Ramón Bau: Lutar Diante do Fracasso

Por que seguir lutando diante do aparente fracasso? “Lutamos e perdemos ou lutamos mesmo que percamos? Andante, não há caminho, se caminha ao andar”.

Quando se analisa a realidade, não restam dúvidas sobre a impossibilidade atual de uma mudança realmente importante na sociedade. Os motivos são muitos e eficazes:

• Estabilidade do sistema econômico capitalista, ainda que baseado em uma enorme dívida e uma brutal acumulação de meios em mãos do sistema financeiro, que, como desfecho, mesmo ao apropriar-se de meios, tiram das mãos da população suficientes as bases para evitar uma revolta real na base econômica, de modo que a dívida não é “sentida” pelo povo, ainda que isso lhe afete significativamente;

• Domínio total da imprensa, televisão e meios de massa, transformados em gigantescas empresas econômicas integradas no poder do dinheiro. Não há forma de chegar às pessoas, pois se fecharam todas as possibilidades “baratas” de propaganda, deixando a capacidade de difusão pública somente às grandes empresas;
• Degradação da mentalidade do povo, depois de 50 anos de propaganda massiva, que infiltrou profundamente a decadência global, da arte à ética, da educação à família, do sexo ao egoísmo. Em suma, tudo transborda decadência e falta de estilo;
• Uma repressão legal e social estrita quando algo atenta ao sistema em temas que considera essenciais de defender. Repressão legal sobre temas raciais, repressão social-econômica contra tudo o que se manifeste anti-sistema, inclusive legalmente;
• Uma invasão de imigração que rompe a unidade popular e dificulta enormemente toda oposição “nacional”, ao dar uma massa de agressores natos contra todo tema “nacionalista”; Em suma, até o mais cego compreende que esta época não é uma etapa pré-revolucionária, mas claramente uma decadência dirigida e controlada.
Nestas circunstâncias, a evolução dos grupos anti-sistemas tem sido de profunda crise e redução radical de meio. Os militantes são cada vez menos e quase todos os operários e trabalhadores não dispõe de outros meios senão vontade e esforço.
AS RAZÕES PARA LUTAR
Há três grandes grupos de razões: As idealistas (embora o nome não seja inteiramente correto), as de interesse e as de necessidade. Só estas últimas podem levar a uma revolta e uma mudança real do sistema. Até hoje, somente em momentos e lugares concretos, dentro do mundo branco, se criou situações de “necessidade”, como ocorreu na Argentina, diante o fechamento bancário e a degradação brutal da economia, na URSS, diante da hecatombe comunista e a posterior miséria popular, ou na Iugoslávia diante da ruptura entre as repúblicas componentes. E delas, somente a situação na URSS pôde ser determinante de uma mudança realmente anti-sistema, pois na Argentina ou na Iugoslávia o processo foi muito local para poder afetar ao sistema global.
As razões de “interesse”, ou egoístas, como lutar contra o desemprego, pelo aluguel mais barato ou por um maior aumento de salário anual, são questões que manejam perfeitamente as organizações marxistas do próprio sistema, fomentando o egoísmo e a mera luta por “mais dinheiro”. Em outras palavras, lutam por “mais sistemas”, pois não aderem às justas reivindicações uma luta real contra as bases desses problemas: o sistema democrático como tal.
Uma luta meramente egoísta, por um aumento de 4% do salário, é algo que não deve considerar-se anti-sistema. Mesmo a justa reivindicação de uma moradia acessível não é em si uma mobilização anti-sistema, se não se une a uma clara denúncia da armação global financeira e política, coisa que não interessa aos “protestantes egoístas” nem aos sindicatos e marxistas, que estão no mesmo poder do Estado atualmente. Aos militantes dos grupos nacional-socialistas, não lhes afeta o egoísmo de um tema particular seu, pois sabem que não será através de uma atuação nacional-socialista propriamente dita que se resolverá seu problema, dado que a capacidade de atuação desses grupos é nula a nível prático, nos dias de hoje. E mais: ser nacional-socialista é uma fórmula certa para que não lhe protejam oficialmente, não lhe dêem trabalho nos repartimentos e estabelecimentos públicos (e privados), nem receber “presentes” demagógicos de subsídios ou ajudas que são repartidas entre os companheiros do sistema.
Como resultado, os militantes nacional-socialistas se movem meramente por razões idealistas, e nisso radica tanto sua fraqueza como sua força. Fraqueza: porque em uma sociedade onde o idealismo é ultrajado diariamente, os idealistas pressionados pela necessidade de trabalho ou família, pela perseguição e falta de toda perspectiva de êxito, decaem logo de sua vontade de sacrifício “inútil”. Força: porque o idealismo não necessita de êxito em si, assim pode resistir à falta de êxito se dispõe de vontade suficiente para a “constância”.
AS BASES DO IDEALISMO NACIONAL-SOCIALISTA
Um grave erro é confundir as bases essenciais do Nacional Socialismo com a política ou as doutrinas práticas, aplicando-as no Nacional Socialismo atual ou futuro. No Nacional Socialismo, o idealismo não significa utopias, propostas ideais incoerentes com a realidade, mas “atuar por motivos não-egoístas”, poderíamos dizer, ou seja, mais que “idealistas”, lutamos por “amor ao correto”, nos favorecendo ou não. Para o nacional-socialista, a luta é o chamado de um dever, não havendo, portanto, vitória ou derrota.
As palavras não são corretas às vezes. Por exemplo, lutar por “igualdade” é uma utopia antinatural que poderia chamar-se “ideal”, no sentido de que é só uma “ideia” sem possibilidade de realidade, pois a natureza é desigual em si mesma. Não é o caso do Nacional Socialismo, onde não se combate então nestes tempos, a única fórmula para que o militante nacional-socialista se mantenha em luta constante está em viver e necessitar desses valores; que estes sejam o seu próprio oxigênio necessário para viver.
Não se mantêm grupos nacional-socialistas nesta época de fracassos e de impossibilidade no campo de ações importantes ou não, mediante votos ridículos, ou mudando seus heróis e mitos por táticas e medos para que, ao fim, não se alcance a nada. Indo além, não se mantêm dispondo cartazes ou panfletos, ou editando revistas, ou com ações de rua, ainda que estas coisas sejam recomendáveis; isso não manterá o grupo unido, se o militante estiver satisfeito do seu sacrifício.
Apenas como cavaleiros do Graal, tendo a visão dos valores essenciais, a vivência de uma vida com honra, decência, família, fidelidade, amor e compreensão ante a necessidade, sair à natureza, amar os animais, viver a arte nobre e bela; apenas ao compreender a esses princípios necessários, e que estão sendo destruídos sistematicamente pelo sistema, impedindo a possibilidade de elevação pessoal do povo em todos os seus sentidos, é que manterá a luta constante, por uma autêntica necessidade. É preciso chegar a uma situação dada por esta frase: “Não posso viver sem lutar para que esses valores essenciais sejam os mesmos de minha comunidade”. E para isso, tais valores éticos devem ser os da vida própria do militante, que deve ser guiado por eles.
Assim, a organização nacional-socialista deve se transformar em uma comunidade de vida, não apenas uma ferramenta de atuações. O movimento de hoje e sempre tem de ser uma comunidade de vida para uma luta constante.
ALGO PRÓPRIO E ESPECIAL PARA SER MOSTRADO
Compreendida essa base, é preciso também que toda associação calcada em valores nacional-socialista pense em uma missão a ser realizada, que a defina e a identifique como tal. Há um amplo leque de possibilidades. Umas podem se dedicar à arte, à defesa dos animais, à uma política ativista, à religiosidade em todos os seus aspectos, às edições impressas, enfim: o âmbito de atuação pode ser múltiplo.
Mas se você tivesse de escolher uma dessas opções hoje, teria que ser a de tornar-se um exemplo de vida comunitária, mostrar a imagem bela, amável, sincera e pacífica do nacional-socialismo; mostrar que ser nacional-socialista é algo belo e digno; difundir o amor e a arte, e que a ação seja sempre reflexo desse amor, não do ódio ou rancor diante do inimigo como primeira ideia. O restante é preciso fazê- lo: combater o mal, o inimigo do mundo, a decadência e o poder do dinheiro, mas, acima de tudo, primeiramente é preciso mostrar a beleza e a honra ética do ideal que nos norteia. Não quero afirmar com isso que não se deva atuar, mas justamente o contrário; no entanto, que essa atuação jamais seja oposta aos valores essenciais, ou por táticas, medos ou compromissos pessoais.
E quando alguém nos dizer que não chegaremos a mudar o mundo, ou que é preciso fazer algo mais, recordaremos a esta poesia:
“Eu sou apenas um, mas sou um.
Eu não posso fazer tudo, 
mas posso fazer algo, 
e esse algo que posso fazer 
devo-o fazer, e o que devo fazer,
com a ajuda de Deus, eu o farei”. – John Howard Payne
A LUTA VISTA POR:
Oliver Goldsmith:

“Nossa maior glória não consiste em nunca termos caído, mas sim em nos reerguermos toda a vez em que caímos”.

Bertolt Brecht:

“Há homens que lutam um dia e são bons. Outros, que lutam um ano, e são melhores. Há aqueles ainda que lutam muitos anos, e são muito bons. Porém há os que lutam por toda uma vida: estes são os imprescindíveis”.

José Ortega y Gasset:

“Não queremos lutar: queremos simplesmente vencer. Como isto não é possível, preferimos viver de ilusões e nos contentarmos com proclamar-nos ilusoriamente vencedores no parvo recinto de nossa tertúlia de café, de nosso cassino, de nosso quarto de bandeiras ou simplesmente de nossa imaginação”.

Adolf Hitler

“Só se pode lutar pelo que se ama e só se pode amar o que se respeita e respeitar o que pelo menos se conhece”.

Guilherme, o Taciturno:
“Não é imprescindível acreditar na vitória para lutar”.
Giovanni Papini:

“O homem sempre será guerreiro, combatente, herói: deverá lutar contra os ferros e as geadas, contra as marismas e as correntes, contra a escuridão e o terror noturno, contra a selva e a fúria dos mares; finalmente lutará contra seus reis e até contra seus deuses”.

Lúcio Aneu Sêneca:

“Viver é lutar”.

Napoleão Bonaparte:

“O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem – ele não ouve senão a voz da própria consciência”.

Friedrich Nietzsche:

“Aquele que luta com monstros, deve-se acautelar para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

BAU, Ramón. “Lutar diante do fracasso”. 2 Ed. Thule, 2009


NOTA: 

 
A imagem do título mostra soldado alemão no 9 de maio de 1945, em frente ao prédio do Reichstag, Berlim. Um dia após a rendição alemã na Segunda Guerra Mundial para os exércitos aliados e seus “aliados-soviéticos”. 

 

Quem é Ramón Bau:
Em 1966, quando tinha apenas 17 anos, este jovem de  Barcelona foi um dos fundadores do Círculo Espanhol de Amigos da Europa (Cedade), do qual mais tarde se tornou secretário geral.
O Cedade, por sua grande atividade editorial, tornou-se por muitos anos um ponto de referência do movimento nacional-socialista no mundo e estava prestes a organizar na Espanha um encontro mundial de nacional-socialistas em 1974, que finalmente foi abortado pelas autoridades franquistas.

Depois de deixar Cedade em 1984, Ramón Bau seguiu a atividade editorial através de Ediciones Bau, Bausp e Wotton, que conseguiu publicar mais de 130 revistas. Após outro breve retorno à editora Cedade, ele fundou o Círculo de Estudos Indo-Europeus em junho de 1998, e nesse mesmo ano iniciou uma campanha para obter apoio financeiro para Pedro Varela, dono da “Librería Europa” em Barcelona, ​​que se tornou um dos centros de publicação do nacional-socialismo europeu e um ponto de encontro para os vários grupos nacionalistas na Espanha e na Europa.

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