Agarttha ou Shambhala, uma terra mística exaltada na mitologia hindu e budista. No início do século XX, a história foi pega e elaborada por escritores esotéricos ocidentais como Alexandre Saint-Yves d’Alveydre e Nikolai Roerich que acreditavam que ela descrevia um reino realmente oculto em algum lugar no norte do Tibete ou na Ásia Central. Por uma interessante coincidência, outro oficial da Divisão de Ungern foi Vladimir Konstantinovich Roerich, o irmão mais novo de Nikolai. Então novamente, talvez isso não seja nenhuma coincidência. Mas isso nos leva a outra história que é melhor guardada para outro artigo.

Notas:
[1] – Em 3 de março de 1918, na cidade de Brest (antigamente Brest-Litovski), na atual Bielorrússia, o  então governo bolchevique da Rússia assinou um tratado de paz com os potentados da Europa central (Império Alemão, Império Austro-Húngaro, Bulgária e Império Otomano) envolvidos na Primeira Grande Guerra contra os Aliados. Anulando todos os acordos do Império Russo com seus aliados e perdoou as dívidas do governo otomano.
As negociações de paz entre a Tríplice Entente e as Potências Centrais seriam iniciadas em 22 de dezembro de 1917, uma semana após o armistício de Brest-Litovsk. A Revolução Russa de 1917 foi o principal motivo da saída da Rússia da primeira Guerra Mundial e uma das prioridades do recém-criado governo bolchevique. A guerra tornara-se impopular entre o povo russo, devido às imensas perdas humanas (cerca de quatro milhões de mortos). Leon Trotsky (Lev Davidovich Bronstein), no exercício das relações exteriores do governo bolchevique, pressionou França e Reino Unido para que iniciassem em conjunto o processo de paz, encerrando a Primeira Guerra Mundial. Porém, sem obter resposta, ameaçou iniciar esse processo de forma solitária, o que de fato ocorreu.
[2] – A Galícia da Europa Central é uma região histórica situada a oeste da atual Ucrânia e ao sul da Polônia. O seu nome deriva da cidade de Halych, na Ucrânia. Dessa região, partiram a maioria dos imigrantes ucranianos vindos para o Brasil. Como nessa região predomina a religião católica, essa é a religião de mais de 90% dos descendentes de ucranianos que residem no Brasil. Tanto que, em Prudentópolis, Paraná, há muitos descendentes de imigrantes ucranianos que preservam a sua cultura e língua.
Em verde, a região da Galícia da Europa Central
[3] – Exército Branco ou Guarda Branca foi o braço militar do Movimento Branco, durante a Guerra Civil Russa inciada em 1917. Era formado por forças nacionalistas e contrarrevolucionárias russas, em muitos casos pró-czaristas que, após a Revolução de Outubro, lutaram contra o Exército Vermelho, derrotado em 1923.
Fontes:
OSSENDOWSKI, Ferdynand. “Bestas, homens e Deuses – o enigma do rei do mundo”. Editora Hemus. São Paulo: 2002

 

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