Neuschwabenland – a antiga e esquecida colônia alemã na Antártica

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O exército alemão capitulou em 1945 – isso é de conhecimento geral. Entretanto, não se deve esquecer que o Império alemão consistia não somente daquele pedaço de terra da Europa Central, mas que ele também possuía 600.000 km², os quais não foram ocupados pelos aliados. Aparentemente a enorme colônia alemã de “Neuschwabenland” (em português: ‘Nova Suábia’), na costa atlântica da Antártida, foi destino de inúmeros submarinos alemães nas últimas semanas da guerra.

O que se esconde atrás desta lenda e como os alemães vieram a possuir esta colônia, que é quase o dobro do tamanho da atual Alemanha? Qual o mistério que envolve este território sobre o qual pouco ou absolutamente nada se ouve na imprensa?
As primeiras explorações na Antártida
Assim como outros países, a Alemanha enviou várias expedições de caráter científico à Antártica no período entre o final do século XIX e início do século XX. As expedições do século XIX incluíam estudos de astronomia, meteorologia e hidrologia e ocorreram no Oceano Antártico, Geórgia do Sul, Ilhas Kerguelen e Crozet, a maioria em cooperação com cientistas de outros países. Porém, no final do século XIX os alemães começaram a se dedicar sozinhos pelos seus interesses na Antártica.
O início da exploração alemã da Antártida nos remete ao ano de 1873, quando a Sociedade Alemã de Pesquisa Polar envia o baleeiro, comerciante e então explorador polar, o capitão Eduard Dallmann (1830 – 1896) para as águas geladas da Antártida. 

O capitão Eduard Dallmann e um de seus barcos exploratórios, o Samoa.

Dallmann descobre com seu navio “Grönland” – o primeiro vapor em águas polares – inúmeras novas regiões, entre outras, a ilha Kaiser Wilhelm, além do estreito de Bismarck e o mapeamento das ilhas Anvers, Brabant e Liege. Esta expedição foi uma das tantas outras expedições alemãs no hemisfério sul, dentre as quais vamos citar as mais importantes. 

– A expedição alemã apelidada “Gauss” (1901 à 1903), liderada pelo geólogo e professor prussiano Erich Dagobert von Drygalski (1865 – 1949), a primeira expedição a utilizar um balão de ar quente na Antártica, reunindo informações científicas abrangentes sobre a geologia a fauna e a flora das Ilhas Heard.
Foto aérea do navio Gauss tirada de um balão dirigível e Erich von Drygalski. O nome da exploração e do navio tem origem no matemático e físico, Carl Friedrich Gauss. Partindo de Kiel no Verão de 11 de agosto de 1901, a expedição também descobriu o  vulcão Gaussberg. Um pequeno grupo da expedição estava estacionada nas Ilhas Kerguelen, encalhada 14 meses, enquanto o grupo principal continuou para o sul. Erich fez a narrativa da expedição e editou a enorme quantidade de dados científicos da missão e, entre 1905 e 1931, publicou 20 volumes e dois atlas sobre o assunto.
– Expedição entre 1910 e 1912, sob o comando do explorador, geofísico e escritor Wilhelm Fichtner (1877 – 1957) com o navio “Deutschland” (português: ‘Alemanha’), o qual tinha o objetivo cruzar a Antártica e, apesar de logicamente falhar, a expedição descobriu a plataforma de gelo Filchner (apelidado em sua homenagem) e a costa Luitpold.

Wilhelm Filchner liderou a Expedição Antártica Alemã ao Mar de Weddell e descobriu a Plataforma de Gelo Filchner-Ronne.

– Em 1925, foi a vez também da expedição sob o comando de Dr. Albert Merz com o navio “Meteor”.

Explorações no governo Nacional-Socialista

Como percebido, o governo alemão havia acumulado uma vasta experiência material e técnico-científico sobre o continente Antártico desde a segunda metade do século XIX. 

Sob o governo Nacional-Socialista, reconheceu-se rapidamente a importância deste território afastado e ficou decidido anexar este grande território, tomando-o como propriedade alemã. Ocorreu então, em 1938, a maior expedição alemã rumo à Antártida, sob o comando do capitão Alfred Ritscher. O navio “Schwabenland”, que foi preparado para esta expedição ao custo de um milhão de Reichsmark, deixou o porto de Hamburgo uma semana antes do natal de 1938 e chegou nas águas geladas do polo sul em 19 de janeiro de 1939.

O capitão Alfred Ritscher (1879 – 1963) e o navio exploratório Schwabenland. Em 19 de janeiro de 1939, o navio chegou nos mares da Antártida.
A expedição tinha 33 membros além da tripulação do navio composta por 24 pessoas. Para a exploração do território, os alemães utilizaram dois hidroaviões pesados, o “Boreas” e o “Passat”, os quais eram lançados através de catapultas a vapor, diretamente do convés do “Schwabenland”. Eles sobrevoaram uma região de cerca de 600.000 km², documentaram os voos de reconhecimento com quase 11.000 fotos e jogaram boias sinalizadoras com bandeiras do Império alemão, consolidando assim a posse do território.
Navios catapulta e os hidroaviõs “Passat”. O planador era lançado por catapulta do convés do navio

Este método era aceito internacionalmente naquela época. Já próximo do que hoje é conhecido como Terra da Rainha Maud, reclamado pela Noruega, todo o território recebeu o nome de “Neuschwabenland” e as paisagens descobertas receberam também nomes alemães, como por exemplo, a região livre de gelo onde até existe um pouco de vegetação – a Schirmacher-Seegruppe, e também as montanhas Mühlig-Hoffmann, com mais de 3.000 m de altura.

Brasão oficial da expedição

No meio de fevereiro, o navio retornou à Pátria. Os preparativos para uma próxima expedição civil tiveram que ser cancelados logo após a eclosão da guerra. Outras duas expedições haviam sido agendadas para 1939/1940 ou 1940/1941, tendo por objetivo oficial encontrar áreas para a caça às baleias e aumentar o território alemão na Antártica, além de estudar a possibilidade de instalar bases navais no Atlântico Sul e no Oceano Índico. Neste ponto termina a parte oficial da documentação.

Com cerca de 11.000 fotografias aéreas, toda uma região de cerca de 350.000 km² na Antártida foi levantada topograficamente e explorada através de vôos de reconhecimento. amanho: igual ao território do Reich antes do início da guerra. O governo não fez alarde sobre o aumento do território, e os invasores de 1945 não reconheceram as reivindicações alemãs sobre a região do pólo sul e proibiram de anunciá-lo.

Oficialmente, o objetivo principal era garantir uma área para uma estação de navios baleeiros, que fazia parte de um plano para aumentar a produção de óleo da Alemanha. O óleo de baleia era o material mais importante para a fabricação de margarina e sabão, a Alemanha era a segunda maior compradora de óleo norueguês e importava cerca de 200 mil toneladas anualmente.

Comparação das localizações alemães da época (1939), do que Neuschwabenland ainda está indicada nos mapas atuais e de hoje, onde é apontado como reivindicação norueguesa.

No Tratado da Antártida de 1957, a Noruega pleiteou o direito sobre o território e renomeou-o com denominações geográficas segundo suas próprias diretivas. Se os novos nomes noruegueses conseguiram se estabelecer, reconhece-se com uma olhadela sobre um mapa atual da região. Lá encontra-se até hoje, em sua grande maioria, os nomes alemães, às vezes também nas duas línguas.

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O final da pesquisa civil não significou o final das expedições alemãs na Antártida. Nos anos de 1940 até 1943, o Império alemão continuou com operações militares em Neuschwabenland e iniciou em 42/43 a construção da famosa base 211 – uma fortaleza alemã no gelo. Quando as tropas aliadas já se encontravam em solo alemão, na Europa central, intensificou-se a locomoção de materiais de alta tecnologia, documentos secretos e importantes pessoas para a base 211 e para uma outra localidade secreta nos Andes sul-americanos.

O final da pesquisa civil não significou o final das expedições alemãs na Antártida
Aqui o Império deveria continuar caso a velha Pátria caísse. Os submarinos utilizados (mais de 100) são declarados até hoje como “desaparecidos”. Em todo o mundo e também na Alemanha “libertada”, não se tinha a menor ideia desta base secreta – até que em 1947 algo aconteceu.
Operação Highjump
Richard E. Bird

Em 27 de janeiro de 1947 (depois da guerra oficial!), uma “expedição” americana chegou em Neuschwabenland. A operação “Highjump” (em português: ‘grande salto ou pulo’) foi comandada pelo famoso piloto dos polos, Almirante Evelyn Byrd (1888 – 1957), condecorado vice-almirante da Marinha de Guerra dos Estados Unidos e consultor-adjunto da expedição, o explorador polar.

Desta forma a Alemanha subjugada foi somente ocupada parcialmente e nunca foi estabelecido um Tratado de Paz. Os aliados estavam inseguros, como ainda hoje estão, pois eles sabiam da existência de parte do grande Império alemão que existia em Neuschwabenland. E para conquistá-la ou somente para explorar, foi preparada uma expedição armada de reconhecimento, a conhecida Operação Highjump. 13 Navios de guerra, 2 quebra-gelos, 1 submarino, 2 destroyers, 1 porta-aviões, 200 aviões e 4.000 soldados (!) com provisões para 18 meses, foram enviados para lá como “ação militar” que em 2 de dezembro 1946 confirmado pelo próprio Byrd.

Com objetivo de destruir a última base nacional-socialista do mundo, a base alemã na Antártida, “a base 211″, seis até oito meses foram calculados pelos americanos para esta última batalha da Segunda Guerra Mundial, porém, foram somente três semanas. 

Os mares polares foram alcançados em 27 de janeiro de 1947. Já nos primeiros voos de reconhecimento, vários aviões foram perdidos. 4 aviões de combate tinham desaparecidos misteriosamente, outros se desorientaram com a névoa repentina e caíram com aquecimento e parada do motor. Outros 9 tiveram de ser deixados na Antártida como inutilizados. A expedição teve de ser cancelada e terminou em um retirada incondicional. Ao almirante Byrd foi destinado o silêncio permanente, até hoje desconhece-se a versão oficial, por que e de quem os americanos tiveram de se retirar. Rumores sobre uma alta tecnologia dos alemães tomaram conta dos noticiários.

Algumas imagens da Operação Highjump (algumas tiradas de vídeos)

Após o misterioso fiasco militar
Os incidentes demonstram que houve contato com o inimigo. Byrd também informou os EUA que eles deveriam se proteger de ataques aéreos provenientes da região polar. 
Os EUA e seus aliados receberam algo inesperado – mais do que a imprensa poderia revelar. Desta forma, nunca foi possível constatar quem eram as aeronaves inimigas da região polar. Isto parece não ter sido tão importante assim, pois após a conferência com a imprensa com Byrd, em 4 de março de 1947, aconteceram coisas realmente surpreendentes.
A diplomacia aliada tornou-se estranhamente ativa. No período de 4 de março de 1947 e abril de 1949, 13 países europeus firmaram entre si um pacto de união contra a Alemanha. França e Inglaterra assinaram em 4 de março de 1947 o Tratado de Dunquerque. Ponto comum de todos os tratados: cooperação militar no caso de uma nova agressão do lado alemão. A Alemanha arrasada, violentada, saqueada, num estado de miséria, subnutrição e com falta de moradia, esgotada e indefesa, uma agressora? Ou os aliados se referiam à outra Alemanha, a qual eles já conheciam desde 1939?

Não obstante, o almirante retorna novamente, mas desta vez melhor preparado. Em 1955 chega à região uma força-tarefa russo-americana sob seu comando, com 12 navios, 3.000 homens, 200 aviões e 300 veículos e instalam inicialmente diversas bases para então preparar o ataque final. No final do verão de 1958, os EUA detonam pelo menos duas bombas atômicas na Antártida.

Wilhelm Landig, o ex-membro da SS morto em 1988, envolvido nos assuntos secretos do Império alemão e autor do livro “Wolfzeit und Thule”, relatou em um vídeo publicado após sua morte, que este ataque também não teve resultado, mas que a base foi fechada nos anos 60 e transferida para a América do Sul.

Até hoje permanecem fortes rumores sobre este “Terceiro Poder”, os descendentes desta elite trazidos em segurança pelos alemães ao final da guerra. Lenndas sobre aeronaves desconhecidas com a simbologia do Terceiro Reich, cuja veracidade é supostamente documentada através de fotos e documentos secretos, e sobre as quais sérios jornais militares dedicaram vários artigos. Na atual supostamente esquecida Neuschwabenland existe desde 1981 uma estação de pesquisa alemã (Estação Neumayer). O que permanece hoje são inúmeras perguntas não respondidas e o mito do mistério.

Conclusão

Confrontemos os fatos atuais com essa previsão: não existe um Tratado de Paz, ou seja, a guerra continua contra o Reich e seus amigos. O Front é complexo, mas ele existe. O fiasco americano em 1947 e as seguidas medidas dos aliados são respostas concretas a muitas perguntas. Nós não necessitamos de qualquer truque ou especulação. A máfia política em solo do antigo Reich alemão, onde a República Federativa da Alemanha (BRD) se auto-declarou inimiga do Reich, faria um favor a si própria em refletir sobre suas decisões apátridas.
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Fontes de pesquisa:

www.inacreditavel.com.br: Neuschwabenland

Nationalbibliothek von Deutschland: Literatur von und über Erich von Drygalski

Ecyclopaedia Britannica: Wilhelm Filchner (GERMAN EXPLORER)

www.inacreditavel.com.br: fiasco militar de 1947

Kurt Brunner, Cornelia Lüdecke: Übung für die Antarktis – Wilhelm Filchners Vorexpedition nach Spitzbergen im Jahr 1910. Ein Beitrag zur Expeditionskartographie. In: Cornelia Lüdecke, Kurt Brunner: Von A (ltenburg) bis Z(eppelin). Deutsche Forschung auf Spitzbergen bis 1914. 100 Jahre Expedition des Herzogs Ernst II. von Sachsen-Altenburg (PDF). Neubiberg 2012 (Schriftenreihe des Instituts für Geodäsie der Universität der Bundeswehr München, Heft, 88), 2012, S. 69–76.

Bibliografia Pesquisada:

Grönland-Expedition der Gesellschaft für Erdkunde zu Berlin 1891-1893, 2 tomos., Kühl, Berlim: 1897

Deutsche Südpolar-Expedition 1901–1903 im Auftrage des Reichsamtes des Innern., 20 tomos e 2 Atlas. Berlin, 1905–1931.

Zum Kontinent des eisigen Südens, Verlag Georg Reimer, Berlin, 1904

BARR, William; KRAUSE, Reinhard; PAWLIK, Peter-Michel. The polar voyages of Captain Eduard Dallmann, whaler, trader, explorer 1830–96.

DRYGALSKI, E. The German South Polar Expedition, 1901-3. Erskine Press: 1991.

MURPHY, D.T. German exploration of the polar world. A history, 1870-1940. Nebraska: 2002.

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