Os 11 Anos da Partida de Éneas Ferreira Carneiro

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Enéas se opôs a classificação esquerda-direita, dizendo que não via: “no mundo moderno, condição para que se fale em esquerda e direita”, confirmando este pensamento em uma entrevista ao IstoÉ, ao ser interrogado se acha a esquerda “burra”. Em resposta político disse que “a discussão, ao meu ver, não é mais entre esquerda e direita. É de um lado, a globalização; de outro, o Estado nacional soberano”.
Criticou o estado mínimo, alegando que o pensamento de que o estado deve ser o menor possível é “modernismo”. Em seguida o candidato ataca a política de privatizações, alegando que elas são

“negociatas feitas para transferir o formidável patrimônio público para uma minoria privilegiada de representantes legítimos do sistema financeiro internacional”.

Declarava-se contrário ao aborto e à legalização de drogas, que está dentro do projeto mundial neo-malthusiano, que visa diminuir a população brasileira para que o território não possa ser defendido, em virtude da baixa natalidade. Completou afirmando que o “aplauso ao homossexualismo” faz parte dessas políticas. Apesar de condenar a “ovação em torno do homossexualismo”, o político negou atacar a existência de homossexuais.
Defendia, no mínimo, triplicar o efetivo das forças armadas para ter um braço armado do povo.

“O respeito às forças armadas foi uma tônica não só de nossa população como de todas as outras, […] no curto período em que os generais governaram o país, com um governo muito ruim, agigantou o fosso que existia entre o Brasil e as potências do atual G-7″,

Enéas defendia a construção da bomba atômica, não para jogar em ninguém, mas para sermos respeitados. Enéas afirmou que isso permitiria ao país conversar em condições de igualdade com as potências militares globais.
Defendia o direito à greve retirado dos trabalhadores:

“a greve é um direito inalienável do trabalhador […] isto é uma coisa, outra coisa é viver da greve”. 

Ao ser perguntado se o comunismo é a solução, afirmou:

“Não, não é. A experiência histórica é o maior de todos os mestres […] o comunismo nem chegou a existir, o que existiu foi o socialismo, a fase pré-comunista”.

Em uma entrevista dada ao Programa Delas, Enéas Carneiro criticou o parlamentarismo. “Eles são uma fileira enorme de medíocres lutando contra a liderança”, afirmou o político, completando com a afirmação “eles são uma fila de mentecaptos, cada um esperando sua vez de chegar ao poder”.
O político também se pronunciou a respeito da pena de morte, dizendo:

“Como médico eu jamais poderia apoiar a pena de morte. Como estadista, visto que isso é de uma seriedade extraordinária, faria uma consulta a população, medida que já é prevista. Como homem, se eu visse uma criança sendo estuprada, tenho certeza que nesse momento seria capaz de matar uma pessoa”.

Carreira militar, acadêmica e médica especialista
Enéas Ferreira Carneiro nasceu em Rio Branco, capital do Acre,  5 de novembro de 1938. Filho de Eustáquio José Carneiro, barbeiro, e Mina Ferreiro Carneiro, dona de casa, ao nascer, sua família estava em condições de miséria. Quando perdeu o pai aos nove anos de idade, sendo obrigado a trabalhar desde essa idade para sustentar a si e à sua mãe,  mudaram-se para Belém, no Pará, com condições financeiras um pouco melhores, onde morou em um barraco e tinha como alimentação farinha e café.
De acordo com Enéas, ele já trabalhou em construção civil como apontador de obras, foi tradutor de inglês, trabalhou em açougue e foi auxiliar de escritório, mas sua carreira de verdade é bem extensa.
Aspirando a melhorar de vida, escreveu ao comandante da escola de cadetes da marinha, perguntando como teria que fazer para poder ingressar na escola. O comanda respondeu lhe informando às instruções, e logo, Enéas inscreve-se e passa em primeiro lugar no concurso do exame da Escola de Saúde do Exército, o única candidato do estado do Pará a ser aprovado, iniciando seus  estudos em 1958.
Em 1959 formou-se terceiro-sargento auxiliar de anestesiologia, sendo primeiro lugar de sua turma e em 1960, iniciou seus estudos na Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro.
Em fevereiro de 1962, prestou exame vestibular para a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara (atual UERJ), curso de licenciatura em matemática e física. Aprovado em primeiro lugar. No mesmo ano iniciou atividade como professor destas disciplinas, preparando alunos para vestibulares.
Em 1965 formou-se médico pela já citada Escola de Medicina e Cirurgia do Rio de Janeiro, pedindo então baixa do Exército, após 8 anos de serviço ativo no Hospital Central do Exército, onde auxiliou os médicos em mais de 5.000 anestesias, já tendo recebido a medalha Marechal Hermes.
Em 1968 diplomou-se licenciado em Matemática e Física pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Estado da Guanabara e fundou o Curso Gradiente, pré-universitário, do qual foi diretor-presidente e onde lecionou matemática, física, química, biologia e português.
Em 1969 fez o curso de especialização em cardiologia na 6ª Enfermaria da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro e, a partir daí, foi integrado como assistente naquele Serviço de Cardiologia.
De 1973 a 1975 fez um mestrado em cardiologia na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Nesse período ministrou também aulas de fisiologia e semiologia cardiovascular na mesma universidade. Em 1975 apresentou a primeira versão de seu famoso curso O Eletrocardiograma, no Rio de Janeiro, mais tarde ministrado em São Paulo (1983), Quito – Equador (1985) e novamente no Rio de Janeiro (1986), dessa vez como curso nacional, ocorrido no Copacabana Palace.
Em 1976 defendeu sua dissertação de mestrado, “Alentecimento da Condução AV”, e recebeu o título de mestre em cardiologia pela UFRJ. Ainda em 1976 escreveu o livro O Eletrocardiograma, referência no gênero.
Enéas, por volta de 1982, casou-se com a promotora da auditoria militar, Adriana Lorandi. Com ela teve sua terceira filha, Lígia. O casal se separou pois para criar o Prona Enéas precisou se desfazer de muitos bens.

“Ela não aguentou. Torrei todo meu patrimônio, uns imóveis e jóias porque queria construir o Prona”.

Publicado em 1977 e reeditado em 1987 como O Eletrocardiograma: 10 anos depois, essa obra é conhecida no meio médico como a “bíblia do Enéas”.
O PRONA na Política
Raras manifestações nacionalistas organizadas como o PRONA, no Brasil só podem ser comparadas ao Estado Novo getulista ou à Ação Integralista Brasileira da década de 1930.Em 1989, Enéas fundou finalmente o PRONA (Partido da Reedificação da ordem Nacional, lançando-se imediatamente candidato à presidência nas primeiras eleições diretas do Brasil, após o período da ditadura militar. O seu tempo na propaganda eleitoral gratuita era de quinze segundos. Todavia, aliada a uma fala rápida e a um discurso inflamado e nacionalista (terminado sempre por seu bordão: “Meu nome é Enéas”), fez com que o então desconhecido político angariasse mais de 360 mil votos, colocando-o em 12º lugar entre 21 candidatos. A propaganda vinha sempre acompanhada pela Sinfonia n.º 5 de Ludwig van Beethoven.

Candidato nas eleições presidenciais de 1994, com o tempo 1 minuto e 17 segundos no horário gratuito, sendo o PRONA um partido ainda sem expressão, o resultado surpreendeu os especialistas em política. Enéas foi o terceiro mais votado, com mais de 4,6 milhões de votos (7%),  posicionando-se à frente de políticos consagrados, como o então governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola e o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, ficando atrás apenas de Fernando Henrique Cardoso (que levou o pleito) e Luiz Inácio Lula da Silva.
Em 1998, com 35 segundos disponíveis no horário eleitoral,  — na soma total, um tempo menor do que em 1989 —, Enéas expôs seu discurso em que defendeu questões polêmicas como a construção da bomba atômica, a ampliação do efetivo militar e a nacionalização dos recursos minerais do subsolo brasileiro. Nas eleições presidenciais daquele ano, foi o quarto colocado, com um total de 1.447.090 votos.
Prefeitura de São Paulo
Em 2000, candidatou-se à prefeitura de São Paulo, obtendo 3% dos votos, e conseguiu reunir votos para a eleição de sua candidata a vereadora Havanir Nimtz.
Em 2002 candidatou-se a deputado federal por São Paulo, obtendo a maior votação da história brasileira para aquele cargo: cerca de 1,57 milhão de votos, recorde que só foi superado pelo candidato fantoche em voto de protesto Everardo (“Tiririca”). 
Seu partido obteve votos suficientes para, através do sistema proporcional, eleger mais cinco deputados federais, todos homens fundadores do partido, para atuação em Brasília (mesmo com votações inexpressivas, abaixo dos mil votos). Este episódio ficou marcado pela polêmica de que alguns destes candidatos teriam mudado de colégio eleitoral de forma ilegal apenas para serem eleitos pelo princípio da proporcionalidade, confiando nos votos conferidos ao partido através de Enéas. Mas verdade é que logo após o PRONA ganhar lugares no parlamento, alguns principais de seus correligionários políticos não tardariam em mudar suas legendas partidárias, deixando o PRONA a cargo somente de Enéas e outro político, enfraquecendo sua base política.
Enéas também participou ativamente das eleições para prefeitos e vereadores em 2004, ajudando a eleger vereadores em várias capitais, como Rio e São Paulo, e prefeitos em pequenas cidades.
Fim da vida, problemas de saúde
No início de 2006, Enéas passou por sérios problemas de saúde, uma pneumonia e uma leucemia mieloide aguda, fazendo com que ele optasse por retirar sua emblemática barba, antes que a quimioterapia o fizesse. Ainda em função de seus problemas de saúde, em junho, anunciou que desistiria de sua candidatura à Presidência da República e que concorreria novamente à Câmara de Deputados. Na nova campanha, mudou seu bordão para “Com barba ou sem barba, meu nome é Enéas!”. Foi reeleito com a quarta maior votação no estado de São Paulo, atingindo 386 905 votos, cerca de 1,90% dos votos válidos no estado.
Após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2006, seu partido, o PRONA se funde com o PL  para evitar a extinção e então é fundado um novo partido, o Partido da República.
Em 6 de maio de 2007, aos 68 anos, Enéas Carneiro faleceu em sua casa, vitimado pela leucemia mieloide aguda, após ter desistido do tratamento quimioterápico e abandonado o hospital onde era tratado, o Hospital Samaritano, por acreditar que seu tratamento não mais surtiria efeito. Seu corpo foi velado na manhã do dia 7 de maio no Memorial do Carmo (que fica no Cemitério São Francisco Xavier), e cremado, na tarde do mesmo dia, no crematório da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro. O último pedido de Enéas foi que sua família jogasse suas cinzas na Baía de Guanabara.
Atualmente, um projeto de lei visa incluí-lo como herói da pátria e colocar seu nome no “Livro de Aço” do Panteão da Pátria.
O legado de Enéas
Hoje é dia de lembrar os 11 anos da partida de Éneas Carneiro.
Éneas Ferreira Carneiro, ou simplesmente “Enéas”, foi um homem que decididamente se posicionou além da “Esquerda” e “Direita”, relativizando com maestria esses supostos antagonismos. Denunciou a falsa disputa partidária, o roubo generalizado dos recursos naturais brasileiros e como a Dívida Pública escraviza a todos nós (os reais motivos de qualquer subdesenvolvimento).
Sob seu partido, o PRONA (Partido da Reedificação da ordem Nacional), reuniu diversas mentes brilhantes do nacionalismo e desenvolvimentismo brasileiro remanescentes. Elaborando junto a eles, planos para um futuro edificador de um projeto civilizacional que rompia com a sinarquia financeira e elevaria a nação a um Estado de soberania.
Soberania, liberdade, capacidade e potencialidade. Essa foram as bandeiras levantadas pelo homem que saiu de uma origem extramente humilde em Rio Branco, no Acre para não só triunfar na medicina especializada internacional e finalmente na política, onde ensinou as gerações futuras como e o que pensar e reivindicar.
Obrigado Enéas! Sua memória vive e triunfar enquanto persiste o ideal.
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Fontes de pesquisa de texto:
 
 
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