Relações Nacional-Socialistas Com o Nacionalismo Árabe

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A relação entre a Alemanha Nacional Socialista e muitas lideranças nacionais do mundo árabe abrangiam principalmente a luta contra um inimigos em comum, como o imperialismo e colonialismo britânico e francês, o comunismo e o sionismo.  Hitler e Himmler já fizeram mesmo observações sobre o mundo islâmico quanto a religião e ideologia política, descrevendo-os como uma forma disciplinada, militarista, política e prática, elogiando o que consideravam ser advindo da habilidade política de Maomé e liderança militar dos califados, fazendo alusão a quase tomada da Europa pelas mãos das horadas árabes que terminou com a vitória de Carlos Martel (rei Franco) em Poitiers (atual sul da França),  a conquista da península Ibérica, a luta constante com os reinos eslavos e romanos, ou mesmo a disputa pela Terra Santa nas cruzadas.

Antes da Segunda Guerra Mundial, todo o norte da África e o Oriente Médio estavam sob o controle das potências europeias, principalmente França e Inglaterra. Ao contrário da crença popular de uma ideologia fundamentalmente racista, até pesquisadores como Gilbert Achcar, confirmam que os árabes que ajudaram o Reich (Império) a combater os britânicos pela posse do Oriente Médio foram tratados com honra e respeito. O mufti de Jerusalém Haj Amin al-Husseini, por exemplo, recebeu o status de “ariano honorário” dos nacional socialistas por sua estreita e importantíssima colaboração com a então Nova Alemanha.
O governo alemão desenvolveu uma associação cordial e cooperou com alguns líderes nacionalistas árabes com base em seus interesses comuns anti-coloniais e anti-sionistas. Os exemplos mais notáveis ​​dessas lutas de causa comum foram a revolta árabe de 1936-1939 na Palestina e nos eventos da Guerra Anglo-Iraquiana, quando o Quadrado Dourado (quatro generais liderados por Rashid Ali al-Gaylani) derrubaram a regência pró-britânica do rei  Abd al-Ilah no Iraque e instalou um governo nacionalista árabe. Além de outras ações lideradas pelo citado grande mufti Hajj Amin al-Husseini e seus colaboradores.

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De acordo com Gilbert Achcar, socialista libanês, acadêmico, escritor e também professor de Estudos de Desenvolvimento e Relações Internacionais na Escola de Estudos Orientais e Africanos da Universidade de Londres, não havia uma percepção árabe unificada sobre o nacional socialismo alemão e dos movimentos nacionalistas europeus do anos 20/30.
Em primeiro lugar, não existe, segundo o professor, tal coisa como “os árabes”. Falar num discurso árabe único e singular é para o mundo árabe muçulmano uma aberração. Esse mundo árabe que vive até hoje, é impulsionado por uma multiplicidade de pontos de vista. Na época, poder-se-ia destacar quatro grandes correntes ideológicas, que se estendem do liberalismo ocidental, passando pelo marxismo e nacionalismo, até o fundamentalismo islâmico. O autor fala que em relação a esses quatro, dois, a saber, o liberalismo ocidental e o marxismo, rejeitaram claramente o nacional socialismo em parte por motivos compartilhados como oque ele chama de “herança dos pensadores iluministas” (liberalismo em si) e a “denúncia” do “nazismo” como uma “forma de racismo” (oque nos demonstra já presente na época a campanha difamatória e distorcedora dos Aliados mesmo em suas colônias globais) e além, é claro de que parcialmente por causa de suas afiliações geopolíticas. Mesmo assim, no nacionalismo árabe houveram (e ainda há) grupos nacionalistas que se identificaram com o programa nacional socialista, como exemplo, o  Partido Social Nacional Sírio, fundado pelo ortodoxo libanês, Antoun Saadeh. O autor também adverte que o Partido da Juventude Egípcia aproximou-se de sua ideologia de forma inconstante e nega que o partido Baath fosse, desde o começo da década de 1940, inspirado pelo nacional socialismo. 

O Partido Social Nacionalista Sírio, atualmente presente no Líbano, Síria, Jordânia, Iraque e Palestina. Compõe a base parlamentar do atual governo Assad
 
Podemos dizer que o nacional socialismo era “controverso” no mundo árabe tanto quanto no mundo Ocidental por existirem seus apoiadores e opositores da mesma forma. Programas maciços de propaganda foram lançados no mundo árabe, primeiro pela Itália fascista e depois pela Alemanha, em particular, concentraram-se em impactar a nova geração de pensadores e ativistas políticos.
Erwin Rommel era quase tão popular quanto Hitler. O “Heil Rommel!” era uma saudação comum entre os pró-nacionalistas dos países árabes. A proposta alemã era libertar as potências árabes do domínio das antigas potências coloniais França e Grã-Bretanha. Após a derrota da França pela Alemanha em 1940, alguns árabes estavam cantando contra os franceses e britânicos nas ruas de Damasco (capital da Síria): “Não mais Monsieur, não mais senhor, Alá está no céu e Hitler na terra”. Cartazes em árabe declarando “No céu, Deus é o seu governante, na terra Hitler” eram frequentemente exibidos em lojas nas cidades da Síria.
Alguns árabes da classe média e alta que viajaram para a Alemanha na década de 1930 trouxeram de volta os ideais nacionalistas e os incorporaram ao nacionalismo árabe. Um dos principais fundadores do pensamento baathista e do Partido Baath, Zaki al-Arsuzi, afirmou que o fascismo e o nacional socialismo influenciaram muito a ideologia baatista.
Os dois políticos árabes mais notáveis ​​que colaboraram ativamente com os nacional socialistas foram o citado grão-mufti de Jerusalém, Haj Amin al-Husseini, o primeiro-ministro iraquiano Rashid Ali al-Gaylani e o militar nacionalista Fawzi al-Qawuqji
Haj Amin al-Husseini, o mufti nacionalista árabe 

A. H. Al-Husayni

Haj Amin al-Husseini (1895 – 1974). Nascido em Jerusalém, antes da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), Al-Husayni estudou na Universidade de al-Azhar, no Cairo. Com a Primeira Guerra Mundial, Al-Husayni alistou-se no exército turco (que combatia do lado alemão e austro-húngaro), recebendo a patente de oficial de artilharia e sendo destacado para a Brigada 47, estacionada na zona da cidade de etnia predominantemente grega de Esmirna. Em novembro de 1916, deixou o exército com uma dispensa de três meses e regressou a Jerusalém onde permaneceu até ao fim da guerra.
Em 1919, fez parte do congresso Pan-Sírio em Damasco, no qual ele apoiou o emir Faiçal I do Iraque para Rei da Síria. Nesse ano, Al-Husayni aderiu ao “Al-Nadi Al-Arabi” (O Clube Árabe) em Jerusalém e escreveu artigos para o primeiro jornal a ser estabelecido na Palestina, o “Suriyya al-Janubiyya” (Síria do Sul).

Até finais de 1921, Al-Husayni defendendo sobretudo o Pan-Arabismo e a “Grande Síria”, que definia a Palestina como província do Sul de um estado árabe cuja capital seria Damasco, o projeto da “Grande Síria” incluiria os territórios do que hoje são, além da Síria, o Líbano, a Jordânia e Israel. A luta sofreu um golpe após o Reino Unido ter cedido o controle do que hoje são a Síria e o Líbano à França, em Julho de 1920, através do acordo de Sykes-Picot. O exército francês entrou em Damasco depondo o Rei Faiçal e dissolvendo a “Grande Síria”.

Al-Husayni então deixou de se orientar por um pan-arabismo centrado em Damasco, adotando uma ideologia nacionalista palestina centrada em Jerusalém. Nessa época, após um sangrento embate civil em Jerusalém, abril de 1920, Al-Husayni foi condenado à revelia (pois já havia fugido para a Síria novamente) a 10 anos de prisão por acusações de causar os tumultos.

Em 1921, com a nova administração militar na Palestina (de novo britânica) foi substituída por uma administração civil. O primeiro alto comissário, Herbert Samuel (judeu), decidiu retirar as acusações contra Al-Husayni e nomeou-o “Mufti de Jerusalém”, uma posição que tinha sido detida anteriormente pelo seu clã desde mais de um século. No ano seguinte, Samuel nomeou-o presidente do recém-formado Conselho Supremo Muçulmano, que controlava os tribunais e escolas muçulmanas além de grande parte dos fundos das doações humanitárias e religiosas.

 

[esquerda] Atassi, al-Husayni, e Shakib Arslan na Arábia Saudita, década de 1930. [Direita] Haj Amin al-Husayni e representantes da oposição à política britânica no Mandato da Palestina, em reunião após os protestos de 1929.
 

Este método de nomeação estava em consonância com a tradição de então. Durante os anos do domínio pelo Império Turco-Otomano, os clérigos muçulmanos nomeavam três clérigos e o líder temporal secular, o califa, escolhia entre esses três, aquele que se tornaria o mufti. Mas pouco tempo depois, a administração britânica do poder na Palestina passou a nomear o líder temporal secular na figura do “Alto Comissariado”. Isto levou à situação extraordinária de um judeu, Herbert Samuel, ter sido escolhido para ser o Mufti.

Al-Husayni chegou ao domínio do movimento árabe palestino após um confronto violento com os Nashashibis, o outro clã poderoso de Jerusalém, que tencionava a ser mais moderado e acomodado do que os Husaynis, que eram abertamente antibritânicos. Durante a maior parte do Mandato Britânico da Palestina, a luta entre as famílias enfraqueceu seriamente a eficácia dos esforços árabes. Em 1936 elas optaram pela unidade, ao conseguir a união dos grupos palestinos para criar um órgão executivo permanente, chamado de “Alto Comitê Árabe”, do qual foi eleito Al-Husayni.

O comitê convocou uma greve geral contra pagamento de impostos e pelo fechamento de governos municipais e pelo fim à imigração judaica feita via sionismo internacional (da qual a Alemanha colaborava como primeira medida), a proibição da venda de terras a judeus e independência nacional. A greve geral resultou numa rebelião contra a autoridade britânica, durando entre 1936 e 1939. Al-Husayni foi o principal organizador da rebelião, da qual no final, vitoriosos, os britânicos destituíram Husayni do cargo da presidência do Conselho Supremo Muçulmano e declararam o Alto Comitê Árabe ilegal. Em outubro de 1937 al-Husayni fugiu para o Líbano, onde reconstituiu o comitê sob o seu domínio. Ele reteve o apoio da maioria dos palestinos árabes e usou o seu poder para punir os Nashashabis que acusou-os de traição.

Em 21 de julho de 1937, ainda antes de Al-Husseini ter fugido para o Líbano, o Mufti contatou representantes do regime nacional-socialista, procurando cooperação, no consulado geral alemão em Jerusalém. Ele enviou, mais tarde, um agente e representante pessoal à Berlim para discussões com líderes alemães, nomeadamente o SS Obergruppenfuehrer Reinhard Heydrich, o número dois da SS; seguido de Heinrich Himmler, chefe do Reichssicherheitshauptamt, RSHA (Segurança de Estado) e dos serviços secretos Sicherheitsdienst (SD).

 

O Grande Mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini e Adolf Hitler em Berlim na data de 28 de novembro de 1941
 

Ele desenvolveu amizades com o Alto Escalão militar da Alemanha  incluindo Heinrich Himmler e Joachim von Ribbentrop, sendo até acusado posteriormente de ter envolvimento com Adolf Eichman. Esse, nunca clara tentativa de encaixá-lo como réu em supostos “crimes de guerra” do qual o alemão foi acusado, num infame julgamento… em Jerusalém!

Ele esteve envolvido no planejamento de operações de guerra e sabotagem contra a Palestina inglesa e o Iraque francês, incluindo pára-quedistas alemães e agentes árabes para fomentar ataques contra o poderio anglo-judaico na Palestina”. Também ajudou na entrada alemã no norte da África, particularmente na Tunísia e na Líbia. Sua rede de espionagem forneceu à Wehrmacht uma advertência de dois dias de antecedência sobre a invasão aliada do norte da África. A Wehrmacht, no entanto, ignorou essa informação, que se revelou totalmente precisa.
Quanto as divergências com o governo alemão, interveio e protestou contra as autoridades do governo, a fim de impedir que os judeus emigrassem para o então Mandato da Palestina.

O Grande Mufti de Jerusalém, Amin al-Husseini e o SS-Reichsführer Heinrich Himmler, em abril de 1943
 
Rashid Ali al-Gaylani, o ministro iraquiano
 
R. Ali al-G.

Rashid Ali al-Gaylani (1892 – 1965). Formado advogado e político pela Faculdade de Bagdá, nasceu na proeminente família Gaylani de Bagdá,  sua família traçava sua ancestralidade até o profeta Maomé. Em 1924, Rashid Ali al-Gaylani iniciou sua carreira política no primeiro governo liderado pelo primeiro-ministro Yasin al-Hashimi, chegando ao cargo de Ministro da Justiça em 1933. Os dois eram nacionalistas e se opunham a qualquer envolvimento britânico na política interna do Iraque. Rejeitando o Tratado Anglo-Iraquiano assinado pelo governo do primeiro-ministro Nuri as-Said em 1930, e por isso, formaram o Partido da Fraternidade Nacional para promover o nacionalismo árabe.

Em 1938, foi preso e exilado sob acusado de promover atentados com bombas na capital Bagdá. Durante o governo Hashimi, serviu como Ministro do Interior, com o benefício adicional da lucrativa tutela do Qadiri Awqaf. Mais tarde, promoveu seus  projetos de obras públicas progredissem, incluindo as fundações para uma mesquita nomeada de Mesquita Faysal.

Em 31 de março de 1940, quando Gaylani foi novamente nomeado primeiro-ministro, a Segunda Guerra Mundial começou e o Iraque acabara de experimentar a morte prematura do rei Ghazi . O reinado de Ghazi foi seguido por uma regência para seu filho de quatro anos que agora era o novo rei Faisal II. O regente de Faisal II era o tio de Ghazi, Emir Abdul-Illah,  que apoiou a Grã-Bretanha na guerra. Gaylani, recusando-se a socorrer os britânicos, não permitindo a passagem das tropas Aliadas pelo Iraque para a frente de guerra. Ele também rejeitou pedidos para que o Iraque rompesse laços com a Itália fascista e enviou seu ministro da Justiça, Naji Shawkat, até Ancara (Turquia) para se reunir com o embaixador da Alemanha de lá, Franz von Papen, afim de obter apoio ao seu governo. Os arquivos do Ministério de Relações Exteriores da Alemanha registram que Shawkat conheceu Von Papen em 5 de julho de 1940, e ele carregou uma carta de apresentação de Mohammad Amin al-Husayni, o Grande Mufti de Jerusalém, expressando o desejo de um tratado de amizade e colaboração.
Bagdá tornou-se base para as operações de inteligência no Oriente Médio pelos alemães durante a guerra. O Iraque tinha sido um importante fornecedor de petróleo para o esforço de guerra dos Aliados e representou uma importante ponte terrestre entre as forças britânicas no Egito e na Índia . Para garantir o Iraque, o primeiro-ministro Winston Churchill ordenou ao general Archibald Wavell agiram rápido com toda força que dispunham nas colônias próximas, como a Índia. Além de severas sanções econômicas contra o Iraque enquanto notícias de vitórias britânicas contra as forças italianas no norte da África causavam instabilidade no governo.
Rashid Ali al-Gaylani e Haj Amin al-Husseini em pronunciamento no aniversário da tomada do iraquiano de 1941 em Berlim
 
Em 31 de janeiro de 1941, sob pressão do regente Abdul-Illah, ele renunciou ao cargo de primeiro-ministro. Isso fez como que juntamente com os membros da Quadrado Dourado, elaborassem planos para assassinar o regente e tomar o poder. Em 31 de março, Abdul Illah descobriu o plano para assassiná-lo e fugiu do país. No dia seguinte, o golpe de Estado foi lançado e, em 3 de abril, Gaylani retornou ao poder quando o primeiro-ministro e seu “governo de defesa nacional” substituíram o governo do regente. Isso causou a Guerra Anglo-Iraquiana. Confronto entre tropas inglesas e indianas (colônia britânica) contra tropas iraquianas.
Em 31 de maio, foi assinado um armistício entre britânicos e iraquianos, onde reconheciam a derrota. Em 1º de junho, o regente retornou a Bagdá e seu governo foi restaurado. Imediatamente depois, um violento pogrom contra os judeus ocorreu em Bagdá em reposta ao seu apoio aos britânicos dentro do Iraque.
Gaylani e Hitler em Berlim, 1941
Gaylani, que havia fugido para o Irão, não ficou muito tempo.  Em 25 de agosto de 1941, as forças britânicas e soviéticas invadiram o Irã e removeram Reza Shah (1878 – 1944), líder da revolução que derrubou o antigo regime e instaurou o dos “xás” (reis) na Pérsia, o mesmo que 1935 pediu aos delegados estrangeiros e à Liga das Nações que usassem o termo Irã (“Terra dos Arianos”), para referir-se ao seu país, em correspondência formal, e também seu apoiador iraniano do poder (ao qual foi retirado por uma aliança anglo-soviética), Gaylani então fugiu para a Europa dos alemães. Em Berlim, ele foi recebido pelo próprio Füher (líder, condutor) reconhecido como líder do governo iraquiano no exílio. Assim, como Haj Amin al-Husseini tornou-se proeminente colaborador árabe com as potências do Eixo.
Fawzi al-Qawuqji, o grande combatente
Fawzi al-Q.

Fawzi al-Qawuqji (1890 – 1977) nascido numa família turquemena na cidade de Trípoli (atual Líbia), então parte do Império Otomano, Em 1912, se formou na academia militar em Istambul (atual Turquia). Gilbert Achcar concorda que ele foi a principal figura militar do nacionalismo árabe no período entre guerras, servindo como comandante em todas as batalhas nacionais árabes do período. Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), serviu como capitão (Yuzbashi) na 12ª guarnição de corpos otomanos em Mosul (Síria), e em várias batalhas, incluindo a de Qurna no Iraque e em Beersheba na então Palestina Otomana. Sendo condecorado com a Medalha Otomano Majidi por seu papel e premiado com a Cruz de Ferro Alemã, de segunda classe, por seu serviço lutando ao lado dos prussianos do general Otto von Kreiss, que se opuseram aos britânicos na Palestina.

Durante o colapso após a Primeira Guerra Mundial, Al-Qawuqji apoiou a independência do curto reino árabe da Síria . Em 1920, ele lutou na Batalha de Maysalun, servindo no exército do rei Faisal como capitão (ra’is khayyal).

Após o malogrado resultado da campanha para estabelecer o Reino Árabe da Síria, a Síria tornou-se um Mandato Francês. Al-Qawuqji então se juntou à Legião Síria (também chamada Exército franco-sírio), criada pelas autoridades do Mandato francês local, recebendo treinamento formal na “Éecole francesa militaire de Saint-Cyr”, tornando-se comandante de um esquadrão de cavalaria em Hama (Síria atual).
Durante a rebelião de 1925-1927 contra o poderio da França, abandonou o exército francês para se juntar aos rebeldes, liderando a revolta em Hama no seu início, permanecendo fora da lei depois disso.
Após a derrota, Shakib Arslan levou al-Qawuqji para o Hejaz, ajudar a treinar o exército do monarca saudita Abdul-Aziz. Ele relata que não ficou impressionado com Abdul-Aziz, descrevendo-o como auto-apaixonado e desconfiado, que tentava, de forma desapontadora, justificar sua colaboração com os britânicos.
Em 1936, al-Qawuqji começou a combater os britânicos e a ocupação judaica no Mandato da Palestina no conflito da Revolta Árabe de 1936-39, que teve a citada participação do mufiti al-Huseini. Ele representou a Sociedade Iraquiana para a Defesa da Palestina, que era independente das forças sob o controle do Grande Mufti. Ele havia, para isso, renunciado sua posição no exército iraquiano e uma oferta no “Royal Military College” para levar aproximadamente cinquenta guerrilheiros armados à Palestina.
Fawzi al-Qawuqji (3º da direita) em 1936
 
Em junho, entrou em contato com Fritz Grobba, embaixador alemão no Iraque. Provavelmente o primeiro encontro de al-Qawuqji com um representante da Alemanha nacionalista. E em agosto, comandou 200 voluntários do Iraque, Síria, Transjordânia e a região da Palestina Samaria com o título de Comandante Supremo da Revolução Árabe na Palestina Sul-Síria,  operando quatro unidades (iraquiana, síria, drusa e palestina) no triângulo Nablus-Tulkaram-Jenin até o final de outubro, mas em separado e isolado das forças do Grande Mufiti e de seu parente  Abd al-Qadir al-Husayni, que comandava forças na área em torno de Jerusalém (o que lhe teria dificultado o empenho de guerra). Logo após, cruzou o rio Jordão com suas tropas da Transjordânia e retornou ao Iraque.
 
Abdl al-Qadir al-Husayni

Al-Qawuqji seguiu o mufti do Líbano para o Iraque em outubro de 1939, junto com outros membros da comitiva do clérigo,  incluindo figuras do alto escalão do Comitê Executivo do Congresso Árabe da Palestina, Jamal al-Husayni, Rafiq al-Tamimi e Sheikh Hasan Salama.

Al-Qawuqji tornou-se o conselheiro militar do Mufti no Comitê Árabe formado por ele em Bagdá. Suas proezas freqüentemente demonstradas lhe renderam fama entre a população árabe e a estima de Haj Amin Husseini. Seus seguidores populares, no entanto, não eram totalmente do agrado do mufti, apesar de ter participação ativa na tomada de poder do Iraque em 1941 e na resistência da Guerra Anglo-Iraquiana contra os britânicos liderando 500 guerrilheiros na área entre Rutbah e Ramadi, estabelecendo seu nome com uma reputação de lutador corajoso e mortal.
Após a queda do Iraque, quase foi morto pelas tropas britânicas e aliadas das colônias, mas conseguiu escapar, perdendo quase todos os seu homens. Depois de sofrer sérios ferimentos, al-Qawuqji foi transportado para Vichy (atual sul da França) e de lá para Síria, onde então seguiu para a Alemanha, onde casou-se com uma mulher alemã e permaneceu pelo restante da Segunda Guerra Mundial, recuperando-se de suas feridas.

Ele foi premiado com o posto de coronel da Wehrmacht (Exército Alemão) e recebeu um capitão para atuar como seu ajudante, juntamente com um carro com motorista e um apartamento perto da clínica em Hansa. Suas despesas foram pagas pelo Alto Comando da Wehrmacht e pelo Ministro das Relações Exteriores de Rashid Ali.
Na Alemanha, continuou a se opor aos Aliados em cooperação com outros árabes que eram aliados do Eixo Roma-Berlim, incluindo os dois líderes facções árabes, o Grande Mufti Husseini e o ex-primeiro-ministro iraquiano Rashid Ali al-Gaylani.
Hellmuth Felmy

Em junho de 1941, quando a Diretriz No. 30 e as instruções para a Equipe Especial F (Sonderstab F) designaram a agência central da Wehrmacht para todas as questões que afetavam o mundo árabe. General der Flücher Hellmuth Felmy, que foi nomeado autoridade central para todos os assuntos da Wehrmacht que diziam respeito ao mundo árabe, o general elogia bastante o combatente al-Qawuqji.

O combatente al-Qawuqji escreveu um memorando dirigido ao general Felmy com referencia a necessidade de uma aliança germano-árabe no Iraque, e incluiu discussões sobre geografia, guerra no deserto e esforços combinados de propaganda dirigidos contra o poderio sionista local. Al-Qawuqji foi oficialmente transferido para Sonderstab F depois que dei totalmente recuperado para atuar na inteligência contra os britânicos no Iraque.

Ele consistentemente fez campanha pela formação de um exército nacionalista árabe independente que lutaria como aliados alemães, ao invés de incorporar árabes sob a estrutura de comando alemã.
A influência nas ações nacionalista do Oriente Médio
O nacional socialismo e sua influencia na geopolítica nacional árabe
Até mesmo pesquisadores como Jeffrey Herf, Meir Zamir ou Hans Goldenbaum concordam com a importância do esforço de propaganda alemã no Oriente Médio e Norte da África. Mas Gilbert Achcar, faz uma ressalva interessante e ao mesmo tempo dúbia. Ele argumenta que as narrativas históricas frequentemente enfatizam a colaboração e subestimam a história política árabe progressista, ofuscando as muitas dimensões do conflitos que envolveram a colaboração entre o nacional socialismo e o mundo árabe. Ele acusa os sionistas de promulgar uma narrativa colaboracionista para fins partidários. Ele propõe que as atitudes políticas dominantes dos árabes eram anticolonialismo e anti-sionismo, e a maioria dos árabes era realmente pró-Aliados e anti-Eixo (como evidenciado pelo alto número de árabes que lutaram pelas forças aliadas).
O efeito prático mais significativo da política alemã na Palestina  entre 1933 e 1938, que foi o aumento radical da taxa de imigração de judeus alemães e de outras partes da Europa, dobrando a população de judeus na Palestina. O mufti enviara mensagens a Berlim através de Heinrich Wolff, cônsul geral alemão em Jerusalém louvando o novo regime já em março de 1933, mostrando-se entusiasmado com a política anti-sionista e, particularmente preocupado com o Boicote judaico-sionista na Alemanha. O Mufti e outros xeques pediram apenas que os judeus alemães não fossem enviados para a Palestina. 

O argelino Saïd Mohammedi alistado na Luftwaffe (Força Aérea) alemã durante a Segunda Guerra Mundial, depois da qual ele se juntou à Revolução Nacionalista Argelina em 1954.
A política nacional alemã queria resolver o problema judaico até o final de 1937 enfatizando a motivação dos judeus alemães em emigrar do território alemão. Durante este período, o Mandato da Liga das Nações para o estabelecimento de uma Pátria Judaica no então Mandato da Palestina havia sido usado como um opção para os judeus de forma reconhecida internacionalmente. Nisso, tanto a Gestapo quanto a SS cooperaram de boa fé com uma variedade de organizações judaicas (por exemplo, Hanotaiah Ltd., Banco Anglo-Palestino, Banco da Sociedade do Templo, HIAS, Comitê de Distribuição Conjunta, Sionistas e outros), mais notavelmente no Haavurah Agreements, para facilitar a emigração para a Palestina.
Nora Levin escreveu em 1968: “Até meados de 1938, a Palestina recebia um terço de todos os judeus que emigraram da Alemanha desde 1933 – 50.000 de um total de 150.000”.  Edwin Black, beneficiando de estudos mais modernos, escreveu que 60.000 judeus alemães imigraram para a Palestina entre 1933 e 1936, trazendo consigo US$100.000.000 ($ 1.6 bilhões em dólares de 2009). Esse aumento vertiginoso na população palestina judaica estimulou a resistência política árabe palestina à imigração judaica, e foi a principal causa da revolta árabe de 1936-1939 na Palestina, o que por sua vez levou à decisão do “Livro Branco Britânico” de abandonar o Mandato da Liga das Nações e estabelecer um “Lar Nacional Judaico na Palestina”.
A contradição é que a mudança resultante na política britânica efetivamente fechou a Palestina à maioria dos judeus europeus durante a Segunda Guerra Mundial (1933 – 1945).  Mas desde 1938, a maioria das organizações sionistas aderiu à estratégia de “Combater o Livro Branco como se não houvesse guerra, e lutar contra a guerra como se não houvesse um Livro Branco”. Os sionistas contrabandeariam judeus na Palestina sempre que possível, independentemente se isso os colocasse em conflito com as autoridades britânicas. Ao mesmo tempo, os sionistas e outros judeus se aliariam à batalha britânica contra a Alemanha e o Eixo, mesmo enquanto os britânicos impedissem a fuga dos judeus europeus para a Palestina.
Acertou o Mufiti e erro o governo alemão. Verificando essa situação apontada pelos nacionalistas árabes pró-Alemanha, já no mesmo ano de 1938, a política alemã em relação à pátria judaica na Palestina parece ter mudado substancialmente, adotando outros pontos para imigração judaica, como Madagascar, Paraguai e etc.
Uma consequência da oposição do mufti ao papel da Inglaterra como poder mandatário na Palestina e sua rejeição às tentativas britânicas de chegar a um acordo entre sionistas e árabes palestinos foi que o mufti foi forçado a fugir da Palestina. Muitos de seus seguidores, que haviam combatido judeus e ingleses na Palestina, o seguiram e continuaram a trabalhar por seus objetivos políticos. Entre os soldados palestinos mais notáveis ​​nessa categoria estava Abd al-Qadir al-Husayni, parente e oficial do mufti ferido duas vezes nos primeiros estágios da revolta árabe na Palestina (1936-1939). O mufti enviou Abd al-Qadir al-Husayni para a Alemanha em 1938 para treinamento de explosivos. Em seguida, al-Husayni trabalhou com o Mufti para apoiar o regime do Quadrado Dourado no Iraque, sendo condenado à prisão pelos britânicos depois que eles retomaram o poder local.  Posteriormente, ele se tornou o líder popular de aproximadamente 50.000 árabes palestinos que se juntaram ao Exército de Guerra da Mufti durante a Guerra Árabe-Israelense de 1948. Seu colega Fawzi al-Qawuqji, colaborador do Iraque e veterano, tornou-se um general rival na mesma luta contra o sionismo.
Como observado pelo general Felmy, após os eventos da Kristallnacht” (Noite dos Cristais) em novembro de 1938, a maioria das organizações judaicas e sionistas se aliaram à Grã-Bretanha e seus aliados para se oporem à Alemanha. Depois desse período, a assistência organizada da Gestapo às organizações judaicas que transportaram judeus europeus para a Palestina foi interrompida.
O mufti se opôs a toda imigração de judeus na Palestina. As numerosas cartas do mufti que apelam a várias autoridades governamentais para impedir a emigração judaica para a Palestina foram amplamente republicadas e citadas como evidência documental de sua colaboração com o governo alemão da época (1933 – 1945) e de seu apoio participativo a suas ações. Por exemplo, em junho de 1943, o mufti recomendou ao ministro húngaro que seria melhor enviar judeus na Hungria para os campos de concentração na Polônia, como Auschwitz-Birkenau, em vez de deixá-los encontrar asilo na Palestina.
Achcar cita as memórias do Mufti sobre esses esforços para influenciar as potências do Eixo para impedir a emigração de judeus do leste europeu para a Palestina:

“Combatemos esse empreendimento escrevendo para Ribbentrop, Himmler e Hitler e, a partir de então, os governos da Itália, Hungria, Romênia, Bulgária, Turquia e outros países. Conseguimos frustrar esta iniciativa, uma circunstância que levou os judeus a fazer acusações terríveis contra mim, em que me responsabilizaram pela liquidação de quatrocentos mil judeus que não conseguiram emigrar para a Palestina nesse período. Eles acrescentaram que eu deveria ser julgado como um criminoso de guerra em Nuremberg, já na Alemanha ocupada do pós-guerra.”

Durante a tomada do Reino do Iraque
Em 1º de abril de 1941, um dia depois que o general Erwin Rommel iniciou sua ofensiva na Tunísia, o golpe de estado de 1941 no Iraque derrubou o regime pró-britânico do Iraque. 

Guerra anglo-iraquiana (1941). Na esquerda, tropas britânicas em Bagdá e à direita, milícias iraquianas fazem uma resistência 
 
O Dr. Fritz Grobba serviu intermitentemente como embaixador alemão no Iraque de 1932 a 1941, apoiando movimentos anti-sionistas e pró-fascistas no mundo árabe. Intelectuais e oficiais do exército foram chamados para a Alemanha como convidados do próprio NSDAP (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei – ‘Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães’), ao passo que e material anti-sionista e pró-nacionalismo foi produzido e distribuído ou publicado nos jornais. Um exemplo mais contundente veio da mesma embaixada alemã no Iraque, que comprou o jornal al-Alam al-Arabi (“O Mundo Árabe”), publicando propaganda anti-sionista, anti-inglesa e pró-nacionalista, incluindo uma tradução em série do livro “Mein Kampf (‘Minha Luta’, de Adolf Hitler) em árabe!

A [esquerda] primeira edição do Mein Kampf (Minha Luta), de Adolf Hitler em árabe e [direita], o livro sendo vendido e comprado em praça do Cairo, capital do Egito, nos dias atuais. O Mein Kampf é sempre um best-seller em qualquer idioma. 
 
Em 1º e 2 de junho de 1941, imediatamente após o colapso do governo  Rashid Ali no Iraque, o mufti e outros participaram dum confronto promovido por agentes sionistas em Bagdá, capital do país.  A pesquisa de Gilbert Achcar indica que o historiador Bernard Lewis citou erroneamente o número total de vítimas como o número de vítimas judias (110 a mais de 600 mortos e de 240 a 2000 feridos), enquanto a esmagadora maioria parece ter sido morta pela repressão dos árabes liderada pelos britânicos. Edwin Black conclui que os números exatos nunca serão conhecidos, ressaltando a improbabilidade da estimativa inicial nos relatórios oficiais de 110 mortes que incluíam árabes e judeus (incluindo 28 mulheres), em oposição ao reivindicações de fontes judaicas que até 600 judeus foram mortos! Da mesma forma, as estimativas de casas judaicas destruídas variam de 99 a mais de 900 casas. Embora esses números sejam debatidos na literatura secundária, é geralmente aceito que mais de 580 empresas judias foram saqueadas.
No Iraque, o grupo juvenil iraquiano-árabe Futuwwa – inspirado na Juventude Hitlerista – os quais foram comandados pelo ministro da educação iraquiano Saib Shawkat, simpatizante pró-nacionalista.
Em junho de 1941, a Diretiva de Alto Comando da Wehrmacht nº 32 e as “Instruções para a Equipe Especial F” designaram a Equipe Especial F como a agência central do conjunto das Forçar Armadas Alemães para todas as questões que afetavam o mundo árabe.
A divisão política entre essas facções, e principalmente entre os líderes dos “Dois Grandes”, Haj Amin al-Husseini e Rashid Ali, era um problema persistente para os árabes que haviam fugido do Iraque e encontrado asilo com seus aliados do Eixo na Europa.
Os problemas para seus partidários, que permaneceram em terras árabes controladas pelos Aliados, poderiam ser piores, no entanto. O combatente palestino Abd al-Qadir al-Husayni passou mais de quatro anos na prisão por sua participação na rebelião iraquiana.
Os britânicos obrigaram o mufti al-Husseini ao exílio por seu papel na revolta árabe de 1936-1939 na Palestina. Mas o ex-mufti tinha agentes no Reino do Iraque, no Mandato Francês da Síria e no Mandato Palestino da Grã-Bretanha.
Recrutamento árabe na Segunda Guerra 
Depois da derrota no Iraque, Rashid Ali, o mufti e outros veteranos iraquianos se refugiaram na Europa, onde apoiaram os interesses do Eixo Roma-Berlim no Mundo Árabe.
Ambos (Rashid Ali e o mufti al-Husseini) foram particularmente bem-sucedidos no recrutamento de dezenas de milhares de muçulmanos para membros das unidades alemãs de Schutzstaffel (SS), incluindo muçulmanos europeus dos Bálcãs, e como propagandistas do mundo árabe, sua gama de atividades colaborativas foi ampla. Por exemplo, Muhammad Anwar el-Sadat (1919 – 1981), militar e político egípcio, presidente do seu país de 1970 a 1981. Recebeu o Prêmio Nobel da Paz de 1978. Foi membro fundador do Movimento dos Oficiais Livres, junto de Gamal Abdel Nasser, foi um cooperador voluntário na espionagem da Alemanha de acordo com suas próprias memórias.
Conclusões no pós-guerra
A guerra continua para os árabes nacionais
O próprio Mufti afirmou que nunca soube de nenhum “campo de extermínio” ou de “planos de genocidas”, apontando que as provas contra ele foram forjadas por seus inimigos judeus. Ele ainda é uma figura controversa, difamada e homenageada por diferentes facções políticas no mundo árabe contemporâneo.Após a guerra, Al-Husayni foi preso por pouco tempo na França, mas escapou e recebeu exílio no Egito. Grupos sionistas fizeram uma petição aos britânicos para que ele fosse processado e julgado como criminoso de guerra. Os britânicos declinaram, em parte porque consideravam as provas insuficientes, mas também porque tal decisão iria gerar problemas adicionais na Palestina e no Egito, onde Al-Husayni ainda era popular. A República Socialista da Iugoslávia também pediu a sua extradição, sem sucesso.

Em 1948, Al-Husayni foi declarado presidente do governo palestino da Faixa de Gaza. Em 1º de outubro, foi declarado um estado independente da Palestina, abrangendo toda a Palestina e tendo Jerusalém como capital. Este governo foi reconhecido pelo Egito, Síria, Líbano, Iraque, Arábia Saudita e Iêmen, mas não pela Jordânia, nem pelos estados não árabes. O seu governo estava totalmente dependente do Egito. O Egito anulou o governo palestino por decreto em 1959. O fracasso desta iniciativa e o fato de Al-Husayni ter sido aliado das forças do Eixo, derrotadas na Segunda Guerra Mundial, foram fatores que enfraqueceram o Nacionalismo Árabe Palestino nos anos 1950.

Al-Husayni morreu em Beirute, Líbano em 1974. Ele desejava ser enterrado em Jerusalém, mas nessa época Israel já havia capturado Jerusalém Oriental à Jordânia, desde a Guerra dos Seis Dias (1967), e o governo israelense não permitiu o sepultamento no território ocupado. A neta de Al-Husayni casou-se com Ali Hassan Salameh, fundador da Organização Setembro Negro.

Logo após a guerra, em 1948, Fawzi al-Qawuqji, nomeado pela a Liga Árabe comandante de campo do Exército de Libertação Árabe (ALA) combateu na Guerra Palestina, após a votação da ONU em não aprovar a criação de um Estado palestino, mas sim um Judeu em terras daquela nação, renascendo o Grande Reino de Israel mais de mil anos depois. A nomeação também foi oposta por Haj Amin Husseini, que havia nomeado seu próprio parente Abd al-Qadir al-Husayni como comandante do Exército da Guerra Santa, marcando o conflito civil na região.

No fim, a qual saíram derrotados, al-Qawuqji mudou-se para a Síria e viveu em Damasco, Beirute e Trípoli.

Gaylani não retornou do exílio até depois da revolução que derrubou a monarquia iraquiana, em 1958. Mais uma vez, ele tentou tomar o poder; ele planejou uma revolta contra o governo de Abdul Karim Kassem. A revolta foi frustrada e Gaylani foi condenado à morte.

[Esquerda] Fawzi al-Qawuqji durante a guerra palestina de 1948. Ele é considerado um dos maiores ícones da resistência árabe e do pan-arabismo mesmo na atualidade. [Direita] al-Gaylani com o presidente egípcio Gamal Abdel Nasser no Cairo (Egito), em agosto de 1958. Nasser, por sua história de nacionalismo e oposição ao sionismo, foi inspiração para posteriores líderes árabes como Muammar al-Gaddafi
 

Mais tarde perdoado, ele retornou ao exílio em Beirute, no Líbano, onde morreu em 1965.

Mesmo após hoje, partidos como o Social Nacionalista Sírio, que compõe quase todo o parlamento sírio e a base do atua governo Assad mantiveram sua postura de não alinhamento com o globalismo mesmo após uma terrível guerra civil no país sírio, ao qual saíram vitoriosos, apesar de o conflito continuar em algumas áreas e o risco eminente de um ataque israelense e que seria respondido por um ataque iraniano.Ambos países com capacidade nuclear.

Nos resta saber, até que ponto foi forte influencia para o nacionalismo árabe e o pan-arabismo o nacional socialismo e qual foi realmente não só sua esfera de influência da época, mas quais a consequências posteriores. Governos como os de Gamal Abdel Nasser e Muammar al-Gadafi e partido com o da Juventude Egípcia (ou “camisas verdes”, de 1933 – 1953) podem não ter sido exatamente nacional socialistas ou fascistas de modelo, mas certamente representaram os ideais de uma escola de Terceira Posição ideológica que se opõe ao marxismo e ao liberalismo com clara visão anti-sionista e colonialista, oque mais do que antes, para os opositores árabes de hoje, nos governos da Síria e do Irã até grupos de resistência como o do libanês Hezbollah e o sírio Baath são traduzidos pelo anti-globalismo, que abrange essas antigas questões.

Isso deve ser visto pelo nacional socialismo e interpretado no que diz respeito ao que ainda hoje é causa conjunta nas questões globais e geopolíticas dos nacionalistas do Ocidente com os do Oriente… tal como foi a muito tempo atrás.

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