Os Voluntários Turcomanos da Waffen-SS

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O Turquestão é uma região da Ásia Central com uma população significativa de povos turcomanos. Os turcos oguzes (ou turcomenos), os uzbeques, cazaques, casares, quirguízes e os uigures são alguns dos habitantes da região e que, ao longo da história, se espalharam pela Eurásia de modo a formar nações turcomanas como a Turquia e o Tartaristão. Os tadjiques e os russos formam minorias não-turcomanas consideráveis na área.

A região é tradicionalmente dividida em duas áreas: Turquestão Ocidental: correspondendo aos atuais Tadjiquistão, Quirguistão e Cazaquistão, habitado por uma maioria de povos turcomanos e o Turquestão Oriental: atual região em território chinês de Xinjiang, embora sua população constitua-se de uigures.

Turkistanische Legion (Legião do Turquestão)

A Legião do Turquestão (em alemão: ‘Turkistanische Legion‘) era o nome das unidades militares compostas pelos povos dessa região que lutaram na Wehrmacht durante a Segunda Guerra Mundial. A maioria dessas tropas eram prisioneiros de guerra do Exército Vermelho que formaram uma causa comum com os alemães. Seu estabelecimento foi encabeçado por Nuri Killigil, um nacionalista e pensador turcomano, que procurava separar territórios habitados por povos turcomanos de seus países e eventualmente uni-los sob um domínio independente da então Rússia Soviética.

Tropas do Turquestão na frente Ocidental (França, 1944)

No outono de 1941, nas fases inciais da invasão da União Soviética, esforço de guerra alemão procurou aproveitar as forças anti-soviéticas, anti-russas e pró-independentistas de toda a região.

A primeira Legião do Turquestão foi mobilizada em maio de 1942, originalmente composta de apenas um batalhão, mas até 1943 foi expandida para 16 batalhões e 16.000 soldados. Sob o comando da Wehrmacht, essas unidades foram implantadas exclusivamente na Frente Ocidental na França e na Itália, isolando-as do Exército Vermelho.

Os batalhões da Legião do Turquestão formaram parte da 162ª Divisão de Infantaria (162ª Turkistan Infanterie-Division) e viram muita ação na Iugoslávia ocupada (especialmente na atual Croácia) e na Itália.

Soldados SS da da Turkistanische Legion empunhando estandarte

Grande parte da Legião do Turquestão foi aprisionada pelas forças britânicas e repatriada para a União Soviética após o fim da guerra (1945), onde enfrentariam penas de prisão do governo soviético por ter colaborado com as forças nacionais alemãs. Membros notáveis da legião incluíram Baymirza Hayit, um turcomano que, após a guerra, estabeleceu-se na Alemanha Ocidental e tornou-se um defensor das causas políticas pan-turcas.

Em verdade, a 162ª Divisão de Infantaria do Turquestão foi uma unidade Waffen-SS formada por soldados de origem muçulmana, das mais variadas etnias habitantes da União Soviética. Azeris, chechenos, ossetas, entre outros povos. Haviam entre os efetivos diversos presos de guerra soviéticos, libertados que decidiram se juntar ao Eixo para combaterem o comunismo e a liberdade das respectivas terras natais.

Qual não foi o espanto das tropas anglo-estadunidenses do dia D ao aprisionarem um homem do Turquestão entre as tropas da SS (França, 1944).

Os principais comandantes da unidade foram os generais Oskar von Niedermayer e Ralph von Heygendorff.

Após o serie de derrotas para o exército vermelho nas campanhas da Frente Oriental, a 162ª Divisão de Infantaria, recebe treinamento no centro de Neuhammer, hoje território da Polônia, em outubro de 1943, e posteriormente enviados para lutarem no norte da Itália.

Voluntários da SS do Turquestão

Em 1944 são destacados para defenderem a região costeira da Ligúria. No Mar Adriático enfrentam os soldados do Reino Unido (Oitavo Exército), em Rimini. Quando participam da Batalha de Rimini, de agosto daquele ano. Na Operação Olive, (Batalha da Linha Gótica ou Batalha dos Apeninos), que buscava quebrar as defesas da Linha Gótica, então defendida por soldados nacional-socialistas alemães acompanhados de unidades colaboracionistas Waffen-SS como a 162ª Divisão de Infantaria.

Em 29 de Abril de 1945, o General Graziani, capitula frente aos Aliados, no Castelo de Caserta. Com a assinatura da Rendição de Caserta (firmada no Palácio Real de Caserta, na Campania), que coloca fim a campanha italiana na Segunda Guerra Mundial, a 162ª se entrega às forças Aliadas, que mais tarde os entregam aos soldados soviéticos (também Aliados).

A maioria acabou enviada aos campos de trabalhos forçados da Sibéria, os gulags soviéticos.

Osttürkischer Waffen-Verband der SS

A Osttürkischer Waffen-Verband der SS foi uma unidade de infantaria ligada as Waffen-SS do III Reich na Segunda Guerra Mundial organizados no mês de janeiro de 1944 foi formada por voluntários de origem turcomana e muçulmana e estavam primeiramente sob o comando do SS-Obersturmbannführer Andreas Meyer-Mader.

Homens da Osttürkischer Waffen-Verband der SS, unidade turcomana do III Reich

Parte dos integrantes da divisão eram ex-prisioneiros de guerra, que motivados pelo sentimento anti-bolchevique e anti-comunista se voluntariaram na unidade colaboracionista.

Deveriam receber a denominação de “Muselmanischen SS-Division Neu-Turkistan“, entretanto o primeiro nome foi mantido pelo oficialato alemão. Aproximadamente 8.000 combatentes serviram na Osttürkischer Waffen-Verband ao longo do conflito na Europa. Esses soldados eram oriundos dos batalhões turcomanos 450, 480 e 94 e estavam divididos em quatro “Waffen-Gruppe”, distribuídos conforme etnia e origem: “Waffen-Gruppe Turkistan“, “Idel-Ural”, “Aserbaijan“, e “Waffen-Gruppe Krim“.

Legião de Turquestão na SS

No mês de fevereiro de 1944 foram enviados para a luta na Frente oriental, mais especificamente na Bielorrússia, contra grupos guerrilheiros comunistas, bem como os membros do Exército Vermelho. Eles também participaram de operações frente a Revolta de Varsóvia, capital da Polônia ocupada (entre agosto e outubro de 1944). Nessa ocasião foram direcionados para a Brigada Dirlewanger, com o objetivo de combater a revolta. Vitoriosos, seguiram para a Eslováquia realizar ações anti-guerrilha.

Legionários voluntários do Turquestão na SS

Osttürkischer Waffen-Verband der SS, uma vez estacionado na Áustria, acabou por dar sua rendição em maio de 1945, quando estava sob o comando do SS-Hauptsturmführer Fürst.

Outras divisões importantes formadas por turcomanos ou soldados do Turquestão incluíram a Böhler-Brigade que formava os batalhões Turkestanisches-Arbeits e o Turkestanisches-Arbeits-Ersatz-Battalion, todos da Ásia Central.

Referências

SAKAL, Halil Burak. “Başka Bir Dünya Savaşı: İkinci Dünya Savaşı Sırasında Almanya Tarafında Savaşan Türkistanlılar”. Ötüken, 2013. ISBN 978-975-437-981-5.

Flag Master Nr. 105, verão de 2002, Publicação de The Flag Institute, Mayfair, Londres, W1J5NS, Reino Unido.

Almanaque dos Conflitos: 162ª Divisão de Infantaria (Turquestão) – unidade Waffen-SS

Almanaque dos Conflitos: Osttürkischer Waffen-Verband der SS, unidade turcomana do III Reich

Wikipédia:Turkic,Caucasian, Cossack and Crimean collaborationism with the Axis Powers

Wikipedia: Turkistan Legion

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